All Chapters of Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário: Chapter 91
- Chapter 100
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Capítulo 91— Dois Dias Não Bastam Para Esquecer Uma Mulher
“A forma mais silenciosa de amar é supervisionar.”Dois dias se passaram do jeito que passam para homens que trabalham muito e sentem mais do que admitem: devagar na rotina, rápido na cabeça.As horas se arrastavam no relógio, mas a mente de Damian não obedecia aos ponteiros. O planejamento vinha primeiro, sempre, porque era o único território em que sabia controlar. Sentimentos, ele empurrava para os intervalos e, ainda assim, eles insistiam em invadir o expediente.Durante esses dois dias, mesmo sem falar diretamente com Elena, se certificou de que ela estivesse sendo bem cuidada e que nada lhe faltasse. Não era o tipo de homem que perguntava “como você está?”, era o tipo de homem que ligava para quem tinha obrigação de saber.Todas as manhãs, o telefone tocava no San Michele di Firenze.— Doutora, aqui é Damian Cavallari.— Sim, senhor Cavallari — a voz do médica vinha com aquele respeito atento de quem sabe quem paga a conta. — A Sofia teve uma noite estável. — Me envie o laudo
Capítulo 92 — Quando o Desejo Tem Nome
“Ninguém teme o que deseja. Exceto quando sabe que deseja a exceção.”Ele finalmente a encarou por um pouco mais de tempo. A irritação com a própria memória, com o próprio corpo e com Elena misturou tudo.— Hoje? — perguntou, devolvendo a provocação. — Hoje eu quero algo simples.Ela passou a ponta da língua pelos lábios, um gesto rápido que não foi acidental.— Simples como o quê?— Como beber em silêncio. — respondeu, e tomou outro gole.O sorriso dela vacilou por meio segundo, logo retomando a forma.— Você trabalha com o quê? — não desistiu, mudando de campo.— Negócios. — respondeu.— Negócios do quê? — insistiu, inclinando-se um pouco mais.Ele respirou fundo, o ar inflando o peito sob a camisa social.— Dos que não cabem em respostas curtas. — cortou, com uma ponta de ironia.Ela riu, e dessa vez inclinou o rosto para o lado, estudando-o.— E está sozinho porque…? — a pergunta veio com uma ponta de curiosidade real.Damian pousou o copo, apoiando os dedos fortes no cristal.— P
Capítulo 93 — O Tipo de Silêncio Que Não Descansa
“Não há estratégias perfeitas quando o coração já escolheu um lado.”Elena RossiA noite sempre demora mais para passar em hospitais.O relógio de parede marcava um horário indecente, daqueles em que metade da cidade já está dormindo e a outra metade finge que não está cansada. No San Michelle di Firenze, porém, ninguém fingia nada. Enfermeiras atravessavam o corredor com passos calculados, médicos conferiam prontuários com olhos cansados, e máquinas piscavam luzes que pareciam pequenos planetas tentando se manter acesos.Sofia dormia e esse era o milagre da vez.Ela estava deitada de lado, com o urso Mel encaixado entre os braços, e a touca de panda aquecia sua cabeça, alguns fios ruivos, já surgiam o que deixava tanto Elena quanto ela animadas. Os exames da tarde tinham sido bons, estava sem febre há dois dias, e a médica saiu do quarto com aquele sorriso contido que aprendeu a ter para não prometer o que não podia garantir. Tudo indicava que a alta estava próxima e o pesadelo de t
Capítulo 94 — O Corpo Antes da Razão
“O que irrita é sempre o que importa.”Elena RossiA cena na cama veio inteira, sem pedir permissão, sem aviso e sem pudor.A noite em que ele dormiu no meu quarto. O peso do corpo grande no colchão, o perfume amadeirado que se infiltrou no travesseiro como se tivesse a intenção de permanecer, a respiração quente que roçava a minha nuca, e aquele toque firme na cintura, não de quem toma, mas de quem segura. Segurar é mais íntimo do que tomar, e eu só entendi isso depois.Fechei os olhos por um instante.O corpo reagiu antes da moralidade se pronunciar. Sempre é assim: o corpo não espera autorização. Um aperto quente no estômago, um arrepio subindo pela coluna, um calor surgindo no meio das pernas que me fez morder o lábio antes de lembrar que estava num hospital e que nada ali combinava com esse tipo de lembrança.Meu corpo ainda queria o toque dele.Meu corpo não tinha vergonha de admitir. Minha cabeça, sim. Minha cabeça sempre quer ser racional, estratégica, madura… e falha miserave
Capítulo 95 —Quando Sentir se Torna Estratégia
“Às vezes, amar é apenas ajustar detalhes que ninguém vê.”Damian acordou com a luz entrando pela fresta da cortina do quarto dela.Demorou três segundos para localizar o próprio corpo no espaço. Teve a estranha sensação de que alguém o observava, mas quando virou o rosto, não havia ninguém.Só o travesseiro dela.Elena não dormia ali há dias, mas o quarto ainda cheirava a ela. Shampoo floral misturado com perfume demasiado discreto, um traço de hidratante de pele e algo que era exclusivamente dela, impossível de rotular.Ele levou a mão ao rosto, sentindo a leve press&
Capítulo 96 — A Forma Mais Silenciosa de Proteger
“Quando o cuidado é real, ele não pede permissão para virar poder.”— A polícia foi acionada e não fez nada?— Nem um aviso. Achei um absurdo, mas enfim… — Beatrice suspirou como quem já estava acostumada com a incompetência do mundo. — Só te liguei porque não vou conseguir ir hoje. Tenho dois compromissos e, se eu não for, perco metade da agenda de março. Você vai passar lá depois?Damian olhou para o relógio, não para medir o tempo, mas para organizar a própria reação. Esse era o tipo de pergunta que não se responde com emoção.— Vou ver.— Isso é o mais perto que você chega de dizer “sim”, então vou aceitar. — riu. — Tchau, Damian.Ela desligou antes que ele pudesse responder. Beatrice sempre soube que Damian nunca fazia nada sob pressão. Três segundos depois, o dedo dele já estava ligando para Alessandro. Não houve reflexão. Houve decisão.O advogado atendeu na primeira vibração.— Bom dia, Damian, a reuniã…— Compre o restaurante ao lado do San Michele di Firenze. — interrompeu,
Capítulo 97 — A Batalha que Ele Escolheu Perder
“Alguns homens vencem todas as guerras até encontrar aquelas que não desejam ganhar.”A sala de reuniões estava cheia demais. Mas o que incomodava, não eram as pessoas, essas Damian sabia administrar com a mesma disciplina com que administrava crises. O que incomodava naquele dia, eram os ruídos que não pertenciam a ele. Vozes precisas, números projetados, expectativas alinhadas como trincheiras. Tudo estava no lugar certo e funcionava como deveria.Exceto ele.Damian mantinha a postura ereta, as mãos apoiadas sobre a mesa de vidro, e o olhar firme, impassível, incisivo. Era o suficiente para que todos ali acreditassem que estava presente, atento e no comando. O comando sempre foi dele. Era o tipo de ambiente onde homens como ele nunca duvidavam do próprio poder.Mas, por dentro, algo falhava e não era técnico, não era financeiro, nem falta de informação. Era ausência. Uma ausência que não deveria existir, não ali, não naquele território que ele dominava com disciplina quase militar.
Capítulo 98 — Onde as Flores Dizem Mais que a Voz
“Alguns gestos não pedem resposta. Eles apenas permanecem.”Elena RossiOs lírios tinham perfume demais para um quarto de hospital.Os lírios exalavam uma fragrância suave e bela, presente o bastante para preencher o quarto e persistir ali mesmo quando a porta se fechava.Elena apoiou o queixo na borda da cama de Sofia e ficou observando as pétalas brancas por tempo demais. Aqueles lírios não eram flores de cortesia nem de protocolo, não tinham sido enviados por obrigação.Eram um gesto. E gestos, quando vêm de certos homens, dizem muito mais do que palavras.O cartão continuava dentro do envelope, dobrado e quieto. Elena tinha lido apenas uma vez e rápido demais, como quem comete um pequeno erro e tenta corrigi-lo antes que deixe marcas. Mas o corpo tinha memória própria, e essa parte ela nunca soube controlar.Sofia estava abraçada ao ursinho Mel e o tórax subia devagar. Ela não dormia, apenas apreciava o carinho da irmã, que acariciava seu rostinho delicado. Elena ajeitou o coberto
Capítulo 99— Onde Ele Entra Pela Primeira Vez
“Há lugares onde o poder não entra primeiro.Quem entra é o cuidado.”Damian entrou no quarto com a atenção silenciosa de quem sabe que certos espaços não se dominam, apenas se respeitam, e não havia ali qualquer receio ou insegurança, mas uma consciência rara de que aquele território não funcionava pelas regras que ele passou a vida inteira impondo.O ambiente estava longe de tudo o que ele conhecia como poder: não havia mesas longas, telas luminosas ou contratos invisíveis pairando no ar, apenas o cheiro suave das flores recém-colocadas, desenhos infantis colados na parede com fita colorida, um ursinho grande demais para aquela cama e uma menina de olhos atentos que o observava com a seriedade de quem decide, em silêncio, se alguém merece ou não atravessar aquela porta.Sophia foi a primeira a falar, sem cerimônia, sem medo e sem qualquer intenção de suavizar a verdade.— Você demorou.A constatação não carregava mágoa nem cobrança, apenas a naturalidade de quem diz algo óbvio dema
Capítulo 100 — Onde Ele Aprende a Ficar
“Há pessoas que entram devagar, mas mudam o lugar para sempre.”Elena foi pega de surpresa, mas reagiu no instinto, segurando a irmã com cuidado, como se aquele abraço fosse algo que pudesse se quebrar se respirasse errado.— Ei… — murmurou, acariciando a cabeça protegida pela touca de unicórnio que ela usava. — O que foi isso, Sophi?Sophia fez biquinho. Um biquinho sério, determinado, daqueles que não pedem permissão para existir.A médica piscou duas vezes, confusa.— Não… não quer ir para casa? — repetiu, procurando apoio no rosto dos adultos. — Mas normalmente as crianças ficam felizes com isso…Damian permaneceu onde estava.Não interveio, apenas observou.Havia algo naquele gesto, o abraço apertado, a recusa espontânea, que despertava nele mais curiosidade do que qualquer relatório clínico.Elena se afastou um pouco, apenas para poder olhar nos olhos verdes da irmã e com delicadeza, tocou o rosto dela e perguntou:— Não quer ir para casa comigo, Sophi… por quê?Sophia levantou