All Chapters of Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário: Chapter 21
- Chapter 30
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Capítulo 21 - Quando o Medo Vira Domínio
Damian CavalariAcordei antes do amanhecer.Não porque quis, ou porque o corpo pediu. Mas porque algo me arrancou do sono como um puxão invisível, um choque quente, incômodo, real demais para ser ignorado.Sentei na cama com a respiração pesada.A cabine ainda estava mergulhada na penumbra perfeita do iate: silenciosa, organizada, sem ruídos, sem falhas, sem interferências. Exatamente como tudo na minha vida sempre deveria estar.Diferente de mim.Havia uma inquietação no centro do meu peito que eu não reconhecia. Não era tensão de negócios, a pressão de decisões, n&atild
Capítulo 22 - A Linha Que Ele Cruzou
Damian CavalariNão era para significar nada.Era isso que eu repetia mentalmente enquanto subia as escadas que levavam ao convés principal, enquanto observava o dia ainda nascendo em tons pálidos ao redor do iate.Elena Rossi não era para significar nada.Ela era um contrato, uma transação, uma escolha estratégica. Uma lembrança viva da promessa que eu fiz a mim mesmo: Nunca mais acreditar em olhares limpos, vozes suaves, promessas sussurradas.Enquanto o vento cortava o ar, trazendo o cheiro salgado do mar e o murmúrio distante das ondas, eu soube, antes mesmo de vê-la, que ela estava ali. O corpo reconheceu antes da razão. O estômago contraiu, meus ombros
Capítulo 23 - O Preço Que Eu Paguei Por Ela
Elena RossiEu não chorei quando ele virou o rosto.Nem quando desceu do iate sem ao menos se despedir, ou quando entrou no carro à espera no porto como se eu não estivesse ali. Porque agora, dentro do carro ao lado de Lara, com a cidade passando borrada do outro lado do vidro, eu percebia o quanto a minha força tinha mais a ver com teatro do que com verdade.O silêncio preenchia o interior do veículo, era o tipo de silêncio que não precisa de palavras para gritar. Eu mantinha as mãos unidas no colo, os dedos entrelaçados com força demais, como se aquilo fosse suficiente para me manter inteira. Mas não era.Uma lágrima escorreu do
Capítulo 24 - O Preço Que Eu Aceitei Pagar
Elena RossiA mulher ergueu os olhos do computador devagar e tarde demais para ser apenas rotina.O silêncio ao redor parecia ter ganhado peso. O corredor da UTI, que até então era só eco de passos, sons metálicos e respirações contidas, ficou suspenso naquele intervalo mínimo entre uma frase e o estrago que ela causaria.— Senhorita Rossi… — a voz veio hesitante, medida, como se cada palavra tivesse sido pesada antes de sair — uma equipe de Milão chegou há pouco. Foram chamados para avaliar o quadro da sua irmã. O caso foi encaminhado como prioridade máxima.O ar literalmente sumiu dos meus pulmões. A sensação era de ter sido empurrada do alto de um pr&eac
Capítulo 25 - Por Ela, Até o Fim
Elena RossiO anoitecer chegou sem piedade.Não houve transição suave. A luz simplesmente se apagou do céu como se alguém tivesse fechado uma porta com força demais. O cinza avançou primeiro, depois o violeta escurecido, pesado, sem estrelas, sem lua visível, apenas o som distante das sirenes se dissolvendo entre os prédios e o farfalhar persistente da chuva fina que ainda insistia em cair. A noite nascia fria, áspera, como se até o mundo tivesse decidido não ser gentil comigo.Dentro do hospital, tudo parecia se mover em outro ritmo.Não o ritmo da vida comum, mas o das urgências que não esperam, das decisões que não pedem licença, das dores que não t&e
Capítulo 26 - Nada na Vida É de Graça
Elena RossiO helicóptero cortava o céu como um risco escuro contra o azul profundo da madrugada, levando Sofia para o hospital cujo nome eu não ousava pronunciar. Havia um medo supersticioso em mim, uma sensação infantil de que, se eu dissesse em voz alta, poderia profanar o milagre comprado com o que restava de mim.Fiquei parada diante da janela do saguão, com os dedos pressionados contra o vidro frio, seguindo com o olhar as luzes que se afastavam lentamente até desaparecerem por completo no horizonte. Só então consegui respirar de verdade. O ar saiu em um suspiro trêmulo, pesado, trazendo comigo uma compreensão tardia e inevitável: o que me aguardava não era apenas difícil, era grande demais para ser ignorado.Sofi
Capítulo 27 - O Centro do Labirinto
Elena RossiPor alguns segundos, nenhum de nós disse nada. Eu ainda sentia o peso da humilhação da medalhinha repousando sobre a mesa, como se fosse possível ouvi-la ecoar mesmo depois do som seco do metal contra a madeira. Ela parecia viva ali, exposta, testemunha muda da minha ingenuidade.Respirei fundo e endireitei os ombros. Não para parecer forte, mas porque, naquele momento, desabar não me daria nada em troca. E eu já tinha aprendido, em tempo recorde, que com Damian Cavallari só sobrevivia quem sabia trocar dor por estratégia.Ele foi o primeiro a se levantar.O movimento foi lento, controlado, quase preguiçoso. Caminhou até o bar como se estivesse
Capítulo 28 - Tudo ao Seu Tempo
Elena RossiEle ergueu lentamente o olhar para mim.Não foi um movimento brusco, nem uma ameaça direta. Foi um levantamento calmo, como se eu fosse apenas mais um detalhe dentro de um reino que ele governava sem esforço. Mas aquele gesto simples teve peso suficiente para me fazer esquecer por um segundo como respirar.— O quê? — ele perguntou.A palavra foi curta e afiada como uma lâmina.O ar faltou nos meus pulmões por um instante. O silêncio antes da resposta pareceu esticar o tempo entre nós dois até o limite.— Quero ver a Sofia. — repeti, sentindo cada sílaba rasgar minha gargan
Capítulo 29 - O Que Ele Nunca Admitiria
Damian CavalariA porta se fechou atrás de Elena com um som quase imperceptível. Não houve estrondo, nem dramaticidade. Apenas o clique discreto da madeira encontrando o batente e, ainda assim, soou dentro de mim como um disparo.Por alguns segundos, permaneci imóvel.Não porque estivesse paralisado, mas porque era assim que eu sempre fazia quando algo ameaçava sair do controle: Eu parava.O silêncio se instalou pela sala. A lareira continuava acesa. O uísque repousava intocado no fundo do copo. E, entre mim e o vazio, existia apenas a medalha.Pequena, ridícula e fora de contexto.Deslizei o olhar até ela. O metal simp
Capítulo 30 - A Medalha Que Ele Pisou
Elena RossiLara não disse nada enquanto caminhava à minha frente pelo corredor.Os saltos dela faziam um som ritmado no piso de madeira, como se cada passo anunciasse: você entrou, agora não sai mais. Eu vinha atrás, obediente, um pouco tonta. O encontro com Damian ainda vibrava dentro de mim como se eu tivesse sido colocada muito perto de um raio.Medalhinha.A palavra soou dentro da minha mente como insulto e lembrança ao mesmo tempo.Ele deixou claro exatamente o que achava dela. Do meu presente, de mim.Lara parou diante de uma porta branca, de madeira pesada, com detalhes discretos em metal escuro. Virou-se para mim. O rosto estava composto, mas h