All Chapters of Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva: Chapter 111
- Chapter 120
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Capítulo 111
~ MAREU ~A primeira coisa que Logan Novak fez foi trancar a porta.Não era uma tranca normal, mas sim uma fechadura que tinha teclado numérico, bip discreto e uma senha que parecia ter sido criada para impedir tanto curiosos quanto sentimentos.— É só pra ninguém entrar — ele disse, como se eu tivesse perguntado.Eu não tinha perguntado. Eu estava ocupada tentando salvar meu vestido e a minha dignidade ao mesmo tempo, o que, honestamente, era um esporte de alto risco.— Claro — eu respondi, e a palavra saiu com uma firmeza que eu não senti. — Imagina alguém ver você aqui e achar que…Eu parei.Porque o “achar que” podia virar mil coisas, e nenhuma delas me ajudava a respirar.Logan caminhou até a bancada. O banheiro tinha aquele mármore que custa o preço de um carro e, ainda assim, parecia hostil. Ele colocou as coisas ali com precisão: água com gás, um pano branco dobrado, um removedor de manchas.Era um kit de contenção de danos para o meu vestido.— Pressiona — ele disse, sem olha
Capítulo 112
~ MAREU ~A boca de Logan estava quente, urgente, desesperada, e eu senti o corpo inteiro desligar e religar ao mesmo tempo. As mãos dele seguraram meu rosto com uma firmeza possessiva, como se ele precisasse me ancorar ali pra ter certeza de que eu era real.Eu me entreguei completamente.Minhas mãos foram pro cabelo dele, puxando, bagunçando aquele penteado impecável. Eu não me importei. E, pelo gemido baixo que saiu da garganta dele, Logan também não.Ele me empurrou mais contra a bancada, o corpo dele colado no meu, e eu senti o quanto ele me queria. Impossível não sentir. Duro, quente, pressionando contra minha barriga de um jeito que me fez gemer dentro do beijo.Logan se afastou só o suficiente pra respirar, os olhos verdes escuros de desejo, a respiração saindo pesada.— Mareu... — ele começou, e eu não sei se era aviso ou pedido.Eu não deixei ele terminar.Puxei ele de volta, mordendo o lábio inferior dele, e foi o suficiente. Logan pegou minha cintura com as duas mãos e me
Capítulo 113
~ MAREU ~Eu não tinha certeza se eu tinha acabado de viver um surto de paixão ou um processo trabalhista em potencial. Eu só sabia que meus joelhos estavam me traindo e que eu ainda estava usando os sapatos como se eles fossem uma medalha. Logan estava a dois passos de mim, respirando como se tivesse subido dez andares de escada, olhando para o meu vestido com a mesma seriedade com que ele olha para contratos.O silêncio entre nós era grosso, quente, cheio de coisas que eu não tinha vocabulário para organizar. Ele passou a mão pelo cabelo, aquele gesto que devia ser simples, mas nele virava ameaça. Os olhos verdes ainda estavam escuros, a mandíbula tensa como se ele estivesse segurando alguma coisa por força.Então, bem baixo, como se tivesse deixado escapar sem autorização da própria mente, ele disse:— Por que você mexe tanto comigo?Eu congelei.— O quê?Logan piscou uma vez, como se tivesse esquecido que eu existia e, ao mesmo tempo, lembrado com violência. Ele balançou a cabeça,
Capítulo 114
~ MAREU ~Clara Ribeiro, com o delineado intacto, a bolsa pequena pendurada no ombro e a expressão de quem tinha sido largada sozinha numa festa de bilionário e voltou para cobrar em juros.Ela entrou e, em vez de me perguntar “você tá bem?”, ela fez o que qualquer amiga de verdade faria: empurrou meu ombro e me jogou de volta para dentro do banheiro como se eu fosse uma porta giratória.— Você foi assaltada por um sommelier ou por um Novak? — ela perguntou.Eu fiquei uns dois segundos processando a pergunta.Provavelmente porque eu estava com a cabeça em outro lugar. Ou em outro... Logan.— Eu… — eu comecei.Clara me olhou de cima a baixo e soltou um suspiro dramático.— Por que eu sinto que não posso te deixar sozinha por cinco minutos?Eu sorri. Um sorriso bobo, culpado e, pior, feliz.— Durou bem mais do que cinco minutos — eu disse, antes que meu cérebro me impedisse.A Clara fechou os olhos por um instante como quem faz uma meditação curta.— Meu Deus. Tá. — Ela apontou o dedo p
Capítulo 115
~ MAREU ~Naquele sábado, eu acordei com o cérebro em modo replay.Luz piscando. Música alta. Gente cheirosa demais. Um banheiro que parecia ter sido patrocinado pelo PIB de um país pequeno. E eu, como sempre, tomando decisões com a mesma prudência de um gato em cima de uma mesa de cristal.Era só pensar com um mínimo de lógica. Aquela casa era a minha única coisa estável no momento: salário certinho, comida que não vinha com cupom de desconto, teto que não ameaçava desabar, e dois seres humanos que eu gostava mais do que era prudente gostar.Olívia e Liam.Dois motivos para eu virar gente.E, ainda assim, eu estava brincando com o próprio emprego como quem brinca com isqueiro perto de cortina.Por quê?Porque Logan Novak era Logan Novak.Porque o meu bom senso, perto dele, virava um bichinho assustado e corria para se esconder atrás do sofá.Eu rolei na cama e encarei o teto, tentando achar uma expressão melhor do que “fogo no rabo”, porque meu orgulho tinha limites, mas meus pensame
Capítulo 116
~ LOGAN ~Empurrar o carrinho do Liam devia ser uma coisa simples.Duas mãos no guidão, rodas obedientes, um bebê que às vezes fazia barulhos como se estivesse narrando o próprio documentário. Mas, naquele sábado, cada metro de calçada parecia carregar um peso que não tinha nada a ver com o carrinho.O sol estava no ponto exato entre “agradável” e “quase calor”, o vento batia com aquela insistência que o Rio tem de lembrar você que ainda existe vida fora de salas com ar-condicionado e reuniões que nunca acabam. Olívia caminhava do meu lado, segurando a mão da Mareu como se aquilo fosse parte do plano dela e não uma medida de segurança. E Mareu, por sua vez, se deixava segurar com aquela naturalidade que ela só tinha quando estava tentando parecer que não estava tentando.Eu olhei para os três, por um segundo, e senti a palavra que eu evito.Família.A ideia veio como um reflexo ridículo, uma imagem pronta: nós quatro em uma fotografia que não precisaria de legenda. A mesma imagem que
Capítulo 117
~ MAREU ~Eu não sei de quem foi a ideia. Mas lá estava eu, sentada em uma embarcação grande, branca, com um formato que tentava ser um cisne e terminava sendo um patinho com autoestima.Liam tinha sido encaixado numa cadeirinha com a seriedade de um passageiro VIP. Olívia estava atrás dele, segurando uma garrafinha de água e um pacote de biscoitos como se estivesse liderando uma operação de suprimentos. E eu e Logan, na frente do pedalinho, com as pernas fazendo o que pernas fazem quando duas pessoas precisam pedalar juntas: se esbarrar.— Instruções — Olívia anunciou, antes mesmo do pedalinho sair do lugar.Eu olhei por cima do ombro.— Existem instruções para… pedalar?— Existe instrução para tudo — ela respondeu. — O pedalinho é um veículo aquático. Veículos aquáticos exigem protocolo.Logan soltou um som que eu reconheci como o equivalente dele a uma risada contida. Eu fingi que não ouvi, porque eu não precisava da humilhação de saber que ele estava se divertindo com a minha cara
Capítulo 118
~ LOGAN ~Eu segui o resto do dia como se nada tivesse acontecido.O tipo de normalidade que eu domino: respostas no tempo certo, postura correta, sorriso curto quando alguém espera um sorriso.Só que havia uma frase presa no meu corpo, reaparecendo no intervalo entre um passo e outro, como um alarme silencioso.Rômulo: Baretto Bar. Te pego em casa amanhã às 18h.Eu não deveria ter visto.Mas vi.E agora eu precisava conviver com a parte de mim que não sabia simplesmente… deixar passar.Ciúme.Não, eu me recusei a aceitar que fosse ciúmes.Talvez fosse só... mais uma crise a ser gerenciada.E foi por isso que chamei Mareu ao meu escritóro.Ela veio alguns minutos depois, como sempre: rápida, presente e fingindo que não estava cansada.Eu apontei para a cadeira em frente à mesa.— Obrigado por passar o dia com a gente hoje — eu disse.Ela arqueou uma sobrancelha, como se eu tivesse acabado de agradecer por ela respirar.— De nada — ela respondeu.Eu puxei uma gaveta, já com o papel pro
Capítulo 119
~ MAREU ~No domingo à noite, eu estava na sala com a Olívia, cada uma ocupando um lado do sofá como se aquilo fosse uma mesa de negociação. Ela com um livro enorme apoiado nas pernas, eu com a pipoca ainda fechada na mão, tentando convencer a mim mesma de que eu sabia conduzir uma noite “normal” com uma criança prodígio.— Certo — eu anunciei, erguendo o pacote de pipoca como se fosse uma proposta oficial. — Temos duas opções para hoje.Olívia levantou os olhos, interessada do jeito frio que me irritava e me encantava ao mesmo tempo.— Opção um: dorama de vingança corporativa com pipoca amanteigada e uma dose de melancolia bem aplicada — eu disse, contando nos dedos. — Opção dois: documentário sobre… sei lá… polvo superdotado com pipoca amanteigada e uma dose de melancolia acidental, porque todo mundo chora quando um polvo morre. Eu não faço as regras.Olívia piscou devagar.— Você colocou melancolia como se fosse tempero.— Porque é — eu respondi, séria. — Domingo à noite é o moment
Capítulo 120
~ MAREU ~A porta fechou.E o silêncio voltou. Só que agora ele tinha a forma exata da presença dele faltando. Não era só “ele saiu”. Era “ele esteve aqui”, e isso deixava uma marca no ar, como perfume caro depois que a pessoa vai embora e você continua respirando por teimosia.Eu fiquei de pé devagar, porque tinha coisas na minha cabeça que eu não queria que estivessem lá, e mexer o corpo ajudava a fingir que eu não estava sentindo. Andei até a bancada da cozinha como se eu fosse uma mulher que só estava indo buscar pipoca, e não uma criatura que tinha acabado de assistir o Logan Novak sair da casa vestido como se fosse fechar um contrato com o destino.— Certo — eu anunciei, batendo palmas como se fosse uma animadora de auditório. — Noite produtiva. Dorama. Pipoca. E emoções moderadas, porque também somos humanas. Ou… eu sou humana. Você é um projeto de CEO.Olívia ergueu o livro como se eu tivesse acabado de apresentar um planejamento semanal ridículo.— Você está falando rápido —