All Chapters of Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva: Chapter 101
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Capítulo 101
~ LOGAN ~Era quinta-feira.O dia seguinte era meu aniversário.Henrique vinha se comportando como se estivesse lançando uma campanha global e não organizando uma festa. O tipo de eficiência entusiasmada que, na Novak, eu normalmente premiaria. Na minha vida pessoal, eu só tolerava.Ele tinha preparado uma festa grande. Amigos, família, alguns clientes próximos. E uma famosa balada da cidade como plano de fundo.Nada digno de uma criança.Nada que eu pudesse levar Olívia. Nada que justificasse eu “precisar” que a Mareu estivesse lá como babá.O que era um problema.Porque eu queria que ela estivesse lá.Naquele dia, saí do escritório com a mesma sensação que eu vinha carregando desde o navio: como se as coisas estivessem sempre a um passo de desandar e eu estivesse constantemente calculando qual seria o pior momento para isso acontecer.No elevador, eu passei o dedo pela tela do celular e vi as mensagens do Henrique.“Confirmado com o DJ.”“Lista fechada.”“Segurança alinhada.”“Vai s
Capítulo 102
~ MAREU ~Eu esperei ouvir o som dos passos dele sumir no corredor.Esperei o clique da porta do quarto dele.Esperei até o silêncio da mansão voltar a ser aquele silêncio caro que parece sempre estar julgando você.Só então eu encarei a caixa em cima da minha cama.Eu tinha fingido que era só uma caixa.Ele tinha fingido que era só um “você pode usar isso se quiser”.A gente era muito bom em fingir.Eu me aproximei devagar, como se a caixa pudesse morder, e puxei a tampa.E o mundo ficou… brilhante.Não literal, claro. Eu não estava abrindo um baú de tesouro pirata.Mas, por um segundo, pareceu.Lá dentro, envoltos em papel de seda, estavam os sapatos.Aqueles sapatos.Os que eu tinha calçado “só pra sentir”.Os que tinham me feito fechar os olhos e perder a pouca dignidade que eu ainda tinha.Eu toquei o salto com a ponta dos dedos como se estivesse testando se era real.Era.Eu puxei um deles para fora, segurando como se fosse algo frágil e, ao mesmo tempo, perigoso.Eu não lembrav
Capítulo 103
~ MAREU ~Eu descobri duas coisas importantes sobre trabalhar a noite inteira costurando um vestido.Café não é bebida. É a minha dignidade em estado líquido.A segunda: a máquina de costura tem opiniões.E ela expressa essas opiniões na forma de linhas emboladas, agulhas que decidem entortar no pior momento e um barulhinho específico que parece uma risada baixa quando você erra.Eu tinha começado com a certeza arrogante de quem já fez barra de calça em quinze minutos.“Eu sei costurar”, eu disse para mim mesma.Como se “saber costurar” automaticamente incluísse “construir um vestido digno de um aniversário em uma balada lotada de gente rica em menos de vinte e quatro horas”.No começo, foi empolgação.Eu espalhei tecidos na cama, desenhei um molde improvisado com lápis de olho (porque eu não ia gastar material de verdade em plena crise), e coloquei os sapatos no chão como se eles fossem meus orientadores.Eu olhava para eles de cinco em cinco minutos como se eles pudessem dizer: vai
Capítulo 104
~ MAREU ~Se era pra virar tragédia, eu preferi virar escândalo.E por escândalo eu quero dizer que, talvez, o vestido tenha saído um pouco mais sexy do que eu tinha planejado.Eu encarei os dois cortes na saia e, por um segundo, considerei a opção emocional: surtar.Depois considerei a opção racional: chorar.No fim, escolhi a opção que eu venho praticando desde que entrei na mansão Novak por engano e permaneci por teimosia: resolver.Nesse caso, com ironia e uma tesoura.Eu aumentei a fenda.Dois buracos viravam “acidente”. Uma fenda virava “design”. E eu não ia dar de presente pra quem quer que tivesse feito aquilo o prazer de me ver constrangida.Eu também acrescentei um pouco de tule.O tule foi o meu pedido de desculpas silencioso para o universo.“Eu sei que isso está ficando ousado demais. Toma aqui uma camada de inocência.”Quando eu terminei, minhas mãos estavam cheias de linha, café e raiva.Mas o vestido…O vestido estava de pé.E eu também.Eu me olhei no espelho com a me
Capítulo 105
~ LOGAN ~A melhor forma de medir o sucesso de uma festa não era o volume da música nem a quantidade de convidados.Era o quanto você conseguia andar sem ser interrompido.No meu caso, a resposta era: não conseguia.Eu tinha dado três passos desde a entrada e já tinham apertado minha mão cinco vezes, dito parabéns sete, feito piada sobre “mais um ano no topo” e tentado, com uma insistência educada, marcar reuniões para a semana seguinte.Era meu aniversário.E eu estava, como sempre, trabalhando.A balada tinha sido tomada por um tipo específico de pessoas: clientes próximos, parceiros, amigos que também eram investidores e investidores que também eram amigos. O ambiente era escuro demais para qualquer coisa além de intenção. Luz cortando o ar em faixas, como se a noite estivesse em pedaços. Música grave o suficiente para vibrar no osso.Henrique tinha chamado de “uma celebração adulta”.Na prática, era um campo de batalha com champanhe.Eu estava com um copo na mão que eu mal tocava,
Capítulo 106
~ MAREU ~Eu entrei segurando uma embalagem de presente como se fosse um documento confidencial.Era ridículo.Aquela balada inteira parecia ter sido construída para gente que não carrega nada nas mãos além de um copo e do próprio ego.Eu e Clara paramos logo depois da entrada, numa área de transição onde o som da música já vibrava no peito, mas ainda dava para ouvir pensamentos. Luz cortando o ar, perfume caro, segurança com cara de “eu sei quanto você vale antes de você dizer seu nome”.Clara olhou ao redor com a expressão de quem entrou numa loja sem placa de preço e decidiu não respirar.Eu apertei a embalagem do presente.— O que eu faço com isso? — eu perguntei, baixinho, como se perguntar fosse pior do que não saber.Clara me olhou como se a resposta estivesse tatuada na minha certidão de nascimento.— Sei lá… — ela disse, séria. — Você é quem vem desse mundo.Eu ri, sem humor.— Eu venho de um mundo onde meus pais cuidavam dessa parte.— Ah — Clara respondeu, e aí ela abriu os
Capítulo 107
~ PAULA ~A festa estava cheia. Música alta, luzes atravessando o ar em cortes, corpos se movendo com aquela facilidade que só existe quando ninguém ali precisa se preocupar com o dia seguinte. O tipo de evento que meu pai gosta porque parece espontâneo, mas é uma vitrine. Clientes próximos, família, investidores... todos fingindo que estão ali por afeto quando, na verdade, estão ali por posição.E, no meio de toda aquela coreografia, Mareu entrou.Ela entrou e o ambiente não parou, mas eu vi um microajuste coletivo. Um segundo de atenção involuntária, como quando alguém muito bonito atravessa um lugar e todo mundo finge que não olhou. Mas olhou.Eu olhei.Claro que eu olhei.E, no reflexo, meus olhos correram para Logan.Porque o ponto nunca foi ela.O ponto sempre foi ele.Logan Novak estava com um grupo de homens que ele respeita. Pessoas que raramente conseguem fazer Logan Novak perder o controle de uma conversa.E ele perdeu.Não com palavras.Com o olhar.Eu vi o microtravamento
Capítulo 108
~ MAREU ~Rafael Salles estava com a bandeja no antebraço, camisa social preta, colete — o pacote completo do “sou invisível”, só que os olhos dele faziam exatamente o oposto. E ele perguntou, com a cara mais cínica do mundo:— E você está aqui com seu… namorado?Eu ouvi a pergunta e, por um segundo, o meu cérebro fez uma lista rápida do que eu podia responder.Opção um: “Não.”Opção dois: “Nós terminamos.”Opção três: “Me deixa em paz.”Opção quatro: “Eu nem sabia que você sabia conjugar possessivos.”Nenhuma era boa.Porque dizer “não” naquela festa, para aquele homem, era abrir espaço para ele fazer o que sempre fez melhor: se infiltrar.Então eu fiz o que qualquer pessoa equilibrada faria.Eu entrei em pânico e escolhi um homem aleatório.Não “aleatório” aleatório — eu não sou suicida. Eu escolhi alguém que, pela roupa e pela postura, claramente não era garçom, não era segurança e não tinha a menor cara de penetra.Ele estava a um passo de mim, conversando com alguém, copo na mão,
Capítulo 109
~ LOGAN ~Eu estava preso num círculo de conversa que alternava entre elogios e pedidos disfarçados. Um investidor comentava a “visão” do grupo. Outro queria saber da expansão do hangar. Um terceiro perguntava sobre o Asteria como se fosse um brinquedo e não um navio cheio de tecnologia, gente e risco. Eu respondia com a cadência correta, sem entregar o que não precisava entregar, e mantinha o corpo no lugar. Festa de aniversário, para mim, sempre foi isso: um lembrete anual de que você pode estar cercado de gente e ainda assim ter que segurar tudo sozinho.E então meus olhos encontraram ela de novo.No meio da pista.E, por um instante, o salão inteiro perdeu prioridade.Mareu estava dançando com um homem alto, um terno que parecia ter sido feito para as luzes de uma balada e a postura de quem não tem pressa de provar nada. Ele conduzia com facilidade, e ela… ela estava rindo.Eu precisei de meio segundo para reconhecer.Rômulo Vianna.Eu não quis fazer um caso disso. O nome entrou n
Capítulo 110
~ MAREU ~Banheiro de balada chique é um conceito, é uma experiência. Luz baixa que te faz parecer mais saudável do que você é, espelho que tenta convencer você de que suas escolhas têm propósito, e um cheiro de perfume caro misturado com desespero em silêncio.Eu estava vivendo essa experiência com um detalhe extra: uma mancha de vinho tentando transformar o meu vestido em desastre social.Eu respirei fundo e fiz o que qualquer pessoa sensata faria nessa situação.Eu virei uma enfermeira.Peguei papel, pressionei, pressionei de novo, sem esfregar. A mancha parecia uma nuvem roxa insistindo em se expandir. Eu comecei a conversar com ela em silêncio, como se fosse um animal.Calma.Fica pequena.Finge que não existe.Eu levantei o tecido, tentei localizar onde tinha pegado no corpete. O corpete era a parte difícil: estruturado, justo, do tipo que não permite erro nem respirando. E agora ele estava sendo atacado por uma bebida que eu nem tinha pedido.Eu prendi a respiração e olhei ao r