All Chapters of Uma noite, uma vida : Chapter 21
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CAPÍTULO 21
GISELE NARRANDO:— Vou deixar Rodriguinho com Dona Sueli— eu disse enquanto pegava a bolsa dele e a minha jaqueta. — Você quer conhecê-la?— Claro — ele respondeu com aquele sorriso que, eu sabia, tinha o poder de conquistar qualquer pessoa. Suspirei e segurei a porta, já pensando nas perguntas curiosas que Dona Sueli faria.Rodrigo segurou Rodriguinho no colo, e eu dei uma última olhada rápida pela casa. Fechei as janelas, ajeitei algumas coisas e trancamos a porta. Enquanto caminhávamos até o final do corredor, Rodrigo brincava com Rodriguinho, fazendo sons de motor com a boca. O som da risada de meu filho era música para os meus ouvidos.Quando chegamos à porta de Dona Sueli, ela já estava aberta. A senhora terminava de tirar o pó dos móveis e sorriu ao nos ver. — Boa tarde, Dona Sueli — eu disse, batendo de leve na porta para chamar sua atenção.— Boa tarde, Gisele! — Ela olhou para Rodrigo e para Rodriguinho no colo dele, surpresa. — Esse é o pai do Rodriguinho — eu disse— N
CAPÍTULO 22
GISELE NARRANDO:Ele, sempre cavalheiro, abriu a porta para mim, o que atraiu ainda mais olhares. Ele cumprimentou os curiosos com um aceno antes de entrar no carro e começar a dirigir.— Ela parece ser uma mulher muito boa — ele comentou, referindo-se à Dona Sueli.— Ela é, sim. Sempre me ajuda muito. Fica acordada até tarde esperando o filho dela chegar do trabalho, então cuida do Rodriguinho para mim sem problemas — respondi.Rodrigo assentiu, pensativo. Depois de um tempo, ele estendeu a mão. — Me dá seu celular.Eu hesitei por um segundo, mas entreguei o aparelho surrado. Ele digitou rapidamente enquanto dirigia e fez uma ligação para si mesmo, salvando o meu número. — Agora você pode me ligar direto se precisar de qualquer coisa.— Obrigada — respondi, ainda tentando processar tudo. Ele parou o carro um pouco antes do bar, virando-se para me olhar de frente. — Gisele, eu quero recuperar o tempo que perdi. Quero estar presente na vida do Rodriguinho, acompanhar tudo. E, a par
CAPÍTULO 23
RODRIGO NARRANDO:Era quase seis da tarde quando deixei Gisele no Bar do Urso. Eu conhecia o lugar, mas nunca tinha frequentado, universitários lotavam o lugar, e meu estilo de vida atual me afastou desse tipo de ambiente. A realidade da vida dela, sua história difícil, tudo o que ouvi naquele dia... ainda estava processando. A ideia de que eu tinha um filho mexia comigo de um jeito que eu não esperava. O pensamento em Rodriguinho me fazia sorrir; mi hijo. E pensar que ele estava em um apartamento apertado, sendo cuidado por uma vizinha, enquanto a mãe trabalhava até de madrugada em um lugar bar... Eu queria tirá-los daquele buraco agora mesmo, mas sabia que precisava ser cauteloso.Dirigi até o novo prédio da Binance Financeira no México. Um arranha-céu moderno e luxuoso, cheio de vidro espelhado e linhas arrojadas. A empresa, fundada pelas minhas tias na Itália, era nossa ferramenta para movimentar milhões no mercado de ações e lavar o dinheiro do cartel. Meu primo cuidava da fil
CAPÍTULO 24
RODRIGO NARRANDO:— Um filho? Mas como assim, Rodrigo? — Vitória perguntou, mais calma, fechando a porta de vidro e se sentando no sofá. Ela esticou as pernas sobre a mesinha e começou a acariciar sua barriga, atenta ao que eu ia dizer.— Bom, você lembra da última vez que estive em Cancún, quando teve o furacão? — comecei, e ela assentiu.— Claro que lembro — respondeu.— Então... naquela noite, o ex marido de Micaela quase nos flagrou juntos. — Sim, eu já sei disso — Já te contei essa parte, mas o que não te contei foi que, depois, passei a noite com uma outra mulher. Não me preveni. Ontem, quando estava indo pra casa, tarde da noite, passei numa farmácia e a vi... com um menino, e ela me disse que ele é meu filho. Veja, eu tenho uma foto, ele é a minha cara. — Tirei a foto do álbum de Rodriguinho que estava na minha carteira e entreguei a ela.— Dios! Ele é idêntico a você, Rodrigo. Olha esse cabelo, e esse sorriso... mas que menino lindo! — Vitória sorriu, com os olhos brilhando
CAPÍTULO 25
RODRIGO NARRANDO:Eu me sentei na minha cadeira confortável de couro, e usei meu celular para fazer uma ligação, ia seguir os conselhos de minha prima, começando pelo básico. Meu advogado, Ernesto Valdés, era conhecido por ser rápido em resolver meus problemas. Ele cuidava de tudo, desde contratos até situações pessoais mais delicadas, e eu confiava nele como em poucos. Quando finalmente atendeu, sua voz firme e pausada me trouxe de volta à realidade.— Rodrigo, como está? — disse Ernesto em seu tom habitual, sempre profissional.— Ernesto, preciso que me ajude com algo pessoal — respondi, com minha voz saindo mais pesada do que eu pretendia. — Eu... tenho um filho, Ernesto. Quero assumir a paternidade dele. Legalmente, com tudo que for necessário, documentos, registros, tudo.Houve um breve silêncio do outro lado da linha, como se ele estivesse processando a novidade.— Um filho? — Ele repetiu, com um leve toque de surpresa. — Claro, podemos fazer isso. Você já fez o teste de DNA?—
CAPÍTULO 26
MICAELA NARRANDO:Eu não estava acreditando no que acabava de ouvir. Rodrigo sumiu por um dia inteiro e, agora, reapareceu com uma história inacreditável. Um filho? Como assim ele tinha um filho? Fiquei parada, com o coração disparado, enquanto tentava processar as palavras que saíam da boca dele.— Querido, me explique essa história direito. — Falei, levantando-me devagar do sofá. Minha voz estava firme, mas eu sabia que, por dentro, a qualquer momento, poderia desmoronar. Respirei fundo, tentando manter o controle. Rodrigo odiava cobranças e, agora, mais do que nunca, eu precisava da verdade.Ele terminou de tomar um copo de água gelada e suspirou, visivelmente exausto. Não sei se estava cansado da situação ou apenas de ter que lidar comigo. Ele apoiou as mãos na bancada de mármore, como se o peso da revelação o tivesse exaurido.— Mica, ontem, quando eu estava vindo pra casa, passei numa farmácia e encontrei uma moça... — começou ele, a voz um pouco hesitante. — Uma moça que eu co
CAPÍTULO 27
MICAELA NARRANDO:— Sim, Mica. Foi naquela noite que o Rennan te encontrou. — Ele confirmou com uma calma que só aumentou minha fúria. Eu virei a dose de uísque de uma vez, tentando manter a compostura. Canalha! Pensei, mas mantive-me em silêncio por um segundo, tentando processar a traição. — Quem é ela? Uma hóspede? Uma funcionária do resort? Eu mereço saber!Rodrigo me olhou nos olhos, sem desviar. Talvez estivesse esperando o momento em que eu explodisse de verdade.— A bartender que estava nos servindo no bar naquela noite. — disse ele, como se fosse a coisa mais simples do mundo. Senti o sangue subir à cabeça. Ele estava comigo, flertando com outra?— O quê? Você estava comigo e flertou com outra mulher? — Minha voz finalmente refletia o que eu sentia por dentro: raiva, indignação, traição.— Não foi bem assim, Mica. — Rodrigo tentou se justificar, mas suas palavras não me convenciam. — Depois que o Rennan apareceu, me escondi para evitar uma confusão. Naquela época, estávamo
CAPÍTULO 28
MICAELA NARRANDO:Rodrigo passou a mão pela cabeça, parecendo cansado.— Mica, ela se ofereceu para fazer o exame de DNA. Não acho que ela estaria mentindo. — Ele insistiu, com uma convicção que só me deixava mais irritada por dentro.Mas eu não podia mostrar isso. Sorri, mantendo o tom doce.— Meu amor, é exatamente isso. Ela ofereceu o exame porque sabia que você ia pedir. É a maneira dela de ganhar sua confiança, de mexer com a sua cabeça.Ele hesitou por um momento, e eu sabia que precisava plantar mais dúvidas.— Ela não pareceu oportunista. Pelo contrário, ela parece tão… esforçada. — A voz dele carregava uma nota de empatia que me incomodou profundamente.Esforçada. Esse elogio ressoou na minha mente como uma faca. Mas eu mantive o sorriso.— Essas são as piores, querido. As que se fazem de santas, esforçadas — Falei com uma leve risada, tentando parecer descontraída. — Você mesmo já me disse que detestava meninas mais novas porque elas se apegam rápido e faziam de tudo para pr
CAPÍTULO 29
RODRIGO NARRANDO: Acordei no meio da madrugada, às quatro da manhã, com a cabeça girando. Micaela ainda dormia ao meu lado, o lençol enrolado em seu corpo nu, enquanto o quarto estava mergulhado em silêncio. Mas minha mente estava longe de estar em paz. A noite passada foi... intensa. Micaela, como sempre, sabia me envolver, sabia como mexer comigo de um jeito que ninguém mais fazia. No calor do momento, quando ela sussurrou no meu ouvido, provocante, "Você não quer fazer um filho comigo, Rodrigo? Imagina só, um bebê lindo como você, com os meus olhos...", eu fui levado pelo desejo. De alguma forma, aquelas palavras me fisgaram. Eu disse que sim, que claro que queria um filho com ela. No fundo, era o que eu queria, certo? Povoar o mundo com descendentes meus, além de Rodriguinho ter mais alguém que pudesse levar meu nome, minha herança. Mas, por mais envolvido que estivesse com Micaela, houve um instante em que, durante o sexo, meu pensamento fugiu. Fugiu para longe daquela cama,
CAPÍTULO 30
RODRIGO NARRANDO:A manhã foi um turbilhão de reuniões e análises. Eu sabia que o ritmo seria intenso, mas não esperava que as coisas se acumulassem dessa forma. O escritório estava agitado, todos pareciam estar na corrida contra o tempo, e eu, no meio de tudo, tentava manter a cabeça no lugar.Passei as primeiras horas revisando relatórios, e um deles me chamou a atenção: o de Breno. Ele havia feito um trabalho minucioso, detalhando os dados operacionais com precisão. Breno era um funcionário eficiente. Estava na fila para uma promoção, e, sinceramente, ele merecia ser considerado. Mas não era o único. Além dele, havia outros três candidatos para o cargo, e cada um deles tinha qualidades que poderiam fazer a diferença na decisão final.Enquanto analisava o desempenho de Breno, lembrei-me das reuniões de feedback que tive com os outros. Hélio tinha experiência e era bom em lidar com situações de crise, Mariana possuía uma visão estratégica incrível e liderava sua equipe com pulso firm