All Chapters of Uma noite, uma vida : Chapter 31
- Chapter 40
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CAPÍTULO 31
RODRIGO NARRANDO: Mesmo com todas as informações, eu tentava absorver tudo, mas sabia que a lista seria útil. Segurei Rodriguinho com um braço e coloquei a bolsa do bebê no ombro. Ele estava arrumado como um mini-eu, com uma camiseta, calça jeans, tênis, e os cabelos penteados para o lado.Gisele pegou outra sacola, dessa vez com alguns brinquedos. — Aqui estão os brinquedos dele, pra caso precise distraí-lo.— Você pensou em tudo, né? — eu disse, rindo. Ela me olhou de um jeito que me fez sentir uma mistura de gratidão e respeito.Antes de sairmos, ofereci: — Te dou uma carona pro trabalho, se quiser.Ela hesitou por um segundo, mas aceitou. — Ah, claro. Assim chego mais rápido no bar.Descemos juntos, com Rodriguinho no meu colo, brincando com o dinossauro de pelúcia. Quando chegamos ao carro, Gisele notou a cadeirinha no banco de trás e sorriu.— Fez bem em comprar isso,— ela disse, satisfeita.— Claro, né. Segurança em primeiro lugar,— respondi, enquanto ajustava a cadeirinh
CAPÍTULO 32
MICAELA NARRANDO:Eu nasci no sul da Itália, herdeira de terras vastas e uma vinícola que meus pais me deixaram antes de falecer. A vinícola era o meu orgulho, o legado da minha família, e foi nela que me encontrei. Desde muito jovem, me apaixonei pelo mundo dos vinhos e me tornei sommelière. Foi através desse caminho que conheci Rennan, meu ex-marido.A primeira vez que nos encontramos, eu estava na Toscana, experimentando vinhos e totalmente focada no trabalho. Eu sabia que meus olhos claros e minha postura firme chamavam atenção, mas nunca imaginei que naquele dia eu atrairia alguém como Rennan. Ele parecia ser o pacote completo: herdeiro de uma das maiores empresas de borracha, dono de fazendas e negócios multimilionários. Não foi o primeiro homem da minha vida, mas acreditei, por um breve tempo, que ele seria o último.Nos casamos, e foi aí que tudo mudou. Aquele homem que parecia perfeito foi se tornando uma sombra do que eu imaginava. Rennan mal ficava em casa. Dizia que estava
CAPÍTULO 33
Seguimos para a sala onde fariam a coleta para o exame de DNA. Tudo muito discreto, como eu tinha exigido. Rodrigo estava tão à vontade, brincando com o menino, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Enquanto colhiam o material, eu ficava observando, já antecipando o alívio de provar que aquela bartender não ia tirar nem um centavo do Rodrigo.Quando tudo terminou, Rodrigo, com aquele sorriso de sempre, virou-se para mim.— Mica, segura o Rodriguinho um pouquinho? Vou ao banheiro rapidinho.Eu queria recusar, queria dizer que não, mas como? Com o mesmo sorriso falso, aceitei.— Claro, amor, vai lá.Peguei o menino nos braços. Pesado. Como um saco de batatas mal distribuído. Ele olhava para mim com curiosidade, mas eu só queria distância.— Escuta aqui, pestinha — murmurei, olhando para o rostinho confuso. — Sua mãe não vai conseguir tirar nada do Rodrigo, entendeu? Não adianta…Antes que eu terminasse, senti algo quente e nojento na minha roupa. O menino tinha gorfado em
CAPÍTULO 34
RODRIGO NARRANDOCheguei na cobertura carregando tudo: Rodriguinho no colo, sua bolsa pendurada no meu braço e a sacola cheia de brinquedos na outra mão. A chave quase caiu enquanto eu abria a porta com pressa. Assim que entrei, coloquei o pequeno no chão, as bolsas sobre a mesa, e suspirei aliviado.Rodriguinho começou a engatinhar imediatamente em direção à escada, e meu coração quase parou. — Ei, ei, ei, vem cá, campeão — chamei, puxando-o de volta para a sala. Ele sorriu e, como se fosse um brinquedo a corda, foi direto para a mesinha de centro, que era praticamente do tamanho dele.— Ah, não, você vai mexer em tudo, né? — brinquei, já me adiantando para tirar os enfeites de cima da mesa e colocá-los no alto, fora do alcance de suas mãozinhas curiosas. — Você não para, hein, rapaz?De repente, ele começou a chupar os dedinhos e a fazer uma carinha triste, e logo o choro veio. — Eita, o que foi agora? — Tentei conversar com ele, mas claro, nenhuma resposta. Apenas mais lágrimas
CAPÍTULO 35
RODRIGO NARRANDO:Eu estava tentando sobreviver ao cheiro de destruição em massa que estava emanando das fraldas do meu filho. Sério, aquilo era como se alguém tivesse aberto uma bomba biológica. Segurando o Rodriguinho nos braços, o pequeno chorava de desespero, e eu, sinceramente, estava a um passo de chorar junto com ele.— Calma, campeão, seu tio já está chegando — tentei o consolar, mas minha voz saiu mais para um pedido desesperado de socorro do que qualquer outra coisa.Enquanto balançava o menino, uma notificação no celular me tirou da minha angústia. Era o porteiro."O senhor Alejandro está subindo com dois homens."Merda! Coloquei Rodriguinho no chão — não que fosse o ideal, mas, naquele momento, era o melhor que eu podia fazer — e corri até a porta. Eu sabia que se não a abrisse logo, Alejandro ia arrombar a entrada com um chute daqueles que só ele sabe dar. Fiquei esperando ele sair do elevador, e quando as portas se abriram... claro, lá estava ele, segurando uma arma na
CAPÍTULO 36
RODRIGO NARRANDO:Ele conhecia o apartamento melhor do que eu. Foi direto para o banheiro da suíte.— Mas você vai fazer o quê com ele? — perguntei enquanto pegava a bolsa de Rodriguinho e ia atrás.— Ele precisa de um banho, Rodrigo! Você o deixou se sujar todo no chão. A mãe desse menino não te conhece pra deixar essa criança com você! Você é um perigo para a sociedade! — Alejandro dizia, colocando o garoto na banheira seca e começando a tirar a roupa dele com uma habilidade assustadora.— Eu só queria ajudar a mãe dele. Ela o deixa com uma senhora que não é da família para trabalhar de noite até madrugada, pensei que seria fácil... — falei, jogando as roupas sujas de Rodriguinho no lixo.Alejandro riu.—Pobre moça, confiar essa criança a passar a noite com você. Esse seu pai é uma piada, Rodriguinho! — ele olhou para o menino e depois para mim. — Você achou que seria fácil cuidar de um bebê? Isso não é brincadeira, marica!Eu quase vomitei quando ele tirou a fralda transbordando e
CAPÍTULO 37
RODRIGO NARRANDO:Eram três da manhã e eu estava completamente exausto. O dia tinha começado cedo demais, com uma série de compromissos que pareciam não ter fim. Para completar, Rodriguinho, estava com energia de sobra desde que acordou da pequena soneca e não parou mais. O moleque tinha só sete meses, mas parecia ter a energia de cinco crianças ao mesmo tempo.Eu estava no limite. Não queria mais dar a comida congelada que Gisele tinha enviado, não depois da última fralda explosiva. Eu não queria correr o risco de mais uma bomba. Então, mantive as coisas simples: mamadeiras e algumas frutinhas. Mas, mesmo assim, parecia que ele tinha uma fome infinita.Já era tarde demais, e Rodriguinho começou a ficar irritado. Ele reclamava da fralda encharcada de xixi, e trocar aquilo foi uma verdadeira batalha. O problema não era só o cansaço, era a inquietação dele. Assim que terminei de trocá-lo, o menino não parava quieto, se mexendo de um lado para o outro, tentando engatinhar por toda a cobe
CAPÍTULO 38
GISELE NARRANDO:Eu não conseguia tirar da cabeça como seria a primeira noite de Rodriguinho com Rodrigo. Fiquei pensando se ele estava bem, se estava dormindo, se o Rodrigo tinha dado conta de tudo. Era estranho sentir essa preocupação, uma mistura de ansiedade com alívio. Rodrigo estava disposto a ajudar, e por mais que eu ainda tivesse minhas dúvidas, a ideia de dividir as responsabilidades com o pai do meu filho me trazia uma sensação boa. Talvez, pela primeira vez, eu não estivesse sozinha nessa jornada.A noite no bar estava agitada, como de costume. O movimento só começou a acalmar lá pelas três da manhã. Entre servir os clientes e organizar o balcão, meus pensamentos voltavam para o celular. A cada vibração ou toque, meu coração acelerava. Será que ele ia me mandar uma mensagem? Será que estava tudo bem com Rodriguinho? O bar estava lotado, mas minha mente estava em outro lugar.— Vamos, Gisele, foco aqui — pensei, enquanto organizava as bebidas.No balcão, quem não faltava er
CAPÍTULO 39
GISELE NARRANDO:Chegando à porta, destranquei-a e entrei primeiro, colocando as bolsas sobre o sofá. Meu espaço era pequeno, mas era aconchegante, e o berço de Rodriguinho já estava preparado ao lado da minha cama. Ajeitei os lençóis e organizei o travesseirinho enquanto Rodrigo se aproximava. Ele se inclinou com cuidado, colocando nosso filho no berço, e eu rapidamente cobri suas perninhas com a manta que ele adorava. O toque da pele quentinha me encheu de uma ternura que não dava para explicar.Rodrigo foi até a sala e se espreguiçou, claramente exausto. Me aproximei dele, falando baixinho para não acordar o bebê.— Obrigada por ter cuidado dele essa noite. — Eu disse com sinceridade.Rodrigo me olhou, com os olhos cansados.— Foi muito bom passar esse tempo com ele... Quero ter outras noites assim, se você deixar.Nossos olhares se cruzaram por alguns segundos. Ele estava com os olhos profundos, o cabelo bagunçado, e mesmo assim, parecia mais bonito do que nunca. Senti algo mexer
CAPÍTULO 40
RODRIGO NARRANDO:Nos últimos dias, estava atolado de trabalho com o lançamento da Vitcoin, um projeto que vinha sendo desenvolvido há anos e que, finalmente, estávamos colocando no mercado. Era a primeira criptomoeda da nossa empresa, criada com o objetivo de facilitar as transações financeiras sem deixar rastros, especialmente para os negócios da família. Eu, Vittoria e Magrelo trabalhamos nisso por tanto tempo que ver os resultados começarem a aparecer era surreal. A bolsa de valores explodiu, as mensagens de clientes e familiares começaram a chegar, todos satisfeitos com a rapidez e eficiência das transações usando a nova moeda. Deveria estar completamente focado nisso, mas algo não saía da minha cabeça: Rodriguinho, não conseguia deixar de pensar em como ele estaria. Não o via há dias, e estava sentindo falta dele. Gisele mandava vídeos e fotos, atendia minhas ligações sempre atenciosa, mas eu percebia o cansaço no rosto dela. Eu sabia que ela estava exausta, e isso só me fazia