All Chapters of Uma noite, uma vida : Chapter 41
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PARTE 2 CAPÍTULO 40 (GISELE DESCOBRE DNA)
RODRIGO NARRANDO:Caminhei até a porta com passos apressados e ao abrir encontrei Gisele saindo do elevador, segurando Rodriguinho nos braços. Ela estava visivelmente exausta, com as olheiras marcando seu rosto, mas seus olhos brilharam quando me viram.— Olá, Rodrigo — disse Gisele, com um sorriso cansado, mas sincero. Ela ajeitou Rodriguinho nos braços, que estava curioso, olhando ao redor com seus olhos grandes e atentos.— Olá, Gisele. — Sorri para ela, mas meus olhos logo caíram sobre o pequeno Rodriguinho, que estendeu os braços para mim. Meu peito se aqueceu instantaneamente. — Vem cá, campeão.Peguei Rodriguinho dos braços de Gisele, sentindo seu peso contra meu peito, e o cheiro familiar de bebê me invadiu. Era como se tudo estivesse no lugar certo naquele momento.Micaela observava à distância, com seus braços cruzados, o sorriso educado ainda no rosto, mas sem a mesma alegria que eu sentia.— Ele está lindo, Gisele — comentei, tentando quebrar o gelo. — Parece que cresce
CAPÍTULO 41
GISELE NARRANDO:Quando saí do edifício luxuoso onde Rodrigo morava, senti como se estivesse em um sonho ruim, daqueles que a gente quer acordar, mas não consegue. Entrei no primeiro táxi que vi, e minha mente estava em turbilhão. O peso do que acabara de acontecer, a descoberta de que Rodrigo fez o exame de DNA pelas minhas costas, enquanto aquela loira platinada estava lá no apartamento dele, me acertou em cheio, como um soco no estômago. Minha visão ficou turva, e por um instante, eu apertei Rodriguinho tão forte que seu choro agudo me trouxe de volta.— Me desculpa, hijo... — murmurei, ajeitando-o no meu colo com mais cuidado e beijando sua testa. Ele se aconchegou em mim, e aquele simples gesto me desarmou. Meu menino não tinha culpa de nada.Eu não tinha mais cabeça para ir trabalhar. Não depois disso. Olhei pela janela do táxi, tentando encontrar algum tipo de paz no movimento das ruas, mas o que me invadia era raiva. Como Rodrigo pôde fazer isso comigo? Como ele pôde agir nas
CAPÍTULO 42
GISELE NARRANDO:Eu me sentia exausta, como se o peso do mundo estivesse sobre meus ombros. Então, mandei uma mensagem no grupo do bar:"Gente, me desculpem, mas não estou me sentindo muito bem hoje. Não vou conseguir ir trabalhar essa noite."A resposta veio rápido, para minha sorte. Afonso, sempre tão compreensivo, foi o primeiro a responder."Melhoras, Gisa! Não se preocupe, o movimento tá tranquilo por aqui."Em seguida, veio a mensagem de Jéssica, cheia de energia, como sempre:"Relaxa, eu dou conta!"Suspirei aliviada. Respirei fundo, sentindo um peso sair das minhas costas. Eu precisava daquela noite de folga mais do que imaginava.Mais tarde, Dona Sueli apareceu na minha porta com um pote de carne assada com batatas. Ela sempre tinha um gesto de carinho pronto para mim. Agradeci, sorrindo, e ela me respondeu com aquele jeito carinhoso que me confortava.— Come tudinho, viu, querida? Você precisa se cuidar.Assenti e a observei sair. Depois, peguei Rodriguinho no colo e prepare
CAPÍTULO 43
GISELE NARRANDO:Eu acordei com a cabeça latejando levemente, consequência das quatro Piña Coladas que bebi na noite anterior tentando apagar Rodrigo da mente. Mas não adiantou. Quanto mais eu tentava afastar os pensamentos sobre ele, mais ele parecia invadir cada canto da minha cabeça. Dormir foi quase impossível, e quando finalmente apaguei, fui acordada logo cedo pelo meu despertador favorito: Rodriguinho.Senti suas mãozinhas quentinhas tocando meu rosto, e sorri mesmo com a dor leve na cabeça. Ele era meu motivo para seguir em frente, meu amor maior.— Buenos días, mi príncipe — eu disse, com minha voz ainda meio rouca de sono.Rodriguinho deu um pulo em cima de mim, rindo e batendo palminhas.— Mama! — Ele exclamou, animado.Sorri para ele, coçando os olhos e me espreguiçando.— Acordou com as energias renovadas, pequenito? — brinquei, enquanto ele confirmava com um balançar animado da cabeça.Era hora de começar mais um dia, então me levantei e fui direto preparar a mamadeira d
CAPÍTULO 44
GISELE NARRANDO:— Posso saber o que você quer? — Fui direta, sem paciência para rodeios.Micaela deu aquele sorriso que me fazia querer vomitar.— Claro. Gosto de pessoas diretas assim. — Ela deu um passo à frente. — Isso me mostra que você não é tão inocente quanto parece.Suspirei fundo, tentando manter o controle.— Micaela, eu não tenho tempo a perder como você, então é melhor ir direto ao assunto. O que está fazendo aqui?Ela me encarou, como se estivesse analisando cada movimento meu, tentando achar alguma fraqueza. Respirou fundo e, com um olhar frio, respondeu.— Você sabe muito bem que o assunto é o Rodrigo. O que mais eu teria para tratar com você?Rolei os olhos, já sem paciência para essa palhaçada.— Continue, Micaela. Ainda não estou entendendo.Ela estreitou os olhos, como se estivesse se preparando para um ataque.— Que golpe baixo, até para você bartender…— Não teve golpe nenhum, me chamar de bartender não me menospreza, eu tenho orgulho de trabalhar para conquistar
CAPÍTULO 45
GISELE NARRANDO:Eu podia sentir a tensão no ar, mas mantive meu olhar firme no dela, esperando que aquela máscara de superioridade caísse. Micaela cruzou os braços, mas não recuou. Ela não estava acostumada a ser enfrentada, era fácil perceber. Só que hoje, eu não ia engolir mais nada.— É melhor aceitar a pensão do bastardo e se afastar do meu namorado, ou vai ter sérios problemas comigo — ela ameaçou, com um sorrisinho cínico que fez meu sangue ferver.Aquela palavra "bastardo" ecoou na minha cabeça, como um tapa na cara. O Rodrigo, sinceramente, já não me importava mais, mas meu filho? Meu Rodriguinho? Ela não tinha o direito de falar dele assim. Sem pensar duas vezes, coloquei uma mão na cintura e deixei a ironia sair.— Ah, mas eu já tenho sérios problemas com você, a partir do momento que fica chamando meu filho de bastardo. Seu namorado é todo seu, eu detesto homens canalhas. Na verdade, vocês dois combinam muito bem — ri com desprezo.O rosto de Micaela ficou rígido. Ela não
CAPÍTULO 46
DONA MADAH NARRANDO:Cheguei à mansão de Vittoria e Alejandro com um sorriso no rosto. Tinha trazido um conjuntinho para o Alezinho, recém-nascido, da Louis Vuitton, e um vestidinho para Valentina, a primogênita de três anos. Eu não pude visitá-los no hospital quando Alezinho nasceu, então essa era a minha chance de finalmente conhecer o novo membro da família e, é claro, mimar os pequenos.Ao passar pelo portão, notei a movimentação no jardim. Havia um buffet montado, um bar com um barman preparando drinks, e, próximo à piscina, um DJ animava a tarde com música suave. A decoração estava impecável, com brinquedos infantis espalhados. Sorri. Vittoria e Alejandro sempre gostaram de festas, e parece que até as visitas mais simples se transformavam em eventos especiais.Fui recebida por Maristela, a mãe de Alejandro, com aquele sorriso caloroso de sempre.— Madah, querida, você demorou! — Stela exclamou, vindo me abraçar.— Eu não sabia que era uma festinha! — respondi, rindo e olhando ao
CAPÍTULO 47
DONA MADAH NARRANDO:Meus pensamentos congelam, enquanto tento processar o que acabei de ouvir. — Como assim? Um filho? Ele nunca me disse nada. — Minha voz soa incrédula, quase uma acusação, mas eu realmente não consigo acreditar.Vittoria então começou a explicar: — É que ele descobriu recentemente. O bebê é lindo, tem sete ou oito meses. O Alejandro teve que ir ajudar o Rodrigo a cuidar do menino alguns dias atrás. Imagina, seu filho não sabia nem limpar uma fralda! Eu pensei que ele já tivesse contado.Meus olhos percorrem o ambiente, mas tudo pareceu turvo. — Estou chocada. Ele não me contou nada — digo, ainda atônita.Maristela, sempre maternal, se aproxima e pede: — Madah, deixa eu segurar o Alezinho. — Eu, quase mecanicamente, entrego o bebê para ela, mas minha mente já está longe, tentando entender como Rodrigo, o meu Rodrigo, pôde esconder algo assim de mim.— Eu não acredito que o Rodrigo está escondendo o filho dele de mim — digo, levantando-me de repente. Pego a bebi
CAPÍTULO 48
RODRIGO NARRANDO:Eu estava frustrado, para dizer o mínimo. Gisele estava me mantendo afastado de Rodriguinho, e cada vez que eu tentava entrar em contato, só encontrava silêncio. Ela não atendia minhas ligações, não respondia minhas mensagens. Isso estava me corroendo por dentro, me deixando louco. O que mais eu poderia fazer?Quando Micaela, sempre tão generosa, se ofereceu para falar com Gisele, achei que talvez ela pudesse ajudar. Mulher para mulher, talvez Gisele a ouvisse. Passei o endereço para Micaela, cheio de esperança. Eu não sabia o que esperar, mas torcia para que ela conseguisse trazer meu filho.Quando o telefone tocou com uma chamada de vídeo, respirei aliviado por um momento, achando que seria uma boa notícia. Mas, ao ver Micaela do outro lado da tela, com a cara lavada de água e a voz tremendo, a raiva subiu pelo meu corpo. — Gisele me maltratou, Rodrigo! Eu só queria ajudar, e ela jogou água suja em mim como se eu fosse... como se eu fosse lixo! — Micaela chorava,
CAPÍTULO 49
RODRIGO NARRANDO:Cheguei à porta da kitnet dela e bati com força. A madeira vibrava a cada batida, mas eu não me importava.— Gisele, abre a porta! Eu quero ver meu filho, Gisele! — Minha voz saiu arrastada, mas alta o suficiente para ela ouvir, mesmo do lado de dentro.A porta se abriu com um tranco, e lá estava ela. O rosto amassado de sono, com os olhos irritados.— Você quer derrubar a minha porta desse jeito? Vai acordar o Rodriguinho! — Ela disse com aquele tom de voz que me tirava do sério.— Eu não quero saber da porta, Gisele. Cadê meu filho? Eu vim buscar ele! — Respondi, tentando empurrar a porta para entrar, mas ela ficou no caminho, me impedindo.Ela me olhou de cima a baixo, e o desgosto no rosto dela era claro.— Você está bêbado? Eu não acredito nisso! — Ela me empurrou para trás, e a força dela me desequilibrou por um segundo.— Eu quero ver meu filho! Você não vai me afastar dele, tá me ouvindo? O exame deu positivo, ele é meu! — Eu disse, irritado, com o tom de voz