All Chapters of Uma noite, uma vida : Chapter 51
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CAPÍTULO 50
MARIA EDUARDA NARRANDO:A luz dourada do sol de Malibu refletia nas ondas enquanto eu caminhava pela praia, após o meu treino de beach tênis, peguei minha câmera capturando cada detalhe da minha conexão com a natureza. O som das ondas quebrando, o vento suave nos meus cabelos presos em um rabo de cavalo e a areia sob meus pés eram a combinação perfeita para o curta que eu estava filmando. Essa era minha paixão – capturar momentos autênticos, simples, mas carregados de significado.Minha vida em Los Angeles era um sonho que se tornava realidade a cada dia. Tinha me formado recentemente em cinema pela Universidade de Hollywood e, com apenas vinte e dois anos, eu já morava sozinha em um apartamento confortável que meus pais tinham comprado para mim no centro da cidade. Eu estava exatamente onde sempre quis estar, cercada de amigos e trabalhando em meus próprios projetos criativos. Tudo parecia se encaixar... até eu receber a ligação da minha mãe.Ela nunca ligava sem motivo. E quando lig
CAPÍTULO 51
MARIA EDUARDA NARRANDO:Assim que o avião tocou o solo, respirei fundo, sentindo o peso da ansiedade se dissipar. Peguei minha mala de mão e a bolsa, e fui uma das primeiras a descer, o calor suave da Cidade do México me envolveu assim que passei pelas portas do avião. Caminhei até a esteira de bagagens, onde esperei por alguns minutos até avistar minhas duas malas grandes, com algum esforço, coloquei ambas no carrinho e comecei a caminhar em direção à saída.Ao atravessar as portas de vidro, senti o ar vibrante da cidade me acolher, mas onde estava o motorista? Peguei o celular para enviar uma mensagem à minha mãe, avisando que não o tinha encontrado ainda, e fiquei parada, observando ao redor, foi então que o vi. Meu coração quase parou.Um homem alto, com um terno perfeitamente ajustado ao corpo, cabelos castanhos claros jogados de lado, barba bem desenhada e aqueles olhos... verdes como um campo depois da chuva. Nossos olhares se cruzaram, e eu senti um arrepio percorrer meu corp
CAPÍTULO 52
MARIA EDUARDA NARRANDO:— Que? Sequestrar o quê, Rodrigo? Que merda você tá dizendo? — Fiquei confusa, tentando acompanhar o raciocínio dele.— A Gisele... ela não quer deixar eu ver meu filho. Vamos lá buscar ele agora! Ela não pode fazer isso. — Rodrigo começou a ficar nervoso, levantando a voz.— Gisele? Quem é Gisele? A mãe do menino? — perguntei, tentando entender a situação.— Sim... do Rodriguinho. Ele é lindo, Duda, tem os meus olhos. — Ele sorriu, com um brilho de orgulho nos olhos, por um segundo parecendo sóbrio.— Seu bastardo, como você esconde uma criança da gente? — Eu estava irritada. Como ele tinha coragem de guardar uma coisa dessas?— Eu também não sabia, Duda... Ele apareceu no meu pé do nada... Eu me apeguei a ele. Mas agora a mãe dele quer me impedir de vê-lo. Ela não me conhece, não sabe do que sou capaz. — Ele resmungou, com a frustração transparecendo em cada palavra.— O que você fez para ela não querer você perto do menino? Que história louca é essa? Não fa
CAPÍTULO 53
MARIA EDUARDA NARRANDO:Depois de fechar as cortinas e verificar se Rodrigo estava realmente adormecido, caminhei silenciosamente até a porta, fechando-a com cuidado. Peguei as chaves da Mercedes dele que estavam em cima da mesa na sala, olhando em volta como se esperasse que alguém fosse me interromper. Rodrigo está apagado, pensei. Ele não vai se importar se eu usar o carro dele só um pouquinho.Saí do apartamento, trancando a porta atrás de mim, e desci pelo elevador até a garagem. Assim que avistei uma Mercedes conversível prata com bancos azuis, não tive dúvida de que era a dele. Apertei o botão do alarme só para confirmar, e o som agudo reverberou na garagem. Sorri. Ah, Rodrigo, sempre tão previsível.Entrei no carro e joguei minha bolsa no banco do passageiro. Olhei pelo retrovisor e vi a cadeirinha de bebê no banco de trás. Meu coração aqueceu. Um sobrinho… eu realmente tinha um sobrinho. Era surreal. Liguei o carro e, enquanto o motor roncava, sintonizei o rádio em uma músic
CAPÍTULO 54
GISELE NARRANDO:Não consegui dormir mais, e fiquei com uma dor de cabeça terrível, resultado da manhã em claro depois do escândalo que Rodrigo fez. Eu ainda estava tentando processar tudo quando recebi uma carta. Era um comunicado extrajudicial, assim como todos os meus vizinhos, informando que a villa tinha sido vendida para uma construtora e que tínhamos uma semana para sair. Uma semana! Era absurdo, eu sempre paguei os seis mil pesos de aluguel certinho. Senti uma indignação tomar conta de mim, mas antes mesmo de eu conseguir lidar com essa bomba, outra surpresa bateu à minha porta.No começo, eu não queria abrir. Tinha medo de ser mais uma má notícia. Mas, para minha surpresa, quem estava lá era Duda, a irmã de Rodrigo. Ela era uma morena de cabelos longos, com tatuagens pelos braços, delineador marcante, usando um cropped preto, calça legging e uma bota. Já sem forças para mais um confronto, tentei mandá-la embora, mas ela insistiu para entrar, dizendo que tinha viajado horas e
CAPÍTULO 55
GISELE NARRANDO:Quando terminei de arrumar tudo, ajeitei a bolsa do Rodriguinho e me preparei para mais um dia de trabalho, com a mente um pouco mais tranquila, mas ainda cheia de incertezas sobre o que estava por vir.Caminhamos juntas pelo corredor apertado da villa até a casa de Dona Sueli. Eu segurava Rodriguinho no colo, e Duda seguia ao meu lado, com seu jeito despojado e um sorriso que parecia sempre pronto. Quando chegamos à porta, bati levemente. Dona Sueli, abriu a porta com uma expressão cansada. Ela estava cercada por caixas, visivelmente chateada.— Dona Sueli, tudo bem? — perguntei, olhando ao redor e vendo suas coisas sendo guardadas.— Oi, Gisele... Bem, do jeito que dá, né? Estou de mudança, como todo mundo aqui... — ela respondeu, com um suspiro.— Mudança? — Duda interrompeu, surpresa. — Vocês estão se mudando?— A villa toda foi vendida para uma construtora, menina — explicou Dona Sueli, ainda mexendo nas caixas. — Todos nós fomos despejados. Só temos uma semana
CAPÍTULO 56
GISELE NARRANDO:Eu dei a volta no balcão, guardei minha bolsa e coloquei o avental, pronta para mais uma noite de trabalho. O bar começou a ficar mais cheio com a chegada dos universitários. O DJ já estava montando seu equipamento no canto, e a música começou a aumentar. Jéssica já estava preparando um drink para um cliente, enquanto eu pegava uma coqueteleira e me adiantei, preparando uma Piña Colada para Duda.— Aqui está, especial da casa — coloquei o drink na frente dela com um sorriso.— Uau! Isso parece maravilhoso, Gisele! — Duda agradeceu e tomou um gole, sorrindo em aprovação. — Perfeito!O movimento aumentava cada vez mais, e entre preparar drinks e servir os clientes, eu e Duda íamos conversando entre pausas. Ela, sempre sentada no balcão, alternava drinks com água, mantendo uma conversa leve e descontraída, mas em certo momento, ela me perguntou:— Como foi que você conheceu o Rodrigo? Desculpa, mas estou muito curiosaSoltei uma risada, relembrando a história.— Foi uma
CAPÍTULO 57
GISELE NARRANDO:A noite foi avançando, e eu continuei a trabalhar, indo de um lado para o outro enquanto Duda permanecia sentada no balcão, intercalando drinks com água, como prometido. Conversávamos entre as pausas, e o movimento no bar estava a todo vapor, com o DJ tocando músicas que animavam a galera.Quando meu turno finalmente acabou, Duda se levantou, um pouco cambaleante.— Vamos, eu te dou uma carona — Ela disse, sorrindo animada.Fiquei um pouco preocupada, principalmente porque ela tinha bebido mais do que eu esperava.— Tem certeza que está bem pra dirigir? — perguntei, franzindo o cenho.— Ah, Gisa, relaxa! Eu dirijo desde os doze anos — respondeu, rindo. — Meu pai que me ensinou, sabia?— Tá, mas... eu tenho um filho pra criar, então por favor, vai devagar! — brinquei, mas no fundo estava séria.— Pode deixar, eu sou uma excelente motorista — ela respondeu com uma piscadela, me puxando para fora do bar.O caminho até a villa foi tranquilo, apesar da minha preocupação. D
CAPÍTULO 58
RODRIGO NARRANDO:Acordei com uma dor de cabeça latejante. As tequilas que bebi na noite anterior me deixaram completamente desnorteado. Sentei na cama e olhei ao redor, tentando entender onde eu estava, reconhecendo minha suíte. Tudo parecia confuso. Levantei com dificuldade, ainda um pouco tonto, e fui direto para o banheiro. Enquanto usava o vaso, apoiei uma das mãos na parede, reclamando baixinho de dor.— Merda... por que eu tomei tanta tequila? — resmunguei, tentando lembrar o que aconteceu antes de apagar.Terminei ali e fui até a pia. Lavei o rosto com água gelada e me forcei a encarar o espelho. Meu cabelo estava uma bagunça, os olhos fundos, e eu parecia um trapo. As cortinas do quarto estavam fechadas, deixando tudo escuro. Com uma mão pesada, as abri, esperando ver a luz do amanhecer, mas estava escuro lá fora. Franzi o cenho, confuso.— Mas que horas são?Peguei o celular e, para minha surpresa, eram três da manhã... do dia seguinte. Eu havia apagado o dia inteiro. Olhei
CAPÍTULO 59
RODRIGO NARRANDO:Continuei caminhando, meus passos ecoando pelo corredor largo e silencioso. O cheiro de café fresco e torradas invadiu meus sentidos, e ao me aproximar da sala de jantar, encontrei Duda, minha irmã, sentada à mesa com o cabelo bagunçado e o rosto marcado de sono.— Cadê a chave do meu carro, sua ladra? — perguntei, parando de frente para ela, que devorava seu café da manhã com uma fome visível.— Está aqui, seu chato — ela disse, jogando as chaves em minha direção sem nem olhar para mim. Peguei-as no ar.— Nunca mais use meu carro de novo sem minha permissão — falei com irritação, embora já soubesse que ela não ligava para minhas reclamações.— Ah, deixa de ser chato… É melhor você ir logo para o escritório, papai e mamãe estão te esperando. E só pra avisar... você tá ferrado. — Ela se levantou da mesa com um sorriso malicioso, pegando um pedaço de pão com Nutella antes de se encaminhar para a escada.— Dedo duro... pra onde você vai? Não foge não. — Tentei soar aut