05
Author: DaysyEscritora
last update2025-11-10 06:40:30

A notícia da gravidez de Bianca se espalhou como um incêndio florestal, chegando primeiro a Vivian. Não demorou muito para que a porta do luxuoso apartamento se abrisse de repente, revelando a figura furiosa de sua mãe, Bruno pisando em seus calcanhares, com um semblante de angústia. Bianca estava de pé na sala, o medo um nó frio em seu estômago, quando Vivian a viu.

— Você! Pura vergonha! — gritou Vivian, e antes que Bianca pudesse reagir, um tapa ressoou no silêncio do apartamento. O impacto fez a cabeça de Bianca girar, e a ardência em sua bochecha empalideceu diante do ardor da humilhação. — Vadia! Qualquer uma! Arruinando o pouco que nos restava de dignidade!

Nesse exato momento, como se o destino se agradasse do drama, a campainha da entrada tocou com insistência. A porta se abriu, e George e Jackeline Harrington entraram, seus rostos impassíveis, mas com uma fria expectativa em seus olhos. Eric deve ter lhes informado. Eles vieram corroborar a humilhante verdade.

A vergonha queimou Bianca, misturando-se com uma raiva impotente. Como podiam julgá-la assim, sem saber de nada, sem querer ouvir? Com lágrimas escorrendo por suas bochechas, ela se ajoelhou lentamente.

— Sinto muito... sinto muito — murmurou, suas palavras afogadas pelos soluços. Ela parecia patética, rastejando por um perdão que sabia que nunca chegaria.

Eric, que observara a cena com uma frieza perturbadora, finalmente falou, sua voz gélida.

— Já chega deste circo. — Ele se dirigiu a seus pais, a voz clara e cortante. — Não quero vê-la novamente. O que ela fez não me afeta emocionalmente, pois eu nunca a quis, vocês sabem disso. Mas se isso for divulgado, manchará meu nome e o da família.

Vivian e Bruno, com o rosto desfigurado, tentaram interceder, desesperados para não perder a ajuda financeira que os Harrington lhes haviam estendido através desse casamento forçado.

— George, por favor... — suplicou Vivian, as lágrimas brotando de seus próprios olhos. — Não podemos perder o seu apoio. Aitana... ela gostaria...

George Harrington levantou uma mão, silenciando-os.

— A dívida será paga, Bruno. Essa foi a nossa palavra. Mas a casa que lhes foi dada, e qualquer outro benefício futuro, está anulada. Vocês não têm mais laços com esta família além desse compromisso cumprido. Devem abandonar a propriedade.

As palavras de George atingiram Vivian e Bruno. Os rostos de seus pais se desfiguraram com o desespero, a incredulidade. Em meio àquele desastre, Bianca permanecia no chão, calada, como se cada acusação, cada julgamento, fosse uma prova irrefutável de sua culpa.

De repente, Eric a pegou pelo braço com uma brusquidão que a fez ofegar. Ele a levantou do chão e a arrastou em direção ao quarto, sem se importar com a presença de seus pais nem com o olhar dos seus.

— Arrume suas malas — ordenou, sua voz baixa e carregada de uma ira controlada. — Quanto antes, melhor. Não te quero mais um minuto neste apartamento.

A dor a atravessou, um punhal que se retorcia em seu coração. Sem dizer uma palavra, Bianca se dirigiu ao armário. Suas mãos tremiam enquanto ela colocava algumas poucas roupas em uma pequena mala. Não havia muito que pudesse levar. Mais do que posses, ela só acumulava fardos e dor.

Eric a observava da soleira, seus olhos azuis como icebergs. Ela não sabia para onde ir, nem como sobreviveria sozinha. Mas sair daquele inferno para enfrentar algo pior, era uma incerteza desoladora, parecia seu único destino. Não haveria ninguém que a salvasse.

Nem mesmo sua família arruinada, que agora a havia banido por completo.

Antes que ela fosse embora, Eric apertou seu pulso, ela se virou para vê-lo e suspirou.

— Por que mentir se você sabe que é patético? Você está arruinada.

— Eu nunca te menti, Eric — sussurrou com voz quebrada antes de se soltar e sair, ela os encontrou ainda na sala e lhes falou. — Mamãe, papai, espero que um dia possam entender que eu não sou o que vocês pensam que sou neste momento. O mesmo para vocês, senhora e senhor Harrington. Eu não sou uma mentirosa, tampouco fiz algo de errado.

No final, eles ficaram desorientados, acreditando que ela estava apenas sendo cínica e zombeteira.

E, na primeira noite lá fora, enquanto Eric estava em seu luxuoso apartamento, ela por sua vez caminhou sem rumo, até que esbarrou nele, quase uma casualidade destinada.

— Bianca; onde você vai com essa mala?

O moreno de olhos verdes, era Steven, ele parecia mais magro do que da última vez. Era evidente que a morte de Aitana o atingiu com força.

— Eu... não é um bom momento, Steven.

— Soube que você se casou, você está bem?

Ela soluçou e negou, Steven leu em seu olhar que a irmã do que foi o amor de sua vida, estava em apuros. Então ele a abraçou, naquele momento ela soltou o choro e sussurrou que não sabia o que fazer, que se sentia sem rumo, extraviada em uma realidade que a submetia.

Nesse instante, homens de Eric tiraram fotografias daquele encontro casual, do abraço, da interação; imagens que, ao chegarem a Eric, confirmaram, embora de forma errônea, que ela sempre mentiu.

— Steven, não sei para onde ir, além disso, não tenho dinheiro e... — antes de dizer algo mais, seu estômago roncou e ele sorriu.

— Quer vir para o meu apartamento? Você pode passar a noite lá, também vou te fazer algo para comer.

— É sério?

— Sim, de verdade.

Ela sorriu fugazmente e ele se encarregou de sua mala, mais uma foto que foi enviada a Eric, então o milionário jogou o telefone contra a parede, furioso com o descaramento daquela mulher.

Aquele era o amante dela, o pai daquele bebê!

— Por que você pensou que me faria de idiota? Maldita seja! — rugiu envalentonado, sozinho em seu enorme quarto, embora por uma estranha razão, as paredes o apertassem.

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  • 160 Fim

    O tempo voou e, apesar das circunstâncias, Bianca e Eric estavam muito emocionados com as mudanças em suas vidas. A ideia de viverem juntos os enchia de uma felicidade que não se podia medir. Eles se sentiam prontos para começar de novo e planejar um futuro em família. Eric, com o coração cheio de esperanças, havia escolhido um novo lugar para eles. Um lugar para começar do zero, longe do que uma vez haviam deixado pela metade. Os gêmeos, Olivia e Henry, eram os mais animados. Ambos olhavam para os pais com os olhos brilhantes.— O lugar para onde vamos tem um pátio enorme para brincar? — perguntaram.Eric e Bianca se olharam com um sorriso. Eles explicaram que havia muito espaço, que eles poderiam correr e fazer muitas coisas em seu novo lar. Bianca também estava ansiosa para conhecer o local. Naquele dia, Eric dirigiu cerca de uma hora e meia até chegarem a uma grande propriedade. Os portões se abriram e, quando entraram, Bianca não podia acreditar no que estava vendo. A propriedade

  • 159

    Dias depois, Eric estava em seu escritório, absorto nos planos de seu novo projeto. O design do complexo de edifícios se desdobrava em sua tela, um quebra-cabeça de linhas e ângulos que o absorvia por completo. Era sua forma de canalizar a ansiedade e a dor em algo produtivo, construindo um futuro que parecia tão sólido quanto o cimento.A porta se abriu de repente e apareceu sua secretária, Daniela Montero. Ela parecia preocupada, seu rosto pálido e seus ombros tensos.— Senhor Harrington — disse, sua voz era apenas um sussurro —, estão solicitando o senhor ao telefone.A formalidade em seu tom, que costumava ser tão alegre, indicou a Eric que algo não estava bem. Ele deixou o lápis sobre a mesa e pegou o telefone que ela lhe oferecia.— Sou o detetive Smith — disse uma voz grave do outro lado da linha. — Ligo para informá-lo que, com as provas que o senhor nos forneceu e a confissão dos homens que sequestraram a senhorita Bianca, há cinco anos e meio, conseguimos reunir provas sufic

  • 158

    Os dias no hospital tinham sido os mais longos na vida de Bianca. Ela sentia que o tempo havia parado, cada minuto uma eternidade longe dos seus filhos. Mas agora, finalmente, o momento da partida havia chegado. Eric empurrava a cadeira de rodas em que ela estava sentada, um gesto de amor e proteção. O ar fresco do exterior lhe deu as boas-vindas. A luz do sol pareceu um bálsamo em sua pele. O aroma de liberdade, de vida, encheu seus pulmões.No entanto, o rosto de Eric mudou drasticamente quando ele viu duas mulheres em seu caminho. Ali, ao lado de sua chefe Elara, estava Clara. Eric cumprimentou Elara, que, aliás, já estava ciente do seu relacionamento com Bianca. A mulher ainda estava surpresa, mais ainda ao saber que eles tinham filhos em comum. Por outro lado, Clara tinha os olhos cheios de lágrimas. Ela segurava um buquê de flores, que estendeu a Bianca.— Estou tão feliz em ver você recuperada — disse Clara, com a voz embargada pela emoção. — Estou tão contente que você possa v

  • 157

    Tatiana se sentou na cadeira de metal, a luz da lâmpada do teto refletindo na mesa de aço. A sala, com suas paredes cinzas e o ar frio, era um mundo distante do luxo e do conforto a que estava acostumada. Em frente a ela, dois detetives a observavam, seus rostos sérios e seus olhos avaliadores.— Senhorita Tatiana Russo, nós a prendemos sob suspeita de sequestro, agressão e tentativa de assassinato. Os homens que a ajudaram já confessaram. É melhor para a senhorita cooperar — disse o detetive, sua voz era tranquila, quase monótona.Tatiana soltou uma risada seca, um som tão frio quanto o quarto.— Não sei do que o senhor está falando. Eu não conheço esses homens. Eu não fiz nada. Isso deve ser um erro.O outro detetive se inclinou para frente, com os cotovelos sobre a mesa. Sua voz era mais dura.— Pare o show. Sabemos que a senhorita ordenou que levassem a senhorita Bianca. Que deu a ordem para torturá-la e depois a deixassem lá para morrer.Tatiana, inabalável, cruzou uma perna sobr

  • 156

    Eric arrastou uma cadeira e a colocou perto da cama, um ruído surdo que não lhe importou. Ele se jogou sobre ela, sem se importar com a hora, que já era madrugada, nem com o cansaço que sentia. O corredor do hospital, com sua luz fria e seu silêncio opressivo, era um mundo distante. Ali, na penumbra do quarto, só existia ela. A dor física que o havia consumido ao lutar parecia insignificante ao lado da dor emocional que lhe roía a alma.Ele pegou a mão de Bianca, sentindo sua pele fria e frágil. Apenas esse contato lhe dava força para continuar. Ele se sentia um fracasso. Havia chegado a tempo de salvá-la, sim, mas não para evitar que a ferissem. E muito menos para salvar seu filho, um filho que ele não soube que existia até que ele se fora para sempre. As lágrimas, que ele havia contido desde que o médico lhe deu a notícia, rolaram por suas bochechas.— Eu sinto muito, Bianca — sussurrou, com a voz embargada pela emoção. — Eu devia ter te protegido, eu devia ter feito melhor.Ele bei

  • 155

    Uma hora antes...Ele pegou o celular e, com as mãos firmes, discou o número da polícia.— Preciso que enviem uma patrulha e uma ambulância para a rua... Acho que há um sequestro em um armazém abandonado.Ele deu seu nome e desligou. Só então ele desceu do carro. Abriu o porta-luvas do carro e pegou sua arma de defesa pessoal. Sua mente estava clara. A porta do armazém estava entreaberta. Uma voz grave e um grito abafado se infiltraram. Era ela.A porta se abriu de repente com seu empurrão. O ar rançoso do interior, carregado de poeira e umidade, atingiu seu rosto. Seu olhar se fixou imediatamente em duas figuras corpulentas que se inclinavam sobre Bianca, caída no chão. Um medo frio e paralisante o atravessou.— Afastem-se dela! — gritou, sua voz era um trovão de pura ira.Os homens se viraram, surpresos. Um deles soltou uma risada zombeteira.— Ora, ora. Olhem quem temos aqui. O namorado da senhorita — disse, o escárnio em sua voz era palpável.Eric não respondeu. Não ia perder temp

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tô vendo que a Bianca vai sofrer muito

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