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Capítulo 4 — “Seu corpo me pertence. Sua alma me pertence. Esqueceu?”
Author: Maerley Oliveira
last update2025-10-23 09:04:25

Pov Lianna Aslan

Minha respiração falha. O chão some sob meus pés. A verdade, cruel e nua, se instala: meu casamento nunca foi amor. Foi uma prisão.

As lágrimas escorrem sem que eu consiga controlar.

Não digo mais nada. Não consigo.

Afundo no chão, encostada à cama, puxando o lençol para me cobrir, tentando me recolher em um casulo de silêncio. Ele me encara por um instante, resfolegando, depois se afasta, ajustando a camisa como se nada tivesse acontecido.

— Amanhã conversamos. — Sua voz é seca, definitiva.

Ele deu meia-volta, mas em vez de sair, parou diante da porta. Seus ombros subiram e desceram numa respiração profunda. Quando se virou novamente, a frieza nos olhos havia dado lugar a algo mais perigoso, mais primitivo. Uma centelha de posse absoluta que fez meu estômago embrulhar.

— Pensando bem, não... Não vamos esperar até amanhã — ele disse, sua voz um fio de ameaça sedosa. — Você quer a verdade, Lianna? Então vai ter. Toda ela.

Meus olhos arregalaram-se quando ele arrancou o cinto da calça, o couro sibilando no ar. Antes que eu pudesse gritar, ele me puxou para cama e estava sobre mim, seus joelhos imobilizando minhas coxas na cama. O peso do seu corpo era esmagador.

— Zayden, não! Por favor! — Minha voz era um apelo estridente, carregado de um pânico que eu mesma não reconhecia.

Ele ignorou meus protestos, prendendo meus pulsos com uma das mãos e usando a outra para puxar o tecido frágil da lingerie. O som do rendado se rasgando ecoou no quarto como um tiro.

— Você é minha esposa — ele sussurrou, seu hálito quente e embriagado de uísque contra meu pescoço. — Seu corpo me pertence. Sua alma me pertence. Esqueceu?

As lágrimas escorriam pelos meus rostos, misturando-se ao suor e ao restante da maquiagem. Cada toque dele, que antes poderia ter despertado prazer, agora queimava como fogo. Era uma violação, uma demarcação de território.

— Eu te odeio — solucei, virando o rosto para o travesseiro.

Ele riu, um som baixo e sem humor. 

— Odeie, então. Mas me deseja também. Seu corpo não mente para mim, Lianna.

Era a mais cruel das verdades. Mesmo através do medo e da raiva, meu corpo, treinado por anos de sua posse, respondia à familiaridade do seu toque. Um gemido escapou de meus lábios, seguido por um novo surto de choro, mais amargo que o anterior. A vergonha dessa resposta fisiológica involuntária era quase pior que a violência. Apesar do meu corpo responder a ele, eu não queria e ele não parecia se importar com isso.

Ele a interpretou como rendição.

— Viu? — murmurou, seus lábios percorrendo minha clavícula. — Você sempre foi minha. Sempre será.

O mundo se reduziu àquele espaço: ao som de sua respiração ofegante, ao cheiro do uísque e do perfume de Camille que ainda impregnava sua pele, ao sabor salgado de minhas próprias lágrimas. Era um ato de dominação, não de paixão. Uma reafirmação do seu controle no momento em que eu ousara questioná-lo.

Seus joelhos forçaram minhas pernas a se abrirem. 

— Não... por favor, Zayden...— Minha voz saiu quebrada, mas ele já estava avançando, seu corpo um peso implacável.

A primeira penetração foi um golpe seco que arrancou um grito abafado de minha garganta. 

—Pare! Você está me machucando!— Minhas mãos se enfraqueceram contra seu peito, tentando empurrá-lo, mas ele simplesmente prendeu meus pulsos contra o colchão.

— Você é minha!— ele rosnou próximo ao meu ouvido, seus quadris movendo-se com uma cadência brutal que fazia a cama ranger em protesto. — Sempre foi.

Meu corpo arqueou contra minha vontade, cada movimento seu rasgando-me por dentro. As lágrimas escorriam incontroláveis, molhando o travesseiro e meus cabelos. 

— Por favor... chega...— supliquei, mas minhas palavras só pareciam excitá-lo mais.

Ele enterrou o rosto em meu pescoço, seus dentes marcando minha pele enquanto murmurava possessivo: — Nunca vai ser de outro. Nunca.

Seu ritmo se tornou mais frenético, seus gemidos guturais se misturando aos meus soluços. Eu me debati sob ele, mas suas mãos eram garras de aço em meus pulsos. O cheiro do perfume dela ainda em sua pele era o insulto final, eu podia senti-lo em cada respiração, uma lembrança venenosa de que isso era sobre poder, não desejo.

Quando seu corpo finalmente estremeceu sobre o meu, um último e profundo gemido escapou de seus lábios. Ele permaneceu sobre mim por um momento que pareceu eterno, sua respiração pesada contra meu pescoço.

Então ele se moveu, levantando-se como se nada tivesse acontecido. Eu rolei de lado, me encolhendo em posição fetal, o corpo doendo em cada fibra. O silêncio que se seguiu foi mais violento que qualquer um de seus movimentos.

Ele se arrumou com eficiência cruel, olhando para minha figura tremula na cama. 

—Agora você lembra—, disse suavemente.  —Você é minha, Lianna. Sempre foi. Nunca teve opção.

Ele parou na porta, olhando para minha figura imóvel.

— Agora sim, amanhã conversamos — disse, sua voz de volta àquela frieza habitual. — E, Lianna? Não esqueça o seu lugar.

Ele fez uma pausa, ajustando o colarinho da camisa impecável, como se estivesse se preparando para um palco. Seus olhos me perfuraram, frios e calculistas.

— Ah, e tem um jantar muito importante amanhã à noite. Com investidores de alto nível, no Plaza Hotel. Você vai me acompanhar, claro. Vista-se pensando e cumpra seu dever como esposa. Sorria, converse e faça com que pareça que somos uma família perfeita. Entendeu?

Eu assenti, engolindo o nó na garganta. 

Não pude deixar de pensar: se, amanhã à noite, eu revelasse tudo o que ele tinha feito comigo na frente de todos...?

Não, Zayden me mataria. Eu não podia deixar nada acontecer com meu filho.

Mas... será que eu ia viver presa nessa gaiola para o resto da vida?

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