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Capítulo 5 — "Querida irmã, estou transando com o seu marido!"
Author: Maerley Oliveira
last update2025-10-23 09:05:47

POV Lianna

Meu rosto ainda dói.

Passei mais de uma hora em frente à penteadeira tentando apagar o tapa que Zayden me deu na noite passada. O que consegui foi apenas disfarçar. 

Olho para o meu reflexo no espelho. Os olhos que me encaram são de uma estranha. Estão vazios, sem brilho, como se a luz que neles habitava tivesse sido roubada. 

A mulher que escolheu uma lingerie para celebrar o amor está morta. O que sobrou é um casulo vazio, uma concha quebrada na praia após uma tempestade,

Eu não posso falhar. Hoje é um evento da empresa, o tal jantar de negócios que Zayden considera mais importante que qualquer aniversário de casamento, mais importante que nós dois. 

E eu, como sua esposa, tenho que estar lá. Brilhar. Fingir que nada aconteceu.

Escolhi um vestido longo, vermelho escarlate. Elegante, mas não ousado. Um escudo disfarçado de glamour. Coloquei joias discretas, presilhas douradas no cabelo. Se ele me quer como acessório, que seja o mais caro da vitrine.

Quando entro no salão do hotel escolhido, o som da música e o burburinho de vozes me atingem como ondas de um mar gelado. Lustres de cristal espalham reflexos dourados. Homens de terno discutem números, mulheres ricas exibem sorrisos artificiais. 

E lá está ele.

De pé, imponente, como sempre. O terno perfeitamente alinhado, a gravata preta impecável. Ao seu lado, Camille.

Minha irmã. Minha traição em carne e osso.

O vestido dela é azul-marinho, justo e provocante. O sorriso? Doce, treinado. O tipo de sorriso que parece inocente, mas tem veneno na ponta. E o braço dele está próximo demais do dela. Um movimento sutil, mas íntimo.

Os olhares em volta percebem.

Os cochichos começam.

E me atingem antes mesmo que eu me aproxime.

— É a esposa dele?

— Mas aquela não é a irmã dela?

— Que escândalo...

O sangue some das minhas mãos.

Sinto o chão balançar, mas mantenho a postura. Ombros retos, queixo erguido. Se é pra ser humilhada, que pelo menos eu pareça feita de mármore.

Zayden percebe minha chegada.

Seus olhos cruzam os meus… frios, avaliadores. Ele não se aproxima, não sorri, não me chama. Apenas observa, parecendo medir o quanto eu aguento antes de quebrar.

Camille, por outro lado, levanta a taça.

— Lianna! — chama em voz alta, atraindo a atenção de metade do salão. — Que surpresa ver você aqui!

“Surpresa.”

Como se eu não fosse a esposa legítima.

— Camille — respondo, mantendo a voz firme. — Que coincidência.

Ela se aproxima, passos lentos, o tilintar da pulseira ecoando como provocação.

— Veio sozinha? — pergunta, o sorriso inocente demais pra ser verdadeiro. — Zayden e eu estávamos conversando sobre o novo contrato da empresa. Você sabe como ele é... sempre tão dedicado.

O subtexto é claro.

E os olhares ao redor captam.

Alguns riem. Outros me observam com piedade.

Zayden não faz nada.

Nem um gesto. Nem um desmentido.

Apenas continua ali, impassível, como se tudo aquilo fosse... merecido.

Meu estômago se contrai.

Mas sorrio.

Um sorriso que corta.

— Sim, eu sei exatamente como ele é.

Viro as costas antes que ela veja as lágrimas queimando por trás do rímel.

Me sento à mesa designada, fingindo interesse nas conversas, nos brindes, nas piadas de gente rica que nunca sofreu.

Mas o que mais ouço são os sussurros. Camille ri alto, exagera na proximidade. Zayden permite. E em cada olhar trocado entre eles, algo em mim se desfaz.

A certa altura, ela se aproxima de novo.

Traz uma taça de champanhe na mão e uma expressão cínica.

— Lianna, querida, você parece tão tensa. — diz, tocando meu ombro com falsa gentileza. — Quer um pouco de champanhe? Vai te relaxar.

— Não, obrigada. — respondo seca.

Ela dá um risinho.

— Sempre tão contida. Sabe... Zayden prefere mulheres mais... espontâneas. Ahhh! — De repente, gritou Camille, tropeçando “por acidente” e caindo em cima de mim, enquanto metade do vinho se derramava sobre o meu vestido. O líquido frio escorre pelo meu decote, manchando o tecido vermelho — um vermelho agora mais escuro, quase como sangue.

— Oh, meu Deus! — ela leva a mão à boca, fingindo espanto. — Eu… eu juro que não foi de propósito!

Os risos contidos. Os sussurros disfarçados. E, por um segundo, todo o salão se cala pra assistir à minha humilhação.

Zayden, parado ao lado dela, apenas observa.

Nem um passo, nem um gesto, nem um “está tudo bem”.

Nada.

Sinto o calor subir pelo rosto, o coração bater como um tambor dentro do peito. As lágrimas ameaçam, mas eu as engulo.

Levanto o queixo, tentando manter a dignidade que ainda me resta.

— Está tudo bem. — digo, num tom calmo demais pra ser real. 

Mas Camille deu um sorriso pequeno e venenoso, e disse baixinho:

— Claro que está. Deve ser mais vergonhoso e doloroso ver Zayden beijando outra mulher bem na porta do hospital, né? Querida irmã, estou transando com o seu marido! Mas... “tudo bem”, não é?

Ela sabia. Ela me viu no hospital… 

Tudo foi de propósito. Ela queria destruir tudo o que eu tinha.

A palma da minha mão encontra o rosto dela antes que eu perceba o que estou fazendo. O som do tapa ecoa, seco e alto, cortando o silêncio como um trovão.

Camille cambaleia, tropeça nos próprios saltos e cai, espalhando a taça quebrada pelo chão.

Um coro de exclamações enche o salão.

E, finalmente, Zayden se move. Não pra mim. Pra ela.

Ele se abaixa, segura Camille pelos ombros, a protege com o corpo, enquanto lança sobre mim um olhar cheio de fúria.

— Você enlouqueceu, Lianna?! — ele grita. — Camille não fez de propósito, e mesmo assim você foi cruel! Ela está fraca, podia ter se machucado. Peça desculpas!

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