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Capítulo 6 – "Eu estou grávida, Zayden. Grávida de gêmeos.”
Author: Maerley Oliveira
last update2025-10-23 09:06:27

POV Lianna

 — Você enlouqueceu, Lianna?! — Zayden grita. — Camille não fez de propósito, e mesmo assim você foi cruel! Ela está fraca, podia ter se machucado. Peça desculpas!

— Fraca?! — minha voz treme. — Você chama isso de fraqueza? Depois de tudo que ela fez?

— Chega! — ele interrompe. — Você vai pedir desculpas. Agora.

As pessoas olham. Algumas cochicham.

Eu sinto o chão fugir.

— Não. — sussurro. — Eu não vou pedir desculpas por me defender.

Ele me encara, incrédulo.

— Está me desafiando, Lianna?

— Estou cansada de ser sua piada.

Eu viro o rosto, engulo o grito que ameaça sair. 

Saí do salão.

O corredor do hotel estava frio, o mármore gelado sob meus pés. Encostei na parede, respirei fundo.

Uma. Duas. Três vezes. Mas o ar não entrava.

Meu peito apertava como se algo o esmagasse de dentro pra fora. O coração disparava. A visão começou a escurecer nas bordas.

— Senhora Cross? — ouvi alguém chamar, distante.

Não respondi. Dei um passo. Depois outro. O chão pareceu sumir. Tudo ficou preto.

Quando abri os olhos, o teto era branco. A luz, fria. O som ritmado de máquinas preenchia o silêncio. Demorei pra entender onde estava. No Hospital.

Minha cabeça latejava. O corpo inteiro doía, especialmente o lado do rosto que ele me bateu. Toquei devagar. A pele estava sensível, quente.

Uma mulher de jaleco entrou, sorrindo de leve.

— Senhora Cross? Sou a doutora Maura. Como se sente?

— Tonta… — sussurrei. — O que aconteceu?

— A senhora desmaiou. Um quadro de estresse agudo. Seu corpo está pedindo socorro.

Ela se aproximou um pouco mais, os olhos gentis demais pra disfarçar o que via.

— Eu examinei você — disse, baixando o tom. — Encontrei hematomas recentes. No rosto, nos braços… marcas que não parecem acidentais.

Meu coração parou por um segundo.

— Eu… caí — menti.

— Não, senhora Cross. — Ela balançou a cabeça com suavidade. — Pode me dizer o que quiser, mas o corpo não mente.

Senti o impacto das palavras dela. 

— Além disso… — a doutora respirou fundo — A senhora está grávida. São dois corações batendo. Estão bem por enquanto, mas… — hesitou — se a senhora continuar sob tanto estresse, se esses episódios de agressão se repetirem, pode colocar os bebês em risco. E a si mesma também.

Fiquei imóvel. As palavras giravam em volta de mim, mas o sentido delas era um só: eles estavam em perigo.

A doutora tocou meu ombro, com ternura.

— Sei que talvez não queira ouvir isso, mas precisa pensar em si mesma agora. E nos seus filhos.

Fechei os olhos.

O rosto de Zayden veio à mente… frio, arrogante, cruel e o som do tapa pareceu ecoar de novo.

Eu não podia voltar para aquela casa.

Não mais.

***

O relógio marcava 3h12 da manhã quando o táxi parou em frente à mansão.

As luzes da fachada estavam acesas, e por um segundo, eu soube, ele estava me esperando.

O coração começou a bater rápido, um tambor apavorado dentro do peito.

Respirei fundo, e entrei.

O som dos meus saltos ecoou no piso de mármore. A casa estava silenciosa, exceto pelo tique-taque do relógio no hall.

E então, o barulho: o estalo seco de um copo sendo colocado com força sobre a mesa.

— Finalmente. — A voz dele cortou o ar, fria e controlada. — Que horas são, Lianna?

O nome na boca dele soou como um insulto.

Zayden estava sentado no sofá, as mangas da camisa dobradas, a gravata afrouxada, o olhar encharcado de raiva e uísque.

Ao lado, uma garrafa quase vazia.

Eu tentei responder, mas as palavras se enroscaram na garganta.

— Eu... eu passei mal. — consegui dizer. — Fui ao hospital...

Ele se levantou devagar.

O movimento foi tão calculado que doeu. O homem que eu amava parecia uma fera em silêncio antes do ataque.

— Ao hospital? — repetiu, a voz baixa, quase serena demais. — E acha que eu vou acreditar nessa desculpa?

— É a verdade, Zayden. Eu passei mal depois do jantar. — dei um passo à frente, hesitante. — Eu estava exausta, tonta...

Ele riu. Um som amargo, carregado de desprezo.

— Exausta? — repetiu. — Engraçado, você não parecia exausta quando sorriu para o advogado da empresa. Ou quando saiu no meio da festa sem sequer olhar na minha cara.

Fez uma pausa. — E me diga, Lianna... com quem você foi se consolar depois?

O ar sumiu.

— O quê? — sussurrei, incrédula. — Está me acusando de traição?

Ele deu um passo à frente.

O olhar dele era um abismo.

— Você acha que eu não sei? Que as pessoas não comentam? Todos viram. Todos viram você fugindo da festa como uma adolescente rejeitada. Eu fiquei ali, ouvindo cochichos, vendo os investidores rindo às minhas costas. A esposa perfeita desapareceu. Você me envergonhou, Lianna.

— Eu te envergonhei? — perguntei, e a voz falhou. — Eu fui humilhada na frente de todos! Camille... ela—

— Camille é a única que tem se mostrado leal. — interrompeu, seco. — Ela tentou te defender. Você, por outro lado... parece que gosta de me destruir.

A palavra “leal” fez meu estômago revirar.

Camille, minha meia-irmã, minha traição viva.

— Eu vi vocês — deixei escapar. — Vi vocês juntos, Zayden. Não me venha falar de lealdade.

O músculo no maxilar se contraiu. Ele apenas sorriu. Um sorriso torcido, cheio de veneno.

— De novo este assunto? Está com ciúmes. — Ele se inclinou, o rosto perto demais do meu. — Você sempre foi patética, Lianna.  Vive num mundo de fantasias, se alimenta de emoções. Por isso eu nunca te levei a sério.

— Você está me ferindo. — murmurei.

Eu? — ele deu um passo pra trás e pegou o copo. — Você me feriu primeiro. Ridicularizou meu nome, manchou minha imagem.

Jogou o copo contra a parede.

O som dos estilhaços ecoou pela sala, me fazendo estremecer.

— Olha pra você! — gritou. — Você acha que alguém te respeita? Que alguém te enxerga além de ser minha esposa?

Eu tremia.

Mas, mesmo assim, tentei me defender.

— Eu estou grávida, Zayden. — sussurrei. — Grávida de gêmeos.

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