CAPÍTULO 8
Author: Mia Bianchi
last update2026-01-14 01:15:44

GISELE NARRANDO:

A vida na Cidade do México não foi fácil no começo, mas encontrar um lugar para morar foi o primeiro passo para recomeçar. Eu queria algo barato, afinal, precisava economizar ao máximo. Depois de algumas semanas de busca, encontrei um apartamento em uma villa simples, com várias kitnets homologadas, formando um pequeno condomínio. Não era o bairro mais bonito, mas era seguro, tranquilo, e o aluguel cabia no meu bolso.

O proprietário só pediu um aluguel adiantado e a chave estava em minhas mãos, era pequeno, mas tinha tudo que eu precisava para começar. Ao entrar, era possível ter uma visão completa, com uma cama de casal encostada na parede, um guarda-roupa modesto ao lado, na cozinha, uma geladeira pequena, um fogão de quatro bocas e uma máquina de lavar no canto, bem ao lado da pia.

Era prático, tudo ao alcance da mão, mas o espaço era apertado. A sala tinha apenas um sofá de dois lugares e uma mesa de centro gasta pelo tempo. O que me chamou a atenção foi o tamanho das janelas: grandes e arejadas, deixando a luz do sol iluminar o ambiente durante o dia, o que ajudava a tornar o lugar mais acolhedor.

Do lado de fora, no quintal, havia um varal compartilhado com os outros moradores. Era ali que todos penduravam suas roupas ao sol, um espaço simples, mas útil. O ambiente parecia familiar e reconfortante, apesar de ser bem diferente da casa dos meus pais e da villa que morei a vida toda. Mesmo assim, me senti aliviada por ter um lugar para chamar de meu.

Decidi que a primeira coisa a fazer, seria pintar o apartamento.

O cheiro de tinta era forte, e eu não esperava que fosse tão cansativo. No meio da pintura, comecei a me sentir mal, com uma leve tontura e o coração disparado. Me sentei no chão, respirando fundo até me sentir melhor. Sabia que eu precisava ir com calma, mas a ansiedade de ter tudo pronto me fazia querer correr com as coisas. Afinal, havia um bebê a caminho, e eu teria que estar com tudo pronto para quando ele chegasse.

Depois de um dia inteiro de pintura, finalmente o apartamento tinha uma nova cara. Era simples, mas limpo e aconchegante. Aos poucos, comecei a comprar o que faltava: mobília de cozinha, roupas de cama e, claro, as coisinhas do bebê, que tive a confirmação, seria mesmo um menino.

Cada compra para o enxoval foi feita com um carinho imenso. O berço, as roupinhas pequenas, o cobertor macio. Fui escolher tudo aos poucos, imaginando como seria o dia em que eu teria meu filho nos braços.

Enquanto montava nossa nova vida, continuamos com os exames do pré-natal, desta vez na capital.

Fiz questão de contratar um plano de saúde particular, para garantir que tivesse o melhor atendimento possível no dia do parto. Eu queria que tudo corresse bem. Mesmo com o plano, cada consulta me trazia nervosismo e ansiedade. Era o desconhecido que eu esperava e, por mais que eu assistisse vídeos sobre maternidade e parto, nada me preparava para o que estava por vir.

Os dias passaram rapidamente. Com o passar do tempo, minhas costas começaram a doer mais, e ficar em pé por muito tempo tornou-se um desafio. Trabalhar como bartender estava fora de questão. Ninguém queria contratar uma grávida prestes a parir, isso dificultava ainda mais.

Às vezes, eu me pegava sentada no sofá, tentando procurar Rodrigo nas redes sociais ou sites, com a expectativa de que não fosse mentira. Mas sem um sobrenome certo, a busca era inútil.

Cruz, Castro, Carvalho, Costa... eu tentei de tudo, mas era como procurar uma agulha no palheiro.

Rodrigo havia se tornado um fantasma, e, por mais que eu me arrependesse de não ter descoberto mais sobre ele, nada pôde ser feito agora.

Eu já estava com quarenta semanas de gravidez, e as noites se tornaram cada vez mais difíceis. O bebê se mexia bastante, e as dores eram constantes. O desconforto era grande, e o cansaço começava a pesar. Mesmo assim, todas as noites eu acariciava minha barriga e falava com meu bebê, que era meu melhor amigo!

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