CAPÍTULO 9
Author: Mia Bianchi
last update2026-01-14 01:16:14

GISELE NARRANDO:

Finalmente, o dia chegou.

Acordei com as dores das contrações e, logo de início, percebi que aquela seria uma longa jornada. As dores eram indescritíveis, cada vez mais intensas. Eu mal consigo respirar, mas sabia que precisava me preparar.

Lembrei da mala que tinha deixado preparada semanas antes. Coloquei a primeira roupa confortável que vi e, com dificuldade, consegui descer as escadas. Minha vizinha, uma senhora muito bondosa, me ajudou a chamar um táxi.

Ela segurou minha mão por alguns momentos, enquanto eu tentava manter a calma, rezando para Virgenzinha de Guadalupe.

O medo e a dor se misturavam, mas eu segui firme.

Chegar ao hospital foi um colapso e, ao mesmo tempo, um choque. As luzes brancas, o cheiro de desinfetante, o burburinho dos corredores... Tudo parecia tão distante enquanto eu tentava, entre uma contração e outra, seguir as orientações da equipe médica. Eles me levaram diretamente para a sala de parto, e foi ali que as horas começaram a se arrastar. Dezesseis horas de trabalho de parto.

Dezesseis horas que pareciam uma eternidade.

Chegou um ponto em que pensei que não conseguiria. A exaustão, a dor, o medo... Tudo se acumulava, e eu me via sem forças. Mas, então, senti uma última e poderosa contração, seguida de um rompimento imenso.

O silêncio foi quebrado pelo choro forte e estridente do meu filho. Quando ouvi aquele som, minhas lágrimas caíram imediatamente.

Eu o tinha feito.

Ele estava aqui.

Uma enfermeira se aproximou com Rodriguinho nos braços, ainda coberto de sangue e de um líquido branco.

Ele era perfeito, mesmo assim. Tão pequeno e tão forte ao mesmo tempo. O choro dele parecia ecoar dentro de mim, preenchendo cada parte do meu coração com amor e alegria. As enfermeiras se afastaram para limpá-lo, e eu fiquei ali, imóvel, enquanto me davam os pontos necessários. Cada ponto parecia uma lembrança de que eu havia passado por aquilo e saído mais forte.

Depois do procedimento, fui levada para o quarto.

Quando finalmente o vi limpo, em meus braços, senti uma felicidade que não consigo descrever em palavras. Ele estava com as roupinhas que eu havia separado com tanto carinho, agora limpas e cheirosas. A enfermeira tinha dado banho e arrumado tudo.

Abraçando-o contra o meu peito, com seus cabelos pretinhos e a pele macia, eu sussurrei:

— Mi amor, você é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida.

Amamentar começou de forma tranquila, mas logo se tornou um desafio.

Meus seios ficaram doloridos, machucados, e pareciam que, a cada mamada, minha energia era sugada. Rodriguinho não dormia muito, e a exaustão tomava conta de mim. Mas eu era teimosa, e as enfermeiras eram muito prestativas.

Uma delas me ensinou como dar o primeiro banho nele. Ver meu bebê tão pequeno na banheira, com seus olhos curiosos e indefesos, enche meu coração de ternura, apesar do cansaço.

Recebi alta dois dias depois. Ao sair do hospital, pedi um táxi, e tomei um cuidado absurdo com Rodriguinho. A cada solavanco do carro, meu coração acelerava. Mas tudo deu certo, e, ao chegar em casa, senti que um novo capítulo da minha vida estava começando.

Rodriguinho se adaptou bem ao nosso pequeno apartamento.

Ele acordava apenas uma vez durante a noite, e o berço conjugado à minha cama me permitia pegá-lo facilmente para amamentar.

Eu o observava com entusiasmo.

Seus olhos castanhos e profundos lembravam tanto o pai. Às vezes, meu coração se apertava ao pensar em Rodrigo. Será que ele ia aceitar ser pai do meu filho? O que ele faria se descobrisse que é pai? E se ele pensar que eu estava tentando aplicar um golpe?

Por mais que eu me envergonhasse ao lembrar daquela noite, não consegui me arrepender.

Rodriguinho foi a prova de que algo de bom havia surgido em tudo. Enquanto acariciava seu rostinho delicado e cantava baixinho para ele dormir, prometi a mim mesma que faria de tudo para ser a melhor mãe que ele pudesse ter.

As dicas das enfermeiras sobre usar casca de banana para curar os seios machucados funcionaram bem. O leite fluía, e meu bebê sempre estava faminto. Observá-lo dormir em meus braços me dava uma sensação de paz que eu nunca havia experimentado. Por mais difícil que fosse, eu sabia que estava preparada para o desafio.

Eu sabia que, em algum lugar, Rodrigo existia, talvez ele nunca fosse conhecer o nosso filho, ou talvez o destino nos unisse de novo, de alguma forma. Até lá, eu continuaria sendo tudo o que Rodriguinho precisava.

O futuro era incerto, mas, naquele momento, o amor que eu senti pelo meu filho era tudo o que importava.

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