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Machucaram ela
Author: Edi Beckert
last update2026-02-12 00:33:16

Capítulo 208

João Miguel

O corredor da Fundação Helen Marino nunca me pareceu tão longo.

Eu estava apavorado.

Não pelo que ela fez. Astrid soltou Don Anders. Sim, errou. Vai ter que prestar contas. Mas, quanto mais eu juntava as peças, mais algo gritava dentro de mim que ela não era a vilã dessa história.

Ela parecia… presa em algum lugar da sua própria memória.

Encostei o ombro na parede de vidro que dava visão parcial para o quarto. As médicas circulavam ao redor da cama,
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  • Sem troca

    Capítulo 209 Manuela Strondda Lindström O caminho de volta pareceu mais longo do que a ida. Capone estava no meu colo, tremendo de vez em quando, como se ainda ouvisse ecos do que aconteceu. Passei a mão pelo pelo dele repetidas vezes, num gesto automático, mais para me acalmar do que para acalmá-lo. O carro seguia em silêncio. Hugo dirigia com o maxilar travado, os olhos fixos na estrada, distante. Não trocamos uma palavra. Quando entramos em casa, soltei Capone no chão. Ele correu direto para a sala, farejando tudo como se precisasse confirmar que ainda era o mesmo lugar. Eu tirei o casaco devagar, o corpo pesado, a mente ainda no hospital. Foi então que percebi Hugo entrando no quarto… e saindo com a caminha do Capone nas mãos. — O que está fazendo? — perguntei, parando na porta. Ele não me olhou de imediato. — Olha, Manu… não é segredo que não gosto de cachorro. Aceitei o seu porque você gosta. Mas isso não significa que ele vai ficar no meu quarto com você. F

  • Machucaram ela

    Capítulo 208 João Miguel O corredor da Fundação Helen Marino nunca me pareceu tão longo. Eu estava apavorado. Não pelo que ela fez. Astrid soltou Don Anders. Sim, errou. Vai ter que prestar contas. Mas, quanto mais eu juntava as peças, mais algo gritava dentro de mim que ela não era a vilã dessa história. Ela parecia… presa em algum lugar da sua própria memória. Encostei o ombro na parede de vidro que dava visão parcial para o quarto. As médicas circulavam ao redor da cama, movimentos técnicos, vozes baixas. Astrid não se mexia. Os olhos fechados. Imóvel demais. Peter passou pelo corredor, concentrado num tablet. Segurei o braço dele antes que atravessasse a porta dupla. — Cara, me diz o que está acontecendo. Ela está inconsciente? Ele me olhou por dois segundos, avaliando o quanto eu estava envolvido. — Não. Está acordada. — respondeu, mais baixo. — Simplesmente não quer abrir os olhos. Meu estômago afundou. — Como assim “não quer”? — Pode ser

  • Eles sabiam

    Capítulo 207 Manuela Strondda Lindström O galpão ainda cheirava a pólvora quando João Miguel, tia Laura e tio Alex colocaram Astrid na Van. Ela mal conseguia ficar em pé. Os braços tremiam, o rosto pálido demais para alguém tão orgulhosa. Antes de fechar a porta, Laura segurou o queixo dela com cuidado, firme como quem promete que aquilo ainda não acabou. — Hospital. Agora. — ordenou. — Depois a gente resolve o resto. Assenti em silêncio. Capone continuava colado na minha perna, como se tivesse medo de que, se piscasse, tudo desaparecesse de novo. Foi quando percebi que Hugo não estava mais ao meu lado. Ele tinha o sueco preso contra a parede, uma mão no colarinho, a outra fechada em punho. O homem sangrava pelo canto da boca, mas ainda tentava sustentar aquele olhar vazio de soldado que só sabe obedecer. — Que porra aconteceu aqui?! — Hugo rosnou, o rosto a centímetros do dele. — Por que prenderam a Astrid desse jeito? O soco veio seco. Preciso. O corpo do homem bat

  • Ação

    Capítulo 206 Manuela Strondda Lindström O silêncio que se seguiu ao “não” de Hugo foi pesado. Era tenso, cheio de coisas não ditas, como uma arma engatilhada entre nós dois.Cruzei os braços devagar, sustentando o olhar dele. — Isso não está decidido ainda. — falei firme. — Anders me chamou. Quer algo de mim. Ignorar isso pode ser um erro. Ainda mais quando tenho certeza que vou capturá-lo. Hugo inclinou levemente o corpo para a frente, apoiando uma das mãos no volante. A outra fechou e abriu devagar, como se estivesse se controlando para não levantar a voz. — Você só vai se for comigo. — disse baixo, definitivo. — Ao meu lado. E mesmo assim… — respirou fundo. — Ainda não gosto da ideia. — Eu não sou frágil. — rebati. — E não sou moeda de troca. Sou a que ataca. — Eu sei. — ele respondeu rápido demais. — É exatamente por isso que não vou te entregar pra ele. Meu peito apertou. Havia raiva ali. Mas havia algo mais perigoso: medo. Não de perder poder. De me perder.

  • Difícil

    Capítulo 205 Manuela Strondda Lindström O celular vibrou na minha mão como se fosse um aviso do destino me puxando de volta para a realidade. Eu ainda estava sentada no colo dele. Hugo não desviou o olhar de mim. — Seu celular está tocando. Ignorei por dois segundos. Talvez três. O suficiente para sentir o peso do que eu tinha perguntado ainda pairando entre nós. — Não vai responder, Hugo? — provoquei, sabendo que não podia esperar pra atender. O canto da boca dele se moveu. Ao olhar pra minha tela no painel do carro. — É seu irmão. Melhor atender. Bufei baixo. Eu sabia que precisava. Mas eram só alguns segundos. Só um “sim” ou “não”. Só uma resposta curta que eu queria arrancar dele antes do mundo voltar a nos engolir. Mas desci do colo dele com um suspiro contido e atendi. — Vini… — Cadê o Hugo? — a voz dele veio direta, tensa. — Ele realmente apareceu pra te ajudar? Olhei de lado. Hugo estava de perfil, observando a rua pela janela, mas eu sabia que ele e

  • Dúvida

    Capítulo 204 Manuela Strondda Lindström O carro ficou parado numa rua lateral pouco iluminada. O motor desligado transformava tudo em silêncio — um silêncio pesado, vivo, cortado apenas pelo som distante da cidade e pelo rádio chiando baixo no painel. O olhar de Hugo ainda estava em mim. Aquele olhar que não era de médico, nem de chefe, nem do homem frio que comandava cirurgias e impérios com a mesma precisão. Era pessoal. Direto. Quase perigoso. — Então ficaremos aqui? — ele confirmou, a voz baixa, virando mais pra mim. Assenti, cruzando os braços para conter a adrenalina que ainda vibrava na pele. — É. Eles vão ligar. Certeza que vão criar alguma emboscada. Se não for pra mim, vai ser pro Vinícius ou pro papà. Eles vão nos informar. Sempre informam quando acham que têm o controle. Hugo inclinou levemente o corpo na minha direção. A mão subiu devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo, e afastou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha. Um gesto simples. Ínti

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