All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 1
- Chapter 10
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Quem é ela?
Capítulo 1 Vinícius Strondda A notificação vibrou no celular em cima da mesa de vidro. Peguei o aparelho sem pressa, com a taça de vinho na outra mão, os olhos ainda voltados para o jardim do palazzo. Abri o vídeo. Demorei alguns segundos para entender. Minha noiva — a mesma que o conselho tinha me prometido desde moleque — estava deitada na cama, gemendo. Mas não era meu nome que ela chamava. Era o de um maledetto capo. Trinquei o maxilar. O cristal da taça quase estourou nos meus dedos. O vídeo acabou, mas a imagem dela continuava queimando dentro da minha cabeça. Essa puttana jurava que seria a esposa perfeita para o herdeiro Strondda, enquanto se abria para qualquer um que tivesse coragem de desafiar meu sobrenome. No mesmo instante, a porta do reduto abriu sem ninguém bater. Maicon, meu tio e consigliere do meu pai, entrou como se a sala fosse dele. — O conselho decidiu que chegou a hora, Vinícius. — Falou direto, cruzando os braços. — Assim que seu pai volt
Quem foi?
Capítulo 2 Isabella Romano / Lucia Bianchi Fugir é o que eu faço de melhor. Sempre foi.Principalmente agora, depois de um mês correndo de cidade em cidade, dormindo em lugares que nem dava pra chamar de cama, só para ficar longe dele. Do homem que um dia chamaram de meu marido. Porque eu... Ah! Nunca chamei. Fui obrigada a casar com ele quando tinha 19 anos. Com os Moretti não tem conversa. Mesmo ele sendo bem mais velho… e mesmo escondendo um segredo que transformava a vida de quem estivesse ao lado dele em um inferno. Ele não tinha o que um homem tem. Não tinha pênis. E não era apenas a frustração que o consumia — era a raiva, o ódio por não poder ser como os outros. Descontava isso em mim, todos os dias, de todas as formas possíveis. Principalmente com palavras e humilhações que não deixavam marcas visíveis, mas me corroíam por dentro. A ausência dele como homem não o tornava menos cruel. Pelo contrário. Ele parecia sentir prazer em lembrar que, no papel, e
Piccola
Capítulo 3 Vinícius Strondda Saí do quarto e fechei a porta com força. Aquele olhar dela ainda queimava no fundo da minha cabeça, mas não deixei que transparecesse nada. Irei atrás do maledetto figlio de puttana que ousou machucar a Lucia daquele jeito. Não a conheço, não sinto nada por ela, mas não aceito esse tipo de coisa e nem quero ninguém incomodando no meu casamento. Quando passei pelo jardim, esbarrei numa rosa vermelha. Estava bonita demais, intocada demais. Estiquei a mão, arranquei-a e esmaguei as pétalas entre os dedos. Sorri de canto. Aquilo era o retrato da minha vontade: destruir o que os outros tentavam manter perfeito. Abri o portão e encontrei meus homens perfilados como cães à espera de comando. Eu já tinha avisado pelo rádio, era o mínimo que poderiam fazer. — Escutem bem. Quero um tal de Dinamite. Ainda hoje. Vivo, mas de joelhos. Alguém sabe quem é? Carlo ergueu o queixo, com aquele jeito insolente que só ele tinha coragem de ter comigo.
Me diz a verdade
Capítulo 4 Vinícius Strondda Estacionei o carro de qualquer jeito e saí primeiro. Abri a porta do lado dela e a puxei pelo braço sem paciência. A garota não falava nada, mas o silêncio era mais irritante do que se tivesse gritado. Entrei com ela em casa, levei-a direto para o mesmo cômodo onde estava. Fechei a porta com força e encostei-a contra a parede. — Agora tá resolvido, porra! — gritei, batendo a palma da mão ao lado da cabeça dela. — Eu dei o que você queria. O cara morto, o problema apagado, e você não teve coragem de abrir a boca. Por quê? Tá mentindo pra mim? Como alguém ainda ousa tentar mentir e enganar um Strondda? Ela respirava rápido, olhos brilhando de fúria. De repente, me empurrou com força, encostando a arma que eu ainda segurava contra o próprio peito. — Quer me matar? Então mata! — a voz dela saiu trêmula, mas cortante. — Vocês homens são todos iguais! Eu fugi de um monstro pra encontrar outro pior? Prefiro morrer! A garota avançou até mim e agarr
Era uma ordem
Capítulo 5 Vinícius Strondda Eu estava parado, esperando. O silêncio dela me devorava mais que qualquer resposta. O corpo nu diante de mim era uma afronta, um espetáculo de guerra e cicatrizes. E, quando ela apenas balançou a cabeça negando, fiquei louco de raiva. — VOCÊ OUSA MENTIR PRA MIM, MALEDETTA? VOCÊ OUSA? — explodi, a voz explodindo pelas paredes como um trovão. Avancei de uma vez, segurei os braços dela e a chacoalhei com força, sentindo os ossos delicados baterem contra minhas mãos. Os olhos dela queimavam contra os meus, e não havia medo. Só fúria. — Eu não menti. Você é um idiota que matou alguém que não devia. — Cazzo... A respiração me queimou o peito. O sangue latejava nas têmporas. Inclinei o rosto até o dela, quase encostando minha testa ali. — Você é insolente demais. As vezes canso disso! — meus dedos apertavam com mais força, a pele dela ficaria marcada. — Eu já marquei a porra da data do casamento para o fim de semana e você não consegue ser o
A fuga dela
Capítulo 6 Vinícius Strondda Lucia caminhou até o banheiro em silêncio. O corpo ainda trêmulo, os pés descalços contra o mármore. Eu não disse nada, apenas encostei na parede do quarto, tirando devagar os sapatos. Puxei o cobre-leito da cama com um gesto impaciente, jogando-o de lado. A raiva ainda latejava nas têmporas, mas também havia um prazer doente em saber que ela não tinha saída. Abri um pouco a porta do banheiro para conferir. O som da água ecoava. O vapor subia pelo ar. Ela estava lá dentro, mas… estranhamente quieta. — Lucia… — chamei, com a voz baixa, carregada de autoridade. — Não me faça esperar. Seja rápida. Silêncio. Entrei de uma vez, os passos firmes no chão. Foi quando percebi: a janela lateral estava entreaberta, cortina balançando com o vento da noite. A banheira ainda cheia. Mas Lucia não estava lá. O sangue subiu como fogo. — Maledetta ragazza… — rosnei, correndo até a janela. E lá estava ela. Tentava descer pelo beiral, enrolada apenas
Cazzo
Capítulo 7 Vinícius Strondda Saí do quarto e fechei a porta devagar, sem estrondo. Diferente de todas as outras vezes em que saía de algum lugar com raiva, agora eu estava… confuso? Pela primeira vez. Eu sempre soube o que fazer, sempre segui à risca os conselhos do Don, meu pai. Sempre mantive as rédeas da minha vida, dos meus homens, dos meus negócios. Mas aquela ragazza… Dio santo… ela não cabia em nenhuma das minhas regras. Lucia me irritava, me desafiava, me afrontava sem medo das consequências. Mas ao mesmo tempo… o choro dela ainda ecoava nos meus ouvidos, como se tivesse cavado espaço dentro do meu peito. Raiva e compaixão misturadas. E, acima de tudo, um desejo insano que me consumia toda vez que eu a encarava. Atravessei o corredor até o escritório de meu pai, abri a porta e deixei que a escuridão me engolisse. Acendi apenas o abajur da mesa. O silêncio da sala era pesado, mas familiar. Peguei uma garrafa de vinho e servi a taça quase até a borda, tentando afast
Na minha cama! Agora!
Capítulo 8 Lucia Bianchi/ Isabella Romano Eu saí correndo pelo corredor, mas precisei encostar na parede para recuperar o ar. O peito subia e descia sem controle, e minhas mãos tremiam como se não fossem minhas. Eu nunca tinha visto… aquilo. O corpo de um homem. O órgão genital tão de perto. Sempre me mantiveram afastada, trancada, cuidada como uma boneca que não podia sequer saber o que existia além da própria dor, depois casei com o demônio que não tinha pênis. Não gostava de mulher e me mantinha por ódio e status. Digo isso porque desconfiava que ele gostava de homens. E agora… santo Dio, eu tinha visto. Não em livros, não em cochichos. De verdade. Um misto de raiva e confusão me atravessava. Como ele podia? Como aquele bastardo aparecia com toda a arrogância do mundo, dizia que iria casar comigo, que eu era a “futura esposa do Don”, e logo em seguida deixava outra mulher se ajoelhar diante dele… fazendo algo tão íntimo? O coração disparava, mas a mente gritava: não
No meu quarto
Capítulo 9 Vinícius Strondda Ela me olhava como um coelho acuado. O corpo encostado na cadeira, a respiração ainda descompassada, como se eu fosse devorá-la ali mesmo. É... Até que não era má ideia. Levei o prato até a pia devagar, sem pressa, só para sentir os olhos dela em mim. Sempre tive mulheres demais. Todas dispostas, todas famintas por poder, dinheiro ou só pelo meu corpo. Mas essa… essa parecia um bicho selvagem, que não sabia se atacava ou corria. — Vai, Lucia. Preciso de sexo. Ela congelou. O garfo caiu da mão, batendo no prato com um estalo. Vi o medo subir pelo rosto dela, as pupilas dilatarem, a garganta travar. E naquele segundo, algo me irritou. — Dio… — esfreguei o rosto, soltando o ar pesado. — Eu não tenho paciência pra virgem assustada, e você nem é. Não preciso disso. Se quisesse uma boneca chorando eu tinha pegado qualquer outra. — Precisa ser hoje? Ela piscou rápido, como se minhas palavras tivessem atravessado fundo. O silêncio dela
Bambino
Capítulo 10 Vinícius Strondda Não dormi direito. Fiquei deitado de lado, observando o peito dela subir e descer. Lucia parecia calma, mas os olhos fechados não enganavam. O corpo se contorcia, a respiração prendia de repente, como se lutasse contra alguma coisa no sonho. Pesadelos. Passei a mão pelo cabelo, impaciente. Eu, que sempre dormi como uma rocha, agora estava inquieto. Meu corpo queimava de raiva por não saber lidar com aquilo — com ela, também com o fantasma que a assombrava. Quando a madrugada começou a clarear, levantei. Ainda estava escuro, o vento frio batendo nas janelas do casarão. Caminhei até o jardim, sem camisa, os pés afundando na grama molhada de orvalho. O silêncio era pesado, só ouvia o som distante de um corvo. Vi as rosas enfileiradas, intactas, perfeitas. Estendi a mão e arranquei uma. Segurei firme, os espinhos perfurando minha pele, o sangue escorrendo. Apertei até o talo se despedaçar, até não sobrar nada. Joguei os restos na terra, respir