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Chapter 1
Quem é ela?
Capítulo 1
Vinícius Strondda A notificação vibrou no celular em cima da mesa de vidro. Peguei o aparelho sem pressa, com a taça de vinho na outra mão, os olhos ainda voltados para o jardim do palazzo. Abri o vídeo. Demorei alguns segundos para entender. Minha noiva — a mesma que o conselho tinha me prometido desde moleque — estava deitada na cama, gemendo. Mas não era meu nome que ela chamava. Era o de um maledetto capo. Trinquei o maxilar. O cristal da taça quase estourou nos meus dedos. O vídeo acabou, mas a imagem dela continuava queimando dentro da minha cabeça. Essa puttana jurava que seria a esposa perfeita para o herdeiro Strondda, enquanto se abria para qualquer um que tivesse coragem de desafiar meu sobrenome. No mesmo instante, a porta do reduto abriu sem ninguém bater. Maicon, meu tio e consigliere do meu pai, entrou como se a sala fosse dele. — O conselho decidiu que chegou a hora, Vinícius. — Falou direto, cruzando os braços. — Assim que seu pai voltar da viagem, quer a resposta: você vai assumir o posto de Don ou vai continuar agindo como se não fosse o herdeiro da família Strondda? Soltei um riso curto, sem humor. — “Assumir” não é o problema, tio. O problema é a condição ridícula que eles colocaram pra isso. — Casamento? — Ele assentiu, como quem repete uma sentença. — A tradição é clara. Precisa estar casado antes de ser nomeado Don, oficialmente. Mostrei a tela do celular para ele. O vídeo ainda estava parado na imagem mais nojenta possível. A feição dele mudou imediatamente. — Essa é a tradição que querem pra mim? Eu nunca vou casar com essa vadia. Meu pai derrubou um aliado por tentar mandar nele, e agora querem me forçar a usar uma aliança de uma puttana? — Não estamos falando de qualquer casamento. — Maicon se aproximou, apoiando as mãos na mesa. — É estratégico, algo político. Eu me casei por uma ordem do seu pai. Olha só pra mim hoje... Estou ótimo assim. Olhei para ele e bebi mais um gole. — Estratégico pra eles, bom pra você, talvez. Pra mim, é só uma armadilha. Maicon desviou o olhar, engolindo seco. — Ela está no jardim, esperando para colocar a aliança oficial no dedo porque sabe que seu pai está pra chegar. Deixei a taça sobre a mesa e fechei o casaco preto. — Então vamos acabar logo com isso. --- O sol da manhã iluminava as rosas vermelhas alinhadas quando atravessei o corredor e cheguei ao jardim. Uma mesa comprida, meia dúzia de homens de terno, e— minha “noiva” — levantou-se com o sorriso ensaiado e o brilho de quem achava que me enganava. Um dos acionistas mais velhos e tio da maledetta, se ergueu antes mesmo que eu chegasse. — Finalmente, o princeso herdeiro resolveu aparecer. Achei que fosse deixar os negócios da famiglia para homens de verdade. O jardim inteiro pareceu prender a respiração. Parei a menos de um metro dele. — O que você disse? — Disse que, se não tem coragem de seguir as regras, não merece a cadeira que seu pai vai deixar. Fica enrolando pra casar. Imagino o resto. Sorri de canto. A mão já estava na 357. Meu disparo ecoou seco. O corpo dele tombou para trás, derrubando a cadeira. Ninguém gritou. Todos sabiam: aqui era território do Don. Se meu pai não estava, eu mandava. Guardei a pistola, limpei a mão na lapela do terno. — Que sirva de exemplo pra qualquer maledetto. Principalmente os traidores. Não é, figlia de puttana? Passei por cima do cadáver e caminhei até minha noiva. — Pensou que eu nunca descobriria? Ela ainda sorria nervosa, tentando disfarçar o pânico. — Vinícius… eu posso explicar… Encostei a arma no peito dela e curvei o rosto bem perto, o suficiente para que apenas os mais próximos ouvissem. — Explicar o quê? Como o perfume do capo rival ficou grudado na sua pele? Ou como você gemeu o nome dele enquanto deveria guardar o meu? O sorriso dela morreu na hora, a cor esvaiu do rosto. Os acionistas se entreolharam em silêncio, entendendo o que eu já sabia. — Não… não é o que você pensa… — gaguejou, os olhos marejados. — Eu posso explicar?! — Pode, no inferno. De preferência para o diavolo. Atirei. O vestido branco ficou manchado de vermelho. O corpo caiu sobre as rosas. O silêncio foi total. Até o vento parou. É claro que eu não deixaria pra depois. Aprendi desde criança... Lugar de traidor é queimando no inferno com o diavolo. --- Foi então que percebi o movimento no canto do jardim. Uma mulher corria pelo gramado lateral, contornando a fonte. Calça justa preta, blusa simples, coque bagunçado com mechas escuras e bem vermelhas escapando. Não era do conselho. Não era convidada. — Quem é aquela? — perguntei baixo a Maicon, sem tirar os olhos dela. — Não faço ideia. Com tanto monitoramento, já deveria estar morta. Ele puxou a arma, mas segurei seu braço. — Não. Ainda — ele ficou me olhando. A intrusa parou um instante para respirar, apoiando as mãos nos joelhos, sem perceber que era observada. — Tragam ela pra mim. — Ordenei. Dois soldados se afastaram da mesa e cruzaram o gramado. A mulher percebeu tarde demais e tentou fugir, mas foi agarrada pelo braço. Se debateu, chutou, xingou, mas foi arrastada até mim. — ME SOLTEM! EU NÃO FIZ NADA! — gritou. Quando parou diante de mim, seus olhos verdes me acertaram em cheio. Estava com raiva, não medo. — Soltem. — Falei baixo, tirando a 357 do bolso e lustrando no tecido da roupa. — O que acha que está fazendo? — ela cuspiu as palavras, ofegante. Dei um passo à frente, estudando o rosto delicado. — Garantindo que ninguém entra no meu território e sai vivo. — Ela olhou para todos os lados. — Eu só estava correndo. — A voz dela tremia de fúria, não de pavor. Inclinei a cabeça, meio sorriso surgindo. — Odeio mentirosos. — Empurrei-a contra uma árvore, prendendo seu braço. — Tem um minuto pra me convencer a te deixar viver. — Está louco? Eu só fugi de um cara! — Perdeu alguns segundos. Seja mais eficiente. Ela respirou fundo, os olhos faiscando. — Pulei seu muro porque é o mais alto. Achei que ninguém notaria. Só isso. É só fingir que não viu e me deixar ir embora. Passei a mão pelo corpo dela, firme, verificando se não carregava arma. — Que ragazza... — sussurrei. Alisei desde os braços até a bunda, cintura, coxas. Mamamia. Uma mulher dessas não passa despercebida em lugar nenhum. — Me solta! Me solta! — ela gritava, mas nem ouvi o que dizia. Eu só estava verificando se estava armada, mas essa puttana me deixou excitado. — Mamamia. Ela tinha a bunda farta, cheguei até as coxas grossas. — Qual seu nome? Idade? Estado civil? — disparei as perguntas. — É... Eu... — VAMOS PORRA! DIGA! — Lucia Bianchi. Vinte e quatro. Italiana. — É solteira? — ela pareceu pensar. — Sim. Sorri de canto. — Agora não é mais. Arrastei-a pelo braço e a entreguei para meu tio. — Prendam ela. Se querem casamento, vai ser assim. A noiva vai ficar presa. E eu escolho as regras. Ela começou a espernear. — Não! Eu não posso! Não vou casar! Virei as costas sem olhar. O conselho estava em choque, o jardim coberto de sangue, e eu já tinha decidido. Meu tio se aproximou e perguntou: — Não perguntou se é virgem? — Não. Tanto faz. Não sei se vou esperar até a cerimônia. — Merda! Seu pai vai nos matar. — Foda-se. Se o preço para ser Don era uma esposa, que fosse a intrusa de olhos verdes que teve a ousadia de invadir meu território. Um Strondda não pede permissão. Ele toma. — Me dêem licença... Vou verificar minha noiva de perto...Expand
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Vendida para o Don 2 Difícil
Capítulo 205 Manuela Strondda Lindström O celular vibrou na minha mão como se fosse um aviso do destino me puxando de volta para a realidade. Eu ainda estava sentada no colo dele. Hugo não desviou o olhar de mim. — Seu celular está tocando. Ignorei por dois segundos. Talvez três. O suficiente para sentir o peso do que eu tinha perguntado ainda pairando entre nós. — Não vai responder, Hugo? — provoquei, sabendo que não podia esperar pra atender. O canto da boca dele se moveu. Ao olhar pra minha tela no painel do carro. — É seu irmão. Melhor atender. Bufei baixo. Eu sabia que precisava. Mas eram só alguns segundos. Só um “sim” ou “não”. Só uma resposta curta que eu queria arrancar dele antes do mundo voltar a nos engolir. Mas desci do colo dele com um suspiro contido e atendi. — Vini… — Cadê o Hugo? — a voz dele veio direta, tensa. — Ele realmente apareceu pra te ajudar? Olhei de lado. Hugo estava de perfil, observando a rua pela janela, mas eu sabia que ele e
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Capítulo 204 Manuela Strondda Lindström O carro ficou parado numa rua lateral pouco iluminada. O motor desligado transformava tudo em silêncio — um silêncio pesado, vivo, cortado apenas pelo som distante da cidade e pelo rádio chiando baixo no painel. O olhar de Hugo ainda estava em mim. Aquele olhar que não era de médico, nem de chefe, nem do homem frio que comandava cirurgias e impérios com a mesma precisão. Era pessoal. Direto. Quase perigoso. — Então ficaremos aqui? — ele confirmou, a voz baixa, virando mais pra mim. Assenti, cruzando os braços para conter a adrenalina que ainda vibrava na pele. — É. Eles vão ligar. Certeza que vão criar alguma emboscada. Se não for pra mim, vai ser pro Vinícius ou pro papà. Eles vão nos informar. Sempre informam quando acham que têm o controle. Hugo inclinou levemente o corpo na minha direção. A mão subiu devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo, e afastou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha. Um gesto simples. Ínti
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Capítulo 203 Manuela Strondda Lindström Entrei no carro quase no mesmo instante que Hugo. A porta bateu com um som seco, definitivo, e o mundo lá fora virou ruído. Logo atrás de nós, outros veículos ganharam vida — motores roncando baixo, coordenados, como um corpo único se preparando para o ataque. — Eles ainda são de confiança? — perguntei, sem tirar os olhos da estrada à frente. — Já vi que, na Suécia, a traição é bem comum. Hugo não desviou o olhar do volante. — Esses sim. — respondeu, firme. — Escolhi a dedo. Não deixaria ninguém perto de você se tivesse qualquer dúvida. Assenti. — Certo. A van apareceu mais à frente, dobrando rápido à direita. Hugo acelerou. O velocímetro subiu como se não houvesse amanhã. Os prédios começaram a borrar, luzes viraram riscos alongados. — Segura. — ele avisou, curto. A primeira rajada veio da van. O vidro dianteiro estilhaçou em um ponto, a bala ricocheteando para longe. Instintivamente, abaixei o corpo e puxei a arma, apoiando o braço
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Capítulo 202Manuela Strondda LindströmSaí da sala do Vinícius com a cabeça latejando.O corredor parecia mais estreito do que antes, ou talvez fosse só a pressão esmagando meu peito. Que sensação horrível. Sei que estão desconfiando do Hugo, mas agora ele é meu marido. Porque faria algo assim?Puxei o celular do bolso ainda andando pelos corredores do reduto.Disquei o número do Hugo.Chamando.Chamando de novo. Droga! Cadê esse maledetto?O sinal tocou tantas vezes que meu coração começou a bater fora do ritmo. A ligação quase caiu quando, enfim, a voz dele surgiu do outro lado, baixa, cansada, como se estivesse em movimento.— Alô.— Onde você está? — disparei, sem rodeios.Houve uma pausa mínima. Curta demais para ser confortável.— No Brasil. Eu já te disse.Parei no meio do corredor.— No Brasil? — repeti, incrédula. — O que você está fazendo aí, Hugo?— Investigando. — respondeu, firme. — Tem alguns assuntos aqui que eu precisava entender melhor. Consegui uns dias de folga no
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Capítulo 201 Manuela Strondda Lindström O ar parecia mais denso, carregado de raiva, desconfiança. Vinícius andava de um lado para o outro como um animal enjaulado, mãos fechando e abrindo, mandíbula rígida. João Miguel permanecia encostado na mesa, braços cruzados, observando tudo com atenção demais — o tipo de atenção que só quem ainda não comprou totalmente uma versão da história costuma ter. — Isso não faz sentido — eu disse pela terceira vez, já sem paciência para o coro silencioso de reprovação. — Não desse jeito. Vinícius parou de andar e me encarou. — Manuela, ela levou Anders do nosso território. — a voz dele saiu baixa, perigosa. — Não estamos falando de impressão ou sentimento. Estamos falando de fatos. — Fatos também podem ser manipulados. — rebati, firme. — E você sabe disso melhor do que ninguém. Ele riu sem humor. — Ela apareceu na imagem de uma das câmeras. — cuspiu. — Devo admitir, ela é muito boa no que faz. Não sei como descobriu minúsculos pontos
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Capítulo 200 Manuela Strondda Lindström A casa dos meus pais ainda cheirava a lar. Não no sentido ingênuo da palavra, mas naquele cheiro específico de algo que já foi seu antes de virar obrigação. Cheiro de café forte, o perfume discreto da minha mãe que nunca some completamente. Parei o carro em frente ao portão e, por um segundo, fiquei só observando a fachada iluminada. Silenciosa. Segura. Capone ouviu antes de mim. Quando abri a porta, ele veio correndo pelo corredor, unhas batendo no piso, corpo inteiro vibrando como se eu tivesse ficado fora por anos — e não por dias. Ajoelhei e ele praticamente se jogou contra mim, lambendo meu rosto, rodando, choramingando baixo. — Ei, ei… calma. — ri, afundando os dedos no pelo dele. — Agora você vem comigo. Minha mãe apareceu na porta da sala, braços cruzados, um sorriso pequeno e cansado. — Vai levar mesmo? — Vou. — respondi, firme. — Ele precisa se acostumar com a casa nova. Ela assentiu. Conversamos um pouco sobre a
Last Updated : 2026-02-06
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Maria Lima
não tem capítulo hj ...
Karen Miranda
Edi , vou começar a ler esse novo livro , muito esperado essa saga da 2 geração!Eu tenho certeza que vai ser tão maravilhoso quantos os outros. Sua escrita é diferenciada e criativa !
Kelly Silva
serar q vai ser muito grande esse livro,vai demorar muito pra finalizar?
Ana Lilian Oliveira
o livro é maravilhoso
Neia Moura
A Lúcia tá grávida que maravilha
Neia Moura
Amando o livro da Manuela
Maria Lima
só um capilo por dia ...
Márcia Cristina de Campos
eu estou amando a história, amo a forma como essa autora trabalha. este livro faz parte de uma saga da famili stronda, continue assim Edi Bekert
Sandra
Está historinha de gato e rato, de medir forças já está ficando cansativa. Vamos ao enredo pois sei que você é capaz de melhorar. Cansa estas briguinha, quem usa melhor a faca , ameaças. Coisa de adolescente
Elma Larback
Tá na hora do Hugo deixar de ser muleque e virar homem.... Mimimi demais e atitude de menos.....
Sandra
Estou gostando da história mas está demorando muito para atualizar. Um capítulo por dia? Se continuar assim infelizmente vou parar de ler, pois perde toda a emoção
SIMONE APARECIDA D
Faço votos que esse capo sueco, passe bastante aperto, mais que o Alex.
Suzanny SILVA
só tá demorando muito . p atualizar os capítulos bora autora bora
Sandra
Gravidez é falta de criatividade. Comum em toda história
Sandra
O livro está muito bom só espero que o autor não o deixe comum, aparecendo uma amante grávida, para estragar o casamento. Sempre a mesma história. Isto deprecia o romance fica comum e vulgar