All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 91
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As imagens
Capítulo 91 Don Vinícius Strondda O grito de Francesco ainda ecoava na minha cabeça quando o celular vibrou no bolso do paletó. O escritório destruído parecia um cenário de guerra parada: móveis quebrados, vidro estilhaçado pelo chão, marcas de tiro nas paredes. No meio daquilo, Francesco Moretti gemia amarrado na cadeira, respirando como um animal encurralado. Olhei para o visor, era Maicon. Atendi. — Fala. — minha voz saiu baixa, sem paciência. — Don… — a respiração dele vinha acelerada — Giovanni esteve no velório. O silêncio entre uma frase e outra virou faca. — Che Cazzo. — Ele esteve aqui, antes que eu chegasse. Lucia viu tudo. Atirou no motorista dele e quase pegou o próprio Giovanni. Mas ele fugiu numa van blindada. — Maicon continuou, rápido — Fique tranquilo. Eu, Alexei e Yuri estamos indo atrás. A gente cuida disso. Apertei mais o celular na mão. Giovanni teve a cara de pau de ir ao velório do meu tio… com minha mulher lá dentro. Ainda acha que
O velório
Capítulo 92 Don Vinícius Strondda O atirador virou o braço, apontou para Verônica. Vi o clarão do disparo, o corpo dela caindo de lado. Senti a mandíbula travar. — Caralho… — rosnei. — A Verônica foi atingida pelo mesmo atirador. O figlio di puttana entrou e logo atirou nela. Então o Hélio o acertou e levou tiros dele. Nas imagens, o tio Hélio reagiu rápido. Sacou a arma, atirou, acertou o desgraçado no meio do corpo. O homem cambaleou, mas revidou, acertando Hélio com mais de um disparo. — Esse cara aí está morto, Don. — João Miguel disse, firme. — Foi um dos que matamos no corredor. Hélio acertou um tiro nele na barriga e o maledetto saiu baleado. Um soldado viu e terminou o serviço. Cerrei os punhos. — Merda. — deixei escapar. — Esse verme deveria ter sido torturado. — É uma pena. Eu pedi a dois soldados para socorrer sua amiga, Don. — João Miguel completou. — A Verônica. Levaram-na direto para o hospital. Respirei fundo, engolindo a vontade de voltar par
A culpa é sua!
Capítulo 93 Lucia Bianchi Strondda O velório foi pesado, e o enterro, pior. O céu parecia cúmplice — nublado, abafado, sem coragem de chover de uma vez. O cortejo caminhou devagar atrás do caixão, e a cada passo a sensação de que estávamos enterrando mais do que um homem crescia no peito: enterrávamos um pedaço da história deles. Da nossa. Don Vinícius, Antony, Alexei, Alex, Enzo e Peter carregavam o caixão nos ombros. Não havia discurso. Só o silêncio pesado, rompido por choros contidos e alguns soluços que escapavam sem pedir licença. O restante dos homens formava um corredor de proteção, armas escondidas sob os ternos, olhos atentos a cada ruído, a cada movimento estranho no cemitério. Eu caminhava ao lado de Fabiana, segurando o braço dela. Camila, avó de Vinícius estava perto da irmã Larissa e das filhas do falecido. Às vezes alguém só precisa sentir que tem onde segurar, mesmo que tudo esteja caindo. Larissa quase desmoronou quando o caixão começou a des
Eu aguento
Capítulo 94 Lucia Bianchi Strondda — Quero ter a mente tranquila, Lucia! — ele continuou, o peito subindo e descendo rápido. — Saber que se você disser que vai ficar, é porque vai ficar! Sabe o que é isso? Poder trabalhar em paz, agir em paz porque você obedeceu?! Ele virou bruscamente, a mão passando por cima de um dos canteiros. Num impulso de raiva, chutou um vaso. O vaso voou, quebrou, terra espalhada pelo chão, pétalas esmagadas. — Vinícius, para! — pedi, correndo até ele. Ele ignorou. Se inclinou, arrancou uma das mudas pela raiz, esmagando entre os dedos, os espinhos se cravando na pele. Um filete de sangue apareceu nas mãos dele. — Certo. Você está certo. — soltei, rápido, antes que ele fosse mais longe. — Eu estava errada. Me desculpa. Ele olhou pra mim. — Eu juro que, a partir de agora, vou fazer tudo o que pedir pra você ficar mais tranquilo. Ele deu uma risada seca, sem humor, sem olhar pra mim de novo. — Está dizendo isso porque eu estou mexendo no que você
Machucar?
Capítulo 95 Lucia Bianchi Strondda Ele me carregou pela casa como se o chão estivesse pegando fogo. O ar no corredor era quente demais. Ou era ele. Ou éramos nós. Não sei o que acontece comigo, mas quando o Vinícius fica com essa fúria que não tem como explicar, eu sinto um desejo imenso de estar com ele. É como se eu precisasse do seu corpo e ele do meu, imediatamente. O corpo de Vinícius estava rígido contra o meu, o coração batendo rápido demais, como se lutasse com o próprio dono. Ele me colocou no chão apenas quando chegamos ao quarto — rápido, quase brusco, mas sem me derrubar — e então prendeu a mão na maçaneta, respirando forte, a cabeça baixa como um touro prestes a romper a cerca. Eu não disse nada. Foi ele quem quebrou o silêncio: — Você me provoca até o limite… — rosnou, levantando o rosto. — E depois diz que aguenta a tempestade. Então aguenta agora, ragazza. Fechou a porta do quarto com o pé. Fez um barulho alto, senti a espinha arrepiar. Ele ava
Apertando
Capítulo 96 Lucia Bianchi Strondda O gosto dele ainda estava forte na minha língua, quente, denso, como se eu tivesse acabado de engolir a própria raiva do Don — e, de algum jeito, transformado isso em algo que também era meu. Esse homem é excitante demais. A mão do Vinícius continuava firme no meu cabelo, guiando meus movimentos, ditando o ritmo, controlando cada centímetro do que eu fazia. Eu obedecia, mas não como alguém submissa demais para pensar; obedecia como alguém que tinha descoberto um poder perigoso e estava aprendendo a usá-lo com precisão. Cada vez que eu descia mais, sentia o corpo dele reagir como se tivesse levado um choque. Um som rouco rasgava o peito, meio gemido, meio aviso, e eu gravava aquilo na memória. Eu adorava ouvir o que arrancava dele ao chupar seu pau duro. A primeira vez que fiz isso por ele, eu estava nervosa, insegura, com medo de errar. Mas agora… agora eu queria descobrir até onde conseguia levá-lo. Queria testar meus limites e os dele.
Ver o avô
Capítulo 97 Lucia Bianchi Strondda Talvez por isso ele tenha mudado de repente. — Fica de bruços. — ele ordenou, com aquele tom que não deixava espaço para discussão. — Levanta a bunda pra mim, ragazza. Ele saiu de cima só o suficiente para me dar espaço. Virei rápido, o coração disparado, o rosto parcialmente enfiado no travesseiro, os pulsos ainda parcialmente amarrados pela gravata. Levantei o quadril como ele quis, apoiando os joelhos no colchão, as costas arqueadas. Senti a mão dele subir pelas minhas costas devagar, como se estivesse avaliando o que era dele. O toque era firme, quente, pesado. Quando chegou à minha cintura, deslizou até a bunda. O tapa veio em seguida. Seco, estalado, quente. — Ah! — exclamei, surpresa, um gemido agudo escapando junto. A pele ardeu na hora, mas a onda de calor que se espalhou pelo meu corpo foi quase imediata. Senti o tesão subir, intensificar, transformar a ardência em algo viciante. — Assim. — ele rosnou atrás de mi
Jóia
Capítulo 98 Don Vinícius Strondda A luz da manhã entrou pelas frestas das cortinas como dedos curiosos tentando tocar meu rosto. Abri os olhos devagar, respirando fundo. Virei a cabeça. Lucia dormia de lado, o cabelo vermelho derramado no travesseiro, a respiração suave. A boca levemente entreaberta. A pele marcada nos lugares onde meus dedos apertaram demais. Um quadro perfeito. Saí da cama com cuidado para não acordá-la. Caminhei até o closet e coloquei a calça social, a camisa branca, ajeitando a gola enquanto meus músculos ainda reclamavam do tanto que ela me fez perder o fôlego. Peguei a gravata. Estava no segundo nó quando ouvi sua voz sonolenta atrás de mim: — Mmm… Vinícius? Virei a cabeça só o suficiente para ver seus olhos abrindo devagar. — Buongiorno, amore mio. — sorri, terminando de ajustar a gravata. — Dormiu bem? — Uhm. — ela se espreguiçou, linda demais para esse mundo. — Achei que você fosse fugir de mim. — Hm. — arqueei uma sobrancelha. — F
A visita ao nono
Capítulo 99 Don Vinícius Strondda A estrada até a casa do nono Pablo sempre teve cheiro de lembrança. De terra úmida, de café recém-coado, de infância que ainda insiste em ficar escondida nos cantos da memória.Quando estacionei o carro diante da varanda antiga, vi o quadro que sempre me acertava: o velho sentado na cadeira de balanço, os cabelos cinzentos levantados pelo vento leve, e a avó Camila ali perto, ajoelhada nos canteiros, regando as flores com uma paciência que parecia dom divino. Lucia parou ao meu lado quando descemos. O vestido dela balançou com a brisa. O colar brilhava como se tivesse vida própria. O nono levantou os olhos. Um sorriso lento, cheio de rugas e afeto. — Ah… meu neto. — a voz veio arrastada, mas firme. — E trouxe a bambina. — Buongiorno, nono. — cumprimentei, apertando sua mão com cuidado. — Está forte hoje, hein? Ele bufou, quase rindo. Camila se levantou, limpando as mãos no avental florido. — Entrem, meus amores. — ela sorriu p
Casamento arranjado
Capítulo 100 Lucia Bianchi Strondda (Momento em que Vinícius a deixou pra ter segurança). Vinícius me deixou na casa de seus pais. Era uma sensação estranha. As paredes eram claras, os móveis robustos, muita madeira, detalhes de bom gosto que gritavam “lar” – mas todo canto tinha um segurança, uma câmera, uma sombra armada. Muito mais do que na nossa casa. Isso era algo que eu ainda estava aprendendo a normalizar: viver num lugar onde o café coava na cozinha enquanto, do lado de fora, homens carregavam armas como quem carrega o próprio celular. Na casa do meu pai e até mesmo dos Moretti, não tinha tudo isso. Fabiana estava na cozinha quando passei pela porta, logo depois que o carro de Vinícius sumiu pelo portão. O cheiro de café fresco se espalhava pelo ambiente, misturado ao de pão no forno. — Lucia, filha. — ela sorriu, enxugando as mãos num pano de prato florido. — Dormiu bem? — Dormi sim, dona Fabi. — respondi, ainda sentindo nos lábios o beijo que Vinícius