All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 101
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Capone
Capítulo 101 Lucia Bianchi Strondda — Ué… — murmurou. — O Capone não está aqui. — Quem é Capone? — perguntei, tirando devagar uma das luvas. — Meu cachorro. — respondeu na hora. — Um Shih-tzu filhote. O Vini mandou comprar faz umas semanas. Ele fica sempre por aqui quando eu treino. Fica deitado ali, ó… — apontou um cantinho perto de uma cadeira. Estava vazio. — Assistindo como se fosse meu treinador oficial. Sorri sozinha, imaginando o cachorrinho sério avaliando socos. — Acho que vi ele outro dia. — comentei. — Bem pequenininho, né? Olhos grandes, cara de quem manda na casa. — Esse mesmo. — ela já estava rodando o olhar pelo jardim, preocupada. — Ele NUNCA some assim. Eu notei que o maxilar dela endureceu. A ansiedade que antes era raiva agora ganhou tom de medo. — Deixa que eu procuro. — falei, já tirando a outra luva. — Pode continuar seus treinos. Eu trago esse Capone de volta pra sua aula de boxe. Ela hesitou. — Tem certeza? — Tenho. — sorri de lado.
Manu
Capítulo 102 Manuela Strondda O silêncio do corredor ecoava de um jeito estranho. — Capone! — chamei de novo, a voz um pouco mais aguda. — Capone, vem aqui, menino! Nada. Passei pela sala, olhei atrás do sofá, perto da mesinha onde ele costumava deitar quando eu treinava do lado de fora. Nada. Nenhuma bolinha de pelo correndo na minha direção, nenhum latidinho fino, nenhum rabo abanando. Algo dentro de mim começou a esquentar. — Mãe! — fui até a cozinha, onde ela picava frutas com uma calma irritante. — Você viu o Capone? Ela ergueu os olhos, surpresa. — Não, querida. Achei que ele estivesse com você no jardim, ou onde treina. — Não está. — senti o coração acelerar. — Ele NUNCA some. Nunca, mãe. Ele sempre me segue. Ela franziu o cenho — preocupação. Minha mãe não demonstrava medo com facilidade, então aquilo já me deixou ainda mais tensa. — E a Lucia? — ela perguntou. — Ela não saiu pra te ajudar? — Saiu. — engoli seco. — Ela foi pro jardim maior pro
Na Van
Capítulo 103 Lucia Bianchi Strondda A primeira coisa que eu senti foi peso. Um peso quente sobre minhas pernas, um joelho pressionando meu quadril, algo duro encostando nas minhas costelas. Depois veio o cheiro: suor velho, cigarro, perfume barato misturado com gasolina. E só então o som — o toque distante de pneus no asfalto, o motor vibrando sob o piso metálico da van, um dedão arrastando na tela de um celular. O celular que Vinícius havia me entregado. Abri os olhos devagar, piscando contra a luz fraca que entrava pelas frestas das portas. Minha visão demorou um segundo pra focar, e quando focou, o rosto que eu mais odiava nesse mundo estava ali, inclinado sobre mim. Giovanni Moretti. O maledetto estava sentado sobre minhas coxas, corpo pesado esmagando meu movimento, a mão direita segurando a minha arma e a esquerda mexendo no celular que o Don tinha colocado nas minhas mãos. O polegar dele deslizava pelas mensagens, pela galeria, pela nossa vida. A vontade d
Vai implorar
Capítulo 104 Lucia Bianchi Strondda — Anda, porra — Giovanni rosnou, puxando mais forte meu pé, me obrigando a cair de joelhos no concreto. A pele rasgou imediatamente. O ardor subiu pelas pernas. Eu respirei fundo. Ok. Marcas no chão, carros, rostos, armas. Grava tudo, Lucia. Você não volta aqui só pra morrer. Volta pra destruir. Fui empurrada em direção a uma escada estreita que descia pra uma porta de ferro fundida no chão. Cada degrau descia mais fundo, o ar ficando mais úmido, mais pesado, cheirando a mofo, e coisas ruins. A sensação de déjà-vu apertou a minha garganta. Eu já tinha passado por situações parecidas com essa dentro da casa dele e também lugares estranhos como esse. Mas os Moretti tinham um talento especial pra transformar qualquer espaço em mausoléu. Enquanto descia tropeçando, segurando o corrimão enferrujado com os dedos, eu observava. Duas portas à esquerda, uma entreaberta com cadeiras e caixas. Uma porta de metal pesada à direit
Não!
Capítulo 105 Lucia Bianchi Strondda (Contém gatilhos) Ele respirava pela boca, o rosto deformado de ódio. — Vai atirar? — ele provocou, a voz rouca. — É isso que a princesinha do Don faz? Vai atirar no seu marido? Porque essa merda que chama de casamento com o Vinícius não existe. Você já é casada comigo. Eu sorri com a mesma frieza que via no Vinícius quando ele decidia o destino de alguém. — Não sei… — respondi. — Mas sei o que a Dama da Máfia faz com quem encosta nela sem permissão. Você deveria lembrar de quantas cicatrizes já deixei em você. Pisei no pulso dele com força, ouvindo o estalo satisfatório dos ossos reclamando. — AHHHH! VADIA! — Ele gritou. Eu não pisquei. — Você acha que conhece o inferno, Moretti — continuei, a voz baixa, quase serena. — Mas o inferno está aqui na sua direção agora mesmo. Isabella Romano morreu porque você a matou. Quem está na sua frente é Lucia. Carrega o sobrenome Strondda e anda com o diavolo pela mão. Eu vou te destr
Vingança
Capítulo 106 Lucia Bianchi Strondda (Contém gatilhos) O ar estava pesado. Aquele tipo de peso que se instala quando o medo de alguém se torna quase palpável, quase visível — como se estivesse escorrendo pelas paredes, pelas sombras, pelo suor frio que brilhava na pele do homem à minha frente. Giovanni estava tremendo. Não de frio. Não de dor. Aquilo era pavor. Pavor de mim. E por um instante, aquilo quase pareceu justo demais. — Por favor, pare! Eu faço o que você quiser! — ele se debateu, mesmo preso, machucado, reduzido ao verme que sempre foi. — Idiota. Eu nunca perderia essa oportunidade. Ele arregalou os olhos. O rosto já inchado, a boca cortada, o sangue secando nos cantos. Parecia menor agora. Muito menor do que o homem que um dia achou que tinha o direito de me destruir. — SOLDADOS! SOLDADOS! RONI! — gritou, a voz aguda de desespero, chamando qualquer alma que pudesse salvá-lo. Eu avancei e dei uma pancada na cara dele com a arma. O estalo ecoou pelo
Dama da máfia
Capítulo 107 Don Vinícius Strondda O sangue pulsava quente demais dentro do meu peito. Não era só raiva — era algo mais primitivo, mais antigo, mais visceral. Era o instinto que só desperta quando alguém toca no que é meu. Lucia. Eu estava no Maserati, dirigindo rápido o suficiente para destruir qualquer coisa que tentasse ficar por perto. Meus homens vinham em outros carros, fechando todo o perímetro ao redor da minha rota como se fosse um cortejo da morte. João Miguel estava no banco do passageiro, um tablet no colo e a cara tensa. — Atualização — ele avisou sem tirar os olhos da tela. — A localização do colar estabilizou. Ela está parada. Num depósito velho. Parece isolado… demais. Meu maxilar estalou. — Eu mandei ela ficar em casa. — Minha voz saiu baixa demais, quase um rosnado. — Não culpe ela, Don. — João Miguel respirou fundo. — Foram malditos traidores que abriram o portão. — Eles vão morrer. Um a um — rosnei. Pisei mais fundo no acelerador. Atrás
Como me achou?
Capítulo 108 Don Vinícius Strondda O silêncio depois de uma morte sempre foi algo que eu conhecia bem… era outro tipo de música. Eu larguei a vassoura ensanguentada no chão. Giovanni Moretti jazia imóvel, o peito subindo tão pouco que parecia fingimento — ou teimosia. Me virei para Maicon. — Ele já foi com o diavolo? — perguntei, a voz rouca, ainda tomada pela fúria que queimava embaixo da pele. Passei mais de uma hora o torturando. Maicon se aproximou, deu dois toques firmes com o coturno no ombro do verme e se abaixou. — Ainda respira, Don. Bem fraco… mas respira. Eu passei a mão na barba, respirando fundo. Estava no limite entre acabar com aquilo com minhas próprias mãos… ou deixar o destino fazer o serviço por mim. Antes que eu decidisse, ouvi passos pesados ecoando na porta destruída. Papà entrou. Havia saído pra verificar o perímetro com João Miguel. O velho mafioso parou na cena como se tivesse encontrado uma obra de arte infernal — e, por um in
Sozinhos
Capítulo 109 Lucia Bianchi Strondda O caminho de volta para casa foi um silêncio confortável — aquele tipo de silêncio que só existe quando a adrenalina já desceu, mas o sangue ainda corre quente demais nas veias para chamar de calma. Eu olhava a cidade passando pela janela, piscando como se nada tivesse acontecido. Como se eu não tivesse acabado de transformar a vida de Giovanni Moretti num último pesadelo antes do inferno. Vinícius dirigia com a mão firme no volante, o maxilar marcado pela tensão e pela satisfação. Um predador depois da caçada. O telefone vibrou no painel. Ele tocou no viva-voz sem tirar os olhos da estrada. — Don. O que fazemos com o infeliz do Francesco Morretti? — era João Miguel, a voz de sempre: focada, eficiente, sem enfeites. Vinícius apoiou o cotovelo na porta, como se estivesse falando sobre o jantar de amanhã. — Já transferiu os bens dele como solicitei? — Sim, Don. Daquele jeito especial que a gente conhece bem. Ele não tem mais n
Ideia
Capítulo 110 Manuela Strondda O barulho do motor ecoou pelo portão antes mesmo de eu ver o farol do carro. Meu coração já batia acelerado — mas de urgência. Eu queria notícias da Lucia. Precisava delas. Apertei Capone contra o peito. O Shih-tzu fungava meu pescoço, agitado por me ver tão tensa. Achei ele uma hora atrás, escondido atrás de um vaso, do lado externo da residência, tremendo depois do caos. Agora estava limpo, cheiroso, e distribuindo lambidas no meu queixo como se soubesse que eu precisava de carinho. Quando o portão abriu, papà entrou. O jeito que ele caminhava — firme, pesado, seguro — já dizia tudo. Era o andar de alguém que tinha terminado um trabalho sujo, mas necessário. Assim que ele atravessou o jardim, corri até ele. — Papà! — chamei, segurando Capone com um braço só. — Como foi? Ela estava bem? Os olhos dele suavizaram. Meu pai podia ser uma tempestade, mas sempre que olhava pra mim… virava céu limpo. — Sim, principessa. — Ele passou a