All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 81
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Compre as maiores
Capítulo 81 Don Vinícius Strondda Quando fechei a pasta, a noite já despontava em cinza nos vidros do prédio. Pedi ao administrador que fechasse a porta e sentou-se de frente para mim com aquela expressão de quem gostaria de dormir mais duas horas e evitar meus problemas. Não dei bola pra vontade dele. — Quero que vasculhe tudo — ordenei, sem rodeios. — Todos os tipos de contrato que esses caras estão comprando. Quem são os sócios, quais cláusulas, prazos. Quero entender o mapa deles. — Claro Don. — E o principal... Quero que compre as três maiores empresas parceiras deles. As que dão mais lucros, mais retorno. Não importa quanto vai custar. Ele arqueou a sobrancelha. — Tem certeza, Don? Comprar elas pode custar milhões. Olhei a assinatura na pasta, a caligrafia de Moretti como uma mancha. Pensei no som de papel queimando e no rastro que eles vinham deixando. Respondi devagar, com o sorriso frio que obriga a verdade a revelar seu preço. — Essa é a diferença entr
Verônica
Capítulo 82 Don Vinícius Strondda Quando Lucia apareceu na porta, parei de respirar por um momento. — Mamamia! Mas o que pensa que está fazendo ragazza? — andei ao redor dela. Lucia vestia um vestido vermelho e curto da cor do próprio diavolo. Suas curvas sexys pra caralho. Salto alto. Só que sua voz fraquinha e desprotegida tentou me confundir: — Vamos a uma boate meu Don. Se dissesse que iríamos dormir na sua mãe, eu vestiria pijama. — Balancei a cabeça incrédulo. — Quer me matar, é isso? Pois vá tirar essa tentação agora mesmo. Tenho mais o que fazer do que te vigiar a noite toda. — Mas qual o problema? — colocou as mãos na cintura — Todas as mulheres que vi lá dentro usavam coisas menores. Meu vestido é comportado. Não tem decote, só é justo. Passei a mão na barba, respirei fundo. — Só viu puttana Lucia. Você não é puttana de ninguém. Aliás, bem que eu iria gostar de te foder lá dentro vestida como... — Achei melhor não terminar a frase. Mas
Uma carabina
Capítulo 83 Lucia Bianchi Strondda Não gostei daquela Verônica — toda frágil, toda fingida — entrou como se fosse a última estrela de um filme barato e agora estava por aí, rindo com meu marido, como se tivesse direito a tudo. Era só o que faltava: a amiguinha das antigas chegando pra passear com o Don enquanto eu tinha que fingir calma e esperar. Olhei pro relógio que vi na parede, 22:35. Se ele não entrar em quinze minutos eu juro que saio. . Quando o relógio marcou exatos quinze minutos, eu me levantei num pulo. Nada de Don. Nenhum passo no corredor. Nenhuma sombra que fosse dele. Abri a porta do quarto VIP. O som do metal batendo na parede ecoou mais alto do que eu queria, mas já não me importava. A boate estava lotada — lotada demais. Luzes piscando, risadas que pareciam nervosas, o cheiro de bebida misturado a perfume caro. Dei dois passos pra fora e parei, encostando a mão na lateral da parede. Os olhos correram o salão como quem caça algo. Pr
Ordem
Capítulo 84 Lucia Bianchi Strondda — Senhora, ainda não vi ninguém. — Um dos soldados falou baixo. O tiro tá comendo solto lá dentro. Está ouvindo o alvoroço? — Se eu estiver errada — disse, baixinho para o soldado ao meu lado — me mande de volta pro quarto do Don com vinho branco num laço e uma nota oficial de desculpas, porque vou precisar. Mas se eu estiver certa... me cubra. Porque não vou deixar nenhum nojento dos Moretti passar por aqui. Ele assentiu, e nós dois ficamos imóveis, como prédios esperando a tempestade enquanto os soldados aguardavam em posição. Do lugar onde estávamos, consegui ver a entrada da boate. Carros de luxo vieram cantando pneus. Mustangs, Maserati e outros modelos pretos e caros. Eram da família Strondda. Logo desceram. Quando Laura olhou na nossa direção, conseguiu me achar. Merda! Só aparecia os cabelos e os olhos. Ela é ótima. Imediatamente fiz um sinal pra ela negando, com a esperança de que não me entregasse ao outros membros
Cadê a Lucia?
Capítulo 85 Don Vinícius Strondda Corro pelo corredor como se o piso fosse uma linha que, se eu não a alcançasse, tudo desabaria. A boate está um rolo — risos, música, copos, soldados tentando puxar a ordem com vozes cortadas pela tensão — e eu só penso em uma coisa: Lucia não está no quarto VIP. — Cadê a porra da Lucia? — esbravejo, arremessando a porta do quarto. O sofá vazio, a taça de vinho sobre a mesinha, a luz baixa. Perfume e pólvora. Dois mundos que não combinam. Peguei o rádio do primeiro que achei, apertei o botão com as mãos tremendo. — Soldados, me ouvem? Onde estão os que estavam cuidando do meu quarto? — Pergunto. — Chefe — responde um soldado, a voz falhando — alguns não respondem. Estão... estático. Não chegam. — Pelo amor de Dio, falem! Quem não respondeu, venham até mim agora! — grito, puxando um homem pelo ombro, sentindo o tecido ceder. Desliguei. Meus soldados se moviam em direções opostas, tentando controlar clientes, empurrando civiles par
Eles começaram
Capítulo 86 Don Vinícius Strondda O sangue ainda escorria entre os dedos do Alex quando me aproximei. — Hélio! — a palavra saiu arranhando minha garganta. Meu tio estava afundado na cadeira, o peito manchado, o ar saindo aos soluços. As pupilas dele buscavam o teto, como se quisessem enxergar algo além do que eu podia dar. — Ele tá vivo! — Alex gritou. — Ainda tá respirando! Eu me ajoelhei, passei o braço por trás do pescoço dele. — Fica comigo, vecchio… — murmurei, apertando o ferimento com a palma da mão. — Alguém avisa o Enzo, porra! AGORA! Lucia entrou logo atrás, sem fôlego, os olhos marejados. — Vinícius… — a voz dela era um fio. — Não, não fala nada. Segura o pano aqui — empurrei a mão dela contra o ferimento e virei para Alex. — Tem como retirar a bala? — É mais de uma — ele respondeu, ofegante, tentando conter o sangue que se espalhava. — Ele precisa de um hospital, Don. — Então o que estamos esperando? — rosnei, passando o braço debaixo do ombro do Hé
Armas
Capítulo 87 Don Vinícius Strondda O corredor frio do hospital era pequeno demais para caber minha fúria. Eu saí dali como louco. Atravessei as portas de saída com o coração batendo no ritmo da vingança. Lucia correu atrás. — Vinícius, espera — — Entre no carro. — minha voz saiu como um disparo. Abri a porta da Maserati com força, joguei-me no banco. Peguei o celular. Sangue fervendo. Mão tremendo de ódio. Enviei a mensagem geral para todos os setores da Strondda:“Quem estiver em condições vem comigo. Vamos destruir os Morettis e todo o patrimônio deles. Vocês têm uma hora.” Eu nem respirei. Joguei o celular no painel. Lucia puxou a porta do passageiro e entrou de uma vez. — Vinícius, me escuta só um minuto… Acho que deveria me levar com você. Eu explodi. — AGORA NÃO, PORRA! — gritei tão alto que minha garganta ardeu. — Você vai ficar em casa ou vai acompanhar minha mãe no funeral, e eu vou resolver isso! Ela ficou imóvel, os olhos marejados
Sangue nos olhos
Capítulo 88Don Vinícius StronddaA estrada sumia atrás de nós como fumaça. A cada quilômetro, o motor do Maserati urrava como se adivinhasse o destino: sangue.Quando dobramos a última curva antes da colina dos Moretti, eu reduzi a velocidade.Mesmo antes de ver, já sentia a presença, a força, a guerra.— Santo Dio… — murmurou papà ao meu lado. E eu entendi o motivo do silêncio dele.A quadra inteira estava tomada.Carros da Strondda alinhados como um exército romano. Mais de quarenta veículos, todos pretos, todos com o brasão vermelho e preto vibrando sob a luz dos faróis.Soldados em formação. Armas levantadas.Rádios estalando.Rostos tomados pela mesma sede de vingança que queimava dentro de mim.Eu estacionei. A porta do Maserati mal abriu e já tinha gente se aproximando.El Chapo veio primeiro, rindo daquele jeito sinistro que sempre precede uma chacina.Débora ajustava a pistola presa na coxa, olhos de predadora.Laura e Giulia estavam com os cabelos presos, fuzis pendurados,
Francesco Moretti
Capítulo 89 Don Vinícius Strondda — Francesco Moretti... — Resmunguei incrédulo. O cheiro de pólvora ainda estava impregnado nas paredes quando o verme levantou. O maledetto Figlio de puttana ainda tentou levantar uma arma com a mão direita. Eu só precisei de um tiro. Um movimento preciso. Um segundo. E Francesco Moretti gritou como um porco sendo arrastado pro abatedouro. A bala atravessou a mão dele e a arma caiu no chão com um estalo seco. — AÍIIII! MEU DEUS—! — EU MANDEI LEVANTAR, PORRA! — rugi, o eco da minha voz voltando pelos corredores destruídos. Foi o suficiente para que meus homens surgissem de todos os lados, como sombras emergindo da própria fumaça da guerra. Papà, com o rosto fechado como pedra, deu dois passos à frente. — Francesco? — ele disse, como se fosse difícil acreditar no quanto aquele idiota era patético. Eu chutei o ombro de Francesco para que ele ficasse de pé. O desgraçado cambaleou, sangue pingando da mão, o rosto branco
O motorista
Capítulo 90 Lucia Bianchi Strondda A sala do velório parecia pequena demais para tanta dor. O cheiro de lírios e incenso grudava na garganta, misturado ao choro silencioso de Larissa, a esposa do tio Hélio, uma senhora de mãos frágeis que tremiam cada vez que alguém mencionava o nome dele. Sentei ao lado dela, apertando sua mão quando seus soluços cresciam. — Estou aqui, signora. — murmurei. — Eu prometo… nada vai te acontecer. Ela balançou a cabeça, enxugando o rosto enrugado. Fabiana Strondda, minha sogra, passava o braço pelas costas dela com delicadeza. Ela parecia tão forte quanto assustada — o tipo de força silenciosa que uma mãe carrega quando entende que o mundo virou guerra de novo. Soldados faziam a vigília em cada canto da capela. O velório estava cercado. Ninguém entrava sem identificação, ninguém saía sem três confirmações diferentes. Mas mesmo assim… Eu sentia que algo estava errado. Não era medo. Era… instinto. O mesmo instinto