All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 111
- Chapter 120
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Liga
Capítulo 111 Lucia Bianchi Strondda Eu ainda estava com a roupa do galpão — sangue seco, cheiro de fumaça, escuridão grudada na pele. Aquilo não pertencia à minha casa. Não pertencia a nós. Vinícius fechou as portas. Soltei um suspiro longo. — Eu preciso de um banho. — murmurei, já andando pelo corredor, e fui tirando a roupa ali mesmo. Cada peça caindo no chão pelo caminho como se eu estivesse descartando pedaços do inferno que tinha acabado de atravessar. Senti o olhar dele em mim. Não precisei ver. Era aquela sensação quente queimando minha nuca, o peso do Don me acompanhando como uma mão invisível. Passei pela sala, fiquei só de lingerie e continuei andando até o quarto. Joguei o sutiã na poltrona, deixei a calcinha por último, só porque era impossível não ser um pouco cruel com ele. Bom… eu tinha acabado de sair de um galpão em chamas. Um pouco de maldade leve era quase um descanso. Quando entrei no quarto, notei algo. Vinícius não vinha atrá
Com ele
Capítulo 112Lucia Bianchi Strondda Sabia o que o brilho nos olhos dele significava. Sabia o jeito que ele apertava o braço da poltrona, contrariado com a própria vontade de pular dali e me pegar no colo.Parecia que cada centímetro daquele quarto pertencia a nós dois, à nossa guerra particular.Passei perto da cama.Senti o olhar dele escurecer ainda mais.Ele inclinou o corpo para frente, os antebraços apoiados nas coxas, os dedos entrelaçados.— Isso. Desfila pra mim. Apoia as mãos na cama. — ordenou, a voz seca. — E ergue um pouco a perna. Bem devagar.Meu coração disparou.Não precisei perguntar “qual perna”. Eu sabia exatamente o que ele queria ver.Fui até a beirada da cama, obedeci.Apoiei as mãos no colchão, sentindo o tecido afundar sob o peso do meu corpo. Ergui a perna direita, esticando-a sobre o colchão, deixando a outra ainda no chão, o quadril virando de leve.A cinta-liga esticou, exibindo perfeitamente a linha da minha coxa, o contorno da calcinha, a curva da bunda
Com ele 2
Capítulo 113 Lucia Bianchi Strondda Por um instante, pensei que ele fosse me virar de qualquer jeito, mas não. Vinícius simplesmente se deitou — daquele jeito calculado e possessivo, como quem escolhe a posição exata em que quer me ter. Eu reconheci o movimento pelo som discreto do colchão cedendo, pela sombra que cobriu minha pele e pelo calor do corpo dele se aproximando da minha cintura. Ele não disse nada, o que em Vinícius significava muito mais do que qualquer ordem. Era como se estivesse me dizendo eu quero ver o que você faz agora, ragazza. E eu fiz. Me virei devagar, ainda ofegando, minhas pernas tremendo com o excesso de desejo que ele mesmo provocara em mim minutos antes. O olhar dele subiu pela minha pele como uma mão invisível, estudando cada decisão que eu tomava. Sentei sobre ele. Aliás, com a área íntima na sua cara. A mão massageando seu pau. Firmei meus joelhos ao lado de seus ombros, e quando o peso do meu quadril encontrou o rosto dele, o mun
Comida italiana
Capítulo 114Vinícius StronddaEu ainda respirava contra as costas dela quando ouvi aquela vozinha baixa, arrastada, pós-prazer, a que sempre me desmontava de um jeito que eu odiava admitir.— Don…— Hm? — respondi sem abrir totalmente os olhos, ainda sentindo o gosto dela no meu corpo inteiro.— Tô com fome. Vou preparar algo pra gente comer.Abri os olhos na hora.Lucia se virou lentamente, o rosto ainda vermelho, o corpo preguiçoso daquele jeito que parecia pedir mais uma rodada, mas não. Ela estava falando sério. — Isso tudo me deixou faminta… — ela murmurou, passando a mão no cabelo. — Vou mesmo fazer algo pra comer.A palavra fazer me arrancou de cima da cama como um tiro.— Não. — Falei rápido demais, levantando antes que ela completasse a frase. — Pode deixar que eu faço.Ela arqueou a sobrancelha. Fez aquela cara de ofendida que sempre vinha seguida de alguma teimosia perigosa.— Ah, claro. Porque sou tão ruim assim, né? — cruzou os braços.— Não. Só estou preocupado que est
Amor
Capítulo 115 Lucia Bianchi Strondda Antes mesmo de qualquer palavra sair da boca de Vinícius, eu fiquei presa na expressão que ele fazia enquanto terminava de comer a minha polenta com ragu — uma expressão que eu nunca tinha visto naquele homem. Ele parecia… em paz. Relutante em admitir que estava em paz, claro, mas estava. E aquilo, por si só, já valia tudo. Eu o observei levar a última colherada à boca, devagar, como quem prolonga algo bom. Meu coração quase saiu do peito. Porque, por mais que eu quisesse ser invencível, impressionante, irresistível, eu também queria poder cuidar dele às vezes. E ver Vinícius Strondda, o homem que mandava no mundo com um levantar de sobrancelha, se deliciar com algo que eu mesma tinha preparado… caralho. Isso era melhor que sexo. Mentira. Empatava. Apoiei o queixo no cotovelo sobre a mesa por um instante, sentindo meu peito aquecer. Era uma sensação estranha, vulnerável… perigosa até. Como se algo dentro de mim estivesse se pre
Verônica?
Capítulo 116 Lucia Bianchi Strondda Quando levantei do colo dele para levar os pratos até a pia, senti as pernas levemente bambas. Um efeito colateral constante de Vinícius, fosse por causa do sexo, do olhar, das palavras ou daquela mania de bagunçar minha cabeça inteira com calma e violência ao mesmo tempo. Peguei os pratos, ainda sorrindo sozinha, e caminhei até a pia. Mas, no momento em que abri a torneira, o vapor quente subindo… uma lembrança ruim me atingiu do nada. A morte do Hélio. Tio de Vinícius. Eu não tinha convivido com ele como família; nossas interações tinham sido poucas, rápidas, quase formais. Eu conhecia o suficiente para entender que ele era importante demais na vida de Vinícius, e isso bastava. Eu lembrava da forma como o Don ficou ao receber a notícia… do silêncio dele, do jeito que segurou o próprio mundo nas mãos fingindo que não estava quebrado. Eu tinha visto muitos homens desmoronarem. Mas nunca tinha visto Vinícius engolir a dor daquele je
O celular
Capítulo 117 Lucia Bianchi Strondda Vinícius não caminhou diretamente para o lado do motorista. Ele nem sequer olhou para a porta da frente. Simplesmente abriu a porta traseira do carro e entrou, como se fosse óbvio que não dirigiria. Eu entrei junto, me acomodando ao lado dele. E quando Vinícius estava nesse estado… qualquer detalhe dizia mais do que palavras. Ele não disse uma única sílaba durante o trajeto.Nenhuma ordem, nenhum comentário, nada. Só o barulho constante dos dedos dele deslizando pela tela do celular em uma velocidade que eu nunca tinha visto. Entre uma notificação e outra, ele puxou um tablet fino guardado atrás do banco e o desbloqueou. A tela iluminou o carro com o reflexo frio de câmeras de segurança — várias, de ângulos diferentes, mostrando trechos da boate, do corredor subterrâneo, da área VIP, da rua lateral. Ele cruzava imagens, aumentava, diminuía, pausava, marcava algo com dois toques rápidos. Eu o observei em silênci
O abraço
Capítulo 118 Lucia Bianchi Strondda Uma coisa que aprendi convivendo com Vinícius é que autoridade de verdade não se impõe gritando. Ela simplesmente acontece. E, às vezes, é até silenciosa. Mas naquele corredor subterrâneo do hospital, hoje transformado em território da máfia sem que ninguém ousasse admitir, eu não estava com humor para delicadezas. Assim que João Miguel resolveu o problema... — Soldados! — chamei, a voz alta. — Quero todas as lixeiras vasculhadas. Agora. Procurem um celular. Tela quebrada. Não sei a cor nem o modelo. Eles estalaram o corpo como se tivessem levado choque. Três correram para a direita, dois para o fundo do corredor, outro desapareceu por uma porta metálica que dava para o setor técnico. Ninguém perguntou por quê. Ninguém pediu detalhes. Eu continuei observando enquanto cada um se movia como peça obediente de um tabuleiro que eu, até pouco tempo atrás, nem sabia que podia manipular. Quando virei para o lado, encontrei João Miguel me
Já sabia?
Capítulo 119 Lucia Bianchi Strondda Ele não agiu como um homem pego de surpresa, mas como um predador analisando a distância entre ele e a presa antes de finalizar o golpe. A mão dele subiu até o ombro de Verônica, mas não para retribuir o abraço. Ele a empurrou tão forte que ela caiu sobre a cama. — Você realmente achou que isso ia funcionar? — perguntou Vinícius, a voz baixa, firme, sem qualquer emoção humana. Pensei que a vadia surtaria, mas Verônica abriu um sorriso tímido, quase doce, ignorando que ele tenha empurrado ela. Então olhou de relance para mim, como se quisesse me provocar: — Don… você sabe que nós dois sempre tivemos uma afinidade. Eu só queria ajudar você a aliviar a tensão. Achei que… depois de tudo que passamos… — ela passou a mão pelo peito dele de novo, mais ousada — Talvez ainda houvesse algo entre nós, Vinícius. Meus nervos enrijeceram. Segurei as unhas apertadas encostando o punho no batente da porta. Mas dessa vez Vinícius me surpreende
O soldado
CAPÍTULO 120 Lucia Bianchi Strondda O carro mal parou e Vinícius já desceu com aquela postura de Don que poderia mandar o inferno abrir uma porta só pra ele passar.Eu o acompanhei no piso frio do reduto subterrâneo, onde ficavam as salas de interrogatório e de acerto de contas. Quando entramos na sala de comando e Vinícius entregou o celular, João Miguel já começou revirando gavetas. — O celular dela está morto de bateria, Don — anunciou sem tirar os olhos de mim, como alguém que sabe que eu estava aguardando por esse momento. — Mas… Ele abriu outra gaveta. — Ah. Aqui. Puxou um carregador velho e conectou o aparelho quebrado. A luz acendeu. — Bom sinal — murmurei. João Miguel começou o processo. Em menos de um minuto o aparelho ligou, mas travou na tela inicial. — Tem senha. Vinícius cruzou os braços atrás de mim. — Resolve — ele ordenou. — Já estou resolvendo — João Miguel respondeu, com aquele orgulho silencioso. Seus dedos voaram pelo notebook co