All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 121
- Chapter 130
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Aula
Capítulo 121 Lucia Bianchi Strondda Fomos até a sala onde a vadia estava presa. Verônica estava amarrada à cadeira de metal, os pulsos marcados, o rosto destruído pelos socos — tanto do Don quanto meu. Ao nos ver, ela tentou se soltar. — Don! Pelo amor de Deus! Não faça isso comigo! Eu… eu fui obrigada! Eu nunca quis trair você! Lucia armou tudo! Ela quer o meu lugar! Revirei os olhos. — Você ainda está com essa fantasia, querida? Achei que já tinha apanhado o suficiente pra entender seu lugar. Nunca quis nada seu. — AHHHH! — Ela gritou, histérica. Vinícius nem olhou para ela. Pegou uma faca da mesa de instrumentos. Uma lâmina curta, fina, leve, e virou-se de costas pra vadia. — Por que traiu uma amizade de infância, Verônica? — ele perguntou calmamente. — Só por dinheiro? — Eu não tive escolha! — ela gritou. — Giovanni me comprou! E depois Francesco… eu… eu precisava sair dessa vida! Eu só fiz o que pude! — Hm. — Vinícius sorriu de canto, o tipo de s
Abaixa!
Capítulo 122 Lucia Bianchi Strondda Um mês passou, depois de tudo o que aconteceu. Às vezes parece pouco tempo. Às vezes parece uma vida inteira. A casa voltou a respirar. Não daquele jeito ingênuo — isso nunca mais existiria —, mas de uma forma… estável. O tipo de silêncio que não grita perigo. O tipo de ordem que não depende de medo constante, e sim de certeza. Don Antony fez o que sempre soube fazer melhor: limpeza nos soldados da sua casa. Nenhum traidor da casa dele sobreviveu. Nem os óbvios. Nem os discretos. Nem os que juravam lealdade com a mão sobre o coração enquanto negociavam pelas costas. Quando terminou, o nome Strondda voltou a ser pronunciado com o respeito certo — não por amor, mas por consciência. Vinícius, por outro lado, fez algo diferente. Ele não apenas eliminou, ele observou minuciosamente. Fez uma malha fina no que sobrou no reduto e em nossa casa. Mudou escalas, trocou comandos, testou lealdades em silêncio. Passou semanas analisando rel
Mudar a rota
Capítulo 123Lucia Bianchi Strondda O estampido ecoou seco demais. O vidro do carro explodiu em estilhaços. O corpo do homem foi jogado para trás com força.Gritos cortaram o estacionamento. Pessoas correram. Alguém deixou uma mala cair. Alarmes dispararam.Vinícius me puxou contra o corpo dele por instinto, me protegendo com o próprio tronco enquanto analisava o entorno.— Que porra é essa, Lucia?! — a voz dele era firme, mas os olhos queimavam.Eu mantive a arma apontada até ter certeza absoluta de que o homem não reagiria. Embora tivessem uns vinte homens da Strondda fazendo o mesmo.— Esse carro passou por nós duas vezes — respondi, sem tirar os olhos do alvo. — O olhar não bateu. Aqui ele ficou parado demais. E eu vi a arma antes dele decidir usar.Ele me encarou.— Por que não falou na estrada? Essas coisas devem ser comunicadas imediatamente.— Porque ainda não era certeza — disse, finalmente baixando a arma. — E eu não quis te colocar em alerta sem motivo. Você queria tanto d
Relaxar
CAPÍTULO 124 Lucia Bianchi Strondda — Mandou bem, Don. A frase escapou de mim com um sorriso preguiçoso, daqueles que nascem quando a gente reconhece competência… e também quando a gente reconhece que está segura no colo do homem mais perigoso que eu já amei. Vinícius ainda estava com o celular na mão. A tela apagou no mesmo segundo em que ele bloqueou, mas a tensão no corpo dele não sumiu junto. Guardou o aparelho no bolso, e então caminhou até mim. Eu estava na varanda, o mar inteiro diante de nós. Um azul quase indecente, como se o mundo estivesse tentando me seduzir também. Ele parou perto demais, o ar mudou. Ou talvez fosse só a minha respiração por ficar tão perto. Vinícius ergueu a mão e segurou meu queixo com firmeza — não agressivo, mas aquele tipo de controle que faz a pele arrepiar porque é escolhido. O polegar dele roçou devagar na minha mandíbula, e eu senti o calor subir como uma onda lenta. — Bom… não era pra você ouvir — ele disse baixo, e o ol
Mostra tudo
Capítulo 125Lucia Bianchi Strondda Eu puxei a camisa dele pela gola, aproximando ainda mais, sentindo a respiração dele falhar pela primeira vez em horas.Foi aí que ele fez menção de ir além. Um movimento simples, quase impaciente, como se o mundo inteiro fosse irrelevante perto do que ele queria arrancar de mim.E eu quis.Meu corpo quis.Mas antes que eu me perdesse completamente… algo brilhou pela janela.Uma faixa dourada do sol descendo no mar, exatamente na linha em que a água encontrava a rocha. E, mais abaixo, entre as árvores, eu vi um caminho estreito que descia para uma área escondida, um recorte de areia clara, quase particular, abraçado por pedras e sombra. Como se a ilha tivesse guardado aquele pedaço só pra quem soubesse procurar.Meu olhar foi sem querer, e eu congelei por meio segundo.Vinícius percebeu na mesma hora.Ele parou. Literalmente parou. Como se o desejo pudesse esperar só porque ele entendeu que eu tinha encontrado outra forma de respirar.— O que foi?
Gostoso
Capítulo 126 Vinícius Strondda O problema de trazer Lucia pra dentro do meu mundo não é o perigo lá fora.É o que ela faz comigo aqui dentro. Porra! Ela me tortura adiando nosso momento. Mas fica tão linda sorrindo enquanto exploramos. A gente voltou pra sala principal ainda com o cheiro do mar grudado na pele, a luz do fim de tarde entrando pelos vidros altos, dourada demais pra alguém como eu. Eu observava tudo por hábito — ângulos, reflexos, pontos cegos — até esquecer de observar a única coisa que realmente importava. Ela. Lucia se afastou dois passos de mim, de costas, encantada com o lustre central. Uma peça absurda de vidro e metal, pendurada como uma joia cara demais pra cair. — Isso aqui é lindo… — ela murmurou, esticando a mão. Deixando sua cintura a mostra demais pro meu instinto de predador. E foi aí que o chinelo dela escorregou no tapete.O mundo parou. Meu corpo reagiu antes do pensamento. Um passo. Um braço. Minha mão fechando na cintura dela co
Suficiente
Capítulo 127 Vinícius Strondda Eu não sou um homem paciente. Nunca fui. Tudo em mim foi moldado pra tomar, decidir, dominar antes que alguém tente fazer o mesmo comigo. E Lucia… Lucia sabe disso. Sabe exatamente onde tocar sem tocar. Onde olhar sem pedir. Ela me provoca porque confia, e essa confiança é o que mais me enlouquece. Quando a puxo de volta pra mim, não é com delicadeza, é necessidade. É instinto velho, sujo, enraizado em anos de sangue e poder. A sala desaparece. A ilha some. Não existe nada além do corpo dela reagindo ao meu comando silencioso. Quando a empurro contra o sofá e sinto o corpo dela ceder, não é só desejo. É posse. É aquele impulso antigo de marcar o que é meu antes que o mundo ouse encostar. A casa está fechada, trancada, muda. Do lado de fora, o mar. Aqui dentro, só o som da respiração dela acelerando conforme entende que eu não vou aliviar. Nunca alivio. Arranco o último pedaço de tecido do caminho com os dentes, a calcinha. Não por p
Proteger
Capítulo 128 Vinícius Strondda A manhã nasce lenta, quase respeitosa. O sol ainda não está alto quando saímos da casa. O ar carrega sal, vento frio e aquele silêncio estranho que só lugares afastados têm — como se o mundo estivesse suspenso por algumas horas antes de lembrar que é cruel. Lucia anda ao meu lado. Esse detalhe diz mais do que qualquer palavra.Ela veste algo simples, cabelo solto, óculos escuros pendurados no decote. Parece distante do caos que nos cerca. Parece… normal. E isso, pra mim, sempre foi mais perigoso do que qualquer arma. Caminhamos por uma rua estreita que desce até a pequena vila costeira. Casas baixas, janelas coloridas, cheiro de café fresco escapando de algum lugar. Gente comum. Vida comum.Eu mantenho a mão dela na minha. Não porque preciso, mas porque quero. Ela percebe. Sempre percebe. — Você anda segurando minha mão como se fosse perder — diz, sem olhar pra mim. — Não sou eu que perco as coisas — respondo.Ela sorri
Amar
Capítulo 129 Lucia Bianchi Strondda A gente não entrou na casa depois que voltou para aquele lugar maravilhoso. Tem um espaço do lado de fora, quase escondido, feito pra descanso. Pedra clara aquecida pelo sol, madeira antiga, espreguiçadeiras voltadas para o mar, que é mais afastado. O vento passa livre, traz cheiro de sal e aquele silêncio bom que não pede nada além de presença. Eu gostei dali imediatamente. Antes mesmo de sentar, percebo o movimento. Carros chegando. Param um pouco afastados. Homens descem com passos seguros demais pra serem turistas, atentos demais pra estarem relaxando. Ah! São os seguranças. Os homens que João Miguel prometeu. Vinícius observa tudo sem mudar a expressão. Só o maxilar trava um pouco. — Eles ficam no perímetro — diz. — Aqui continua sendo nosso. Assinto. Ele encosta a testa na minha por um segundo, breve, íntimo. — Já volto. Vou até a cozinha. — Está bem. Me deito na espreguiçadeira, estico as pernas, tiro os sapa
O noivo
Capítulo 130 Lucia Bianchi Strondda Saímos daquele lugar dois dias depois. Fiquei com aquele sentimento bom de quem aproveitou tudo o que precisava ser vivido ali. O mar ainda estava calmo quando entramos no carro, e Vinícius fechou a porta com cuidado, como se não quisesse quebrar o clima que ainda nos envolvia. Ele assumiu o volante enquanto vários outros carros se posicionavam para escoltar, mas antes de ligar o carro, virou o rosto para mim. — Está bem? — perguntou, a mão grande repousando sobre minha coxa. Assenti, sorrindo. — Estou… diferente. — respondi. — No bom sentido. Ele arqueou uma sobrancelha, aquele gesto mínimo que sempre antecedia um comentário irônico, mas não disse nada. Apenas apertou levemente minha perna com o polegar, um carinho silencioso, e deu partida. No avião, sentei ao lado da janela. O cinto ainda nem estava totalmente ajustado quando Vinícius já tinha encaixado o corpo de lado, o braço descansando atrás de mim, criando um espaço que