All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 131
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A conversa
Capítulo 131Lucia Bianchi StronddaO silêncio que ficou depois do anúncio ainda pesava no ar, mesmo com as conversas tentando voltar ao normal. Não voltou.Não tinha como.Manuela respirou fundo, largou os talheres na mesa e se levantou com um sorriso que não era sorriso coisa nenhuma.— Vou ao banheiro.Ninguém acreditou, mas ninguém ousou impedir.Ela saiu com passos firmes, Capone indo atrás, como se soubesse que a dona precisava de apoio.Antony ficou olhando para a porta por um instante, depois voltou-se para mim. O olhar dele não tinha traço de raiva, nem dureza — tinha expectativa. Confiança. Responsabilidade.— Lucia. — ele chamou, calmo, mas com aquele peso que só Dons carregam na voz. — Foi bom que ela saiu.Endireitei a postura automaticamente.— Sim, sogro?Ele apoiou o cotovelo na mesa, como quem organiza os próprios pensamentos.— Vou lhe dar uma missão, bambina. — disse, direto. — Eu, Vini e Fabiana já conversamos com ela. Não adiantou. Manuela não escuta os pais quand
Brava
Capítulo 132Lucia Bianchi StronddaVoltar para a mesa foi como atravessar uma ponte invisível entre guerra e trégua. As conversas tinham retomado um ar de normalidade, mas bastou Manuela aparecer ao meu lado, ainda com o cachorro rondando os calcanhares, para todos ficarem em alerta. Antony ergueu o olhar. Fabiana nem disfarçou o suspiro de alívio antecipado. Vinícius… bem, ele só me encarou — e eu soube, ali, que ele confiava em mim de verdade.Manu parou ao lado da cadeira dela, cruzou os braços e soltou a voz com uma firmeza que não parecia de alguém prestes a ceder.— Papà.Ele ergueu uma sobrancelha.— Sim, bambina?Ela respirou, como quem aceita algo que ainda não gosta, mas entende.— Eu vou conhecê-lo... O tal noivo — disse, clara. — Lucia está certa… não se deve odiar alguém antes de saber quem é. Eu… vou dar uma chance. Conhecer. Só isso.Fabiana levou a mão ao peito. Antony sorriu do jeito que só Dons que venceram batalhas sorriram. Não de vitória… mas de respeito.— Brava
Corvo
Capítulo 133Lucia Bianchi StronddaQuinze dias passaram.Tempo suficiente para a casa voltar a respirar normalidade.Tempo nenhum para a minha cabeça aquietar.Eu me olhava no espelho enquanto fechava o colar no pescoço, mas meus pensamentos estavam longe dali. Estavam em Manuela. Naquele aperto silencioso que ela vinha carregando desde que Antony decidiu que era hora de apresentar o noivo. Desde que o nome dele começou a circular em sussurros, nunca em voz alta. Não quero que ela passe o que eu passei na mão dos Moretti.Vinícius estava atrás de mim. Sentia a presença antes mesmo de vê-lo no reflexo. As mãos grandes seguraram meus cabelos, ergueram com cuidado para fechar o zíper do vestido.— Calma, amore mio. — a voz baixa, segura. — Papà conheceu o noivo. Ele nunca erra. Se disse que é um bom partido, certamente tem seus motivos.Suspirei.— Eu sei… — respondi, mas a inquietação não cedia. — É que Manuela não sabe nada sobre ele. Nada de verdade. O que sabe é que é um cara perigo
Vou levar
Capítulo 134 Manuela Strondda Eu estava indignada. Não era raiva pequena, dessas que passam com um gole de vinho. Era aquela que sobe quente pelo peito, fecha a garganta e deixa a cabeça latejando. O maledetto não teve nem a decência de aparecer. Nem de olhar na minha cara. De perder cinco minutos para saber quem eu sou. Saí da sala antes que dissesse algo que não teria volta. O banheiro parecia distante demais, enquanto queimava a humilhação que eu me recusava a admitir. Fechei a porta atrás de mim com força sem fazer alvoroço. Apoiei as mãos na pia de mármore e encarei meu reflexo. Linda. Arrumada. Impecável. Tudo isso… para nada. — Filho da mãe… — murmurei entre os dentes. A porta se abriu com cuidado. — Manu… — a voz da Lucia veio mansa, cautelosa. — Não, Lucia. Não tenta. — virei de costas, pegando papel toalha só para ter algo nas mãos. — O cara não tem compromisso nenhum. Nenhum. É exatamente o tipo de homem que vai me trair na primeira oportunidade. Ela suspirou,
O Corvo?
Capítulo 135 Manuela Strondda Eu abro os olhos devagar. E fecho de novo. O mundo parece girar em círculos preguiçosos, como se alguém tivesse decidido me balançar dentro de uma caixa escura só para testar minha paciência. Meu corpo inteiro dói. Não é uma dor aguda — é um peso profundo, espalhado, como se cada osso tivesse sido sacudido com raiva. O cheiro de borracha queimada e metal invade meu nariz antes mesmo que eu consiga organizar os pensamentos. Abro os olhos outra vez. Vejo movimento pela janela lateral. Um vulto puxando algo — ou alguém — com brutalidade. O motorista. Reconheço o uniforme. Ele está desacordado, mole demais, sendo arrancado do volante como um saco de areia. — Ei! — a voz do nosso soldado ao lado corta o ar. — Quem é você?! Ouço o clique inconfundível de uma arma sendo destravada. Tento virar o rosto, mas minha cabeça pesa como chumbo. Meu estômago se revira. O mundo dá um solavanco. Então a outra voz surge. Baixa. Irritante. Segura d
Doutor
Capítulo 136 Manuela Strondda A inquietação sempre vem antes da dor. Minha mão desliza devagar pelo banco estreito do carro. Minha respiração falha por um segundo. — Merda… — murmuro. Levo a mão ao casaco que vesti antes de sair. Ao bolso interno onde eu sei que estava o envelope. Papel grosso. Lacrado. Entregaria ao tio Maicon. A coisa mais importante que eu carregava hoje. Mas onde está? Meu estômago afunda de um jeito perigoso. — Não… — sussurro, passando a mão pelo corpo com mais urgência. Nada. Nenhum volume. Nenhuma dobra suspeita. O envelope também sumiu com o acidente. O carro desacelera. Paramos. Pela janela lateral, vejo uma fachada branca, grande demais. Um hospital. Mas não um que eu reconheça. Não é da Strondda, nem o instituto Helen Marino. Meu coração acelera. — Onde a gente tá? — pergunto, virando o rosto com dificuldade. Ele está no banco da frente. Postura rígida. Mandíbula travada. As mãos grandes ainda no volante, como se estive
Nós veremos de novo
Capítulo 137 Manuela Strondda Eu não sei exatamente o que me atinge primeiro. Se é o calor estranho subindo pelo peito…Ou o balde de água gelada que veio logo depois. Ele é... — Comprometido? — repito, sem conseguir esconder a surpresa. Por essa eu não esperava — Me desculpa… eu não sabia. Ele balança a cabeça com calma, como se aquilo fosse irrelevante. — Não tem problema. Posso esquecer o que ouvi— responde. — É só um negócio de família. Um acordo de negócios. Não é um relacionamento que me interesse como homem. Meu coração dá um pulo traidor. O que ele estava querendo dizer com isso? Está na cara que é um homem mais experiente, provavelmente tem alguns anos a mais que eu. Embora seja lindo de morrer. Eu sorrio, quase aliviada, quase esperançosa. Tento dizer alguma coisa — qualquer coisa inteligente, espirituosa, provocadora — mas ele não me dá espaço. O que aconteceu comigo? — Meu plantão já terminou há bastante tempo. — diz, profissional outra vez. — Vou e
Sorrindo
CAPÍTULO 138 Manuela Strondda O dia amanheceu com aquela luz indecisa, nem quente nem fria, como se o mundo também estivesse cauteloso comigo. Ouvi três batidas firmes na porta. Secas, e com autoridade. — Avanti. Papà entra no meu quarto como se ainda estivesse no escritório. Terno impecável, postura reta, olhar atento demais para alguém que veio “ver a filha”. — Hoje é repouso, bambina. — anuncia, sem rodeios. — Nada de treino. Nada de tiros. Nada de inventar moda. Abro a boca, pronta para argumentar, reclamar, fazer drama… mas paro no meio do caminho. Repouso significa liberdade vigiada. Liberdade significa oportunidade. — Certo, papà. Você sempre tem razão. É o melhor papà de Roma. — respondo, dócil demais para ser verdade. Ele estreita os olhos, desconfiado, mas se aproxima e beija minha testa com cuidado. — Quero você bem. Ontem foi um susto desnecessário. — Eu sei. Aproveito o embalo. — Vou dar uma voltinha pela cidade então. — digo casualmente. — Vo
Garotinha
Capítulo 139 Manuela Strondda Vejo meus soldados em posição de ataque com o médico segurando em mim. Um deles pega um celular e no mesmo instante eu ameaço. — Nem ouse ligar para papà ou Vinícius. — o soldado abaixa o olhar e vai guardando o celular — Esse é o doutor Hugo. Um excelente médico que me atendeu ontem. Não há nada de errado aqui. Doutor Hugo continua me olhando. Sei que está pensando em muitas coisas, eu só queria ter uma ideia do que seria, mas ele é silencioso. — Esse senhor só precisa me explicar como tem habilidade com arma, mas não é da conta de nenhum de vocês. Virem de costas. — Digo e os soldados obedecem. O maledetto bonito do médico volta a sorrir pra me provocar. — Você é bem curiosa. Eu só tive sorte com a sua arma. Mas... Pelo visto já sabe quem sou. Dei uma boa olhada nele. Cada vez que o observo parece mais lindo. Hoje está de calça sarja Slim clarinha e camisa branca. Despojada, aberta. Nossa, ele tem pêlos discretos n
Ogro igual aos outros
Capítulo 140 Manuela Strondda Eu não lembrava que um beijo podia fazer isso. Não lembrava que meu corpo podia aquecer desse jeito… que a pele podia vibrar… que o mundo podia desaparecer até restar só dois pulmões ofegando no mesmo ritmo. Hugo beijava diferente. Não era urgente. Não era bruto. Era lento, firme, decidido… como quem sabe exatamente o que está fazendo comigo. Como quem aproveita cada segundo. Minhas mãos estavam no pescoço dele, sentindo a pele quente. O perfume. O peito subindo e descendo contra o meu. Meu coração batia tão rápido que eu jurava que ele ouviria. Quando senti a mão dele deslizar para a minha cintura, eu não resisti. Me entreguei ao toque. Quis mais. Quis aquilo. Pela primeira vez em muito tempo… eu quis. Mas então a mão dele foi mais acima. Minha respiração falhou. Primeiro foi só um calor diferente, um arrepio que subiu pela coluna, depois veio outro tipo de sensação… mais invasiva. Minha barriga queimava sob o toque dele. E eu gostava. Era difíc