All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 141
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Essa noite
Capítulo 141 Manuela Strondda Eu cheguei em casa com uma raiva que eu não sabia onde colocar. Entrei pisando firme. Não falei com ninguém, nem olhei pros lados. Subi direto pro quarto como uma tempestade. Tranquei a porta. Arranquei aquele vestido como se ele fosse culpado do meu dia ter sido uma merda. Joguei numa cadeira qualquer. Minha pele ainda lembrava o toque dele e aquilo me incomodava mais do que eu podia suportar. — Idiota… — murmurei para mim mesma — Todos eles são idiotas. Vesti minha roupa de treino. A mais confortável. A mais livre. Presa eu já estava na vida… pelo menos no corpo eu queria ter controle. Minhas mãos tremiam quando amarrei o cabelo. Tremiam mais ainda quando vesti as luvas.Eu precisava descarregar. Precisava tirar tudo de dentro de mim na base da força. Desci para o reduto do papà porque o treino é mais pesado. O cheiro daquele lugar sempre me trazia duas coisas: poder e responsabilidade. Mas hoje, eu precisava que ele trouxesse só um
Seu noivo
Capítulo 142 Manuela Strondda Vinícius não elevou a voz. — Vai se vestir adequadamente. — disse, seco, com o tom de quem não dá opção. — Algo bonito, elegante. Nada exagerado. Nada vulgar. A família Lindström nos escolheu pela reputação impecável. Revirei os olhos por dentro, porque por fora eu não podia. — Claro. Tenho noção disso. — respondi, controlada. — Já sei o que vestir. — Ótimo. — ele concluiu. E foi só isso. Sem sermão, sem explicação. Sem afeto.Ordem dada. Ponto final. Subi para o quarto com o coração acelerado, mas a mente estranhamente fria. Não tinha mais saída. O jogo estava armado, as peças posicionadas, e eu fazia parte do tabuleiro — gostando ou não. O jeito era fazer o que pediram… E esperar. Esperar, talvez, que o sueco branquelo tentasse alguma coisa fora do combinado. Que forçasse a barra. E, se tentasse, pelo menos eu teria o prazer da vingança. Isso me arrancou um meio sorriso torto enquanto abria o closet. Escolhi um vestido long
A conversa
Capítulo 143 Manuela Strondda Se alguém tivesse me dado um tapa naquele momento, talvez doesse menos do que o silêncio que se instalou depois das palavras dele. Hugo Monteiro. Ou melhor… Hugo Lindström. O homem que eu idealizei como fuga, que eu pintei na minha cabeça como herói improvável, agora estava ali, de terno escuro, postura impecável, olhar frio — e com poder suficiente pra destruir minha vida com uma frase mal colocada. Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que todos ouviam. — Não… — murmurei, mais pra mim do que pra qualquer um. Balancei a cabeça, tentando agarrar alguma lógica. — Não é o que eu estou pensando. Esse não é meu noivo. Ele nem é sueco. O nome dele é de outra origem. Monteiro não é Lindström. Levantei o olhar devagar até o irmão dele — o maldito sueco debochado. — Você é cruel assim mesmo? — perguntei, sentindo a garganta fechar. — A esse ponto? Fazer uma brincadeira dessas? É você o meu noivo, não é? O sorriso dele morreu
Revogue
Capítulo 144Hugo Monteiro LindströmO escritório da Strondda cheirava a couro caro. A mobília era de madeira antiga. Não era só a decoração. Era o lugar em si. Um território poderoso, mas que já estou acostumado.Antony Strondda entrou primeiro, passos firmes, ombros largos, aquela presença de patriarca que não precisava levantar a voz pra comandar, assim como eu. Vinícius veio logo atrás — silencioso, predador, olhos ágeis. Eu fechei a porta com calma, sem pressa. Sem pedir permissão. Porque eu não entrava na sala de outro homem como convidado.Eu entrava como igual.— Sente-se — Antony apontou para uma das poltronas diante da mesa.Caminhei até o móvel de bebidas, observei por um segundo os rótulos alinhados. Eu não estava ali pra agradar.— Capo da Suíça… — Antony começou, como se testasse a palavra na boca. — Não é um título comum.— Não gosto do comum — respondi, encostando a lateral do corpo no aparador. — E por isso eu vim pessoalmente hoje. Já passou da hora de resolvermos
Guerra
Capítulo 145 Manuela Strondda Eu odiei ficar do lado de fora. Não foi só pela curiosidade — embora ela estivesse queimando dentro de mim como febre. Foi pela humilhação silenciosa de saber que três homens decidiram a minha vida atrás de uma porta fechada, enquanto eu era deixada no corredor como se fosse uma criança birrenta que não merecia ouvir a própria sentença. E o pior: eu ouvia. Não cada palavra, mas o suficiente. Vozes abafadas. Pausas longas. O timbre grave de papà. A calma venenosa de Vinícius. E, de vez em quando, aquela voz dele — firme, controlada, como se o mundo inteiro coubesse na palma da mão. O maledetto Hugo Lindström. Eu caminhava de um lado pro outro, unhas apertando a palma da mão, sentindo o sangue pulsar na ponta dos dedos. E atrás de mim, como se eu já não estivesse explodindo, vinham os sussurros. Minha mãe e Lucia. — Eu avisei — mamãe resmungou, baixo — Eu sabia que isso daria ruim. — Ela não fez por mal, signora — Lucia tentou, mas eu ouv
Cafajeste
Capítulo 146 Manuela Strondda (Dias depois) O dia amanheceu pesado. Não cinza — pesado. Como se o ar tivesse aprendido o peso do que ia acontecer e decidido se sentar sobre o meu peito desde cedo. Eu estava em frente ao espelho havia tempo demais. Tempo suficiente para perceber que aquela mulher refletida ali não parecia uma noiva. Parecia alguém se preparando para uma execução elegante. Lucia estava atrás de mim, concentrada, os dedos firmes enquanto ajustava as fitas do vestido. O tecido branco escorria pelo meu corpo com perfeição quase ofensiva. Cada dobra parecia gritar pureza, aliança, promessa. Tudo o que eu não sentia. Meus ombros estavam tensos. As mãos fechadas no colo. O maxilar travado. — Respira, Manu… — Lucia murmurou, como se pudesse soltar o ar preso dentro de mim só com palavras. Eu soltei, mas foi curto. Insuficiente. O quarto estava silencioso demais. O tipo de silêncio que antecede tiros ou decisões irreversíveis. Lucia deu um passo pa
Intriga
Capítulo 147 Manuela Strondda A igreja escolhida por ele não era apenas luxuosa. Era estratégica. Antes mesmo de descer do carro, eu senti. O peso não vinha só da arquitetura antiga, das colunas de mármore claro, do dourado discreto misturado a vitrais importados da Europa Central. Vinha da quantidade de homens. Muitos homens. Carros alinhados dos dois lados da rua, todos escuros, todos caros demais para serem confundidos com convidados comuns. Soldados espalhados em posições calculadas, discretos para quem não sabe olhar — óbvios demais para mim. Os ternos tinham todos o mesmo tom: vinho escuro, quase sangue seco. Um uniforme silencioso. A família Lindström é realmente numerosa e bem protegida. O coração bateu mais lento. Desci do carro com cuidado, o vestido pesado demais para ser chamado apenas de tecido. Ele arrastava levemente no chão de pedra, como se quisesse me lembrar que aquele caminho não era de volta. O ar dentro da igreja parecia mais frio do que do lad
Jogando?
Capítulo 148 Manuela Strondda — Eu não te deixei me beijar — sussurrei, sem virar o rosto. Hugo não diminuiu o passo. — Nem precisa — respondeu baixo, a voz firme demais para ser casual. — Logo vai entender que é minha. O ar travou nos meus pulmões. A raiva veio quente, imediata. Girei o corpo para retrucar, mas ele me cortou no meio do movimento, puxando minha mão com naturalidade, como se já tivesse feito aquilo mil vezes. — Vamos — disse. — Recepcionar os convidados. Não tive tempo de nada. Nem de pensar, nem de respirar direito. E, por mais que odiasse admitir, havia algo de verdade ali: agora éramos casados. Não diante de qualquer plateia — diante da Strondda, dos conselheiros, dos homens que sustentam alianças com sangue e silêncio. Engoli o que queria dizer. Faria o papel de boa noiva. Por enquanto. Os convidados começaram a se aproximar em fluxo contínuo. Apertos de mão, cumprimentos formais, olhares avaliadores. Eu sorria ao lado dele, a postura impecáve
Traição ou não?
Capítulo 149 Manuela Strondda Meu sangue ferveu no instante em que vi aquela mulher se jogar nos braços dele. Não foi um gesto discreto, foi íntimo. Familiar demais. Braços ao redor do pescoço. Corpo colado. Confiança de quem já esteve ali antes. Meu estômago virou. Maledetto do diavolo. A mão foi sozinha até o espartilho. O peso conhecido da arma deslizou para a minha palma com naturalidade. O metal frio acalmou algo dentro de mim. Você vai morrer por me trair Hugo Lindström. Apontei através do vidro. Meu dedo firme no gatilho. A respiração controlada. O mundo afinou num túnel que só tinha os dois dentro. Mas então algo mudou. Não durou dois segundos e Hugo explodiu. Agora ouvi o que ele berrou: — Quem te autorizou a encostar em mim?! O grito atravessou a sala como um tiro. No mesmo movimento, ele empurrou a mulher com violência suficiente para jogá-la contra um sofá ali. Ela caiu desequilibrada, ofegante. Congelei. Não era a reação de um homem pego
Marido
Capítulo 150 Manuela Strondda As despedidas doeram mais do que eu esperava. Talvez porque eu não estivesse indo apenas para uma lua de mel forçada, eu estava me afastando do único lugar que ainda parecia chão firme sob meus pés. Abracei papà com força. O cheiro conhecido, o braço firme, a segurança silenciosa. Ele não disse nada além do necessário, mas apertou meus ombros como quem diz volte inteira. Mamà beijou minha testa. Os olhos úmidos, orgulhosos e preocupados na mesma medida. Quando Lucia me puxou para um abraço mais demorado, aproveitei o momento. — Fica atenta ao celular — murmurei no ouvido dela, sem rodeios. — Você incentivou isso desde o começo. Se der alguma merda… vai ser a primeira a quem vou ligar. Lucia sorriu daquele jeito calmo demais para alguém envolvida em confusão alheia. — Estarei — prometeu, segura. — Sempre. Vinícius, as tias, tios e primos foram se aproximando para a despedida. A vovó e o vovô. Tia Laura se aproximou logo depois.