All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 161
- Chapter 170
207 chapters
Estela
Capítulo 161 Manuela Strondda Ainda deitada, com o corpo pesado e aquela sensação estranha de depois — mistura de cansaço, calor e um incômodo novo —, levei a mão até ele sem pensar. Foi automático, quase um reflexo bobo. Um carinho simples, distraído. Nada além disso. A mão não chegou. Hugo segurou meu pulso com dois dedos e afastou com firmeza suficiente para não ser rude, mas clara o bastante para ser definitiva. — Vou tomar um banho. — disse, já se afastando. — Tem dois banheiros nesse quarto. E levantou. Assim. Do jeito sério dele. Sem olhar pra trás, sem um segundo a mais do que o necessário. A postura voltou a ser a de sempre: controlada, fechada, como se nada tivesse acontecido além de um acordo cumprido. "Mas não é possível, é?" Fiquei olhando o teto por alguns segundos, piscando devagar. Sério isso? Um calor de irritação subiu pelo meu peito. Não era carência. Não era expectativa romântica. Era… orgulho ferido. Ego, talvez. Depois de tudo, ele simp
O jantar na Suécia
Capítulo 162 Manuela Strondda Ignorei Hugo do jeito mais eficiente que conheço: virei as costas sem responder. O silêncio atrás de mim era pesado, mas não me dei ao trabalho de confirmar se ele ainda me observava. Fui direto até a mala, ajoelhando no tapete espesso do quarto com um movimento seco, pouco gracioso — de propósito. Abri o zíper com força demais e comecei a revirar tudo. Merda. Treino. Jeans. Camisetas. Um casaco funcional demais. Roupas pensadas para lua de mel, não para impressionar bilionários em salas douradas. Senti um aperto no estômago, metade irritação, metade desafio. Não ia dar esse gostinho a ele. Nem a ninguém. Minhas mãos desaceleraram quando encontrei o vestido preto dobrado no fundo. Básico. Simples. Justo na medida certa para marcar o corpo sem parecer um pedido de atenção. O tipo de vestido que não implora — exige que olhem. Expirei devagar. Levantei-me com cuidado, ainda sentindo o corpo reclamar em pontos específicos. Coloquei um
Confia?
Capítulo 163 Manuela Strondda Meti o pé numa pancada, sentei na janela e puxei a faca. Era ele. O mesmo soldado da entrada. O mesmo detalhe errado. Uniforme idêntico ao dos homens de Hugo — postura, corte, arma no lugar certo —, mas a gravata preta denunciava tudo. Um erro pequeno demais para ser acaso. Grande demais para ser ignorado. — Eu sabia… — sibilei, mais para mim do que para ele. O homem arregalou os olhos no exato segundo em que percebeu que eu não era uma convidada perdida. O peso do corpo dele avançou na minha direção, mão indo para a arma. — Vadia! — gritou. Não dei tempo. Girei o tronco, puxei a faca com o braço firme e enterrei na barriga dele num golpe curto, direto, do jeito que se faz quando não se quer conversa. O ar saiu dos pulmões dele num som feio, engasgado. Aproveitei o impacto do corpo dobrando para frente, agarrei a alça de ouro da minha bolsa e a arranquei com força, usando o próprio desequilíbrio dele contra si. As mãos dele
Voltar
Capítulo 164 Manuela Strondda O silêncio que veio depois da frase de Hugo foi tão pesado quanto o som dos tiros naquela noite. O Don sustentou o olhar dele por alguns segundos longos demais para serem confortáveis. Não havia pressa ali. Ele estava medindo tudo e decidindo internamente. Então assentiu, uma única vez, seco, e fez um gesto discreto com a cabeça. — Levem o consigliere. Dois soldados se moveram na mesma hora. O homem começou a gritar, a voz estridente, desesperada. — Vocês estão cometendo um erro! — berrou, sendo puxado pelos braços. — Corvo, sua vadia vai te levar pra cova! Ela tá armando tudo! Eu sou inocente! Não olhei para ele. Não precisava. Mas de relance vi Hugo se afastar e o segui com os olhos. — Nunca mais fale da minha mulher! — Ele meteu um soco na cara do Consigliere. O Don deu de ombros enquanto levavam. Meu corpo ainda estava quente de adrenalina, mas minha mente já tinha passado daquela fase. O perigo imediato tinha sido neutralizado. A
Conduzir
Capítulo 165 Hugo Lindström Acordei com o corpo ainda tenso da noite anterior. Não era o tipo de tensão que se dissolve com sono, era a que fica, grudada nos músculos, na cabeça, no instinto. Ainda estava tentando entender como Manuela agiu e fez tudo tão rápido ontem a noite. Mas então eu vi. Ela estava deitada de lado, os lençóis escorregados de forma perigosa, o corpo relaxado demais para alguém que tinha passado a noite inteira me provocando sem tocar em mim de verdade. As pernas abertas num descuido inconsciente, a respiração calma, quente, confiante demais. Como se soubesse que eu estava ali olhando, ela esticou as costas na cama, e abriu completamente a bocetinha pra eu ver. Caralho! O pequeno clitóris ficou levemente exposto. Aquilo foi o suficiente para eu perder qualquer noção de sanidade. Não toquei ainda. Fiquei ali, ajoelhado na cama, apenas olhando. Como se o simples ato de observar já fosse um pecado grave o bastante. Me aproximei colocando
As contas
Capítulo 166 Manuela Strondda O corpo ainda estava quente. Não de sono, de Hugo. Eu continuei deitada por alguns minutos depois que ele se afastou, sentindo o peso do que tinha acabado de acontecer se acomodar devagar dentro de mim. A respiração voltou ao ritmo normal antes da cabeça. Sou sempre assim. Meu corpo aceitava primeiro. A mente vinha depois, desconfiada, tentando entender onde tinha pisado. Ainda mais nesse mundo novo de casada. Hugo já não estava mais nu.Vestia-se com a mesma precisão com que fazia tudo: camisa escura, movimentos contidos, silêncio estratégico. Era quase perturbador ver como ele conseguia mudar de registro tão rápido — do homem que me conduziu sem pressa, ao Corvo frio que resolvia assuntos como se emoções fossem um detalhe inconveniente. — Não vamos levar malas? — perguntei, sentando devagar. Ele nem olhou para trás quando respondeu: — Não precisa. Você nem vai descer do jato. É coisa rápida. Aquilo me incomodou mais do que eu gos
De repente
Capítulo 167 Manuela Strondda Francesca me olhou como se tivesse acabado de entender que o erro não tinha volta. Olhei pra conferir se tinha câmera, não tinha. Os olhos dela percorreram o quarto rápido demais. Porta trancada. Nenhuma saída. Nenhuma testemunha. Só eu. — Eu… eu preferia não ter te conhecido… — ela murmurou, a voz falhando. Inclinei a cabeça, observando aquele tremor disfarçado de dignidade. — Hm. — dei um passo à frente. — Então já sabe o que esperar? Ela engoliu em seco. — Não sei do que você está falando. — tentou se recompor, erguendo o queixo. — Mas se você não tivesse aparecido… o doutor Hugo teria casado comigo. Ele nunca quis você. Aquilo foi quase engraçado. Sorri devagar. Respirei fundo. Dei mais dois passos. A puttana não fazia ideia de quem eu era. Cheguei perto o suficiente para sentir o cheiro de antisséptico misturado com medo. Num movimento seco, enfiei a mão no coque preso pela touca de enfermagem e puxei para trás, fazendo a
Moto
Capítulo 168 Manuela Strondda Ignorei a frase inteira. Fiz exatamente o que sabia fazer melhor quando alguém tentava me dar ordens demais: empurrei a maca. As rodas rangem baixo no piso liso enquanto avanço, o corpo alinhado, postura firme, como se aquela cena fosse só mais um turno comum. Como se eu não tivesse acabado de quebrar alguém por dentro e por fora. — Finja que sofre, caralho. — Hugo rosna atrás de mim. Antes que eu possa responder, a mão dele se fecha no meu braço. Não é violento. É firme como se fosse meu dono. — Tenho uma imagem a zelar aqui dentro. Bufo pelo nariz, irritada, mas sei que ele fala sério. Hugo Lindström não construiu um império hospitalar, e algo muito maior por trás dele, deixando rastros visíveis. Abaixo a cabeça. Passo o dorso do pulso pelo rosto, como se estivesse limpando lágrimas invisíveis. Finjo pressa. Finjo preocupação. Finjo humanidade. A mandíbula trava, mas o teatro entra no lugar. — Pra onde estamos indo? — pergunto en
Quem é Capone?
Capítulo 169 Manuela Strondda — Bom, você é minha esposa agora. — Hugo responde, por fim. — Se alguém te ameaçasse, também morreria. Não era o conforto que eu esperava. Cruzo os braços, encostando o ombro na parede áspera do casebre. A madeira geme baixo atrás de mim. — É que estamos falando de números. Posições. — inclino a cabeça, mantendo o olhar preso no dele. — Você falou de duas prioridades. Isso me coloca em terceiro lugar? Ele fica mudo. Por um segundo inteiro, Hugo Lindström parece… confuso. Como se aquela pergunta não estivesse no script dele. — Você deveria me ajudar a acabar com isso. — ele corta o silêncio, desviando o olhar para a puttana que estão trazendo. Já se afasta, empurrando um móvel velho encostado na parede. Aranhas se espalham. — Já estão arrastando a maldita enfermeira. Dou um sorriso curto. Frio. — Se não quer responder, tudo bem. — digo, calma demais. — Também vou reorganizar minhas prioridades. Ele para. — Como assim? Dou de
Irritado
Capítulo 170 Manuela Strondda Hugo não disse uma palavra quando entramos no jato. Nenhuma. Nem um “senta”, nem um olhar atravessado, nem aquele comentário seco que ele costuma usar para mostrar que ainda está no controle. Nada. O Corvo simplesmente passou por mim, os passos firmes, o corpo rígido demais, como se estivesse segurando alguma coisa perigosa por dentro. Sentei perto da janela. Cruzei as pernas. Esperei. O silêncio cresceu. O motor começou a roncar, o chão vibrou sob nossos pés e, ainda assim, ele não se moveu. O maxilar travado. Os ombros largos tensos. A mão fechada no apoio da poltrona como se ela fosse um inimigo. Aquilo começou a me incomodar de verdade. Não pela frieza. Pela escolha. Ignorar é sempre uma escolha. Quando o jato estabilizou, ele se levantou sem olhar para trás e foi em direção ao quarto. Caminhei atrás, tranquila por fora, irritada por dentro. Assim que atravessei a porta ele saiu, ouvi o impacto seco. Ele fechou por fora com for