All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 11
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Eu quero casar
Capítulo 11 Lucia Bianchi Minhas pernas ainda estavam trêmulas quando ela saiu e fechou a porta. O olhar de Fabiana era capaz de atravessar minha pele, como se lesse meus pecados, mesmo que eles fossem todos inventados pelo filho dela. De repente, Vinícius entrou. Meu coração estava saindo pela boca. Antes que ele falasse, as palavras escaparam de mim. — Sua mãe me fez milhões de perguntas. Eu disse toda a verdade. Falei que o filho dela é louco e possessivo. Que matou a ex e me fez sua noiva com o corpo da outra caído no jardim. Que tentou me obrigar a casar, e que é mandão... Vinícius arqueou a sobrancelha, como se fosse piada. — Bom, pelo menos ela já sabe dos detalhes. — Eu pensei que ela me ajudaria! — soltei, a voz quase quebrando. — Que me tiraria daqui, que me devolveria minha liberdade. Mas ela simplesmente disse: “Você é uma mulher de sorte.” Sorte! Eu fiquei sem ar. Perguntei o que queria dizer, e ela respondeu que você é um grande homem, que vai ser o ch
Traição
Capítulo 12 Lucia Bianchi Não saí do lado dele por medo, simples assim, mas Vinícius não iria saber. Cada passo que ele dava, eu me grudava como se um puxão invisível me prendesse ao braço dele. Fora dos muros, qualquer Moretti podia estar escondido, pronto para puxar meu vestido e arrastar minha sorte de volta para o inferno. Perto do carro ouvi uma voz — grave, amanteigada, conhecida o suficiente para fazer meus músculos enrijecerem. Francesco. Um nó de pânico subiu pelo meu peito. Não deixei que minha mão tremesse; finjo firmeza melhor do que falo a verdade. Vinícius cumprimentou o homem com uma naturalidade perigosa enquanto eu me escondia no carro ao lado de Fabiana, com as mãos coladas ao tecido do assento, repetindo baixinho uma oração que não sei de cor, só sei o sentido: me proteja. Quando a porta bateu, ouvi Vinícius falar com sua mãe: — Souberam do meu casamento, mas avisei que será apenas para a famiglia. — Ele falou firme. Consegui respirar de novo. — Fez cer
A cerimônia
Capítulo 13 Lucia Bianchi O salão estava silencioso quando entrei. Havia flores espalhadas por tudo, lindas... Exceto uma rosa vermelha destruída no chão, que vi perto do tapete ao arrumar o vestido antes de entrar. Não tinha música suave como nos casamentos que sonhava quando era menina. Ali, tudo era solene, pesado. Poucas cadeiras, poucos convidados — talvez trinta. Todos de preto, com olhares duros, observando cada passo meu. Não sei se tenho medo... Já passei por isso antes, e tenho certeza que nada será pior que viver com os Moretti. Fabiana ajeitou meu braço com cuidado. — Ombros retos, querida. Caminhe com honra. — Falou firme, mas vi a lágrima que tentou disfarçar ao olhar para o filho no altar. Respirei fundo. Meus olhos foram direto para lá e ficaram. Vinícius estava lá. Imponente. O terno escuro caía sobre ele como uma armadura. O cabelo penteado para trás, o olhar fixo em mim. Nenhum sorriso. Nenhum gesto de ternura. Só aquela seriedade que me assu
Dele
Capítulo 14 Lucia Bianchi O quarto virou um caos de vozes e passos, e por um segundo pensei que era o fim de tudo — o meu fim, o fim do pouco que me restava. Francesco, meu sogro, me viu nua, encolhida no lençol, e houve um olhar entre ele e aquele homem nojento que me fazia revirar o estômago até hoje. Nunca esquecerei a cara de prazer que ele esboçou, como se eu fosse um objeto cuja utilidade finalmente fora demonstrada. Mas algo me surpreendeu: — Não. — ouvi o sogro dizer, a voz engasgada numa mistura de raiva e vergonha — Pra que fazer isso? Faça algum outro corte nela que seja menos doloroso. Pode até ser lá em baixo, mas resolva. As pessoas vão comentar. Ninguém viu que entrei. Vou sair e vocês resolvem isso. Isabella precisa facilitar se não quiser se machucar mais. As vezes esqueço que me chamo Isabella... Ou chamava. As palavras cortaram meu coração e o silêncio que se seguiu parecia ainda mais pesado que os gritos. Eu tremia, agarrando o lençol como se ele fosse
Desejo
Capítulo 15 Lucia Bianchi De olhos fechados eu senti o seu toque sobre o vestido, descendo da minha cintura para minhas coxas. Vinícius começou a me beijar mais rápido e senti meu corpo queimando de um jeito diferente. Eu só sabia que queria mais. Arranquei meus sapatos encostando um no outro. Sei lá, a sala de repente ficou muito quente. A mão que puxou a barra do vestido foi tão leve que quase não percebi; o tecido deslizou como quem entrega alguma coisa valiosa e, em seguida, Vinícius fez algo que me deixou tonta: parou. Apoiou meu queixo com a mão e mordeu meu pescoço. — Fica bem aqui, bela mia — murmurou, e as palavras vieram baixas, quase um pedido. — Só mais um segundo. Obedeço porque, naquele comando manso, eu senti uma autoridade diferente — não a do novo chefe da máfia, nem a do homem que se impõe por medo; aquela era a autoridade de quem me deseja, e deseja de verdade. Respirei. Ele sorriu, lento, lindo, com sua barba curtinha, desenhada, cabelos escuros, lábi
Nem a morte
Capítulo 16Lucia BianchiO quarto parecia pequeno demais para conter o calor que me consumia. Eu ainda sentia o gosto da boca dele na minha, e o coração não encontrava ritmo certo. Vinícius me observava como um predador observa a presa, mas havia ternura escondida naquele olhar verde que me arrepiava até os ossos.Ele passou a mão pelo meu rosto, depois pelo meu pescoço, descendo até os seios. O toque não foi apressado — era quase como se me conhecesse há anos e soubesse exatamente onde pousar cada dedo. A respiração dele roçava minha pele, e eu estremecia.— Você é tão macia... — murmurou, como se falasse consigo mesmo. — Quero cada parte de você.Senti os dedos dele deslizarem pela minha barriga, lentos, traçando um caminho que me deixou sem ar. Quando chegaram mais abaixo, meu corpo inteiro travou. Eu não sabia o que esperar. Nunca tinha sentido nada parecido. Mas não me afastei.Ele percebeu minha hesitação, sorriu de canto e roçou os lábios no meu ouvido.— Confia em mim, bella
Quanto tempo?
Capítulo 17 Lucia Bianchi O silêncio do quarto parecia mais alto do que qualquer barulho. Eu ainda estava deitada, sem forças, observando Vinícius se levantar da cama. O sorriso dele não foi largo, mas o suficiente para me deixar sem ar. Ele olhou para o lençol e eu segui o olhar. O coração me deu um salto. A mancha vermelha estava ali, no lençol. Completamente notória. Eu também estava com marcas de sangue discretas. Engoli em seco, sem conseguir sustentar o olhar. Meus dedos se agarraram ao tecido do travesseiro, como se aquilo pudesse apagar a verdade escancarada diante dele. Que vergonha. — Dio… — murmurou baixinho, balançando a cabeça, quase divertido. — Eu não imaginava que era virgem. Talvez eu guarde esse lençol. Não disse mais nada. Foi até o banheiro, e antes de fechar a porta, virou-se com aquele ar que misturava arrogância, interesse e mais alguma coisa. — Vem comigo tomar um banho? — Eu… eu já vou, depois. — respondi rápido, inventando a primeira des
Datas
Capítulo 18 Vinícius Strondda A campainha tocou. Nem olhei para a porta; apenas destravei pelo painel, mãos ainda úmidas do banho. O soldado entrou sem barulho — passo treinado, que sabe pesar pouco no chão. Postura alinhada, olhar baixo. Como deve ser. — Feche a porta. — indiquei com o queixo. Ele obedeceu e ficou a dois passos de mim, a pasta de couro apertada contra o peito. E a casa tinha um rastro tênue do perfume de Lucia que pairava no ar. Eu preferi ignorar. — Fale. O que seria tão importante pra vir hoje? — Don… — ele pigarreou, contendo a ansiedade — revisamos tudo o que conseguimos em vinte e quatro horas. O básico bate: altura, tipo sanguíneo, histórico escolar recente. Mas… — abriu a pasta e puxou a primeira folha — há uma inconsistência. Estendi a mão; o papel pousou sem tremor. Reconheci o timbre do cartório italiano de San Nicola, um selo antigo e as anotações manuscritas com tinta azul. Embaixo, grampeado, um registro suíço mais recente, digitalizad
Dois?
Capítulo 19 Lucia Bianchi O quarto estava limpo, mas não havia paz dentro de mim. O corpo suava, os dedos tremiam, e o travesseiro era inútil. Eu tentava dormir, mas o medo não me deixava: até quando vou conseguir esconder dele sobre mim? Um cochilo raso me arrancou do sono quando fui acordada por um barulho de vidro estourando. Sentei num sobressalto, os olhos arregalados. O som ecoou pela casa inteira como um aviso. — Santo Dio… — sussurrei, sentando na cama num pulo. Levantei apressada e corri pelo corredor, pés descalços batendo no chão frio. O silêncio pesado da casa estava rachado, como se as paredes tivessem ouvido o mesmo barulho que eu. O robe balançava em torno das pernas, e cada passo era uma mistura de medo e urgência. Quando cheguei à sala, o cenário parecia um campo de batalha: o jarro de vidro que antes enfeitava o balcão estava em pedaços, espalhado como neve cortante pelo chão. O ar cheirava a vinho derramado, forte, ácido. Vinícius estava sentado na polt
Mostrar o lençol
Capítulo 20 Vinícius Strondda A respiração dela finalmente se acalmou. Os cílios repousados contra a pele pálida denunciavam o sono pesado, arrancado à força pelo cansaço e pela dor. Eu fiquei parado por alguns minutos, só observando. Mas não sou ingênuo. A ameaça já tinha batido à porta. E sei que tem alguma coisa que Lucia não me contou. Levantei devagar. No corredor ainda havia um rastro de sangue que me queimava a memória. Abaixei-me, recolhi a vassoura e a pá que estavam atrás da cozinha e voltei à sala. Comecei a varrer os cacos em silêncio, e cada estalo contra a pá me lembrava a forma como ela gritou. Cada pedaço de vidro era uma acusação contra a minha fúria. Eu, que jurei protegê-la, fui o primeiro a feri-la. Quando o último caco sumiu do chão, tirei o celular do bolso. O brilho da tela iluminou meu rosto cansado. Abri a conversa com o Consigliere e escrevi: — Esteja aqui de manhã. Alguém está me enviando mensagem e preciso que descubra quem é. Seu pap