All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 21
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Minha casa
Capítulo 21 Lucia Bianchi Acordei com o sol já alto, filtrando-se por entre as cortinas e trazendo um movimento que eu não esperava. Ao abrir a porta do quarto, fui recebida por um frenesi organizado: criados corriam de um lado para o outro, cozinheiras ajeitavam travessas, seguranças conversavam a caminho da entrada e um homem com prancheta apontava coisas para outro, com a seriedade de quem supervisiona uma pequena tropa. Era como se a casa inteira tivesse virado um formigueiro de propósito. Na mesa da sala, o café já estava posto — xícaras alinhadas, pães quentinhos e uma bandeja com frutas. Sentei-me por reflexo e esperei pelo primeiro rosto conhecido. A primeira pessoa a me atender foi uma senhorinha de cabelos brancos presos num coque frouxo, a pele marcada pelos anos, os olhos atentos como se soubesse de tudo antes de mim. — Buongiorno, signorina — disse ela, com uma voz que misturava afeto e costume. — Buongiorno. Onde está Vinícius? — perguntei, já sentindo m
Maledetto
Capítulo 22 Lucia Bianchi Ele entrou comigo no quarto e bateu a porta com tanta força que o barulho me fez estremecer. Antes que eu pudesse reagir, fui empurrada contra a cama, o corpo afundando no colchão com violência. — Eu não quero ver nada plantado naquele jardim! — a voz dele cortava como lâmina. — Se eu vou morar nessa casa, também é minha! — levantei na mesma hora, ajeitando o vestido amassado e o encarando de frente. — E eu gosto de plantar flores. Qual o seu problema? Ele avançou dois passos, o corpo duro como pedra. — O problema é que eu não gosto. Eu projetei essa casa e eu escolhi o gramado vazio. O problema é que você não me consultou. É suficiente Lucia? Meu peito subia e descia rápido. A raiva me dava coragem. — Ah, me poupe! Você não tem algo pra resolver? Alguma coisa mais importante pra se preocupar e me deixar em paz? — No, io no tenho! — ele rugiu, o rosto tão perto que senti o hálito quente. — E exijo que minha vontade seja obedecida. Se io digo
Conhece Isabella?
Capítulo 23 Vinícius Strondda O corpo dela brilhava sob aquele vestido. Porcaccia miseria… eu só queria cancelar esse jantar e rasgar o tecido ali mesmo, no chão. Mas não posso. — Você está uma tentazione hoje. — falei baixo, roçando os olhos pelo decote dela, até ouvir a respiração presa na garganta. — Difícil vai ser esperar. Mama mia. Lucia não respondeu. Fingiu que não ouviu, mas eu conhecia aquele rubor nas bochechas — gosta quando falo assim com ela. Sei que está chateada e fazendo drama. O problema é dela. Io não ligo. E mesmo se ela resolvesse me provocar outra vez com esse maledetto jardim, eu brigaria de novo. Se preciso fosse, esmagaria todas as flores com minhas próprias mãos. Não adianta ela plantar, se minha vontade é esmagar. Quando saímos, vi a cara dela ao passar pelo caminho e notar o resto das flores esmagadas. Quase riu com desdém, quase me amaldiçoou em silêncio. Brava a ragazza e eu adoro, mas não manda em mim. Na escada, antes dela subir
Converse
Capítulo 24 Lucia Bianchi O olhar de Vinícius queimava. A mão dele apertava tanto meu braço que quase senti o osso ranger. A cada segundo, meu coração batia mais rápido, como se fosse me denunciar ali mesmo, naquele banheiro abafado. Senti o suor escorrer pelas minhas espinhas. Seu olhar me prendia. Senti vontade de contar a verdade. É horrível mentir olhando em olhos como os dele. E ainda saber que é o futuro Don. — Eu… não sei do que aquele homem está falando — menti, a voz fraca, mas firme o bastante para não soar como um sussurro covarde. Torcendo pra funcionar. — Io não acredito. Che Cazzo? Não tive tempo de inventar mais nada. A porta abriu e a figura imponente de Fabiana entrou. Graças a Dio. — O que está acontecendo aqui? — perguntou com aquela calma perigosa que só ela sabia ter. Seus olhos me varreram primeiro, depois cravaram em Vinícius. — Vinícius, este é o banheiro feminino. Ele não recuou de imediato, continuava me prendendo entre o corpo dele e
Me diz, Lucia
Capítulo 25 Lucia Bianchi Senti a parede gelar nas minhas costas como se fosse um aviso. O concreto apertava as minhas escápulas enquanto ele se aproximava, cada passo calculado e pesado como a batida de um martelo. O ar da sala parecia ter encolhido — tudo distante, como se eu estivesse dentro de um aquário e o resto do mundo tivesse sido desligado. Vinícius ficou a um palmo do meu rosto. O cheiro dele — um misto de colônia amadeirada e suor que parecia ter açúcar — me invadiu. Minhas pernas vacilaram, e eu tive que encaixar o pé direito atrás do esquerdo para não ceder. Ele me olhava como se tentasse decifrar um mapa antigo, como se minhas veias fossem linhas que levavam a um segredo proibido. A mão que segurava meu braço era firme, quase dolorosa, mas não suficiente para deixar marcas; era uma posse silenciosa, uma declaração de propriedade não verbalizada. — Me diga, Lucia... O que está escondendo de mim? — a voz dele veio baixa, afiada. Os dentes sobem e descem no ritmo d
Não sou Lucia
Capítulo 26 Lucia Bianchi O mundo voltou primeiro pelo som. Um estalo seco, depois um ruído metálico de copo batendo em alguma superfície. Eu ainda não tinha coragem de abrir os olhos. O corpo parecia flutuar num meio-termo entre febre e queda livre. A cabeça doía como se tivesse batido no chão. A respiração dele era o que mais eu sentia: próxima, pesada, irregular — um animal grande preso num espaço pequeno. — E pensar… — a voz de Vinícius cortou o silêncio, rouca, sem gritar mas com uma tensão que me arrepiou a nuca — que o que mais me chamou a atenção em ti foi a coragem. Esse teu jeito de ser diferente. Qualquer ragazza em sã consciência passaria a quilômetros do jardim de meu papà. E agora percebo que é tão frágil, talvez uma bambina crescida. "Bambina? Io? Frágil?" A frase bateu no meu estômago. Antes mesmo de abrir os olhos, algo mudou dentro de mim. Não era só medo. Era um choque de realidade: eu podia gostar dele, desejar aquele homem que me chamava de su
Quem é teu marido?
Capítulo 27Lucia Bianchi Eu fiquei sentada, imóvel. O medo me fazia tremer, mas ao mesmo tempo um pedaço de mim observava tudo de fora, como quem vê uma tempestade pela janela. Não tinha mais para onde correr.Lembrei das palavras de Fabiana e decidi confiar.Ou ele me ajuda, ou termina de me matar.Vinícius virou para mim de repente, olhos incendiados, e me puxou da cama pelo braço. Senti os dedos dele apertarem, fortes mas ainda sem crueldade — era desespero, não violência a troco de nada.— Diz que não é verdade! — rugiu, sacudindo-me. — Diz que só disse isso pra me confundir! DIZ!— Para! — gritei, a voz explodindo. — Queria ouvir agora não vai me deixar falar?! Pelo menos me deixa explicar como aconteceu! É fácil julgar quando você não viveu o que eu vivi!As palavras ecoaram entre nós como um tapa. Ele me soltou com um gesto brusco, respirando pesado. Passou as mãos pelos cabelos, puxando os fios, os olhos fixos no chão.— Diz, Lucia… — murmurou, num tom quase cansado. — Diz p
Quero ser Lucia
Capítulo 28 Lucia Bianchi A garrafa tilintou contra o copo quando Vinícius bateu a mão na mesa. O som fez meus ossos vibrarem como fio de um instrumento afinado para a dor. Ele me olhava com aquela intensidade cortante — e eu senti a velha vontade de encolher, de me tornar pequena o suficiente para caber no silêncio. Porque as palavras dele foram um soco no estômago. — Os Moretti não são inimigos da Strondda — Vinícius falou baixo — Isso torna ainda pior. Meu pai não vai querer confusão a troco de uma mentirosa. — Ele é conhecido como justo, agora o seu sucessor já começa na merda? Casando com mulher casada? Aquela frase me atravessou. Era isso. Eu era só mais um problema no mapa dele. Ainda assim, me aproximei. Os joelhos tremiam, mas fui até ele, coloquei as mãos no seu peito e senti o músculo trabalhar sob a pele. Ele não retirou o braço; em vez disso, me puxou com força, o corpo de ambos colidindo, calor contra calor. — Se o conhece, sabe que é um monstro, Vi
Deita e reza
Capítulo 29 Vinícius Strondda O chão ainda estava sujo de vidro e bebida, mas não era nada perto do caos dentro da minha cabeça. Eu só conseguia ouvir aquela frase repetindo: “Ele tentou tirar minha virgindade com uma vassoura”. Era grotesco demais para caber na mente de um homem. O sangue me latejava nos ouvidos, e eu apertava tanto a mandíbula que achei que meus dentes iam rachar. — Isso é desumano, Lucia… — as palavras escaparam sem eu querer, num tom mais baixo, mais pesado. — O que mais aconteceu? Como ficou depois? E por que usar um objeto? O cara era viado? Ela respirou fundo, se ajeitou na beirada da cama, ainda só de calcinha, as pernas coladas uma na outra. O jeito que encolhia os ombros me cortava por dentro. — Bom... senta, Vinícius. Vamos por partes. — Estou bem em pé — cortei, passando a mão nos cabelos, como se aquilo fosse me impedir de explodir. — Fala logo ou vou infartar, va bene? Ela desviou os olhos, mordendo o lábio, e a voz dela veio baixa, tr
A puttana?
Capítulo 30 Lucia Bianchi A camisa de Vinícius ainda tinha o cheiro dele quando a vesti. Fiquei com ela colada ao corpo, tentando ignorar a sensação de abandono que me tomava quando o vi sair. Da janela, vi a sombra dele fechando a madeira com brutalidade, o barulho ecoando como um ponto final na nossa conversa. Não consegui deitar. Não consegui respirar direito. A cena dele saindo com o carro se repetia nos meus olhos, e mil pensamentos disputavam espaço na minha mente. Será que ele foi resolver algum negócio? Será que foi atrás de Giovanni? Ou pior… será que foi atrás de outra mulher?“Não. Não posso me permitir pensar isso.”Mas a dúvida queimava. Olhei ao redor e vi a casa — nossa casa — em ruínas. O vidro espalhado como sal grosso no chão, móveis arrastados, marcas da explosão de raiva dele. Era como se a guerra dentro de nós tivesse tomado forma e se espalhado pelas paredes. Suspirei. Se não ia dormir tão cedo, pelo menos faria alguma coisa. Procurei vassoura, balde