All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 31
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É minha!
Capítulo 31 Lucia Bianchi Ele ficou de pé diante do sofá, os olhos semicerrados, a respiração pesada, e ainda assim havia precisão no jeito como se moveu. Aproximou-se até meu perfume bater no peito dele. Eu ergui o rosto. — O que você decidiu? — perguntei, sem conseguir esconder o tremor. Ele não respondeu de imediato. Apenas me virou de costas com as mãos firmes, encaixando meu corpo no dele como se estivesse recolocando uma peça no lugar certo. O calor do seu peito colou nas minhas costas; os dedos apertaram minha cintura, num aviso. — Você é minha — disse, rente ao meu ouvido, a voz grave roçando minha nuca. — Te conheci como Lucia, então será Lucia. — Mas o que a gente vai fazer pra esconder is— — Shiu. — a palavra veio afiada. — Você fala demais. Estou fodido da cara com você. Não esqueci que me enganou ragazza. Não quero decepcionar meu pai e o conselho. Então fica quietinha e começa a obedecer teu marido, capisce? Senti a mão dele abrir dois botões da cam
Forjar
Capítulo 32 Vinícius Strondda A dor na cabeça me acordou antes do sol terminar de entrar. Latejava atrás dos olhos como se alguém tivesse esquecido um martelo dentro do crânio. Abri um olho. A casa estava limpa. Limpa demais para o estado em que deixei ontem. Vidro nenhum no chão, móveis no lugar, cheiro de algo… quente. Comida? Não me lembrava de ter chamado os empregados. Levantei devagar, tomei um banho e segui o rastro do cheiro até a cozinha. Parei na porta. Lucia estava de costas, usando outra das minhas camisas — mal abotoada, caindo no ombro — e o cabelo vermelho preso num coque torto, metade escapando, metade preso por pura teimosia. Mexia numa panela como quem negocia com um inimigo. — Mamma mia… — falei, a voz rouca. — Quem foi que deixou você assumir o fogão? Ela virou de lado, sem se ofender, só com aquela cara de quem não dormiu: olheiras, mas o queixo em pé. — Ah, boa tarde. Estou com fome. Eu como muito, Vinícius. E você não chamou a cozinheira
O que aconteceu?
Capítulo 33 Vinícius Strondda Ela parou por um momento. — Olha… — ela inclinou a cabeça, pensando. — Tem um carro que é uma relíquia de Giovanni. Vive na mecânica pra consertar porque ele força o motor até fazer fumaça. Com sorte, está lá. É mais fácil de roubar. — Qual? — Um Lancia Delta HF Integrale. Vermelho. Ele trata como se fosse um filho. Soltei um som curto, quase um riso. Claro que o pavão teria um Integrale. — Deixa que eu resolvo isso. — voltei ao plano. — Vamos fazer parecer um acidente. Derrapagem na estrada velha da marina. Documento seu no porta-luvas, fios de cabelo que não foram tingidos de vermelho, perfume... pode ser uma roupa que caiu ao lado do carro. Se o veículo cair na água, melhor. Se não, fogo. Eu escolho lá. — E se me verem algum dia? Sei lá, num restaurante ou algum evento — ela perguntou, sem tremer. — Quem ousará questionar o Don da Strondda? — respondi, seco. — E também evitaremos que você saia em público. — Entendi. — E escuta be
O roubo
Capítulo 34 Vinícius Strondda João Miguel ria sem disfarce, como se cada gargalhada fosse um tapa que me lembrava de ontem — e eu não gostava de ser lembrado assim. Entrei no carro batendo a porta. — Você ficou bonito ontem, sabia? Falou alto, falou macio... contou umas coisas sobre a Lucia. A boca dele curvou-se num sorriso divertido e quase cruel. Fiz uma voz curta, seca. — E então? Quando foi que você decidiu virar fofoqueiro da boate? Eu já perguntei o que aconteceu porra. João Miguel deu de ombros como quem entrega um segredo sem crime. — Não é fofoca, é informação de família. Você tava alto. A bebida abriu sua língua e me contou do problema pra resolver. Cara você já começou o novo cargo com pepino grande, hein. — A partir de amanhã só me chame de Don. E agora me diz o que aconteceu, caralho. — Eu te levei pra área VIP do seu pai, que amanhã será sua, assim que percebi a merda. Não deixei ninguém encostar. Lembrei o gosto do uísque queimando a g
A morte de Isabella
Capítulo 35Vinícius Strondda Despistamos qualquer possibilidade de que alguém tenha visto o carro. Paramos numa garagem menor da Strondda para esconder o Integrale. Dois homens cuidaram do carro; toque rápido, porta fechada. João estava ao meu lado quando saímos do local — sorrisinho de garoto quando a coisa deu certo, expressão fechada quando lembra do preço.— Tudo certo — falei seco.— Certo — devolveu ele, sem entusiasmo, já encostando no carro que ia nos levar de volta.Ele engatou a marcha e saímos no carro dele rumo à minha casa.Encostamos em frente de casa. Pisei fora do carro; ele olhou pra mim e o lembrei:— As sete no lugar que combinamos. — Dois cadáveres, você quer?— Exatamente, precisa ser perfeito. E não se atrase. Teremos meia hora. Uma hora no total até a cerimônia que meu pai preparou.— Não vou atrasar dessa vez.— Acho bom..Entrei em casa. Lucia veio logo atrás, o som leve dos pés quase correndo, como se quisesse colar no meu ombro. A respiração dela estava
A cerimônia
Capítulo 36 Vinícius Strondda Voltamos pra casa em silêncio. Lucia olhava pela janela, o rosto meio pálido, mas o que me chamava atenção era o controle. Ela estava assustada, claro, mas não frágil. Tinha algo dentro dela que crescia quando eu esperava medo. Encostei o carro em frente de casa e saí primeiro. — Anda, ragazza. Troca de roupa rápido. — Minha voz cortou o ar antes que ela abrisse a boca. — Temos vinte minutos. Ela foi correndo, pés leves, e eu fiquei ali embaixo tirando o sobretudo, abrindo o colarinho, tentando desligar o cérebro — não conseguia. A imagem do Lancia queimando vinha e voltava como flash, e junto dela, o nome Isabella Romano ardendo como se ainda existisse alguém com esse nome pra se importar. Quando subi, vesti a roupa que mandei fazer para a ocasião, arrumei o cabelo, troquei até o sapato. Lucia já estava diante do espelho, trocando de roupa. Vestia-se com pressa e elegância, uma combinação que me irritava e me fascinava. — Vira — ped
Testando
Capítulo 37 Vinícius Strondda Meu pai segurou uma taça na mão, deu mais dois passos lentos, olhar que atravessava. Acompanhei-o até o canto da sala, próximo ao retrato antigo de Don Pablo, ainda jovem, com a arma na mão e sangue fresco no punho. Ironia das gerações. — Então Francesco disse isso? Com essas palavras? — perguntei, encostando o copo na mesa. Ele respirou fundo, apoiando as duas mãos nas costas da cadeira. — Sim. Giovanni está enlouquecido. Francesco me explicou por alto. Parece que a mulher do Moretti sumiu faz um tempo… e agora o carro. Um Lancia Delta Integrale. Meu olhar subiu, calmo demais pro que senti. — Lancia, é? — É. Eles não tinham entendido o que estava acontecendo até receberem uma mensagem. — Ele deu um meio sorriso cansado. — O maledetto que fez tudo isso é tão bom que ainda avisou os Moretti que tinha feito. Abaixei o olhar pro vinho, girando o líquido como quem medita. — Estranho, não é? — falei. — Acha que foi sábia a ideia do inimigo
Saia
Capítulo 38 Lucia Bianchi Strondda Ser esposa do Don tem seus prós e contras. Hoje, mais do que nunca, eu sentia os dois ao mesmo tempo. Lá dentro Vinícius nem me deu atenção, mas sei como funciona. Não posso cobrar isso. Aquele salto estava me matando, então arranquei. O carro cheirava a vinho tinto. Vinícius estava visivelmente embriagado — não tropeçava, mas os olhos denunciavam. Durante quase todo o caminho de volta, ele ficou em silêncio, a mão pesando no volante, o maxilar travado. Eu, ao lado, olhando para a cidade pela janela, fingia não notar. Mas incomodava. Fiquei um tempo antes de abrir a boca: — Aconteceu mais alguma coisa? Você ficou mais sério depois que conversou com seu pai… Ele nem me olhou. — Esquece isso agora. Não quero mais ouvir sobre isso hoje. Engoli em seco. — É que você não me conta nada. Não custa… — Chega. — A voz dele veio baixa, mas afiada. — Io já fiz o que podia. Será que hoje posso só terminar a noite como quero? Não vi va
Não vou fugir
Capítulo 39 Lucia Bianchi Strondda Ele estava à beira de perder o controle.Não gritava, não tropeçava — mas o ar ao redor dele parecia prestes a explodir. Os olhos, vermelhos. A respiração, pesada. O corpo inteiro tenso como uma corda prestes a arrebentar. E eu sabia o que vinha depois disso.Mas quando olhou pra mim — de verdade — vi que não havia mais o Don. Havia só o homem tentando não se quebrar. Lindo, aliás. — Você fica tão lindo, e incrívelmente sexy assim — minha voz saiu baixa, quase um sussurro. Ele recuou, as mãos tremendo. — Vai embora, Lucia. Te pedi pra sair. — A voz rouca, cortada por respiração irregular. — Io posso fazer uma besteira. Tentou se afastar, segurei seu braço. Balancei a cabeça, devagar. — Não. — disse, firme. — Não é isso que você quer. Consigo ver nos seus olhos. Vinícius se afastou, as mãos pressionando o rosto. — Vai pro quarto, Lucia. — a voz saiu rouca, contida. — Me deixa sozinho. — Não. — respondi. — Você não pr
Controle
Capítulo 40 Vinícius Strondda A porta ainda balançava no batente quando entrei de novo. Eu devia ter ficado lá fora, farejando o vento molhado do jardim, contando postes, cacos, qualquer coisa que me fizesse esquecer o incêndio que ela acendeu dentro de mim. O desejo ainda queimava. Não aquele tipo fácil, que apaga com um banho frio ou um copo de vinho. Era o outro — o que nasce da raiva, da loucura, da vontade de dominar o próprio inferno. Mas Lucia encostou a cabeça de lado, o vestido vermelho marcado no corpo como pecado feito sob medida, e eu entendi que ficar longe dela seria uma crueldade maior do que todas as que já cometi. — Está muito cansada? — perguntei, e minha própria voz veio rouca, gasta, com um resto de risada que não engana ninguém. Foda-se. Odeio mentiras. Ela me mediu de cima a baixo, lenta, descarada, os olhos descendo pelo peito aberto da minha camisa como quem estuda um mapa que já conhece de cor. — Não. Na verdade… sem sono. Fec