All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 41
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Desabafo
Capítulo 41 Vinícius Strondda Aos poucos consegui sentir meu corpo e minha mente diferente. Não foi fácil, mas voltei a assumir o controle de mim. Consegui acariciar o corpo dela e voltar a me mover na medida do possível pra não machucar com a minha fúria interior que estava presa. — Como é bom estar dentro de ti, ragazza. — sussurrei no seu ouvido entre seus cabelos vermelhos — Tão apertada. Senti suas unhas nas minhas costas. Virei ela de bruços. Segurei suas mãos acima da cabeça, entrei de novo. — Ah, Vinícius. — Sua pele é macia. Cheira flores. Ouvi ela gozando, e suas reações me fizeram gozar também. Lucia se agitou, apertou o colchão e moveu o corpo conforme podia. Tão bom gozar dentro dela. Então observei de novo suas costas. Passei o dedo numa cicatriz. Ela virou mesmo comigo praticamente sobre ela. — Calma. Io só estava tentando entender como foram feitas as cicatrizes. Ela abaixou o olhar. Estava visualmente triste. — Descul
Maledetto do diavolo
Capítulo 42 Vinícius Strondda Acordei bem melhor pela manhã. O corpo de Lucia ainda estava morno encostado no meu, as pernas enroscadas num jeito que dizia “fica”, mas o mundo lá fora dizia “levanta”. Inclinei o rosto até o cabelo vermelho dela roçar minha boca. — Estou indo conversar com papà e torno presto, ragazza — sussurrei no ouvido. — Os empregados já estão em casa. Dorme. Ela assentiu num movimento pequeno, sonolento, e um “hm” satisfeito saiu de sua garganta. Afastei o cobertor com cuidado, beijei o topo da cabeça e levantei. No corredor, dois soldados meus já estavam de pé. Um deles abriu a porta antes que eu tocasse na maçaneta. — Carro pronto, Don. — Andiamo. Dirigimos em silêncio até a casa do meu pai. Eu queria falar com o Antony antes de qualquer conselho, antes de qualquer ruído. Queria… não, eu ia contar a ele o que precisava — a verdade sobre Lucia, o que eu fiz, o que eu decidi não fazer. E ia ouvir. Não a aprovação. O respeito. O conselh
Ajuda
Capítulo 43 Don Vinícius Strondda Fomos andando e eles nos acompanharam para dentro da sala principal. — A vida de quem vai de mal a pior costuma merecer cada degrau — falei, sem pressa. — O que vocês querem? Francesco fez um gesto, pedindo licença para sentar. Eu não dei. Ficamos em pé, todos. Ele entendeu. Engoliu seco e falou. — Temos duas frentes de problema. A primeira: alguém tem atacado nossos carregamentos no porto secundário e agora roubaram o melhor carro do Giovanni. O padrão é… elegante demais para bandidinho. Alguém com disciplina, com acesso a informações. Não é polícia. Não é civil. Não é acaso. E — ele pausou, medindo minha cara — precisamos de neutralidade de vocês por enquanto. Talvez… uma mão. Principalmente por parte da minha nora. — Eu recebi uma mensagem ontem. Antony soube. E agora de manhã, a notícia de que minha esposa Isabella foi morta dentro do meu carro. Pobrezinha, foi queimada. Preciso descobrir quem fez isso. O cara pode ser bom, mas deve ter de
Caspita
Capítulo 44 Don Vinícius Strondda — Vou ser direto, papà. Como você sempre diz, palavra de homem não faz curva, não é? — comecei, com a voz baixa como quem empurra uma lâmina pela conversa. — Diga logo. — Ele cortou, impaciente, mas os olhos não me deixavam. — Minha esposa não se chama Lucia Bianchi. Ela mentiu o nome pra mim e casou com nome falso. O velho levantou da cadeira num salto que me fez recuar um centímetro, como se o próprio ar tivesse cambaleado. As veias do pescoço saltaram, as mãos fecharam na borda da mesa. — O que? — disse ele, vermelho como se tivesse levado um tapa. — Ela sofria nas mãos de um marido que a maltratava e estava em fuga quando a encontrei no nosso jardim. A sala ficou densa. Papà estava a ponto de explodir — e eu não queria que explodisse antes de ouvir tudo. Há coisas que precisam ser feitas com cuidado. — Vinícius Strondda! — ele gritou, e a voz era de quem não aceita traição do mundo, ainda mais vindo do filho. — Como ousa
Conversa
Capítulo 45 Don Vinícius Strondda — Mas quem falou em devolver? Um Strondda não volta atrás nunca. Só quero saber o que pretende fazer. Você diz que ele forjou a prova do lençol? — murmurou, mais pra si que pra mim. — Sim. Sabe como ele fez pra ter uma prova falsa? A obrigou a se cortar. Ela tem uma cicatriz por isso. Sem contar a cabeça como não ficou. — Maledetto. — Digo que há uma história podre aí e que não iremos permitir que a sujeira de Moretti manche a nossa casa. — Falei calmo. — E digo também que, se alguém aqui usufruir de chantagem ou usar nossa casa pra lavar a roupa suja, eu corto a mão antes que a mancha se espalhe. Papà assentiu devagar. O brilho nos olhos dele já não era apenas raiva — tinha estratégia. Ele passou a mão no queixo, como se dobrasse a informação e a guardasse em algum bolso secreto. — Mostre-me provas, Vinícius. — disse. — Não me traga só palavras. Se nós vamos usar isso contra os Moretti, eu quero soluções. Nomes, datas, testemunhas
Armadilha?
Capítulo 46 Don Vinícius Strondda — Que plano papà? — perguntei, olhando direto pra ele, como quem espera que a resposta seja mais do que fumaça e palavras. Papà me encarou, puxou a caderneta do bolso do paletó e me estendeu a caneta com a calma de quem já decidiu: primeiro pensa, depois atira. — Me deixa pensar direito, vá bene? — disse ele devagar, como se cada sílaba pesasse dez quilos. — Escreve aqui o nome do pai dela. Peguei a caneta. Pensei em tentar enrolar, em projetar um sorriso, em devolver a pergunta, mas já tínhamos ido longe demais. Respirei fundo e escrevi com uma letra curta, prática: Alessandro Romano. Eu havia visto nos documentos de Isabella. Papà olhou o nome e uma sombra cruzou o rosto dele, algo que não era apenas desaprovação, era reconhecimento de uma ferida antiga. Leu devagar, dobrando o papel entre os dedos. — Como assim? Não vai mesmo me dizer? — Você esperou bem mais que isso pra me contar. E agora quer resposta imediata!? — ele bufo
Água fervendo
Capítulo 47 Lucia Bianchi Acordei com o silêncio espesso da casa. Fiquei uns minutos ali, olhando o teto e pensando em como estaria a conversa de Vinícius com o pai. Suspirei. Se era pra enlouquecer esperando, que fosse com algo útil. Levantei, vesti uma roupa simples e desci pra cozinha. Dona Irina, a cozinheira, já estava lá, mexendo algo na panela. Ela me viu e quase deixou a colher cair. — Senhora Lucia! — exclamou. — Vim ajudar com o almoço. — O Don vai me matar se souber que pus você pra trabalhar. — O Don não precisa saber. — falei sorrindo, puxando o avental pendurado na parede. — E eu tô entediada. Deixa eu ajudar, vai. — Ajudar? — ela deu uma risadinha nervosa. — Aqui? A senhora nunca fez massa na vida, aposto. — Pois hoje vou aprender. Ela bufou, fingindo braveza. — Ah, essas madames… acham que massa é igual amor: basta misturar. — E não é? — provoquei, separando os ovos. — Só se tiver paciência. E paciência não combina com a senho
O que eu precisava
Capítulo 48 Vinícius Strondda Entro na cozinha com o gosto metálico da adrenalina ainda na boca. O corpo pesa de uma maneira que eu não consigo justificar — como se cada músculo soubesse que ainda não acabou, que há mais a vir. Laura já está no corredor quando eu apareço; os olhos dela são lâminas, firmes, sem concessões. Maicon me aborda com o rádio na mão, o rosto pintado de urgência. — Chamei o João Miguel pra vir imediatamente— diz ele curto. — Já tô indo. A Duda está me esperando. Assinto sem pensar. A visão se afina: o corpo estendido do maledetto no chão, a água secando nas lajotas, o avental de Lucia manchado. Há cheiro de pólvora no ar, e isso me libera algo ruim por dentro — uma atenção afiada que não consigo desligar. Tia Laura me puxa pelo braço, o toque dela é uma âncora. — Agora você é o Don — diz ela, devagar, quase um aviso vestido de conselho. — A primeira que vão tentar atingir é a Lucia. Você precisa melhorar a segurança na casa; precisa pensar em
Autocontrole
Capítulo 49 Don Vinícius Strondda Ela segura meu pulso e puxa como se fosse cabo de guindaste resgatando um homem à beira. O quarto inteiro prende a respiração. Lucia me encara de baixo para cima — ousadia na boca, comando nos olhos. A palavra “relaxa” entra como golpe e cura ao mesmo tempo. Minha cabeça, que era um armazém de ruído, começa a silenciar prateleira por prateleira. Sinto a tensão recuar como maré. Ela brinca comigo com um atrevimento novo, sem técnica estudada — e é justamente isso que me desmonta. Sua boca é macia no meu pau. Desliza torta, passa a língua onde nunca espero, e comprime quando penso que vai enfiar na garganta. O descompasso dela vira a minha medida. O corpo responde mais rápido do que a razão autoriza. — Cristo… — escapa de mim, rouco. Lucia ri baixinho, satisfeita com o estrago que causa. Não há cálculo naquilo, só vontade de me enlouquecer. Uma vontade que me quebra a armadura, que abre uma fresta por onde entra ar. — Vai
O que faço?
Capítulo 50 Lucia Bianchi A água quente escorria pelas minhas costas e parecia arrancar os restos da pegada desse mafioso. O homem é bravo. Não havia barulho, só o som do chuveiro batendo no azulejo e o coração tentando entender o que vinha depois. Vinícius tinha saído há alguns minutos; o silêncio que ele deixou ainda pesava no quarto. Vesti um vestido leve, prendi o cabelo de qualquer jeito e fui até a janela. Lá fora, quatro carros pretos estavam parados na frente da casa. Homens armados vigiavam o portão. É um caminhão parecia descarregar algum tipo de material. Acho que vão aumentar os muros. O brilho do sol nas carrocerias me fez estremecer. A presença deles nunca significava paz. E, entre os carros, vi Vinícius ao lado do pai e do João Miguel, o Consigliere. Os três conversavam baixo, mas a tensão dava pra sentir daqui de cima. Saí do quarto e fui para a sala. Antony gesticulava; Vinícius passava os dedos na barba curta, o olhar duro, concentrado. Senti o estômago