All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 51
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Guerra
Capítulo 51 Don Vinícius Strondda O sol ainda mal tinha subido e o dia já cheirava a pólvora. O pátio da casa era um formigueiro de homens — botas no cascalho, armas engatilhadas, ordens sendo dadas em voz baixa. Mas a única coisa que eu ouvia de verdade eram os cochichos.Sobre ela.“Lucia segurou três caras sozinha.”“Dizem que matou um com a própria faca de cozinha.”“Coragem de mulher assim não se vê nem entre os nossos.” Cada frase dessas era um prego cravando dentro de mim. Eu devia me orgulhar — ela era minha esposa, porra. Mas algo dentro de mim fervia. Não era ciúme comum. Era o tipo de possessão que nasce de dentro do sangue Strondda, o tipo que faz o coração bater no mesmo ritmo que o gatilho. Fiquei olhando o portão, calado, até João Miguel se aproximar com aquele ar de quem traz notícia podre. — Don, achei. — disse, com o celular na mão. — Peguei o histórico de um dos invasores. Ele trocou mensagem com uma velha conhecida nossa. — Quem? — perguntei
Brava
Capítulo 52 Don Vinícius Strondda O reduto recebeu o som dos nossos carros como um comando. Portas se fecharam, vozes se calaram; o ar ficou pesado, contentor de promessas e medo. No centro do salão, luz cruel, um banco velho, correntes pendendo do teto. Gracy estava ali, acorrentada, curvada como se todo o peso do mundo tivesse decidido sentar no peito dela. O cabelo grudado no rosto, olhos grandes demais para o rosto fino. Sempre fora assim: olhares que pediram perdão antes mesmo da primeira palavra. Hoje não havia pedido que bastasse. Aproximei-me devagar. O chicote estava enrolado na minha mão, pequeno e preciso, um instrumento de controle mais psicológico do que qualquer outra coisa. Segurei o cabo, senti o couro contra os dedos. — Olha só quem veio te fazer companhia — zombeei, deixando o sotaque pesar nas palavras. — Sua cara tá cada vez pior, FIGLIA de puttana. Minha mãe deixou sua marca, mas hoje terei que destruir. Ela levantou o rosto, cuspindo desculpas
Lancia Delta
Capítulo 53 Don Vinícius Strondda Não paramos por ali. Aquilo continuou, membro por membro. Infelizmente Gracy não resistiu e morreu antes do que eu queria. Por mim sofreria até amanhã. — Você aprendeu uma lição, cara — disse devagar. — E amanhã o mundo inteiro vai saber por que. — Disse para a puttana morta, ou o que sobrou dela, e depois virei para meus homens — Embalem um dedo e coloquem numa caixa própria pra eu levar até a Sicília. — Ordenei. — Mas Don, se vamos invadir, porque precisa levar o dedo? Eles não devem dar a mínima pra essa vadia morta — João Miguel me perguntou. — Porque quero ver a cara dele quando receber isso. Federico vai sentir a morte de perto. Deveria ter pensado mil vezes antes de mexer com a Strondda. — João Miguel assentiu. Lucia aproximou-se, limpou a lâmina na bainha com um gesto automático, e olhou para mim. Havia cumplicidade ali — um reconhecimento de que, juntos, éramos mais perigosos do que separados. Ela havia feito mais do que
Some daqui
Capítulo 54 Don Vinícius Strondda O sol me cegou por um segundo — e foi o suficiente pra eu decidir. A raiva não é sempre um incêndio; às vezes é uma lâmina que você afia com calma. Senti a Taurus aquecer contra a palma da mão e, sem hesitar, puxei-a da cintura. O mundo reduziu-se ao brilho do aço e ao rosto daquele homem que tinha a audácia de parar o Lancia na minha calçada. — Quem vem à minha casa sem ser convidado morre. — A voz saiu baixa, dura como o ferro do meu coldre. Giovanni sorriu como quem tem a certeza de impunidade. — Que isso, Don? Não somos aliados? Você pediu um Lancia Delta, vim trazer. Agora quero respostas suas. — Falou com aquela segurança de sempre, essa que finge calma quando tem medo por dentro. — Primeiro: pra falar comigo precisa agendar. Segundo: não é na minha casa, é no reduto — respondi, devagar, como quem explica uma regra antiga — Então você faz favor e leva o carro até meus homens. Terceiro: eu investigo no meu tempo. Não é você que v
Não saia da casa
Capítulo 55 Don Vinícius Strondda A visão de Lucia, naquele instante, fez minha raiva afinar-se numa linha quase cirúrgica. Respirei fundo, tentando devolver ao corpo a calma que a cabeça já tinha perdido. Ela passou a mão pelo rosto, tentou justificar a inquietação com uma máscara de curiosidade mal disfarçada. — Só… pensei na moça que ele encontrou. Pensei que ela será a próxima vítima daquele verme. — As palavras saíram com raiva contida, quase um aviso. Sorri, curto, sem calor. — Isso já não é problema meu e não deveria ser seu. — Respondi, cortante. — Em breve vou destruir tudo lá. Não se meta. Ela mordeu o lábio, magoada, mas não insistiu. Havia entendimento na contracção do corpo dela — sabia que era sério. — Tudo bem, não vou dizer mais nada. Aproximei-me devagar, peguei o braço dela e a empurrei de volta por detrás da porta, com um impulso que tinha mais comando que carinho. — Lucia, escuta bem o que vou dizer. — Segurei o braço com firmeza. — Você nã
Derruba
Capítulo 56 Don Vinícius Strondda A fila de carros pretos avançava devagar pela rua, cortando o asfalto como uma coluna de sombra. Os faróis baixos riscavam o escuro, os motores roncavam fundo, e os homens dentro não diziam nada — só olhavam adiante, atentos.João Miguel desceu do primeiro carro com o tablet na mão, a antena levantada, o fone preso ao ouvido. Sua voz era firme, precisa — de quem já estudou o terreno, traçou o mapa e sabe exatamente o que vem depois. — Temos seis câmeras no perímetro frontal — disse ele, enquanto um mapa virava na tela. — Hackeadas e congeladas; duas giratórias agora em modo pan, uma câmera do portão coberta com feed falso. Dentro: três no térreo, dois no jardim lateral, um na guarita. No total, dez indivíduos confirmados no interior, quatro no jardim, um na guarita. Movimento de vigilância nas ruas laterais — três carros de apoio, identificados. Júlia (filha da Laura e Alex) já fez a varredura do triplex vizinho via drone. Tempo até infiltra
Onde está?
Capítulo 57 Don Vinícius Strondda As metralhadoras abriram como um corte. Não era barulho por barulho — era direção. Flashbang estourou no hall e a casa virou confusão programada. Soldados nossos entraram por laterais, escadas, telhado. Cada um tinha seu quadrado, sua saída. A ordem era limpar, prender, humilhar. O portão principal virou pó. Laura entrou primeiro, andando firme, tiros curtos, certeiros. — Um no corredor! — avisou. — Já vi! — Alex respondeu, atirando quase junto. O corpo caiu antes de terminar o passo. — Vai na frente Don. Você está melhor que a gente. Seu treinamento realmente foi intensificado ao longo dos anos. — Tia Laura disse e não teve como não me sentir orgulhoso. Realmente, treinei a vida toda pra isso. — Me cubram. — Falei tentando não sorrir. João Miguel se abaixou atrás de um carro, dedo no gatilho e no rádio ao mesmo tempo. — Don, temos movimento no corredor dos fundos. — Segura. Eu cubro. — falei, mas matei em questão de segundos.
Tremia
Capítulo 58 Don Vinícius Strondda Voltei mais rápido do que qualquer estrada permitiria. O asfalto facilitou e o volante rangia sob meus dedos. A cada curva, eu repetia o mesmo pensamento: ela tem que estar bem. Quando cheguei, a casa estava normal. Portão fechado, nenhum vidro quebrado, nenhum som fora do lugar. Meus homens disseram que nada aconteceu. Mas foi por isso que pedi ao tio Maicon supervisionar. Ele é o melhor quando se trata de proteger. Entrei rápido, arma em punho. Tudo normal. Respirei fundo. Ouvi João Miguel me chamando: — Don. Não precisa procurar. A Lucia está segura. — Onde? — Na minha casa. Meu pai me avisou que levou ela pra lá com minha mãe. Fechei os olhos por um segundo. — Vamos pra lá. — falei, curto. A viagem até a casa de Maicon foi rápida, mas longa demais pra cabeça. Quando chegamos, os muros me chamaram atenção — altos, reforçados, câmeras em cada canto, portão duplo. João Miguel sorriu ao ver minha cara. — Impre
Gêmeas
Capítulo 59 Don Vinícius Strondda Voltei pro carro com a respiração mais controlada, o corpo pedindo trégua e a cabeça grudada nas ideias como se fossem inimigos que não soubessem recuar. — Vamos pra casa. Sei como podemos terminar o dia. — Olhei pra ela e apertei sua cintura. Lucia sorriu e assentiu, então entrou no carro comigo. Quando comecei a dirigir, o celular vibrou no banco ao meu lado. Vi no visor: Papà. Não deixei tocar até encarar a estrada; quando atendi, a voz de Antony veio curta, sem introdução: — Papà? — Vini, preciso que venha aqui em casa. Temos algo importante pra conversar. O nome de Francesco veio na minha mente na hora. — Claro, papà. É sobre o Francesco, né? — Também. Venha imediatamente. Não vamos esperar até amanhã pra resolver uma pendência. Desliguei, olhei pra Lucia. Ela me olhou de volta com um misto de medo e curiosidade — aquele brilho perigoso de quem sabe que a conversa não será comum. — Fica tranquila — disse devagar.
Café
Capítulo 60 Lucia Bianchi Ajudei Fabiana a acomodar as xícaras na bandeja, fingindo intimidade com ferramentas que nunca fizeram parte da minha vida. Encaixei as colheres pequenas no pires, alinhei os guardanapos de linho, fiz como ela fazia. — Quer que eu moa mais café? — perguntei, com a mão já no moinho. — Eu faço, bambina. — Fabiana sorriu de canto, gentil de um jeito que não invade. — Só me passa a jarra. Entreguei a jarra e fiquei ali, na beirada do balcão, tentando parecer útil. A chama azul subiu sob a chaleira. — Não sei cozinhar. — falei baixo, quase para a chaleira, que já tremia. — Quer dizer, sei sobreviver. Mas… a comida, quando a faço, nunca fica como deveria. Fabiana me olhou por cima do ombro, sem julgamento. Só curiosidade leve. — Ninguém nasce sabendo. — ela disse, e desligou o fogo. — E ninguém precisa de diploma para fazer café. Só de atenção. — Meu pai não deixava eu chegar perto da cozinha. — confessei, ainda olhando a mesa. — Dizia que mu