All Chapters of Vendida para o Don 2: Chapter 61
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Possessivo
Capítulo 61 Lucia Bianchi Sentei ao lado, corpo um pouco inclinado na direção dele por instinto. Antony falava de nada e de tudo, como quem decanta o assunto sério para guardá-lo para amanhã. Eu respondi o que coube, sorri quando a casa pediu sorriso, segurei a bandeja quando foi preciso levar mais. Quando a conversa perdeu corpo e o café virou só xícara vazia, nos despedimos. Fabiana me deu um beijo na bochecha, e sussurrou: — Vai com calma nele. — como se eu tivesse esse poder. Manuela não falou. Mas não resistiu a me fitar, da porta, com uma pergunta que não era para ser respondida ali. Saí com Vini, e fomos embora. Dentro de casa, a calma durou três passos. Quatro soldados esperavam, colunas de farda e pressa. O primeiro se adiantou, tablet na mão. — Don, a questão do perímetro— — Sim. — Vinícius cortou, curto. — O senhor prefere a rota… — E listou siglas, números, um mapa invisível. Vini ouviu dois segundos inteiros, pegou a caneta do bolso do solda
Esquecer do mundo
Capítulo 62Lucia Bianchi Eu danei em explorá-lo também — passei a boca pelo queixo, desenhei uma linha de beijos na direção do pescoço, parei onde os batimentos contam uma história mais forte. Ele deixou a cabeça pender um pouco.— Lucia… — o meu nome na voz dele sempre parece uma promessa que já está sendo cumprida.— Fala. — pedi, brincando, e mordi de leve o lugar onde ele é mais sensível. Um aviso, nada feroz.— Não me faz esquecer da hora. — ele sorriu, mas sentia. — Eu preciso voltar.— Ainda temos muito. — segredei. — E eu sei… quando você volta, volta outro.Ele inclinou o corpo, fazendo a água subir na borda e derramar um pouco — um transbordamento que diz que mesmo o controle tem prazer. Passou a palma inteira da mão pelas minhas costas, da nuca ao cós invisível. Não nomeou, não pediu licença para aquilo que nós dois já havíamos dito “sim” tantas vezes. Mas hoje cada “sim” tinha a delicadeza de quem sabe que a paz é animal arisco: basta um gesto brusco e ela foge.— Me fal
Federico
Capítulo 63 Don Vinícius Eu teria ficado ali. Mais cinco minutos. Dez. A pele dela ainda estava na minha mão. Mas dever não discute com desejo. — Fica em casa hoje — falei, secando o cabelo e pegando a pistola onde eu sempre deixo. — Porta trancada, celular por perto, João vai deixar dois no corredor e mais dois no jardim. Ninguém entra, ninguém te chama. Se alguém bater, você não atende. É ordem, Lucia. Ela assentiu, e não foi um “sim” manso: foi um “sim” de quem entende a guerra e escolheu me ter vivo no final dela. Desci as escadas e o mundo voltou a falar a minha língua.---. Fui até o reduto. João Miguel me esperava na sala fria. No canto, a bancada de aço com tudo aquilo que em outro lugar chamariam de ferramentas. Aqui, são lembretes. — Don — ele disse, passando o pano de sangue seco das mãos. — Tá desidratado, com o ombro deslocado e dois cortes superficiais. Teimoso. Olhei para o centro da sala. Federico estava sentado na “cadeira do porto” — ferro p
A flor
Capítulo 64 Don Vinícius Strondda Saí do reduto com a ligação ainda no ouvido. João Miguel perguntando algo que nem dava tempo de responder. Porra! Essa ragazza está me testando, só pode. Me enviou uma foto do jardim. Nela a imagem de uma flor que cresceu em meio ao gramado e que ninguém plantou, junto a frase: "Olha o que apareceu no jardim. Podemos plantar mais?" Eu já disse que não quero flores, e principalmente pra não aparecer lá fora. Nessa foto ela se expõe. Tem um reflexo bem no canto e isso me dá quase a certeza de que foi um drone passando. Quem cria coragem de escrever isso sabendo o risco que é? Ligação: — Vinícius? — a voz de Lucia soou do outro lado, tentando ser casual. — Lucia, afasta da janela agora! — mandei curto, sem me preocupar em disfarçar a irritação que me comprimia o peito.— Mas eu só estou mostrando a f... — tentou explicar.— Mostrando o quê, porra? — acelerei. — A gente não conversou? Você está querendo ser levada pelos M
O plano com Maicon
Capítulo 64 Don Vinícius Strondda O barulho das botas de Maicon no concreto me dava o ritmo enquanto empurrava a porta do galpão. Ele me esperava encostado num carro sem placa, o rosto iluminado por um sorriso de quem já ganhou a metade da batalha. — Entrou bem — disse, sem cerimônia. — Senta. Tem coisa. Abri a pasta preta que ele me estendeu como quem mostra um troféu: grossa, com documentos, carimbos, fotos antigas, um passaporte. Maicon tinha a calma de quem sabe o peso do papel na guerra; uma assinatura convincente vale mais que dez soldados. — Os documentos oficiais de Lucia. — Afirmei. — Matei o homem que fez a documentação antiga — falou seco, sem olhar pra mim. — E a mulher que indicou. Limpeza feita. Não fico com lixo solto. — Ótimo — respondi. — Tira as digitais do cheiro. — Inclusive — ele continuou, puxando outra pasta — a documentação estava com furos. Nosso homem de confiança da Strondda já deixou tudo perfeito. Abri a pasta. Fotos de bebê, um reg
Liberdade
Capítulo 66 Lucia Bianchi Strondda A madrugada se arrastou como um castigo. Tentei dormir — em vão. A cama parecia grande demais, o travesseiro frio demais. Cada som da casa me deixava em alerta: o vento batendo nas janelas, o estalar da madeira, o relógio marcando horas lentas demais. Vinícius ainda não tinha voltado. Fiquei andando pela casa, sem saber se procurava distração ou coragem. Acendi uma vela na sala, sentei no sofá e abracei os joelhos, olhando o reflexo do fogo nas paredes novas — aquelas que ele mandara reforçar. Desde que o portão foi trocado por outro mais alto e os muros cresceram, a casa parecia uma fortaleza. Bonita, mas sem ar. Quando o primeiro clarão do dia apareceu, eu já estava exausta. E foi nesse silêncio de amanhecer que o barulho começou. Motores. Vários. O som seco de pneus no asfalto. Depois, passos e vozes lá na rua. Meu corpo reagiu antes da cabeça — corri até a porta, o coração acelerado, acreditando que era ele. Mas antes que eu to
O café
Capítulo 67 Don Vinícius Strondda Quando ela desceu as escadas, o mundo respirou mais devagar. Eu estava de costas para a porta da sala, ajustando a abotoadura, e senti antes de ver. Tem coisas que a gente não explica: o silêncio que muda, a temperatura no ar, o cheiro. Virei devagar, preparado para qualquer notícia ruim — e, no lugar do imprevisto, encontrei a visão que derruba generais. Lucia vinha num vestido que parecia ter aprendido o corpo dela de cor. Nada exagerado — elegante, firme, do tipo que entra em qualquer sala e toma lugar sem pedir licença. O cabelo preso de um jeito simples, deixando o pescoço à mostra; o sorriso… ah, o sorriso. — Sei que está me olhando, Don. — ela provocou, parando dois degraus antes do último, como se me obrigasse a ir até ela. Fui. Toquei de leve a curva da cintura, só o suficiente para ela entender quem traça o mapa — e quem o percorre por vontade própria. — Guardar isso em casa seria crime, bella mia. — falei baixo, como
O contrário
Capítulo 68 Don Vinícius Strondda Ele riu. Riu na cara da minha ragazza corajosa. — E você quem é para me dar ordem? — inclinou-se, deixando a arrogância respingar. — A princesinha do bairro? Vai me ensinar caridade? Fiquei imóvel só o tempo necessário para que o mundo me devolvesse o foco: ela movendo-se como quem já sabia o que faria, eu observando como quem mede risco e prazer numa balança torta. — Vai pedir desculpa. Não vou ensinar o que deveria ter aprendido em casa. Até porque meus métodos são bem diferentes — ouvi antes de ver, a voz de Lucia cortando como lâmina fina. Que graça teria se eu quebrasse a cara desse infeliz? O homem de terno, ainda com o pé à frente, fez um gesto grosseiro, apontando o dedo para o velho. — Sai daqui, seu lixo. Não é lugar pra vagabundo. Agora está me causando problemas. O velho encolheu o saco de vidro contra o peito. Alguém ao meu lado engoliu forte; João Miguel ficou na sombra, avaliando, sem intervir. Eu pensei em
Cortar a língua
Capítulo 69 Don Vinícius Strondda Ele tentou a reação padrão: olhar para os lados, buscar plateia. Encontrei os olhos dele de novo, um segundo inteiro, e a plateia sumiu. — Quem… quem é você? — ele arriscou, a boca secando. — O homem que faz você lembrar do próprio nome. — aproximei o rosto, o suficiente para o perfume elegante dele se misturar ao meu desprezo. Segurei o paletó na altura do peito e levantei dois dedos da mão livre, um gesto pequeno. Duas figuras apareceram na periferia: João Miguel, e outro dos meus, sombra de pedra. — Pede desculpa para minha esposa. Agora. Lucia ficou imóvel, os olhos faiscando. O homem hesitou, o corpo tremendo, a língua presa entre o medo e o orgulho. Eu já tinha decidido. — Ajudem o senhor com o que ele precisar. Roupas, dinheiro, comida — disse, seco, sem esperar a resposta nem as desculpas do maledetto a minha frente. Fiz um sinal discreto com a cabeça para João Miguel. — Tragam esse verme para os fundos do restaurante.
Desgraça favorita
Capítulo 70 Don Vinícius Strondda Fechei a porta do banheiro. O mundo ficou do lado de fora, engolido pelo ruído distante de pratos e conversas que, ali, já não significavam nada. Aqui dentro, só eu, ela, e a porra do meu pulso batendo mais rápido do que deveria. Meu pau latejando de desejo. — Vou te pegar de jeito ragazza. Vou te comer aqui mesmo e vai gostar tanto que vai querer repetir. Encostei Lucia na parede de azulejos brancos. Fria. Segurei sua cintura com firmeza, dedos cravando como quem reivindica território. O vestido colou na pele e subiu um palmo quando passei a mão. Ela prendeu a respiração, quase um riso, quase um desafio. Che Cazzo! Que ragazza. — Sabe o que você faz comigo, piccola? — minha voz saiu baixa, rouca. — Sabe e faz de propósito. Mas hoje sua beleza branca vai ficar parecida com a dos seus cabelos. Ela ergueu o queixo, olhar faiscando de volta, como na sala do café. A fibra. A coragem. O veneno doce que me vicia. — Então assume, Do