All Chapters of Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário: Chapter 1
- Chapter 10
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Capítulo 1 - Lote 27 : Preço de Sangue
Elena RossiNo salão principal, onde lustres derramavam ouro falso sobre a pele de quem passava, eu observava outras mulheres sendo exibidas como quadros. Números, não nomes. Mãos levantadas, cifras subindo. Tudo parecia distante, como se eu assistisse de fora do meu próprio corpo, presa em uma vitrine de carne e silêncio.Chamaram meu número.— Lote vinte e sete.Subi no palco. A luz me atingiu de frente, ofuscando minha visão por um segundo. Depois, firmei o olhar e ergui o queixo, procurando um ponto fixo para não vacilar e encontrei ele.Na primeira fila, um homem que parecia comandar o ambiente sem precisar mover um músculo. Usava um terno preto impecável, um olhar frio, concentrado. O tipo de presença que altera o ar, que faz o mundo ao redor se calar. Os olhos dele, de um cinza cortante, encontraram os meus e o tempo parou.Senti o corpo fraquejar.Já tinha ouvido falar de homens como aquele. Mas a forma como ele me olhava não era simples curiosidade. Era como se ele me ana
Capítulo 2 : Assinatura em Tinta e Lâmina
Elena RossiO salão havia voltado ao murmúrio de taças e conversas abafadas, mas eu continuei imóvel, sentindo o eco do martelo vibrar dentro do peito.O corpo ainda estava frio, mas o coração queimava, como um fogo mudo, contido, que não se podia apagar. Por um instante, pensei em respirar fundo, mas não consegui. O ar ali dentro era caro demais.Não sei quanto tempo fiquei parada, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Quando a voz feminina soou perto, precisei de um segundo para reagir.— Senhorita Rossi? — ergui o olhar.Uma mulher de vestido preto, coque impecável e expressão treinada me observava.— Sou a senhora Moretti, representante do senhor Cavallari. Preciso que me acompanhe, por favor.O nome dele me atingiu como uma lembrança nova demais para ser confiável.Assenti, mesmo sem confiar nas pernas. O instinto gritava para correr, mas tudo nela, nos passos precisos, no modo como o perfume não deixava rastros, dizia que qualquer resistência seria inútil.Segui em
Capítulo 3 - O Homem Que Comprou Meu Silêncio
Elena RossiO carro desacelerou e parou diante do píer envolto por névoa e silêncio. O som do motor cessou, e o mundo pareceu suspenso por um instante.Ergui os olhos e vi o mar, um espelho líquido e escuro, onde as luzes douradas dançavam com o movimento lento das ondas. A brisa fria da madrugada passou por mim, levantando uma mecha do cabelo e trazendo o gosto salgado do oceano.Foi então que o vi.O iate não era apenas uma embarcação. Era uma declaração de poder.Imenso, imaculado, branco como um templo, com as laterais iluminadas por refletores e o nome gravado em letras douradas: Erebus.O reflexo das luzes na água fazia parecer que o navio respirava, como se tivesse uma alma própria, feita de luxo e silêncio. Fiquei quieta por alguns segundos, tentando entender onde estava e o que aconteceria a seguir. Ao meu lado, Lara Moretti observava o iate com uma calma quase antinatural.— O que é isso? — perguntei, com a voz trêmula.— É a embarcação do senhor Cavallari. — respondeu, sem
Capítulo 4 - A Beleza que Me Aprisiona
Elena RossiO som dos saltos de Lara ecoava no corredor como um metrônomo de controle. Cada passo dela era firme, enquanto os meus pareciam tropeçar no próprio medo. O ar dentro do iate tinha um cheiro difícil de descrever, uma mistura de couro, uísque e maresia.Eu me sentia fora do meu corpo, como se apenas o som dos saltos me mantivesse em movimento. A cada curva do corredor, minha mente tentava fugir para outro lugar, qualquer lugar onde a respiração não doesse tanto.Mas o medo tinha forma, e ele andava atrás de mim.— Por aqui. — disse Lara, cortando meus pensamentos.Ela abriu uma porta e fez sinal para que eu entrasse. O quarto era deslumbrante e isso, por algum motivo, me fez sentir pior.As paredes eram revestidas de madeira clara, as janelas panorâmicas se abriam para um mar escuro e infinito. No centro, uma cama enorme, coberta por lençóis de linho branco que pareciam novos demais para serem tocados. Um vaso de lírios descansava na mesa de cabeceira, exalando um perfume do
Capítulo 5 - O Vestido Que Ele Escolheu
Elena RossiEu não sei quanto tempo dormi. Talvez uma hora, talvez nenhuma.O balanço do mar me embalava num quase-transe, mas a mente não descansava. As vozes voltavam em fragmentos, Lara, o contrato, as regras, Sophia no hospital e o nome dele repetindo dentro da minha cabeça como uma maldição: Damian Cavallari.Quando um som suave de três batidas discretas na porta, me arrancou da cama, o coração disparou.Levantei devagar, ainda com o corpo pesado. A luz dourada da tarde filtrava-se pelas cortinas de linho, banhando o quarto numa calma mentirosa.Abri a porta.Um homem de terno escuro, provavelmente um dos seguranças do iate, estava parado ali. O rosto impassível, os olhos baixos, sem me encarar diretamente. Nas mãos, segurava uma caixa preta, envolta por uma fita de cetim vermelha.— Entrega para a senhorita Rossi. — disse apenas.Assenti, sem entender.Peguei a caixa. O peso era leve, o perfume que saía dela, inebriante, notas de lírios e âmbar, delicadas e provocantes. Antes q
Capítulo 6 - O Colar do Controle
Elena RossiOs dedos dele encostaram na base do meu pescoço, frios e controlados. Nenhum gesto foi demorado, nenhum movimento, acidental. Mesmo assim, o simples contato pareceu acender algo embaixo da minha pele, uma corrente que subiu pela espinha e me fez prender o ar sem perceber.Ele ajustou a joia com lentidão, o polegar roçando de leve a curva do meu pescoço, apenas o suficiente para provar um ponto que eu não entendia.— Está tremendo. — disse com a voz baixa, próxima o bastante para que eu sentisse o calor das palavras roçarem minha nuca.Fechei os olhos. — Está frio. — menti, sentindo a minha respiração falhar.Senti o fecho se encaixar, um clique suave, metálico e logo o peso da joia desceu, repousando sobre a pele exposta do meu peito. O toque dele cessou, mas o corpo ainda reagia como se não soubesse o que fazer sem aquele breve contato.Ele não se afastou.Pude sentir a presença dele logo atrás, imóvel, respirando com calma. As mãos, embora não me tocassem, ainda cercava
Capítulo 7 - O Salão dos Predadores
Elena RossiO corredor que levava até o salão principal parecia mais longo do que antes, iluminado por luzes baixas que criavam sombras dançantes nas paredes de madeira escura. Os passos de Damian eram firmes, silenciosos, quase felinos. Os meus… bem, os meus pareciam esquecer o próprio ritmo.O som dos saltos contra o piso ecoava de forma irregular, denunciando a tensão que percorria minhas pernas.Damian não me tocava além do necessário, mas então sua mão deslizou lentamente pelas minhas costas nuas, um toque discreto, calculado, quente o bastante para incendiar cada nervo que encontrou. Era apenas um gesto, nada mais… e ainda assim parecia comandar minha respiração, como se meu corpo reconhecesse a ordem antes mesmo de eu entender o que estava acontecendo.A cada metro, o ar ficava mais denso, mais rico e poderoso. Quando chegamos à porta dupla de vidro fosco, dois homens abriram-no em silêncio e então eu o vi o salão.O salão se abria diante de mim como um mar de luz dourada. Er
Capítulo 8 - O Preço dos Olhares
Elena RossiO ar ao redor parecia mais denso depois da resposta de Damian. Aquela frase ainda vibrava no salão como o som abafado de um trovão. O homem robusto que se chamava Bianchi, não disse mais nada, mas seu sorriso desapareceu como se alguém o tivesse apagado com a mão.Damian manteve a postura tranquila, enquanto sua mão ainda permanecia firme na minha cintura, e o corpo alinhado ao meu como se mandasse no espaço ao redor. Não era afeição. Era uma posse disfarçada de cuidado.Antes que o silêncio se desfizesse, duas figuras se aproximaram. Pareciam empresários, jovens demais para serem subestimados, velhos demais para serem imprudentes.O primeiro deles sorriu quando seus olhos pousaram em mim. Era um sorriso apreciativo, calculado, perigoso.— Cavallari… — disse ele, inclinando levemente a cabeça — devo admitir que esta noite você surpreendeu o salão. A senhorita é… deslumbrante.Senti o calor subir ao rosto, mas antes que eu pudesse agradecer ou me encolher, Damian falou:— E
Capítulo 9 - Sob a Proteção do Monstro
Damian CavalariQuando Elena desapareceu atrás da porta lateral, guiada pela mão firme de Lara, algo dentro de mim se partiu ou se calou. Não sei qual dos dois.Só sei que cessou.O mundo ao meu redor continuou existindo: música, risadas, o tilintar de taças, conversas de pessoas sem importâncias que fingiam elegância para mascarar vazio. Tudo segue igual, mas para mim o salão ficou pequeno.Pequeno demais para acomodar a raiva fria que subia como uma maré sombria dentro de mim.Respirei fundo uma vez, duas mas não adiantou.A lembrança do olhar daqueles homens percorreu minha mente como uma faca cega. A forma como encararam Elena. Como mediram suas curvas. Como sussurraram comentários, achando que estavam em um mercado de luxo e não diante de um ser humano.Apenas eu tinha o direito de olhar para ela dessa maneira. Somente eu. Meu maxilar travou. E então, devagar, virei a cabeça em direção ao homem que iniciou aquela cadeia de insolências.Ele segurava a taça com a mão tensa. Tenta
Capítulo 10 - A Noite em Que Ele Me Quebrou Sem Me Tocar
Elena RossiLara caminhava ao meu lado em silêncio.O som do meu salto firme contra o piso estreito do corredor parecia mais alto do que deveria, como se cada batida denunciasse o que eu estava prestes a fazer.A mão dela no meu braço era leve, mas havia uma urgência contida ali, quase um pedido de desculpas silencioso, quase um gesto de alguém que queria me impedir de continuar, mesmo sabendo que não podia.Ela respirou fundo, tomada por uma hesitação que não combinava com a postura impecável de secretária pessoal de Damian Cavalari.— Senhorita Rossi, eu… — começou ela, e pela primeira vez notei a dor escondida na voz dela.