All Chapters of Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva: Chapter 91
- Chapter 100
129 chapters
Capítulo 91
~ MAREU ~Saímos da sala de reunião com a Olívia andando na frente, passos firmes. Eu fui atrás, tentando parecer neutra, e Logan foi do outro lado, com aquela postura de homem que finge que não está fervendo por dentro.— Eu não vou nesse jantar — Olívia decretou, sem olhar pra ninguém.Logan nem diminuiu o passo.— Vai sim. Porque você ainda está de castigo por ter batido em uma coleguinha.Olívia soltou um bufado tão perfeito que parecia ensaiado.— Eu não tenho coleguinhas.— Olívia.— Eu não tenho — ela insistiu. — E, se eu tivesse, certamente a Paloma não seria uma.Eu mordi o lado de dentro da bochecha pra não rir. Olívia tinha razão. Nem de longe ela era do tipo que usaria o termo “coleguinhas”.Caminhamos pelos corredores da escola, aquele labirinto de portas iguais, cartazes coloridos e cheiro de limpeza recente tentando disfarçar estresse infantil. Olívia foi diminuindo o ritmo conforme se aproximava de uma sala específica.— Essa é a minha sala — ela disse.Depois virou o
Capítulo 92
~ MAREU ~A primeira coisa que eu senti quando voltei para a mansão foi o cheiro.Comida. Papinha. Alguma coisa refogando com manteiga.A segunda foi o som: aquele barulhinho de bebê que não é choro nem riso, é só… existência.Eu segui o som até a cozinha e encontrei o Liam sentado na cadeirinha alta, com a papinha em frente e uma carinha séria de quem estava prestes a aprovar ou reprovar um prato num restaurante.Eu cheguei perto devagar, como se estivesse entrando num território sagrado.— Oi, senhor Novak pequenininho — eu falei, e fiz uma reverência dramática.Ele arregalou os olhos.Eu fiz uma careta.Ele mexeu as perninhas.E pronto: meu coração decidiu derreter.Eu comecei a brincar com ele de um jeito que eu nem planejei. Só saiu.— Cadê o sorriso? Cadê? — eu cantei baixinho, mexendo os dedos no ar, aproximando e afastando como se fossem passarinhos.William fez um som indignado, como se eu tivesse ofendido a honra dele.— Ah, é? Não gosta? — eu falei. — Então eu vou cantar.E
Capítulo 93
~ MAREU ~Se existia um universo paralelo onde sexta-feira à noite significava descanso, vinho e uma série ruim com legenda, eu tinha certeza de que ele não incluía a mansão Novak.Porque, na minha sexta-feira, eu estava de meia agachada no quarto da Olívia, tentando convencer uma criança de seis anos e meio a colocar um vestido sem transformar aquilo em um protesto político.E, como se vestir já não fosse humilhante o suficiente, tinha o detalhe novo: o jantar com a Paula e a irmã dela não ia ser na casa dos Rizzo.Ia ser aqui.Mudança de planos.Motivo oficial: William tinha passado o fim da tarde meio febril. Nada grave, segundo o pediatra, mas o suficiente para Logan entrar no modo “eu não saio do raio de dois metros do meu filho nem que me arrastem”.Motivo real, na minha opinião: Logan Novak não confiava mais em portas, pratos e coincidências. E eu não podia culpá-lo. Eu também tinha desenvolvido uma alergia emocional a qualquer coisa que parecesse “normal”.Olívia estava sentad
Capítulo 94
Meia hora depois a campainha tocou.Paula entrou primeiro, como se estivesse chegando a um evento que ela mesma produziu. Um sorriso impecável. Um vestido que parecia ter sido costurado com dinheiro. Paloma veio ao lado dela. Ela tinha apenas nove anos, mas postura de quem já tinha aprendido a ser maldosa em público com elegância. Atrás, Antônio Rizzo com cara de conselho de administração ambulante e uma mulher que eu só podia assumir que era a mãe. Cabelo arrumado, joias discretas (discretas no sentido “uma fortuna em miniatura”) e olhar avaliador.Paula olhou ao redor como quem aprova a decoração de um hotel.— Logan… — ela disse, com uma doçura que soava ensaiada. — Sua casa é linda.Logan respondeu com um aceno polido. Não era um aceno de “obrigado”. Era um aceno de “registrado”.Paula virou o olhar pra escada, pra Olívia, e o sorriso dela abriu mais um centímetro. O centímetro perigoso.— Olívia — ela disse, agachando um pouco como se quisesse ficar “no nível” da criança. — Eu tr
Capítulo 95
~ MAREU ~O silêncio depois do grito da Olívia foi tão pesado que eu senti vontade de pedir desculpas por ela.Tá, mentira. Não senti não.Antônio foi o primeiro a respirar de novo. Ele soltou uma risadinha curta, daquelas de homem que acha que consegue resolver tudo com desdém.— Que bobagem.Olívia girou o rosto devagar, com a calma de quem vai assinar um decreto.— Não é bobagem. Nós temos um contrato, não é, papai?Eu vi Marta arregalar os olhos um milímetro. Paula congelar no sorriso.Logan não pestanejou. Ele só assentiu, como se contrato infantil fosse item de rotina no calendário dele.— Claro.A palavra caiu na mesa com tanta naturalidade que ninguém conseguiu contestar na hora. Aí ele pareceu lembrar que tinha plateia adulta e fez o ajuste social, virando o olhar para Antônio.— Quero dizer… — ele disse, no mesmo tom calmo. — Você não espera que eu me case com alguém que não seja boa para a minha filha, não é?Antônio inclinou a cabeça, pego no próprio jogo.— Naturalmente..
Capítulo 96
~ LOGAN ~A palavra “uva passa” ainda pairava no ar como se tivesse sido deixada sobre a mesa junto com os talheres.A cadeira da Olívia tinha ficado ligeiramente fora do lugar. A porta lá em cima tinha batido. E, por alguns segundos, tudo o que eu ouvi foi o som educado demais das taças e o esforço coletivo de fingir que a cena não tinha acontecido.Marta abriu a boca como se estivesse prestes a oferecer mais uma lição sobre como criar filhos alheios. Eu não dei espaço.— A educação da minha filha diz respeito a mim — eu continuei. — E às pessoas a quem eu dou autorização para participar disso.Eu senti Paula se mexer ao meu lado, uma pequena tensão no ombro, como se aquela frase pudesse respingar nela também.— Logan… — ela tentou, baixo.Eu mantive o olhar em Marta.— E se a senhora entende tanto de educação — eu acrescentei, com a calma clínica que eu uso em reuniões difíceis — deveria saber que é falta dela ser invasiva na vida de quem mal conhece.O silêncio cortou o jantar como
Capítulo 97
~ PAULA ~O corredor parecia longo demais para uma casa que tinha sido projetada para que tudo fosse fácil.Eu fiquei a alguns passos da porta entreaberta do escritório, o suficiente para não parecer uma adolescente escutando conversa de adulto, mas perto o bastante para ouvir cada palavra que realmente importava.A voz do meu pai vinha baixa, contida, com aquela paciência que ele só usava quando precisava que alguém acreditasse que ainda tinha escolha.A voz do Logan, ao contrário, não tentava parecer paciente.— …desde que ela esteja disposta a conhecer a Olívia melhor. Do jeito certo.Do jeito certo.Eu quase sorri, de raiva.Não porque eu não entendesse o jogo. Eu entendia. Entendia tanto que me irritava ser obrigada a jogar em terreno que não era meu.Logan Novak estava colocando condições. Não em dinheiro, não em cláusulas, não em prazos. Em afeto.E afeto era o tipo de moeda mais cara porque não tinha tabela.O problema era que Olívia Novak não era uma mulher adulta ansiosa por
Capítulo 98
~ MAREU ~— O que eu estou fazendo aqui mesmo?A voz da Clara vinha com aquela mistura de desespero e curiosidade que só pessoas sensatas têm quando aceitam acompanhar a amiga em um plano que claramente não foi criado por alguém sensato.Eu empurrei o carrinho de mão… metafórico… que era a Olívia andando na minha frente com um nível de confiança perigoso para uma criança de seis anos e meio dentro de um shopping de gente rica.— Garantindo que eu saiba agir como pobre — eu respondi.Clara soltou uma risadinha, olhando em volta, para as vitrines que brilhavam como se as lojas fossem aquários e os peixes fossem pessoas que tinham dinheiro de sobra para respirar.— Agir como pobre é fácil — ela disse. — Você não tem dinheiro, você não gasta.Eu parei por um segundo, como se ela tivesse me dado um tapa filosófico.— Eu sei! — eu protestei. — Mas é difícil quando eu vou entrar em lojas de sapatos com a filha de um bilionário e apresentar Christian e Manolo pra ela.Clara franziu a testa.—
Capítulo 99
~ MAREU ~— Aniversário do seu pai?Olívia assentiu com uma naturalidade inconveniente.— Sim. Semana que vem.— Eu… eu não sabia — eu disse, porque, honestamente, eu não sabia. Eu tinha muitas informações sobre Logan Novak. Eu sabia o horário em que ele tomava café, o jeito como ele ficava quando ouvia a risada do Liam, o tipo de silêncio que ele fazia quando estava segurando uma emoção pela garganta.Mas data de aniversário? Não. Isso era categoria “intimidade” e eu ainda estava tentando entender onde eu cabia na vida dele sem ser atropelada por um terno.Olívia olhou para uma vitrine de loja masculina com a mesma seriedade com que avaliava um problema de matemática.— Você acha que ele prefere mais um terno ou um sapato?Meu cérebro travou.Porque a pergunta era simples, mas o universo que ela carregava era complicado.Eu virei a cabeça para Clara num pedido silencioso de socorro.Clara deu de ombros.— Eu não faço ideia.Obrigada por nada.Eu suspirei.— Tá — eu disse, tentando pa
Capítulo 100
Capítulo 100Nota da autora: Capítulo 100! Se você chegou até aqui, obrigada. De verdade! Ainda vem muita emoção pela frente e umas reviravoltas que eu estou doida pra dividir com vocês. E se quiser ficar mais pertinho, pode me adicionar no fb: kayla_sango~ MAREU ~Tá. Acontece que eu sei costurar.Não porque isso faça parte do combo “mulher perfeita sendo preparada para um casamento perfeito para a união de famílias perfeitas”.Talvez até fizesse, se eu tivesse nascido em 1920.No meu caso, eu só aprendi a costurar porque… era divertido.Começou na infância, com a minha babá me ensinando como se estivesse me passando um segredo mágico: uma agulha, uma linha, dois dedos de paciência e a capacidade de transformar um rasgo em algo que parecia proposital.Depois virou hobby.Uma customização aqui.Um remendo ali.Uma barra feita na véspera de um evento porque “não dá pra usar assim, Maria Eugênia, pelo amor de Deus”.E eu sempre achei fascinante a ideia de que você podia pegar uma coisa