All Chapters of Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva: Chapter 81
- Chapter 90
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Capítulo 81
~ LOGAN ~Eu corri com ela nos braços.Não foi uma corrida elegante. Não foi uma corrida de CEO que controla o próprio pulso e a própria imagem. Foi uma corrida de homem que só enxerga um ponto fixo no corredor e vai até lá como se a vida dependesse disso — porque dependia.O vapor ainda estava na minha roupa, no meu peito, na minha garganta. A Mareu estava quente demais contra mim. Leve demais. E o jeito como a cabeça dela tombava, como se o corpo tivesse desistido de sustentar o próprio peso, fazia um tipo de raiva subir pelo meu sangue que eu não tinha onde colocar.— Ei — eu murmurei, perto do rosto dela. — Fica comigo.Os olhos dela estavam meio apagando, mas ela virou o rosto um milímetro na minha direção. A boca mexeu como se ela estivesse achando engraçado que eu estava pedindo isso com tanta seriedade.— Fico — ela respondeu, quase um sopro.Eu apertei os braços ao redor dela, como se isso garantisse alguma coisa.A ala hospitalar do navio parecia longe demais para existir no
Capítulo 82
~ PAULA ~Meu pai entrou na minha cabine sem bater. Porque ele achava que o mundo devia abrir portas sozinho quando ele decidia.A porta fechou atrás dele com força suficiente para fazer o espelho vibrar um milímetro. Eu continuei sentada, com a perna cruzada, e o celular na mão escolhendo a melhor foto para postar.Ele não perdeu tempo com a parte educada da fúria.— Eu disse pra você esperar, não disse? — a voz veio baixa, perigosa, no tom que ele usava quando alguém tinha sido idiota perto demais do nome da família. — Eu disse que precisávamos de um plano discreto e você tenta MATAR Maria Eugênia Valença dentro de um spa?Eu levantei os olhos devagar.Sorri.Não por provocação, mas por pura curiosidade.— Deu certo? — eu perguntei.O músculo do maxilar dele travou.— É claro que não deu certo.Eu dei de ombros, um gesto mínimo. Aquele tipo de gesto que homens como ele confundem com insolência, mas que é só constatação.— Então alguém fez errado — eu disse. — Porque eu fiz tudo cert
Capítulo 83
~ MAREU ~No dia seguinte, eu acordei com duas certezas.A primeira: meu corpo tinha sido substituído por uma versão de mim feita de gelatina.A segunda: eu estava viva o suficiente pra odiar isso com convicção.A ala hospitalar tinha me liberado com um discurso que soava simples demais pra quem tinha passado a noite anterior quase virando notícia de jornal: hidratação, sombra, nada de calor, nada de álcool, nada de “esforço desnecessário”. O que, no vocabulário médico, significava: nada divertido.Só que o Asteria estava atracado.E a vista que entrava pela janela da cabine era indecente de bonita: praia de água clara, areia branca, aquelas palmeiras que parecem cenografia de comercial de turismo. O tipo de lugar onde até o trauma tenta fingir que está de férias.Olívia apareceu no corredor com um chapéu enorme na cabeça, óculos escuros e uma garrafinha térmica abraçada como se fosse um bebê.— Bom dia — ela disse. — Plano de ação: praia.Eu levantei uma sobrancelha.— Plano de ação.
Capítulo 84
~ MAREU ~E a tempestade veio. Lá fora e aqui dentro.Lá fora, o céu escureceu num degradê dramático, o mar ficou com aquela cor de metal polido e, quando o primeiro trovão estourou longe, foi como se o navio inteiro tivesse prendido a respiração junto com ele.E, por dentro de mim, alguma coisa também.Era a última noite no Asteria. Eu devia estar feliz por ter sobrevivido ao “spa versão VIP do inferno” e por estar inteira o suficiente pra usar vestido e fingir normalidade. Mas eu tinha aquela sensação de que o universo estava de olho.Olívia caminhava ao meu lado como se nada abalasse o mundo dela — exceto o fato de que o mundo dela tinha, em geral, a forma do pai. E, no caminho até o restaurante, ela olhou pro corredor como quem procura algo importante.— Onde o meu pai está? — ela perguntou, com o tom casual demais pra alguém que claramente não estava casual.— Ele teve uma reunião importante — eu disse. — Mas prometeu que chega pra sobremesa.O restaurante estava cheio, aquele ho
Capítulo 85
~ MAREU ~Eu ouvi meu nome na voz do Logan e, por um segundo, foi como se o restaurante inteiro tivesse virado um tribunal.— Mareu? O que está acontecendo?Eu vi o rosto dele assustado, vi os olhos procurando a Olívia com uma pressa que doía, vi as pessoas olhando como se estivessem assistindo a um espetáculo.E eu pensei uma coisa muito simples:Eu não tinha tempo de responder.Não tinha tempo de responder o Logan querendo explicações.Não tinha tempo de responder a Paula me chamando de incompetente com aquela “preocupação” ensaiada.Não tinha tempo de responder aos olhares julgadores de gente que só ama uma tragédia quando ela acontece na mesa do outro.Eu tinha que agir.Eu meti a mão na bolsa.O autoinjetor estava lá, no bolso que eu mesma tinha escolhido pra nunca ter que procurar. Porque o mundo podia ser caótico — e eu também — mas não quando se tratava de vida ou morte.Só que eu nunca tinha usado.Nunca.Eu tinha lido. Eu tinha visto vídeos. Eu tinha assistido mais de uma ve
Capítulo 86
~ MAREU ~Olívia voltou da ala médica com a dignidade de quem tinha passado por um pequeno apocalipse e decidiu que não ia pra ninguém o gostinho de se render.Ela estava melhor. Ainda pálida, ainda com aquele ar cansado que não combinava com a mania dela de parecer uma adulta em miniatura, mas respirando bem. E isso já fazia meu corpo inteiro querer desmoronar em silêncio.Logan carregou a filha até a cabine como se ela ainda pudesse quebrar no caminho. Eu fui do lado, com a bolsa apertada contra o peito e a sensação de que eu ainda estava escutando o som do meu próprio coração dentro do restaurante.No quarto dela, a gente ficou os três por perto, como se a presença fosse um cobertor extra.Olívia se enfiou na cama, com o cabelo bagunçado e o rosto limpo demais. Os olhos dela piscavam devagar, pesados.— Eu não gostei — ela murmurou, baixinho, sem olhar pra ninguém em específico.Logan se sentou na beirada da cama, a mão dele segurando a mão dela com cuidado, como se isso também fos
Capítulo 87
~ LOGAN ~A chuva do dia seguinte era fraca, insistente, quase educada — como se a tempestade da noite anterior tivesse decidido que já tinha feito barulho o bastante para uma viagem inteira.O Asteria estava atracado. A plataforma de desembarque estava molhada, escorregadia, e o ar tinha aquele cheiro de metal e mar que costuma marcar fim de evento e começo de realidade.Eu desci com Henrique ao meu lado, cercado por homens que sorriam com a naturalidade treinada de quem mede o mundo em ativos e oportunidade. O navio-vitrine tinha cumprido o papel que eu esperava: transformado luxo em argumento, experiência em planilha, desejo em negociação.— Foi um sucesso — Henrique disse, baixo, como se estivesse me lembrando de uma conclusão óbvia.Eu assenti, mas a minha cabeça não estava na lista de interessados nem nos números.Ela estava alguns metros à frente.Mareu caminhava com Olívia, Clara ao lado. As três falavam alguma coisa que eu não ouvi, e Olívia gesticulava com seriedade. Mareu s
Capítulo 88
~ MAREU ~— Te demitir?A pergunta do Logan veio com uma sobrancelha levemente arqueada, como se eu tivesse acabado de sugerir vender o Asteria no Mercado Livre.Eu fiquei parada no escritório dele com a dignidade de quem tinha ensaiado o fim do próprio emprego no caminho inteiro até ali — e agora estava descobrindo que talvez eu tivesse ensaiado a peça errada.— É — eu disse, tentando sustentar a minha certeza. — Você falou “precisamos conversar” com aquela cara de… de comunicado oficial.Logan soltou um som baixo. Aquela quase risada com a qual eu estava me acostumando.Eu respirei e, já que ele tinha perguntado, eu tentei recorrer à sabedoria popular. Porque nada dá mais confiança pra uma mulher prestes a ser demitida do que sabedoria popular.— Ué… como é aquele ditado? — eu comecei, fazendo a minha melhor cara de “sou brasileira e sei viver”. — Onde se ganha a carne… não se come o… o pão com ovo.O silêncio durou meio segundo.A boca do Logan tremeu.— Pão com ovo? — ele repetiu,
Capítulo 89
~ MAREU ~— Se casar?A palavra saiu da minha boca com um atraso ridículo, como se o meu cérebro tivesse recebido a frase, colocado numa fila de “processar depois” e, só então, decidido: ok, agora você pode reagir.Logan ficou ali, de pé, no próprio escritório, com aquela cara de quem tinha acabado de informar uma decisão de mercado. Sem tremor. Sem hesitação. Sem “desculpa”. Só… dado.Eu senti o baque no estômago. Não um baque dramático de novela — porque eu me recuso a ser uma protagonista que cai sentada no chão em câmera lenta — mas aquele baque discreto que faz o ar ficar mais fino.Se eu fechasse os olhos, eu ainda ouvia pedaços da conversa dele com Paula no navio. Ela falando com aquela calma de quem tem o mundo numa agenda, ele respondendo… ele respondendo como quem segura o próprio pescoço com uma gravata.Eu tinha ouvido “esposa”, mas eu subestimei.Primeiro: eu não levei tão a sério. Paula era claramente quem estava interessada. Ela brilhava de um jeito… programado. E Logan
Capítulo 90
~ MAREU ~Os dias seguintes tiveram uma qualidade estranha de “normalidade vigiada”.A rotina se ajustou do jeito que rotinas se ajustam quando alguém com dinheiro decide que a realidade vai obedecer.Mais segurança discreta no portão.Mais olhares que eu fingia não notar.Mais comida “verificada” com um zelo que faria uma mãe de primeira viagem parecer relaxada.E, no meio disso, Olívia sendo Olívia: uma criança de seis anos e meio que caminhava pela casa como se estivesse assinando contratos invisíveis com o universo.Na segunda-feira, Logan avisou que a reunião na escola finalmente aconteceria.A tal reunião com os pais da menina do bullying.A reunião que, em teoria, era sobre “convivência”, mas que, na prática, sempre vira um teatro onde adultos tentam parecer civilizados enquanto crianças observam e guardam tudo.— Você vai comigo — ele disse, naquela voz que não abre margem pra negociação.— Eu vou com você — eu respondi, porque eu sabia que se eu deixasse a Olívia sozinha naqu