All Chapters of Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva: Chapter 11
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Capítulo 11
~ LOGAN ~A casa estava em silêncio quando cheguei.Subi as escadas devagar, tirando o paletó e afrouxando a gravata. Mais um jantar de negócios interminável, mais uma conversa circular sobre fusões e aquisições que podia ter sido resolvida em um e-mail. Mas o mundo corporativo tinha suas regras, e eu jogava o jogo melhor do que a maioria.O relógio marcava quase meia-noite.Ainda assim, subi até o quarto do Liam. Era rotina. Mesmo com funcionários, babás, câmeras de segurança, eu precisava ver meus filhos antes de dormir. Checá-los. Ter certeza de que estavam bem.Abri a porta devagar.Liam dormia no berço, o rostinho virado para o lado, as mãozinhas fechadas em punhos minúsculos. A respiração tranquila, ritmada. Perfeito.Meu olhar foi para o sofá.E parei.Mareu estava ali, dormindo, a cabeça inclinada para o lado. E Olívia estava encaixada no braço dela, colada, o rostinho relaxado de um jeito que eu não via há meses.Algo apertou no meu peito.Me aproximei em silêncio, checando L
Capítulo 12
Estava na cozinha naquela manhã servindo o café de Olívia quando Helen apareceu.Olívia já estava sentada na bancada, arrumada para escola — uniforme impecável, cabelo preso naquele rabo de cavalo que eu tinha finalmente aprendido a fazer sem deixar torto. Ela mexia no tablet enquanto esperava o café ficar pronto.Helen entrou com aquela postura de quem se sente dona do espaço, foi direto para a geladeira e pegou uma mamadeira já preparada. Começou a aquecê-la numa panela com água quente no fogão, mesmo tendo uma estação completa de alimentação no quarto do Liam com aquecedor elétrico e tudo mais.Não perguntei por quê. Já tinha aprendido que Helen fazia questão de fazer as coisas do jeito dela, como se estivesse provando algum ponto invisível.Servi o café de Olívia — panquecas pequenas, frutas cortadas, um copo de suco de laranja — e coloquei tudo na frente dela.— Tenho uma coisa pra você — Olívia disse, sem tirar os olhos do tablet.— Hm? — murmurei, ajeitando a lancheira.Ela pux
Capítulo 13
Tecnicamente, eu não trabalhava aos sábados.Finais de semana eram minha folga oficial. Dois dias inteiros para fazer... o quê, exatamente?Sinceramente, eu nem sabia o que teria para fazer fora daquela casa. Não podia voltar para a minha família. Não podia aparecer em lugares que frequentava antes. Minha vida social tinha se resumido a ligações rápidas com Clara e doramas no celular.Por sorte, tinha a apresentação de Olívia.Fui até o quarto dela e bati na porta.— Pode entrar! — ouvi a voz dela, meio abafada.Abri a porta e parei.Helen estava ali, escova de cabelo na mão, tentando domar os fios de Olívia num penteado que parecia estar perdendo a batalha.— AI! — Olívia gritou, se encolhendo. — Você tá me penteando ou me punindo?— Já estou acabando — Helen disse, puxando mais um tufo de cabelo.— Mareu! — Olívia me viu e praticamente implorou. — Salva minha cabeça. Por favor.Ri, entrando no quarto.— Não vai reclamar se eu fizer um coque "dia de cabelo maluco"?— Se você não me d
Capítulo 14
Aquela vaca armou pra mim!Encostei a testa na porta do closet, o coração batendo acelerado, a raiva subindo pela garganta.Ela me prendeu aqui de propósito. Pra eu me atrasar. Ou não ir na apresentação da Olívia.Claro. É óbvio. Helen queria meu lugar. E que jeito melhor de conseguir do que me sabotando? Se eu cometesse uma falha dessa, Olívia jamais ia me perdoar. E o senhor Novak teria toda a razão para me demitir na hora.Respirei fundo, tentando pensar.Ok. Calma. Celular. Posso ligar para alguém.Merda.O celular estava na bolsa. E a bolsa estava em cima da cama de Logan, onde eu tinha largado antes de entrar no closet.Ótimo. Simplesmente perfeito.Olhei ao redor. O closet enorme, luxuoso, mas sem janelas. Sem saída alternativa. Só a porta trancada.Tudo bem. Só tem um jeito digno de sair daqui.Comecei a bater na porta.— Alguém! — gritei. — Alguém me tira daqui! Socorro!Silêncio.Bati mais forte.— SOCORRO! POR FAVOR!Nada.E então me lembrei de uma reportagem que tinha vist
Capítulo 15
Ao ouvir meu nome, percebi que Logan olhou primeiro.Não para mim. Para o local de onde a voz tinha vindo. Os olhos dele varreram a área como se tivesse sido puxado por um ímã, procurando a fonte.A distração perfeita.Me abaixei imediatamente, quase dobrando ao meio.— Cãibra! — gritei, levando a mão à panturrilha. — Cãibra!Me joguei de volta para dentro do carro, puxando a barra do vestido comigo.Logan entrou um segundo depois, franzindo a testa, claramente sem entender nada.— O que aconteceu?— Cãibra — repeti, sem olhar para ele, os olhos grudados na porta do carro, observando tudo do lado de fora. — Músculo. Coisa de gente... pobre de potássio.A pessoa que tinha chamado meu nome era minha prima Suzane.Suzane Valença. Alta sociedade desde o berço. Esporte favorito: humilhar qualquer um que ela considerasse inferior. Se ela descobrisse que eu estava trabalhando como babá, ia ser um escândalo familiar de proporções épicas.Aliás, nem importava o quê. Se ela descobrisse que eu e
Capítulo 16
O teatro não tinha saída de emergência para vergonha.Suzane estava perto demais. Confiante demais. O perfume dela invadiu meu espaço pessoal como se tivesse direito de estar ali.— Eu sabia que era você! — ela repetiu, os olhos brilhando com aquela satisfação predatória. — Por que você saiu correndo?Porque você é uma fofoqueira profissional e eu prefiro me jogar de um prédio a virar assunto na mesa de jantar da família novamente. — Suzane — disse, forçando um sorriso que doía nos músculos do rosto. — Que surpresa.Ela se aproximou mais, bloqueando minha saída com o corpo. Não precisou me tocar. O bloqueio era social, invisível, mas eficiente.— Depois de... tudo... — ela disse, pausando de propósito, saboreando cada palavra. — Você desaparece. Assim. Sem avisar ninguém.Tudo. Ela não ia dizer "fuga do seu casamento arranjado" em voz alta. Não aqui. Mas a palavra pairava entre nós como fumaça tóxica.— É — respondi, tentando soar casual. — Precisei de um tempo.— Um tempo — ela repe
Capítulo 17
~ LOGAN ~Assim que saímos do camarim e entramos no corredor mais vazio, soltei a mão dela.Imediatamente.Talvez rápido demais, porque senti aquele constrangimento leve subindo pela nuca, o tipo de sensação que eu não experimentava há tempos e que definitivamente não tinha intenção de analisar agora.Seguimos em direção aos camarotes em silêncio. Nossos passos ecoando no mármore polido do corredor vazio. Mareu ajeitou o vestido rosa queimado, olhando para as paredes decoradas, para os lustres, para o chão — para qualquer coisa que não fosse eu.O silêncio se esticou desconfortável até que ela finalmente perguntou, a voz saindo baixa, quase hesitante:— Por que você fez isso?Mantive os olhos fixos à frente, as mãos nos bolsos.— Não gostei da forma como aquela mulher falou com você. Quem é ela?— Uma prima — Mareu respondeu. — Uma prima... distante.A forma como ela disse "distante" arrancou um riso curto de mim.— Aquele tipo de prima que se forma em odontologia ou medicina e passa
Capítulo 18
O camarote parecia menor do que antes.Talvez porque agora não tivesse mais para onde olhar sem parecer que eu estava evitando alguma coisa. Ou alguém. Logan se sentou ao meu lado com a postura de quem ocupa espaços por hábito, não por necessidade. Reto demais. Quieto demais. Aquele tipo de silêncio que não é confortável, é estratégico.As luzes do teatro começaram a diminuir aos poucos, e um burburinho educado tomou conta da plateia. Mulheres ajeitando vestidos, homens se inclinando para cochichar, celulares sendo desligados com pressa fingida. Tudo normal. Tudo exatamente como devia ser.Menos eu.Menos ele.A anfitriã surgiu no palco com um sorriso largo e treinado, daqueles que sabem exatamente quando pausar para aplausos. A voz dela ecoou pelo teatro com clareza impecável.— Boa noite a todos. É uma alegria enorme receber vocês para a apresentação anual da nossa escola de balé…Logan apoiou os antebraços nas pernas, inclinando-se levemente para frente. Não parecia nervoso. Pareci
Capítulo 19
Lá estava Olívia, no meio de um mar de tule cor-de-rosa e sorriso forçado, as mãozinhas segurando a saia, o coque apertado demais, a tiara brilhando sob a luz. Pequena demais. Corajosa demais. E completamente entregue à própria coragem.Os olhinhos dela começaram a varrer a área dos camarotes, um por um, inquieta. Procurando.Pelo pai.E… talvez por mim.Senti um aperto no peito que não tinha nada de profissional. Nem de sensato.Eu não devia me sentir assim olhando uma criança que nem minha era.O silêncio no teatro ficou mais denso. O pianista ajeitou as mãos sobre as teclas. O público prendeu o ar, como se todo mundo tivesse combinado de virar estátua ao mesmo tempo.Eu aguentei exatamente três segundos.Levei os dedos à boca, enchi o peito de ar e assobiei alto, o tipo de assobio que certamente não constava no protocolo de etiqueta do teatro.— Uhuuul! Vai, Liv! — gritei, antes que meu bom senso pudesse me calar.O som cortou o silêncio como uma sirene. A cabeça da Olívia girou qu
Capítulo 20
Domingo sempre teve cara de ressaca moral pra mim.Não ressaca de festa, mas ressaca do tipo “o mundo lembra de uma coisa que você passou a semana inteira fingindo que não existe”.E o mundo, naquele domingo, lembrava de mães.A mansão estava silenciosa demais, com aquele silêncio caro de casa onde tudo funciona porque alguém invisível já fez funcionar antes. O sol entrava pelos vidros altos como se tivesse permissão, riscando o mármore impecável, e eu senti o mesmo desconforto de sempre: a sensação de estar num cenário que não foi feito pra alguém como eu.Ou pior: a sensação de estar num cenário que foi feito exatamente pra alguém como eu — e que eu tinha abandonado.Eu ouvi passos pequenos no corredor e nem precisei virar para saber quem era. Olívia tinha um jeito muito específico de existir: discreto, controlado, como se cada movimento fosse um contrato assinado com o próprio corpo.Ela apareceu na porta da sala com o cabelo preso num coque torto de criança, uma camisola que parec