All Chapters of Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva: Chapter 21
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Capítulo 21
Meu corpo inteiro congelou. Por um segundo, eu não consegui produzir som. Era como se eu tivesse ensaiado mil discursos e, no momento em que realmente precisava, eu tivesse esquecido até o meu nome.Do outro lado, silêncio. Um silêncio que claramente era de julgamento.Eu engoli seco.— Oi, mãe — minha voz saiu pequena, ridícula. — Feliz Dia das Mães.O silêncio do outro lado virou uma coisa viva.Quando ela falou, foi com uma calma que doeu mais do que qualquer grito.— Como você tem coragem?A palavra coragem, na boca dela, soou como nojo.— Eu… eu não devia ter ligado — eu disse, rápido, já tentando recuar, já tentando não existir.— Não devia mesmo — ela respondeu. — A verdade é que você não devia ter feito muita coisa, Maria Eugênia. Mas aqui estamos.Meu estômago virou.— Mãe…— Não venha com “mãe” — ela cortou. — Não venha desejar felicidades no dia de hoje. Você não tem esse direito depois do que fez. Você só me causou infelicidade. Você humilhou a nossa família.Eu fechei os
Capítulo 22
Eu corri pro meu quarto como se o corredor da mansão tivesse câmeras e Logan Novak fosse o tipo de homem que demite por telepatia. Fechei a porta e encostei as costas nela, respirando como se eu tivesse acabado de fugir de um crime.“Passe na sede da Novak. Leve seus documentos. Vou efetivar você.”Meu coração ainda estava naquela parte boa.“E a sua carteira de trabalho.”Meu coração morreu ali mesmo.Eu puxei o celular com a urgência de alguém que acabou de descobrir que existe prova surpresa na segunda-feira. Clara. Clara precisava existir no mundo exatamente pra momentos como esse.Liguei.E quando ela atendeu eu despejei tudo de uma vez, atropelando as palavras.— Mareu? — a voz dela veio com sono e desconfiança. — Você matou alguém?— Pior. Eu preciso de uma carteira de trabalho.Silêncio do outro lado.— …uma o quê?— Uma carteira. De trabalho — repeti, mais devagar, como se fosse o nome de um animal raro. — Pra amanhã. Com urgência.Clara soltou um som estranho que eu demorei
Capítulo 23
~ LOGAN ~Eu estava no escritório antes do prédio inteiro lembrar que existia.Aquela hora em que o ar-condicionado ainda não decidiu se vai congelar ou só humilhar, em que os corredores têm cheiro de café recém passado, e em que ninguém ousa falar alto porque as paredes de vidro fazem parecer que tudo é audiência.Eu gosto desse horário por um motivo simples: ele obedece.As folhas estavam alinhadas na minha mesa como um exército: relatórios, aprovações, contratos, uma proposta de parceria com números grandes o suficiente para virar manchete — e pequenos o suficiente para virar problema se alguém respirasse errado. Eu riscava, assinava, organizava. Eu não pensava.A porta abriu sem que batesse.Eu não levantei a cabeça. Não precisei.Só uma pessoa entrava no meu escritório assim.Henrique Alencar atravessou a sala e se jogou na poltrona à minha frente do jeito mais ofensivo possível para um ambiente que custava caríssimo por metro quadrado.— Acabei de ver a tal babá chegando pra pas
Capítulo 24
— Maria Eugênia Valença, certo?— Sim. Mas pode me chamar de Mareu.Ela sorriu, simpática de um jeito perigoso. Simpática o suficiente para fazer a gente baixar a guarda e acabar contando segredos sem querer.— Mareu… — ela repetiu — Engraçado. Não sei por que, mas seu nome me soa familiar.Eu ri nervosa— Acho que tem uma atriz com um nome parecido — inventei, no automático.A moça fez um “ah” vago, como se estivesse tentando puxar uma memória pelo cabelo.Meu nome não soava familiar por causa de atriz nenhuma.O problema é que nome viaja.Principalmente quando, em algum momento, ele passou perto de um escândalo familiar.Eu não fiquei pra ver o que aconteceu depois que eu fugi daquele casamento arranjado. Eu só… desapareci. Mas como eu não vi nada — nem uma notinha de Instagram, nem uma fofoca maldosa de portal, nem sequer um “suposto casamento cancelado” em lugar nenhum — eu sempre acreditei que minha família moveu todos os pauzinhos para a história não vazar.E, honestamente? A fa
Capítulo 25
Clara me mandou o número da sala onde trabalhava e eu fui até lá como quem vai até um porto seguro. A sede da Novak era um monstro de vidro e metal, mas o andar onde Clara ficava tinha um ar mais humano: mesas juntas, gente falando baixo, alguém rindo em algum canto, um cheiro de café que não era de máquina milionária — era de gente.Clara estava numa mesa, com duas telas abertas e uma cara de “eu prometi que ia entregar isso ontem”.— Mareu! — ela sussurrou, levantando só o olhar. — Eu tô terminando uma coisa. Cinco minutos e a gente almoça.Eu me joguei na cadeira ao lado dela, olhando ao redor.— Isso aqui é… normal — eu murmurei, como se tivesse acabado de descobrir uma espécie rara.Clara riu sem tirar os olhos da tela.— Bem-vinda ao mundo onde as pessoas têm chefe, boleto e crise de Excel.Eu observei os colegas dela: ninguém me olhando como “a babá”. Ninguém sabendo que eu tinha acabado de virar CLT por desespero e com ajuda de uma criança. Era só… uma sala. Um lugar.— Deu tu
Capítulo 26
— Você vai adorar o restaurante — Clara disse, apertando o passo. — É a sua cara.— Minha cara de quando? — Eu perguntei. — De antes ou de depois de eu virar CLT?Clara riu, aquele riso de quem não pode rir alto porque ainda está em horário comercial.— De antes. Restaurante de rica. Você vai se sentir em casa.Eu olhei para ela, atravessando a calçada com a minha pastinha fina na mão como se fosse um diploma falso.— Eu só não estava acostumada a uma coisa — eu disse.— O quê?— Pagar.Clara fez um gesto com a mão, como se eu tivesse dito “ai, que vento”.— Ah, não se preocupa. Eu cuido disso.Eu parei no meio do caminho.— Desde quando você tem dinheiro pra isso?— Eu não tenho — Clara respondeu, com a tranquilidade de quem anuncia que não tem extintor numa casa pegando fogo.Eu pisquei.— Então… a gente vai escolher lavar pratos ou fugir pela janela do banheiro?Clara sorriu. Um sorriso perigoso.— Nenhum dos dois. O senhor Novak e o senhor Alencar sempre almoçam lá — ela explicou,
Capítulo 27
Henrique estava parado perto da nossa mesa como se tivesse acabado de sair de um comercial de café caro.E eu soube. Soube do jeito mais cruel possível: do jeito que a sua alma sabe as coisas antes de você ter tempo de fingir.Ele tinha ouvido.O “Logan Novak é um puta de um gostoso” ainda estava ecoando dentro da minha cabeça como se eu tivesse gritado no microfone do restaurante inteiro.Eu peguei a taça de vinho como quem agarra um colete salva-vidas e tomei um gole grande demais, rápido demais, com a elegância de uma gazela desesperada.O vinho foi direto pro lugar errado.Eu engasguei.Tossi.E aquele som saiu alto o suficiente pra virar um anúncio: “Boa tarde, eu acabo de falar bobagem e agora estou morrendo por dentro.”Henrique inclinou a cabeça, educado, como se ele não tivesse acabado de testemunhar a minha humilhação pública.— Tá tudo bem?Eu balancei a cabeça afirmativamente, ainda tossindo, como se isso resolvesse.— Tá — eu consegui dizer. — Eu só… esqueci como se bebe
Capítulo 28
— Outra Clara — eu disse rápido. — Completamente outra. Nada a ver com essa. Eu conheço muitas Claras. Pelo menos umas… cinco.Clara arregalou os olhos para mim com a energia de quem queria me teletransportar para longe dali.Cinco, Mareu. Você escolheu cinco. Nem três. Nem duas. Cinco. Como se você morasse num condomínio de Claras.Logan franziu a testa, no modo planilha. Não era um franzir de testa normal. Era um “isso não fecha” corporativo.Henrique, ao contrário, parecia feliz. Não feliz com a confusão — feliz com a existência dela. Como se aquela fosse a sobremesa.— Cinco Claras? — Logan repetiu, com um sorriso de canto. — Isso é quase uma estatística.— É um… fenômeno social — eu disse, tentando soar casual. — Nome muito comum de uma geração, sabe.Clara emitiu um som estranho, algo entre risada e pedido de socorro.— Mareu… — ela tentou.— Enfim — eu interrompi, porque quando eu fico nervosa eu viro apresentadora de telejornal e começo a organizar a tragédia ao vivo. — Clara
Capítulo 29
Eu desliguei com a mão tremendo e peguei a bolsa com pressa demais, derrubei o guardanapo no chão e nem me abaixei. O meu corpo estava inteiro no colégio, só a minha pele ainda estava ali.E Logan… Logan já estava de pé, como se a ligação tivesse sido pra ele.— Vamos — ele disse, curto.— Eu… eu vou chamar um Uber — eu comecei, porque meu cérebro gosta de falar frases inúteis em momentos de pânico. — Eu combinei com o motorista só mais tarde…Logan já tinha a chave na mão.— Eu estou de carro.Logan não esperou elevador. Foi na escada. Eu fui atrás, tropeçando na própria dignidade.No estacionamento, ele abriu a porta do carro como se o metal fosse culpado pelo atraso.— Entra.Eu entrei. Ele bateu a porta. E, quando ligou o carro, o mundo virou velocidade.— Ela se machucou? — ele perguntou, já saindo com o carro.— Eu não sei. Eu não entendi direito. A ligação tava...— O que disseram?— Eu não sei. Tava falhando e...Logan trancou o maxilar.— Quem falou? Uma professora? A diretor
Capítulo 30
~ LOGAN ~A frase da Olívia não saía da minha cabeça.Eu já tinha assinado contratos com oito zeros, fechado aquisições em ligação de quinze minutos e decidido destinos de centenas de pessoas com um “sim” ou “não” dito no tom certo. Mas nada disso exigia o tipo de coragem que aquela frase exigia.“E às vezes eu acho que… não tenho pai também.”Eu abri o mesmo documento pela terceira vez. Li as mesmas linhas. Não absorvi nada. O cursor piscava na tela como um deboche.Era isso que eu fazia. Eu ocupava a mente até ela ficar cheia demais para qualquer coisa que importasse entrar. Transformava dor em agenda, culpa em reunião, luto em planilha.Meu nome foi dito ao longe. Uma vez. Duas. Três, até a palavra atravessar o vidro da minha concentração e me puxar de volta ao escritório.— Logan.Levantei os olhos.Henrique estava sentado na cadeira em frente à minha.— Você entrou sem bater — eu observei.— Eu bati. Você ignorou. — Ele apontou para a tela. — Tá, vamos fazer uma pausa. Você tá co