All Chapters of Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva: Chapter 1
- Chapter 10
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Capítulo 1
— Eu nunca fui tão humilhada na minha vida! — A mulher que acabara de sair da sala de entrevistas praticamente gritou isso ao passar pela recepção como um furacão.As outras candidatas se entreolharam. Algumas ajeitaram a postura. Outras checaram os currículos pela décima vez. Todas pareciam prontas para desistir.Eu? Eu estava sentada numa cadeira desconfortável demais para um prédio tão chique, com uma barra de chocolate meio derretida na mão, que eu beliscava compulsivamente porque meus nervos estavam em frangalhos.Calma, Mareu. Você consegue.Mentira. Eu não conseguia. Mas também não tinha escolha.Minha amiga Clara tinha me arranjado essa entrevista para digitalizar papelada no RH da empresa onde ela trabalhava. Algo temporário, entediante, mas era dinheiro. E era melhor do que continuar dormindo no sofá apertado dela, comendo miojo.Ouvi a mulher ao meu lado suspirar alto e murmurar para outra candidata:— Não sei se vale a pena tudo isso por uma vaga de babá de duas crianças b
Capítulo 2
Duas horas.Foi esse o tempo que levou para eu me arrepender oficialmente de ter aceitado aquele emprego.E, honestamente, uma hora e meia eu passei sentada na frente da mesa do senhor Novak, ouvindo-o listar as regras da casa.Depois de uns trinta minutos, meu cérebro começou a traduzir tudo como "horário das crianças, blá blá blá, pouco açúcar, blá blá blá, rotina, responsabilidade, blá blá blá, não morra, não deixe ninguém morrer"... enquanto uma parte completamente imbecil de mim só pensava em como era injusto alguém ser tão bonito e tão irritante ao mesmo tempo.Sério. Como é possível que o homem ficasse ainda mais atraente quando estava sendo absolutamente insuportável?— Você entendeu tudo, Mareu?Pisquei, voltando à realidade.— Sim! Claro. Tudo.Mentira. Eu tinha entendido "bebê" e "não morrer". O resto era névoa.Ele me olhou por um longo momento, como se tentasse decidir se eu era incompetente ou apenas distraída. Provavelmente optando por ambos.— Ótimo — disse, com aquela
Capítulo 3
— Senhorita Mareu?Não, não, não, não…— Você quer me explicar o que está fazendo?Queria? Não. Podia? Também não. Precisava? Infelizmente, sim.— Tomando… banho?A resposta saiu patética, constrangida, e eu queria que o chão de mármore se abrisse e me engolisse junto com a espuma.Senhor Novak continuou parado na porta, os olhos verdes fixos em mim com uma mistura de incredulidade e irritação.Engoli seco e tentei me explicar:— Eu tive um pequeno acidente trocando o Liam... O menino tem uma mira certeira, sabe? Mas ele já está bem, está dormindo, e eu achei que poderia… tomar um banho rápido antes de… continuar… eu...Quanto mais eu falava, pior ficava. As palavras saíam atropeladas, sem nexo, e eu só conseguia pensar em como aquilo tudo parecia ridículo.— E você achou que o meu banheiro era o lugar ideal para isso?A voz dele era controlada, seca, cortante.Porta elegante. Quarto enorme. Banheiro de mármore.Claro que não era o quarto da babá. Babá nenhuma tinha banheira de mármor
Capítulo 4
— Acho que do jeito que as coisas vão, eu não duro até meia-noite.Olívia inclinou a cabeça, pensativa, como se estivesse ponderando uma questão complexa de matemática.— Que pena.Aquilo me pegou desprevenida. Pisquei, surpresa, afastando uma mecha de cabelo molhado do rosto.— Por quê? Você... quer que eu fique?Ela deu de ombros, com aquela naturalidade assustadora de criança que fala verdades sem filtro.— Não ligo. Mas meia-noite eu já estou dormindo.Franzi a testa, tentando entender onde ela queria chegar.— Como assim?— Gosto de assistir.— Assistir o quê?— Meu pai demitindo as babás.Ah. Claro. Porque minha vida não podia ficar mais humilhante.A filha do meu patrão tinha um hobby. E esse hobby era me ver sendo despedida. Provavelmente comendo pipoca.Respirei fundo, tentando manter algum resquício de dignidade enquanto a água do meu corpo e cabelo continuava formando uma poça aos meus pés.— Ótimo — murmurei. — Então eu vou me esforçar pra, pelo menos, sobreviver até o caf
Capítulo 5
A noite foi infernal.Não do tipo "dormi mal" ou "acordei algumas vezes". Foi do tipo "será que vou sobreviver até o amanhecer ou vou desmaiar de exaustão no meio do quarto?"Descobri, pela dor, que oitenta por cento do choro noturno de bebê é fome.Choro 1, às duas da manhã: fome.Choro 2, às quatro: fome de novo.Choro 3, às cinco e meia: fome disfarçada de drama existencial.Entre uma mamadeira e outra, cambaleei pelo quarto escuro, tropeçando na beirada do tapete, derrubando coisas, tentando não acordar completamente porque sabia que teria que levantar de novo em pouco tempo.Às seis da manhã, quando Liam finalmente adormeceu feito um anjinho inocente, fiquei debruçada na grade do berço, olhando para aquele rostinho tranquilo. As bochechas rosadas, os cílios longos descansando sobre a pele macia. Ele parecia a criatura mais pacífica do universo.— Agora você dorme, né, criatura? — murmurei, passando a mão pelo rosto cansado. — Se eu tivesse metade da sua liberdade pra gritar por m
Capítulo 6
Terminamos o café em silêncio constrangedor. Olívia mastigava as frutas em formato de estrela com aquela calma irritante de quem assistiu a tudo e se divertiu. Eu tentava desaparecer na cadeira, ainda segurando o copo vazio como evidência do meu crime.Quando Senhor Novak voltou para a cozinha, já completamente vestido com um novo terno, eu quis enfiar a cabeça dentro do forno e ligar no máximo.Ele parou na entrada, me olhou, e disse com aquela voz controlada que era pior do que qualquer grito:— A boa notícia é que o terno é lavável. A má notícia é que a minha impressão de você não é.Fez uma pausa, os olhos verdes fixos em mim.— Lembre-se, Mareu: você está em período de teste nessa casa. Se continuar cometendo erros atrás de erros, eu não garanto nada.Engoli seco, sentindo o peso de cada palavra.— Sim, senhor Novak.Ele se afastou para pegar uma xícara de café na máquina, e foi quando Olívia se inclinou na minha direção, sussurrando baixinho:— Ele não tá tão bravo quanto tá faz
Capítulo 7
Casamento arranjado.As palavras ecoavam na minha cabeça enquanto caminhava pelo estacionamento da escola ao lado de Olívia, segurando a mão pequena dela.Senhor Novak estava pesquisando muito mais sobre a minha vida do que apenas ligando para uma suposta patroa antiga para saber das minhas referências? Isso não era justo. Essa parte da minha vida era pessoal demais. Privada.— Eu nem gosto de balé, foi papai quem me obrigou a fazer.A voz de Olívia me trouxe de volta ao presente. Olhei para baixo. Ela andava ao meu lado, a mochila nas costas, os olhos fixos no chão de concreto do estacionamento.— Ele sempre fala 'claro, claro'. Normalmente ele esquece.Meu coração apertou.Não era a primeira vez. Dava para perceber pela forma como ela falou, tão naturalmente, como quem já tinha internalizado completamente a ideia de "não vou criar expectativa porque sei que vai doer menos depois".Era uma sabedoria triste demais para uma criança de seis anos.— Sei bem como é alguém decidir sua vida
Capítulo 8
O motorista me deixou de volta na casa cerca de meia hora depois.Subi direto para o quarto do Liam. A governanta tinha explicado na véspera que uma babá assistente ficaria com ele sempre que eu precisasse sair para levar ou buscar Olívia. Fazia sentido, o bebê não podia ficar sozinho.Abri a porta devagar.Uma mulher de uns vinte e cinco anos estava sentada na poltrona ao lado do berço, mexendo no celular. Uniforme impecável: calça preta, blusa branca, tênis branco. Cabelo loiro preso num rabo de cavalo alto, maquiagem discreta, mas bem-feita. Ela levantou os olhos quando me viu entrar, e o sorriso que se formou no rosto dela não chegou nem perto dos olhos.— Ah, você deve ser a Mareu — disse, colocando o celular de lado e se levantando. — Eu sou a Helen. Babá assistente.Estendeu a mão. Apertei, sentindo os dedos dela frios e firmes demais.— Filha da governanta — ela acrescentou, como se isso explicasse sua presença, seu direito de estar ali. — Cuido do Liam quando você precisa sai
Capítulo 9
Desci as escadas com a sensação clara e inconfundível de: pronto, a cadeira giratória rodou.Meus passos ecoavam no corredor silencioso. A casa era enorme, mas naquele momento parecia ainda maior, como se o caminho até o escritório do senhor Novak tivesse se multiplicado por dez. Cada passo me levava mais perto da minha demissão iminente.Cheguei na porta do escritório. Estava entreaberta.Respirei fundo, bati levemente na madeira e espiei para dentro.Senhor Novak estava sentado atrás da mesa enorme de mogno, os olhos fixos na tela do computador, digitando algo com aquela precisão irritante de quem nunca erra uma vírgula.Ele não disse nada. Não levantou os olhos. Não fez nenhum gesto indicando que eu deveria entrar ou sentar... ou existir.Fiquei ali parada na porta, segurando a maçaneta, sentindo o constrangimento crescer a cada segundo de silêncio.Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade mas provavelmente foram apenas quinze segundos, ele parou de digitar.Levantou os olh
Capítulo 10
Os dias seguintes foram uma mistura estranhamente coordenada de mamadeiras de madrugada, tentativas de não cair nas escadas de tanto sono e pequenas vitórias que ninguém coloca no currículo.Aprendi onde ficavam as coisas na casa sem me perder tanto. Descobri que a despensa ficava no segundo corredor à esquerda, não à direita. Parei de dar tantos foras com o senhor Novak — ainda tropeçava nas palavras quando ele aparecia de repente, mas pelo menos não jogava mais líquidos nele. A governanta já não me olhava como se eu fosse explodir a cozinha a qualquer momento, o que eu considerava uma vitória diplomática significativa.E então fui promovida.Promovida a dar o primeiro banho sozinha em Liam.Normalmente era Helen quem cuidava disso. Mas no dia em que ela saiu mais cedo por algum compromisso misterioso, eu tive que assumir.Admito: foi mais difícil do que parece.Fiquei ali parada no banheiro, olhando para a banheirinha de bebê já cheia de água morna, o Liam no meu colo enrolado na to