All Chapters of Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva: Chapter 31
- Chapter 40
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Capítulo 31
~ HENRIQUE ~Assim que a porta do elevador engoliu Logan Novak, o andar pareceu respirar de novo.Não porque ele fosse um monstro — embora muita gente no prédio apostasse que sim —, mas porque Logan carregava um tipo específico de gravidade. Ele entrava num ambiente e as coisas se alinhavam: papéis, pessoas, intenções. Até o ar ficava mais eficiente.Eu voltei para a minha sala com essa sensação grudada na nuca e fechei a porta atrás de mim.Sentei, encostei os dedos na mesa e fiquei olhando para o nada por exatos três segundos, como se isso fosse uma pausa. Não era. Pausa de verdade é quando a cabeça para de trabalhar. A minha não parava.O nome tinha batido na minha retina como placa de trânsito: rápido, inevitável, impossível de “desver”.Eu não tinha visto de propósito. O RG tinha escorregado da pasta da Mareu, eu me abaixei, peguei, entreguei… e meu cérebro, maldito, fez o que sempre fez: leu. Registrou. Catalogou.Maria Eugênia Valença.Eu tinha fingido normalidade, porque a alt
Capítulo 32
~ LOGAN ~Eu cheguei em casa cedo demais para o que eu estava habituado.A mansão estava naquele silêncio de fim de tarde — ar-condicionado perfeito, piso que não range, funcionários que se movem como se tivessem sido treinados para não existir. Em dias normais, eu apreciaria. Hoje, parecia incomodo.Eu atravessei o hall e encontrei Olívia na sala, sentada com um caderno aberto e uma caneta na mão, como se “suspensa” fosse só um detalhe administrativo.Mareu estava perto, com aquele jeito dela de estar presente sem parecer submissa: atenção no ambiente, mas sem pedir permissão para ocupar espaço.Olívia levantou o olhar primeiro. E eu vi ali, ainda antes de qualquer palavra, o eco do que ela tinha me dito. A frase que vinha me atormentando o dia inteiro.Às vezes eu acho que não tenho pai também.Eu engoli. Não era o tipo de coisa que se resolve com “filha, me desculpa”. Eu não era bom com o que não tinha protocolo.Então eu fiz o que eu sempre fazia: comecei pela logística.— Amanhã
Capítulo 33
Capítulo 33 ~ Henrique ~Clara ficou me olhando como se eu tivesse acabado de falar que a lua era um projeto do conselho.— O quê? — ela disse. Uma vez. — O quê? — repetiu, mais alto. — Espera… o quê?Eu apoiei a caneta no papel e esperei. Não por paciência. Por estratégia. Gente em choque fala sozinha se você der espaço.— Como assim… — ela começou, e a frase morreu no meio, porque não tinha como terminar sem virar loucura. — Mareu ia se casar com… com o Senhor Novak?Eu fiz um som pequeno, quase um “é”.Clara levou a mão à boca, tirou, levou de novo. Parecia que o corpo dela não sabia onde estacionar.— Como melhor amiga dela… você não sabia disso? — eu perguntei, em tom de brincadeira, só pra ver se ela se irritava e saía do transe.— Não! — ela soltou no impulso, e logo se corrigiu, tropeçando nas próprias palavras. — Quero dizer… sabia. Quero dizer… COMO VOCÊ SABE?Agora sim. Finalmente a pergunta certa.Eu dei um sorriso torto.— Logan Novak… meu melhor amigo. É difícil alguém
Capítulo 34
Eu reconheci antes mesmo de ver: aquele burburinho de gente se despedindo com abraços longos demais, malas rodando, crianças correndo, alto-falantes chamando nomes que ninguém atende. Cruzeiro tem isso. Parece férias até pra quem tá indo trabalhar, e talvez por isso mesmo seja perigoso.Olívia caminhava do meu lado com a mochila nas costas e uma cara de quem tinha sido condenada a conviver com seres humanos.— Você tá fazendo essa cara desde ontem — eu comentei, só pra cutucar.— Não é cara. É a minha opinião — ela respondeu, sem olhar pra mim.Eu sorri. Ela era tão pequena e já falava como se assinasse comunicado oficial.E aí eu vi.Do outro lado da passarela, imenso, branco, com janelas alinhadas como dentes perfeitos… o nome pintado na lateral.M/S NOVAK ASTERIA.Meu passo desacelerou sem eu perceber.Eu já tinha estado em cruzeiros demais para me impressionar com isso. Mas eu definitivamente estava impressionada com o fato de ele ter o sobrenome do homem que pagava meu salário.—
Capítulo 35
Capítulo 35A porta da cabine fechou atrás de nós com um clac macio.Olívia largou a mochila no primeiro sofá que viu como se estivesse em casa. Ou como se estivesse invadindo território inimigo com confiança de quem venceria qualquer conflito.Eu, por outro lado, fiquei parada por meio segundo, tentando entender se eu tinha acabado de entrar numa cabine… ou num apartamento.Porque, sim: era uma cabine. Uma cabine familiar, como solicitado pelo senhor Novak. Uma cabine. O meu cérebro tinha feito questão de gritar isso no corredor, como se “cabine” significasse “um cômodo com duas escovas de dente brigando por espaço”.Mas ali dentro… era outra história.Tinha uma sala de estar com sofás claros e uma mesa baixa com frutas já arrumadas como se alguém tivesse preparado aquilo para uma foto de catálogo. Tinha um bar minúsculo com garrafas de bebidas caras. E tinha uma escada discreta, elegante demais pra ser chamada de escada, subindo para um segundo andar.Olívia foi direto para a escada
Capítulo 36
O brunch VIP parecia ter sido montado por alguém que acreditava que a humanidade só evoluiu de verdade depois de inventar salmão defumado e taças de cristal.A mesa era grande o bastante para abrigar um acordo internacional, mas ali estávamos nós cinco e, pelo jeito que Logan Novak segurava a xícara, ele preferia estar assinando um contrato de fusão do que dividindo croissant com… convidados.Henrique se acomodou com a facilidade de quem conhece o dono da casa (ou do navio) e todas as portas de saída. Clara, ao lado dele, estava com aquele sorriso bonito e perigoso de quem entrou num lugar errado e decidiu agir como se o lugar estivesse errado por não ser dela.Olívia, claro, parecia a única perfeitamente no seu habitat natural.Ela mordiscava uma uva como se estivesse analisando um relatório.Logan não disse nada. Não precisava. A irritação estava ali, polida, encaixada no maxilar, nas pausas longas demais antes das frases.Eu me mantive… eficiente. Invisível. As duas coisas que eu t
Capítulo 37
~ LOGAN ~O comentário da Olívia caiu na mesa com a precisão exata de uma criança que não sabe onde está atingindo.— Se você quer perguntar se o tio Henrique tá saindo com a sua amiga Clara, pergunta logo.Clara se engasgou no mesmo instante, levando o copo à boca como se o suco tivesse decidido atacá-la por conta própria. Henrique bateu de leve nas costas dela, rindo de um jeito que era metade nervosismo, metade “minha vida é uma comédia ruim”.Mareu ficou com um sorriso congelado, aquele sorriso que as pessoas usam quando percebem que estão no centro de algo.Eu não gostei da cena por motivos demais. Pela exposição. Pelo descontrole. Pela sensação de que havia uma história sendo contada na minha frente e eu estava recebendo apenas as legendas cortadas.— Liv — eu disse, com calma treinada. — Vamos focar no brunch.Ela me encarou como se “focar no brunch” fosse uma ordem absurda.Henrique aproveitou o barulho do ambiente para aliviar:— Crianças são assim. Diretas. Sem filtros.— Di
Capítulo 38
~ LOGAN ~Henrique ainda estava com a frase pela metade quando eu vi o sorriso vindo na nossa direção.Não era qualquer sorriso. Era aquele sorriso treinado, calibrado, de quem cumpre agenda e faz parecer que está se divertindo. Acompanhado por um corpo que ocupava espaço com a naturalidade de quem está acostumado a ser atendido antes de pedir.— Henrique — eu interrompi, baixo, sem tirar os olhos da aproximação — o senhor Barbosa está vindo pra cá.Henrique fechou a boca devagar, como se eu tivesse colocado um selo numa caixa prestes a explodir.— Logan, eu preciso...— Eu sei. — Eu não sabia, mas a palavra “sei” era útil em situações assim. — Mas eu preciso dar uma atenção especial pra ele. E à tarde eu vou levar a Olívia na piscina. A gente se fala depois, ok?Henrique estreitou os olhos, irritado com a minha capacidade de adiar qualquer coisa incômoda com a mesma elegância com que eu assinava um contrato.— Mais tarde hoje.— Tomamos um drink antes do jantar — eu completei, já aju
Capítulo 39
~ LOGAN ~Por um segundo, eu achei que era só um ângulo.Que a cabeça dela estava atrás de alguém. Que a luz tinha refletido errado. Que eu tinha piscado no momento exato em que ela mergulhou.Eu varri a piscina com os olhos, uma vez. Duas. Rápido demais para parecer normal. Lento demais para parecer controle.Nada.Nem o cabelo escuro emergindo, nem uma risada, nem o movimento pequeno que era só.O meu sangue gelou.Eu dei dois passos até a borda, procurando o rosto dela entre as pessoas.— Olívia?O nome saiu baixo, contido, como se o volume pudesse resolver a situação.Nada.E e aí foi instinto: eu acionava coisas. Eu resolvia crises. Eu não parava para entrar em pânico, eu transformava pânico em ação.— Segurança. Agora.Eu nem lembro se eu falei com o gerente da área VIP ou direto no rádio do staff. Só lembro do som da minha própria voz e da velocidade com que o navio, que parecia tão tranquilo, mudou de frequência.Funcionários se mexendo. Olhares. Um segurança vindo na direção
Capítulo 40
~ MAREU ~Olívia chamou de laboratório com a mesma naturalidade com que outras crianças chamariam de parquinho.— Não é “acampamento” — ela me corrigiu pela terceira vez, enquanto eu ajeitava a pulseirinha de acesso no pulso dela. — É um programa de imersão noturna em atividades estratégicas.— Claro — eu disse, segurando o riso. — E eu sou uma astronauta temporária.Ela me olhou como se estivesse me dando a chance de reformular essa falta de respeito.— Você não precisa fazer piada com tudo.— Eu não faço piada com tudo — menti.O “laboratório” ficava numa área do navio que parecia ter sido desenhada para convencer pais culpados de que deixar os filhos com monitores desconhecidos era, na verdade, uma escolha educacional. Luz indireta, placas bonitas, gente com crachá sorrindo como se a felicidade fosse um requisito de contratação.Logan tinha deixado Olívia ir por dois motivos que eu reconhecia mesmo sem ele dizer.Um: o clima entre os dois estava ruim.Dois: ele não tinha energia pa