All Chapters of Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva: Chapter 41
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Capítulo 41
~ HENRIQUE ~O bar do deck executivo era bom. Não “bom para um navio”, bom de verdade.Luz baixa, música que não incomodava ninguém importante, e garçons que surgiam antes mesmo de você perceber que estava com sede. A especialidade da casa era fazer o luxo parecer inevitável.Eu cheguei no horário combinado porque, diferente de certas pessoas que eu conhecia, eu ainda acreditava em promessas.Pedi um drink que parecia mais um conceito do que uma bebida e escolhi uma mesa com vista para o mar, do tipo que Logan Novak chamaria de “estratégica”. Não porque eu estava ansioso por um coquetel (embora eu nunca recusasse) mas porque eu estava ansioso por acabar com aquilo.Eu tinha uma bomba no bolso, e Logan vinha caminhando pela vida como se nada pudesse explodir dentro do próprio navio.Olhei no relógio.Cinco minutos.Dez.Quinze.O copo já estava pela metade quando meu humor começou a mudar de “ele atrasou” para “ele está me evitando”.E isso… isso era perigoso.Porque eu conhecia Logan.
Capítulo 42
~ LOGAN ~Eu nunca tinha visto a Mareu assim.Não “sem maquiagem” ou “de cabelo preso”, isso eu já tinha visto. Eu queria dizer… solta. Ligeiramente desalinhada, mais quente, mais presente no próprio corpo. Como se os drinks tivessem desligado um interruptor que eu nem sabia que existia nela — e, pior, em mim.O copo dela balançava devagar entre os dedos, e o meu também. Eu não estava bêbado a ponto de tropeçar nas palavras, mas estava alto o bastante para perceber que meus freios tinham ficado… menos confiáveis.— Isso aqui é bom demais — Mareu anunciou, encarando o líquido como se fosse uma revelação. — Eu não bebia algo tão bom desde que eu fugi de casa.— Fugiu de casa?Ela apontou o copo para mim, como se eu tivesse acabado de cometer uma indiscrição.— Essa é a minha ferida, senhor Novak.Eu arqueei uma sobrancelha, e a boca quase quis sorrir sozinha.— Logan — eu corrigi, mais baixo do que pretendia. — Pode me chamar de Logan.Mareu piscou, como se aquela permissão fosse um eve
Capítulo 43
~ MAREU ~ O beijo começou devagar, quase cuidadoso, como se Logan estivesse testando se eu ia recuar.Eu não recuei.E foi aí que tudo mudou.Ele puxou minha cintura com uma força que não era violenta, era urgente, desesperada, como se eu fosse escapar se ele não me segurasse direito. Meus dedos foram pro cabelo dele sem pedir permissão, afundando nos fios escuros, puxando de leve, e o som que saiu da garganta dele foi baixo, gutural, primitivo.Eu senti o corpo inteiro acordar de uma vez.As mãos dele desceram pelas minhas costas, firmes, quentes, memorizando cada curva como se ele tivesse esperado uma vida inteira pra poder tocar. Os dedos dele encontraram a bainha da minha blusa e puxaram pra cima sem cerimônia, interrompendo o beijo só o tempo suficiente pra arrancar o tecido por cima da minha cabeça.<
Capítulo 44
~ MAREU ~Eu acordei com o corpo lembrando antes da minha cabeça.Uma dorzinha gostosa aqui, outra ali. Nos lugares certos. E aquela sensação absurda de que eu tinha acabado de viver uma coisa boa demais pra ser minha. O lençol estava morno. O ar tinha cheiro de… ele. De nós.Eu pisquei, devagar, ainda meio boba, e virei o rosto.Logan Novak.Deitado ao meu lado como se isso fosse normal. Como se eu não tivesse atravessado uma linha que eu vinha fingindo que nem existia.A parte questionável não era ele. Infelizmente, a parte questionável era o “e agora?”.Eu levei a mão ao rosto e murmurei, pra mim mesma, com a clareza dramática de quem sempre aprende tarde:— Merda.Saí do lençol com cuidado, tentando não pensar em nada além de sair dali. Meu cérebro insistia em replay, e eu tentei desligar como se fosse um filme impróprio em horário indevido.Calça. Onde estava minha calça?Eu a encontrei no chão, junto com a calcinha. Peguei as duas como quem recolhe provas de um crime. Fui vestir
Capítulo 45
~ LOGAN ~O quarto ficou em silêncio por um segundo inteiro.Do tipo que não é falta de som, é falta de ar.Ele me encarou como se eu tivesse dito que o navio estava afundando e eu era o responsável. A expressão assassina de sono foi sumindo, substituída por outra coisa: avaliação rápida, instinto de crise.— Você… o quê? — ele disse, agora mais acordado do que eu gostaria.Eu fiquei na porta, ainda com o corpo duro, como se qualquer movimento pudesse transformar aquilo em algo ainda mais ridículo.— Transei com a babá dos meus filhos — repeti, mais baixo, e odiei a facilidade com que a frase saiu na segunda vez. Como se repetir diminuísse a gravidade.Ele passou a mão pelo rosto devagar, tentando organizar as ideias.— Entra — ele falou, saindo do vão da porta. — E me explica isso como se eu fosse um adulto, por favor.Eu entrei. Ele fechou a porta.— Eu não sei lidar com isso — eu disse, e o ódio em mim foi imediato. Eu não dizia esse tipo de frase. Eu resolvia.— Isso eu já entendi
Capítulo 46
~ MAREU ~Eu andei pelo corredor como quem acabou de fugir de um incêndio que, tecnicamente, eu mesma comecei.O carpete era macio demais pra uma pessoa em crise. As luzes eram baixas demais pra uma pessoa com vergonha. E o pior: eu estava sóbria o suficiente pra lembrar de tudo e ainda assim… com o corpo inteiro conspirando contra a minha dignidade.Minha mão tremia no celular. Eu digitei o nome da Clara como se fosse um botão de pânico.Liguei.Chamou uma vez.Duas.Três.Eu ia desligar quando ela atendeu com a voz de quem acordou no susto e já odiou o mundo antes mesmo de abrir os olhos.— Mareu?— Eu fiz merda.Do outro lado, silêncio. Aqueles dois segundos em que você sente a pessoa avaliando “merda” em categorias.— Você matou alguém? — Clara perguntou, a voz mais alerta.— Não!— Você foi presa?— Não!— Então você transou.Eu parei no corredor.— Clara...— Vem pra minha cabine. Agora — ela cortou. — Agora, Maria Eugênia. Antes que você tenha uma crise e pule no mar ou faça um
Capítulo 47
~ LOGAN ~Por um segundo, eu não entendi as palavras.Eu entendi as sílabas — Ma-ri-a Eu-gê-ni-a Valen-ça — mas o sentido delas não encaixava em nada do que eu era capaz de admitir como realidade.O copo escorregou da minha mão antes que eu percebesse que eu tinha soltado. Vidro no chão. Um estalo seco. O líquido se espalhando como se a noite também tivesse derramado.Eu fiquei parado, encarando o que tinha acabado de acontecer, como se o barulho fosse o único jeito do meu corpo dizer: isso não pode ser verdade.— Logan… — ele falou, com aquela voz que ele usava quando eu entrava em modo perigo. — Respira.Eu respirei. Uma vez. Duas. Sem ar suficiente.— Repete — eu disse, e minha voz saiu baixa demais para um homem que comandava um império inteiro. — Repete o que você acabou de dizer.Ele não repetiu. Porque ele não queria me dar a chance de fingir que tinha entendido errado.— Eu descobri no dia em que ela foi ser efetivada — ele explicou, rápido, como se isso pudesse me salvar do s
Capítulo 48
~ LOGAN ~Ele me olhou como se eu tivesse acabado de aprovar uma decisão sem ler o relatório. Como se estivesse recalculando tudo o que sabia sobre mim.— Você não vai? — ele perguntou, devagar, como quem espera que eu corrija a frase.— Não vou — eu confirmei.Ele respirou fundo, e eu vi a decisão dele de não surtar por mim. Em vez disso, ele fez o que sempre fazia quando eu entrava naquele modo perigoso: tentou me trazer de volta para a lógica com movimentos pequenos.Calmamente, ele foi até o bar da cabine, pegou uma garrafa e serviu dois copos. Um para ele. Um para mim. Colocou o meu na minha mão como se estivesse passando um arquivo confidencial.— Escuta — ele começou, com paciência estudada. — Eu não sei se você entendeu bem.Eu não desvie o olhar.— Entendi perfeitamente.— A babá dos seus filhos — ele insistiu, como se repetir pudesse me reprogramar —, a mulher com quem você acabou de transar, é Maria Eugênia Valença. Sabe? Maria Eugênia Valença. A mesma que te humilhou ao fu
Capítulo 49
~ MAREU ~Eu acordei com o coração no teto e o corpo… traindo. Como se tudo o que aconteceu na noite anterior ainda estivesse acontecendo em câmera lenta dentro de mim. Minhas pernas protestaram quando eu me sentei na cama. Meu pescoço protestou quando eu virei o rosto. Meu orgulho protestou o tempo todo.Logan Novak já estava acordado.Na sala da cabine, sentado como se tivesse nascido ali, impecável de um jeito irritante. Camisa, relógio, postura. O homem tinha a capacidade sobrenatural de parecer um CEO mesmo dentro de uma cabine de navio, às… sei lá, manhã cedo.Ele levantou os olhos na minha direção.E eu, imediatamente, virei uma pessoa sem qualquer treinamento social.— Bom dia — eu disse, alto demais.Ele fez um movimento mínimo com a cabeça.— Bom dia.O silêncio que veio depois foi do tipo que dá pra cortar e servir com café.— Eu vou… — eu comecei, e minha voz falhou no meio como se o meu corpo estivesse rindo de mim. — Eu vou buscar a Olívia no… no acampamento.— Laboratór
Capítulo 50
~ MAREU ~Tá, sejamos honestos. Não que eu não sabia como agir normal, é mais para se “agir normal” fosse uma modalidade olímpica, eu teria sido eliminada na fase classificatória.O que era humilhante, porque, tecnicamente, eu era uma profissional. Eu já tinha lidado com criança birrenta, com diretora de escola arrogante, com socialite venenosa, com funcionária invejosa, com bebê chorando e com a minha própria mãe no telefone. E ainda assim, bastava Logan Novak me olhar por meio segundo para eu virar uma mistura de piada ruim com pane no sistema.Eu tentei me concentrar no objetivo do dia: Olívia. Tempo de qualidade. Pai tentando. Eu, babá, cumprindo função. Tudo lindo.Nós estávamos a caminho do tour “por trás do navio”, o tipo de visita guiada VIP que mostrava áreas técnicas, bastidores, e… sim, a ponte de comando. Uma atividade real. Uma atividade normal. Uma atividade que não envolvia… lembranças físicas.Olívia caminhava na frente, segurando o folheto como se fosse um relatório a