All Chapters of Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva: Chapter 51
- Chapter 60
129 chapters
Capítulo 51
~ MAREU ~O almoço no bar da piscina tinha tudo para ser a primeira coisa normal do meu dia.O sol estava agradável, a área VIP tinha aquele silêncio chique que parecia feito sob, e Olívia estava… melhor. Não exatamente “feliz” — ela nunca era uma criança feliz do jeito convencional —, mas mais leve. A ponte de comando tinha feito alguma coisa nela. O elogio do pai tinha feito outra.E, quando ela estava assim, eu quase conseguia esquecer que eu não sabia agir normal.Quase.Logan caminhava ao lado dela como se estivesse tentando aprender a coreografia de ser pai presente. Sem atropelar. Sem desaparecer. Sem transformar tudo em uma reunião.— Eu gostei da ponte — Olívia disse, sentando-se à mesa e pegando o cardápio como se fosse uma pauta de diretoria.— Eu percebi — Logan respondeu, e havia um tom diferente na voz dele. Menos “Sr. Novak”. Mais… homem.Ela passou os olhos pelo menu.— Eu gosto de navios.Logan inclinou a cabeça, como se aquilo fosse uma informação preciosa.— Mais do
Capítulo 52
~ LOGAN ~Eu conhecia aquele tipo de aproximação.Não era um “oi” casual. Não era “prazer”. Era uma entrada calculada, com sorriso calibrado e a certeza de que o espaço já era dela.— Oi, Logan — ela disse, como se meu nome fosse uma peça que ela tinha o direito de tocar. — Eu sou a Paula Rizzo. Mas… você deve saber exatamente quem eu sou, não é?Meu cérebro fez o que sempre fazia diante de uma ameaça social: começou a puxar arquivos.Rizzo.O sobrenome bateu primeiro. Não a mulher.— Rizzo como em… Antônio Rizzo? — eu perguntei, e mantive o tom neutro.O sorriso dela aumentou, satisfeita.— Exatamente. Meu pai.Antes que alguém pudesse reagir, ela puxou uma cadeira e se sentou à mesa como se estivesse apenas retomando o lugar de sempre.Eu não a impedi.Não por falta de vontade.Por estratégia.Antônio Rizzo tinha cadeira no conselho. E, mesmo quando eu queria detestar o conselho, eu não tinha o luxo de criar um atrito público com a filha de um deles — ainda mais num navio que, na pr
Capítulo 53
~ MAREU ~Conhecia.Claro que conhecia.O que eu não tinha feito, naquela noite no corredor, era ligar os pontos com calma. Tinha sido tudo rápido. Um copo. Um vestido. Um escândalo elegante. A humilhação servida em louça fina. Eu só tinha visto o tipo de mulher e a certeza de que ela era o tipo que nunca pisaria no chão molhado… mas pisaria em você.Agora, com ela me olhando como se estivesse puxando um arquivo na cabeça, o sobrenome encaixou com um clique.Rizzo.Família Rizzo era daquelas que aparecia nos mesmos lugares que os Valença apareciam. Galas, leilões, inaugurações com champanhe demais e conversas de menos. Gente que parecia ter sido criada com manual de etiqueta e um coração opcional.Eu lembro de uma vez em que a Paula tinha feito uma garçonete quase chorar num evento daquelas fundações “importantes”. Um guardanapo caiu. Uma taça demorou. E Paula, impecável, soltou um “vocês treinam essas pessoas onde?” tão alto e tão doce que ninguém pôde fingir que não ouviu.Daí pra f
Capítulo 54
~ CLARA ~Meu celular vibrou em cima do balcão como se tivesse sido possuído por uma urgência adolescente, o que era irônico, considerando que a dona da mensagem era Mareu e o drama dela nunca vinha em modo “leve”.Mareu: Paula Rizzo tá nesse navio e dando em cima do Logan. Dá pra acreditar?Eu li duas vezes. Não por incredulidade. Por prazer.Mareu irritada era sempre um espetáculo. Mareu irritada por causa do Logan… era um espetáculo com fogos.Eu: Quem raios é Paula Rizzo?A resposta veio rápido demais.Mareu: Alguém da minha época de rica. Uma chata. Mas ela não me reconheceu porque estava ocupada dando em cima do Logan. Eu já disse isso?Eu mordi a parte de dentro da bochecha para não rir sozinha no bar.Eu: Alguém parece com ciúmes.Demorou três segundos. Três.Mareu: SIM! A Olívia tá com MUITO ciúmes.Claro.Eu encostei o celular no peito por um instante, como se aquilo fosse me proteger do meu próprio riso. Mareu podia tentar ser esperta, mas eu conhecia o jeito dela de escond
Capítulo 55
~ MAREU ~O drink com a Clara tinha sido… estranho.Não estranho do tipo “navio balança e eu fiquei tonta”. Estranho do tipo “minha melhor amiga está com um segredo no bolso e eu consigo ver o contorno dele pela costura”.Ela riu nas horas erradas. Concordou rápido demais. E, por duas vezes, olhou por cima do meu ombro como se estivesse esperando alguém aparecer e salvar a conversa.Eu tentei não concluir nada.Mas conclui que talvez ela estivesse com um caso com o Henrique.Ou talvez ainda não fosse exatamente um caso, mas caminhando naquela direção com a tranquilidade de quem finge que não está caminhando. O que era injusto, porque eu… eu tinha contado a ela sobre a noite anterior com o Logan.Não em detalhes, óbvio.Mas tinha contado o suficiente para a Clara me olhar como se eu tivesse cometido um crime e, ao mesmo tempo, como se eu tivesse ganhado na loteria.E ela não tinha me contado nada.Não era só a Clara estranha. Era o jantar chegando. Era a Paula. Era a sensação de que o
Capítulo 56
~ MAREU ~O jantar começou do jeito que eu mais gostava: íntimo. Só Logan, Olívia e eu — e um cardápio chique demais para admitir que era, no fundo, só comida.O deck executivo estava bonito de um jeito discreto. Luz baixa. Tecidos claros. Copos que faziam aquele som fino quando encostavam. O mar escuro lá fora como se fosse parte da decoração.Logan passou os olhos pela carta de vinhos com a seriedade de quem lê um contrato.E então, para minha surpresa, ele ergueu o olhar para mim.— Você gosta de tintos mais encorpados ou mais leves?Eu pisquei, pega no contrapé. Ele me perguntar aquilo, ali, com aquela calma… parecia uma gentileza intencional. E eu não sabia o que fazer com gentilezas intencionais.— Eu… gosto de leves — eu respondi, sincera. — Mas eu não sou exatamente uma especialista.Logan assentiu como se eu tivesse dado uma informação útil, não uma confissão de ignorância social.O dedo dele parou numa opção.— Um Bellucci Rosso — ele disse, quase para si. Depois olhou para
Capítulo 57
~ MAREU ~Se existe uma forma elegante de sair do colo de um bilionário, eu não tinha recebido o tutorial.Porque eu ainda estava sentada no colo de Logan Novak.No deck executivo.Com um homem importante demais parado diante da mesa.E com a minha mente fazendo aquela coisa engraçada e cruel: rodando possibilidades como se eu fosse um computador superaquecendo.Contra: o movimento rápido tinha grandes chances de virar um espetáculo. E eu já tinha entretido o suficiente por uma noite.Segunda opção: ficar onde eu estava e me unir à decoração. Virei um vaso. Virei uma almofada. Virei um elemento arquitetônico do navio.Contra: eu estava no colo de um homem. Elementos arquitetônicos não ficam no colo.Eu precisava respirar. Eu precisava de um plano que não envolvesse me jogar no mar.— É uma pena que você não tenha podido se juntar a nós no jantar dessa noite — ele disse, no tom de quem chama atenção sem precisar levantar a voz.Logan não piscou.— Eu reservei alguns momentos mais intim
Capítulo 58
~ LOGAN ~O bar do deck executivo estava vazio do jeito que eu gostava: silencioso, limpo, eficiente. Um espaço desenhado para conversas que valiam dinheiro.Eu tinha chegado alguns minutos antes do horário combinado com Antônio e pedi uma água com gás.Nada de bebida naquele horário. Nada de bebida para falar de negócios.Ainda assim, um sorriso idiota insistia em tentar invadir meu rosto — um desvio mínimo, quase imperceptível — sempre que a memória me traía e me devolvia a cena da noite anterior.Mareu no meu colo.O peso leve do corpo dela contra o meu, o calor atravessando o tecido do meu terno como se roupa fosse uma sugestão. O segundo em que a gente ficou imóvel demais. E o minuto seguinte, quando o mundo voltou a existir e tudo ficou… perigosamente concreto.Depois veio o resto.O rasgo. O vento indevido. A frase da minha filha, dita com a serenidade de quem entrega um laudo:“Sua calcinha está.”Eu tinha emprestado meu blazer para Mareu amarrar na cintura. Não por cavalheiri
Capítulo 59
~ LOGAN ~A gravata estava correta. O nó, simétrico. O paletó, no caimento exato. O tipo de perfeição que eu conseguia controlar sem esforço.Era o resto que eu não controlava.Eu ajustei a manga, conferi o relógio, respirei como quem se prepara para uma reunião.Um baile de gala não era uma reunião.Mas eu ia tratá-lo como se fosse.Quando saí da suíte e desci para a sala, o som da TV me puxou antes de qualquer coisa: uma música dramática, vozes intensas, uma cena que parecia ter sido escrita por alguém que nunca conversou com um ser humano de verdade.Olívia e Mareu estavam no sofá.Olívia sentada com postura perfeita, como se até relaxar fosse um cargo. Mareu mais solta, com as pernas dobradas, o rosto atento demais para algo que claramente não merecia atenção.Eu parei por um instante na porta. Aquilo… aquilo parecia normal. Quase.E talvez por isso eu tenha ido até elas.— O que vocês estão assistindo? — eu perguntei, me sentando por um segundo na poltrona de frente.Olívia nem t
Capítulo 60
~ MAREU ~Eu e Olívia já estávamos de pijama, largadas no sofá como duas pessoas que tinham desistido da própria postura social.O que, no caso dela, era quase histórico.No meu era mais... qualquer fim de noite.A TV iluminava a sala com aquela luz azul de dorama ruim: olhares longos, trilha sonora dramática e uma personagem feminina tomando decisões questionáveis com convicção.Olívia mastigava devagar um pedaço de chocolate que eu tinha negociado com promessas vagas de “só mais um episódio”.Ela fingia que estava ali por obrigação científica. Mas eu conhecia o jeito dela de observar quando estava gostando.— Tá — ela disse, sem tirar os olhos da tela. — Eu admito. É engraçado.Eu me virei para ela com um sorriso satisfeito demais.— Eu disse.Olívia bufou, e depois voltou para a tela.— Eu só não entendo — ela continuou, no tom clínico — por que você se emociona tanto.Eu demorei um segundo. Não porque eu não soubesse responder. Mas porque eu não gostava de admitir coisas que parec