All Chapters of Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva: Chapter 71
- Chapter 80
129 chapters
Capítulo 71
~ MAREU ~Eu não estranhei a palavra “contrato”.Olívia chamava metade da vida de contrato.Chocolate era contrato. Horário era contrato. Até “promessa de não rir” vinha com termos e condições.O que me deu um nó por dentro foi perceber qual era o contrato dessa vez.Porque ela ainda estava com o rosto molhado, com a voz quebrada nas pontas, e mesmo assim já estava fazendo aquilo que fazia melhor: tentar transformar um sentimento que doía em uma coisa que pudesse ser assinada.Eu vi a decisão endurecendo o que o choro tinha amolecido. Vi a criança tremendo por baixo e, por cima, aquela mini executiva puxando uma prancheta imaginária pra dentro da cama.Eu não tive coragem de interromper.— Um… contrato?— Sim — ela falou, firme, como se fosse óbvio. — Porque ele não está sendo confiável.Eu abri a boca. Fechei. A vontade de rir veio por reflexo. Não do choro, não da dor, mas do jeito como ela tinha acabado de carimbar o próprio pai como “não confiável”, como se ele fosse um fornecedor
Capítulo 72
~ MAREU ~A folha estava dobrada em quatro na minha mão, mas, pelo peso emocional, parecia que eu carregava um tijolo.Quando eu cheguei à sala, a iluminação estava baixa. O navio inteiro tinha aquela respiração de mar ao fundo, constante, como se também estivesse tentando se acalmar.Logan estava no sofá.Ele levantou o olhar no instante em que me viu.Não foi o olhar de “o que você quer”. Foi o olhar de “eu já sei que é coisa séria”.— Ela… dormiu? — ele perguntou, baixo.— Dormiu — eu respondi. E senti o corpo inteiro relaxar meio centímetro só de dizer a palavra.Logan assentiu. Passou a mão pela nuca, como se tentasse organizar pensamentos que estavam todos em greve.Eu fiquei parada, com o papel na mão, olhando pra ele como se eu estivesse segurando uma bomba com instruções em letra infantil.— Liv fez um… — eu comecei, e a palavra enganchou na garganta. Porque contrato era normal na boca da Olívia. Mas não era normal naquela situação. — Um contrato.Logan fechou os olhos por um
Capítulo 73
~ LOGAN ~— Eu prometi… — Mareu murmurou. — Prometi que ia te entregar e… fazer você assinar.Eu fiquei olhando para ela por um segundo, tentando não deixar a primeira reação subir pela garganta. Porque a primeira reação era injusta. E, mesmo assim, era real.— Não promete coisas pra minha filha sem me dizer — eu falei, baixo.Mareu travou por um segundo.— Eu sei — ela respondeu. — Eu sei.— Ainda assim você prometeu — eu falei, duro.— Eu prometi — ela admitiu. — Porque eu não sabia como dizer não. Não naquela hora.Eu passei a mão pelo rosto. Devagar. Tentando organizar tudo em ordem cronológica, como se emoção obedecesse a linha do tempo.— Você entende o tamanho do que ela te pediu?Mareu levantou o olhar.— Eu entendo o tamanho do que ela sentiu — ela corrigiu, e eu senti a facada limpa da frase. — O pedido veio disso.Eu não respondi na hora. Porque ela estava certa do jeito mais irritante possível.Mareu respirou.— Mas… — ela continuou, mais baixa. — Óbvio que é você quem dec
Capítulo 74
~ PAULA ~Na manhã seguinte ao baile, eu acordei cedo na minha cabine — não porque eu precisava, mas porque eu tinha aprendido desde pequena que a melhor maneira de lidar com um incômodo é olhar direto para ele até ele virar informação.Sentei com a bandeja de café da manhã diante de mim, o mar do lado de fora fazendo aquele barulho constante de riqueza em movimento, e peguei o celular.A imagem da babá apareceu na minha cabeça antes mesmo de eu digitar qualquer coisa.O rosto. O olhar. A energia.Não era “uma funcionária”.Era… familiar.Na noite anterior, eu tinha saído da cabine do Logan com aquela certeza irritante E eu ia confirmar da maneira mais simples do mundo: com um nome.Eu digitei devagar: Maria Eugênia Valença.Não era um nome comum. Nomes comuns não vêm com sobrenomes que carregam história. Valença vinha com coluna social, com casamento anunciado, com foto em revista, com pacto entre famílias.A busca carregou.Uma foto antiga apareceu primeiro: um evento, luz branca de
Capítulo 75
~ MAREU ~Eu acordei com o som de passos no corredor.Logan.Eu puxei o robe por cima do pijama e abri a porta só o suficiente pra espiar.Ele estava saindo do quarto da Olívia.A camisa dele estava impecável do mesmo jeito que sempre estava — porque Logan tinha uma relação séria com o conceito de “estar apresentável”, mesmo às sete da manhã. Mas o rosto… o rosto dele denunciava. Um pouco cansado. Um pouco… vulnerável. Um pouco pai.Eu engoli.— Como ela está? — perguntei, baixo, antes que a minha coragem resolvesse fugir.Logan ergueu o olhar na minha direção. Por um segundo, eu achei que ele ia responder com uma frase seca, objetiva, igual relatório. Mas a voz saiu diferente. Mais humana.— Melhor. — Ele fez uma pausa curta. — Ela… aceitou.O meu peito afrouxou uma fração de centímetro.— Aceitou? — repeti, porque até onde eu sabia era Logan quem precisa aceitar alguma coisa.Logan assentiu. E então fez um gesto com a cabeça.— Vem.Eu ia seguir ele até a sala, óbvio. Sala era terri
Capítulo 76
~ MAREU ~Eu estava de folga naquela tarde.Olívia tinha ficado numa atividade infantil do navio. Uma daquelas coisas com monitores treinados, pulseirinhas coloridas e um cronograma perfeitamente pensado. Ela tinha ido com a postura de quem estava indo pra uma reunião do conselho, óbvio. Nem “tchau” ela deu. Só um aceno curto, como quem diz: estou sob controle; volte em duas horas.E Logan tinha saído pra uma reunião. Porque até no meio do oceano o mundo corporativo encontrava um jeito de subir a bordo, sentar numa sala bonita e cobrar “alinhamento”.Eu, então, tinha… tempo.Então, quando Clara apareceu, eu aceitei o convite sem discutir demais, porque eu estava cansada de discutir até com as coisas boas.— Vem comigo — ela anunciou, surgindo na porta como se fosse dona do meu calendário.Eu levantei os olhos do sofá e fiz a cara que eu usava quando queria parecer difícil só pra manter a reputação.— Isso é um sequestro?Clara levantou o pulso e balançou um bracelete dourado, discreto
Capítulo 77
~ CLARA ~Eu corri.Corri até a recepção como quem corre de um incêndio. E, quando eu cheguei, a atendente me olhou com aquele sorriso treinado, limpo, perfeito.— Com licença — eu disse, e a minha voz já saiu cortada pela urgência. — Minha amiga está presa na sauna VIP. Ela não consegue sair.O sorriso da atendente tremeu. Um milímetro.— Senhora, calma…— Não dá pra calma — eu cortei. — Ela tá lá dentro. Está quente. Ela tá ficando tonta.A atendente piscou, processando.— Eu vou… eu vou acionar o protocolo — ela disse, pegando o rádio.Eu senti raiva. Uma raiva seca, imediata, porque “protocolo” sempre vinha com “aguarde”.— Protocolo? — eu repeti, sentindo o sangue subir. — Que porra de protocolo você precisa pra abrir uma porta? VEM COMIGO!A atendente hesitou um segundo, presa na regra invisível de “não saia do balcão”. Então pegou o rádio e veio atrás de mim com passos pequenos, como se ela estivesse entrando num lugar proibido.No caminho de volta, eu já gritava:— Segurança!
Capítulo 78
~ LOGAN ~O sol batia no convés com uma gentileza ensaiada, o gelo tilintava nos copos, e as pessoas riam como se o mundo não tivesse prazos, contratos e acionistas. O mar, ao redor, fazia o papel dele: bonito, constante, convincente.Eu estava no meio de uma apresentação sem slides.Do jeito que eu preferia.Alguns homens importantes — investidores e representantes — me cercavam com sorrisos e perguntas que já vinham com a resposta dentro. Eu apontava detalhes do navio como quem aponta números em uma planilha.— Due diligence começa amanhã — eu disse, como se eu estivesse escolhendo um vinho. — A proposta final, em quarenta e oito horas.Eu estava no controle.Até Henrique franzir a testa olhando para o próprio celular.Foi um movimento pequeno. Um detalhe. O tipo de detalhe que eu aprendi a ver antes de qualquer outra pessoa, porque era assim que eu sobrevivia: lendo microexpressões antes que elas virassem incêndio.— Me dá cinco minutos — ele murmurou, e se afastou um pouco, se vir
Capítulo 79
~ HENRIQUE ~Se tem uma coisa que eu odeio mais do que atraso, é incompetência.O corredor do spa ainda tinha aquele cheiro de eucalipto que devia significar paz, mas, pra mim, só significava que uma tragédia quase aconteceu num lugar feito pra gente fingir que relaxa.O gerador de emergência já tinha estabilizado as luzes fracas, e o barulho do navio voltava aos poucos — um zumbido distante, como se nada tivesse sido grande coisa. Só que eu tinha visto o Logan sair da sauna com a Mareu no colo.Eu tinha visto a cor da pele dela.Eu tinha visto o jeito como ela não estava ali inteira.E isso era o tipo de imagem que meu cérebro não deixava “passar”.— Onde está o responsável por isso? — eu perguntei, e minha voz saiu num tom que eu raramente usava. Sem charme, sem piada, só “vamos resolver”.Um segurança apontou para um homem de postura rígida, rádio na mão, cara de “sou o responsável até alguém acima de mim aparecer”.Eu fui até ele.— Explica — eu disse.— Senhor Alencar, nós seguim
Capítulo 80
~ HENRIQUE ~— O quê? — eu repeti, porque às vezes o cérebro precisa ouvir a própria voz pra acreditar no absurdo. — Por que alguém tentaria matar a Mareu?Clara deu de ombros, mas foi um gesto ruim, sem leveza. Um ombro que não diz “tanto faz”. Diz “eu ainda tô tentando encaixar as peças e nenhuma cabe”.— Eu não sei — ela falou, e a voz dela saiu seca. — Eu só sei que… tudo foi armado pra que fosse ela naquela sauna.Clara respirou e completou, como se a ideia tivesse chegado com atraso e mordido.— Talvez… talvez comigo como efeito colateral.Aquilo me acertou num lugar que eu não gostei.Eu aproximei um pouco a mão e apertei de leve o ombro dela, um toque curto, mais pra ancorar do que pra consolar. Clara estava de pé, mas parecia com a sensação de estar prestes a cair.— Você não é “efeito colateral”, Clara — eu disse, baixo. — Você é… você.Ela me olhou de lado, e eu vi a raiva passando rápido pelo olhar dela. Raiva de tudo. Raiva de ter sido usada. Raiva de ter acreditado.— E