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Me diz a verdade
Author: Edi Beckert
last update2025-09-11 08:40:46

Capítulo 4

Vinícius Strondda

Estacionei o carro de qualquer jeito e saí primeiro. Abri a porta do lado dela e a puxei pelo braço sem paciência. A garota não falava nada, mas o silêncio era mais irritante do que se tivesse gritado. Entrei com ela em casa, levei-a direto para o mesmo cômodo onde estava. Fechei a porta com força e encostei-a contra a parede.

— Agora tá resolvido, porra! — gritei, batendo a palma da mão ao lado da cabeça dela. — Eu dei o que você queria. O cara morto, o problema apagado, e você não teve coragem de abrir a boca. Por quê? Tá mentindo pra mim? Como alguém ainda ousa tentar mentir e enganar um Strondda?

Ela respirava rápido, olhos brilhando de fúria. De repente, me empurrou com força, encostando a arma que eu ainda segurava contra o próprio peito.

— Quer me matar? Então mata! — a voz dela saiu trêmula, mas cortante. — Vocês homens são todos iguais! Eu fugi de um monstro pra encontrar outro pior? Prefiro morrer!

A garota avançou até mim e agarrou meu punho, levando a arma até a própria testa. O metal encostou na pele branca dela. Claro que eu poderia ter evitado, mas iria perder de ver isso de perto? Ela é inusitada. Diferente. Audaciosa.

— Mata. Já vi que gosta de matar. Mata logo. — Que vontade do caralho de beijar essa ragazza.

Segurei firme o cabo da pistola, mas não puxei o gatilho. Aproximei o rosto, meu hálito batendo no dela.

— Eu mato quem eu tenho vontade, ragazza. — minha voz saiu baixa, cheia de autoridade. — Ninguém me diz o que fazer. Ninguém me dá ordens. O único que ainda ouço é meu pai. E não porque ele manda, mas sim, o admiro — porque até a minha mãe já desistiu de mandar. Só aconselha. Mas eu… eu só obedeço quando quero. E não vai ser você que vai decidir quando a minha bala sai, principessa.

Ela não piscou. Um fio de lágrima desceu, mas sem quebrar o olhar. Preciso admitir... Tem coragem.

— Eu ouvi falar que seu pai é um homem bom. Justo. Honesto. Pelo visto, você não herdou nada dele.

Ri alto, um riso seco que ecoou no cômodo.

— Meu pai? Um homem bom? Em que mundo você vive, piccola? Ele é o demônio. Bom só com a minha mãe. E, às vezes, com a famiglia. Pode até ser justo, pode até ser honesto… mas se alguém pisa nas rosas dele, é enterrado vivo. E você pisou.

O choro dela ficou mais pesado, mas ainda assim não abaixou a cabeça.

— Foda-se. — murmurou, engolindo a dor. — Me mata de uma vez.

Guardei a pistola devagar no coldre, o olhar cravado nela.

— Claro que não. Você vai casar comigo. Estou começando a achar que tem aminesia.

— Eu não quero. — cuspiu, sem pensar. — Terei que me matar pra isso não acontecer?

Inclinei a cabeça, olhando para cada detalhe do rosto dela.

— Não terá essa oportunidade. — respondi frio. — Aliás… vou te levar para um quarto. Precisa de um banho, ficar apresentável. Caso algum idiota do conselho apareça. Ou minha famiglia volte da viagem.

Ela não respondeu. Só ficou calada, o que já era uma vitória. E nos olhos dela vi um brilho diferente: queria o banho, queria limpar o sangue que tinha visto.

— Escuta bem, piccola. — aproximei o rosto, minha voz roçando seu ouvido. — Vai ficar comigo. Pode andar pela casa, pode respirar. Mas não pode sumir. Se eu ver um fio do seu cabelo pra fora da janela, eu vou saber. Meus homens vão saber. E a ordem não é de matar… é de te tratar como traidora. E eu já contei pra onde vão os traidores, não contei?

O corpo dela estremeceu, mas não abriu a boca.

— Agora vem comigo.

Caminhou à minha frente, rebelde no passo, mas obediente no destino. Eu abri a porta do quarto, deixei-a entrar, e fechei em seguida. Tirei a pistola do coldre e a deixei sobre a cômoda.

— Tire a roupa. Vou encher a banheira.

— Não. Nem pense que vou ficar nua na sua frente. — Cruzou os braços e ri.

— E quem diabos toma banho de roupa? Tá louca?

— Eu tomo. — rebateu firme, o que me fez sorrir de canto.

Me aproximei, bem devagar, até o calor do meu corpo quase tocar o dela. Lucia é linda. É mais alta que as mulheres daqui, não é pequena. Não é dessas magrinhas que sinto pena. É um mulherão. Quero ver essa cintura e essa bunda como é sem roupa.

— Você é inusitada, ragazza. Eu gosto disso. Sabe… eu nunca liguei pras regras idiotas da máfia. — Passei a mão no cabelo dela, e fechou os olhos.

— Que regras? — desafiou, tentando disfarçar o tremor.

Passei os dedos no pescoço dela, lento, sentindo a pele arrepiada.

— A regra de que mulher precisa casar virgem. Pelo menos meu pai acabou com a palhaçada do lençol ensanguentado… Mas comigo é simples: se for boazinha com seu noivo, eu te dou alguma regalia.

Ela estreitou os olhos.

— Boazinha como?

— Tire toda a roupa, ragazza. Entre na banheira.

— O que vai fazer se eu tirar?

— Nada. — dei um sorriso maldoso. — Só quero olhar. Saber se fiz uma boa escolha.

Os olhos dela arderam.

— Então vou tirar. — disse de repente, com raiva. — Assim você desiste de vez. Porque meu corpo não é o que você imagina.

E antes que eu respondesse, ela começou a se despir. Devagar, mas não com sedução: com fúria. As mãos firmes arrancando peça por peça, os olhos cravados em mim como se cada movimento fosse uma afronta.

E foi nesse instante que meu corpo inteiro paralisou.

Fiquei sem ar.

E entendi que Lucia Bianchi não era só mais uma mulher jogada no meu caminho. Era uma guerra que eu ainda não sabia se queria vencer… ou perder.

— Satisfeito? Agora vai me deixar ir embora? — olhei minusciosamente para cada detalhe do corpo dela.

Coxas grossas, bem delineadas. A cintura que eu esperava, a bunda gostosa pra caralho. A barriga bonita, não era magra, nem gorda. Os seios grandes, perfeitos, e uma boceta parcialmente encoberta com pelos pretos e curtinhos, mas...

— Você precisa me dizer a verdade, Lucia. Aquele que matei foi quem fez isso com você? — Ela era coberta de pequenas cicatrizes. Só olhando de perto e na claridade pra saber. Mas eu vi cada uma delas. Todas da cintura pra cima.

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