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Era uma ordem
Author: Edi Beckert
last update2025-09-11 08:41:10

Capítulo 5

Vinícius Strondda

Eu estava parado, esperando. O silêncio dela me devorava mais que qualquer resposta. O corpo nu diante de mim era uma afronta, um espetáculo de guerra e cicatrizes. E, quando ela apenas balançou a cabeça negando, fiquei louco de raiva.

— VOCÊ OUSA MENTIR PRA MIM, MALEDETTA? VOCÊ OUSA? — explodi, a voz explodindo pelas paredes como um trovão. Avancei de uma vez, segurei os braços dela e a chacoalhei com força, sentindo os ossos delicados baterem contra minhas mãos.

Os olhos dela queimavam contra os meus, e não havia medo. Só fúria.

— Eu não menti. Você é um idiota que matou alguém que não devia.

— Cazzo...

A respiração me queimou o peito. O sangue latejava nas têmporas. Inclinei o rosto até o dela, quase encostando minha testa ali.

— Você é insolente demais. As vezes canso disso! — meus dedos apertavam com mais força, a pele dela ficaria marcada. — Eu já marquei a porra da data do casamento para o fim de semana e você não consegue ser o mínimo possível, sincera comigo. Diz logo! Aquele era o cara, ou não?

Ela gritou de volta, como se não tivesse nada a perder:

— NÃO! AQUELE NÃO ERA O CARA! NUNCA VI AQUELE HOMEM NA VIDA! SATISFEITO?! SE ELE ME CONHECESSE TERIA DITO MEU NOME, OU IMPLORADO POR AJUDA. NÃO ACHA?

As palavras dela ficaram martelando dentro da minha cabeça. Eu ainda a segurava, mas fui soltando devagar, sentindo meu peito subir e descer como se tivesse corrido uma maratona. Os olhos dela brilhavam de lágrimas, mas não tremiam.

Respirei fundo. Ela tinha razão. Eu sabia.

— É… tem razão. — murmurei, olhando para baixo, os dedos deslizando pelo próprio cabelo. — Mas por que não me diz a verdade então? Por que aquele é o nome que disse. E se não é… — voltei a encará-la com fúria contida. — Você mentiu pra mim, ragazza.

Ela fechou os olhos por um instante, respirou fundo, olhou para o chão e depois pra mim.

— Olha, eu estou tão cansada… — a voz dela saiu baixa, mas firme. — Eu só queria esquecer o maldito que me machucou e pronto. Será que é difícil entender que não quero lembrar do que ainda dói? Por favor.

Meu maxilar travou. Caminhei até a cômoda, peguei a pistola e, sem pensar duas vezes, encostei o cano frio no pescoço dela. A pele arrepiou no mesmo instante.

— Então jura pra mim, ragazza. — exigi, a boca quase colada na orelha dela. — Jura que não ama mais esse cara. É isso não será um problema no nosso relacionamento.

— Eu juro. — respondeu firme, sem piscar. — Só me deixa ir embora?

Minha raiva cresceu outra vez.

— Não me peça isso de novo porque me irrita ao extremo.

Ela me encarou, o rosto molhado de lágrimas, mas a boca ainda cuspindo fogo.

— O que quer de mim? Tá na cara que não sou seu tipo. Quer me humilhar?

Dei a volta ao redor dela, lento, como um predador cercando a presa. Toquei de leve seu ombro, desci os dedos até o braço e murmurei:

— Meu tipo… ah, ragazza, você não sabe nada sobre mim.

Ela virou o rosto, tentando me acompanhar com os olhos.

— Eu sou pobre. Você é rico. Sou horrível, cheia de cicatrizes, e não sou a moça pura que a máfia exige. Conheço as regras da máfia italiana.

Meu sangue ferveu. Agarrei o queixo dela, erguendo o rosto até nossos olhos ficarem alinhados.

— Eu já falei que não me importo, ragazza. Estou puto com tanta regra do diavolo. Quero acabar com elas. — minha voz era um sussurro carregado de raiva. — E não volte a se chamar de horrível, juro que isso me deixa furioso.

Soltei-a com um empurrão leve, caminhando de um lado a outro do quarto. O coração batia descompassado, a mente dividida entre a ordem e o delírio.

Mostrar que as regras não me atingem diante da famiglia é uma coisa. Mas suportar essa mulher que me desafia a cada palavra… isso teria que compensar.

Fiquei em silêncio, apenas respirando fundo, pensando se fiz a escolha certa.

— O que está pensando? — a voz dela cortou o ar, hesitante. — Posso me vestir?

Parei no meio do quarto, virei devagar e sorri de canto.

— Tome banho. Vou passar essa noite com você.

Ela piscou, surpresa.

— Como?

— É exatamente o que ouviu. Se vou casar com você, preciso saber se vou gostar. — minha voz era firme, autoritária. — Agora vai para a banheira que eu vou te esperar aqui.

Ela deu um passo para trás, a respiração presa.

— Não. Por favor.

Me aproximei, tirando o paletó devagar. Coloquei a pistola sobre o armário enquanto olhava pra ela. Seu desespero me intrigava.

— Por que não? Não me acha atraente? Sei que não é pura. Então qual o problema de transar comigo?

Joguei o paletó na poltrona, abri os botões da camisa um a um, até escancarar o abdômen marcado pelo treino e pelas cicatrizes da minha vida.

Sorri quando vi os olhos dela descendo pelo meu corpo, a boca entreaberta, como se tivesse esquecido de respirar. Maledettos cabelos vermelhos que me chamam pra ela.

— Nossa… — murmurou baixo, sem perceber. — Você é tão bonito… Muito bonito. É jovem, tem desenhos no abdômen, marcas leves e bonitas de alguém que malha.

— Também gosta do meu rosto? — fui mais perto.

— Bom... Na verdade, você é lindo. Tem a pele clara, olhos verdes, quase azuis. O cabelo é bem preto e tão lisinho. Deve só usar produtos caros.

Um sorriso arrogante tomou meu rosto. Aproximei devagar, passando a mão pela linha do cabelo dela, descendo até o ombro nu.

Imediatamente ela voltou a abrir a boca. Como se perdesse o ar ou tivesse muito impressionada.

— Bom, você me quer. Agora obedeça, ragazza. Me faça querer tirar o resto. — Era uma ordem.

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